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O gráfico acima se refere as empresas zumbis nos EUA.

Em termos simples, empresas zumbis nada mais são do que empresas que não tem capacidade de pagar suas dívidas. Isso é, o caixa que elas geram, não é suficiente sequer para arcar com suas dívidas.

Desde 2002, época em que os EUA começaram a trabalhar com juros baixíssimos (abaixo dos 2%), a quantidade de empresas alavancadas cresceu violentamente. Em 2008, quando pela primeira vez na história os EUA colocaram a sua taxa de juros em 0% após a crise do subprime e começou sua política de afrouxamento quantitativo injetando trilhões e trilhões de dólares na economia, houve mais uma disparada na existência desse tipo de empresa.

Como fica claro, quase 20% das empresas americanas são empresas “zumbis”. Empresas que sobreviveram durante anos se endividando e sem gerar qualquer tipo de resultado somente porque a taxa de juros do país estava em 0%, o que tornava o endividamento leve e praticamente sem custos.

Hoje, com o FED elevando os juros para tentar controlar a inflação no país, essas empresas sofrerão – principalmente as menores. É mais um fator que coloca o FED contra a parede e dificulta sua tomada de ação, visto que uma elevação de juros muito forte pode causar uma recessão tão forte quanto na economia, afinal, haverá uma quantidade gigante de companhias no país que não suportarão o endividamento e fecharão as portas, o que levará a um aumento de desemprego, queda de renda e, consequentemente, crise.

Esse é um dos diversos fatores do mercado ter certo ceticismo com a economia dos EUA no momento – o fato de que o FED está contra a parede, sem saber como conseguiu controlar a inflação sem que cause uma recessão.

Tudo isso beneficia os mercados emergentes – em especial, o Brasil, com seu cenário commoditizado.
Fizemos uma postagem na nossa página sintetizando sobre o uso do FGTS para comprar as ações da Eletrobras, mas resumiremos aqui também, dado o espaço mais didático e o modelo de texto que permite maior liberdade.

Em síntese, existem 5 pontos que o investidor deve saber antes de tomar a decisão.

1. O investimento será feito num fundo, e não nas ações diretamente.

Esqueça a ideia de que você terá suas ações diretamente na sua corretora assim como você tem como qualquer outro ativo. Não será assim. Seu dinheiro será investido em um fundo mútuo de privatização e o gestor comprará as ações para você.

2. Você pagará taxa de administração anualmente.

Sendo um fundo, obviamente você pagará taxa de administração. Aqui cabe o ponto de atenção: algumas gestoras cobram taxas altíssimas, enquanto outras, sequer taxas cobram. Na imagem que postamos agora junto ao texto (créditos ao Renam Lam) há a tabela dos fundos e respectivas taxas divulgadas até então.

3. O período de lockup é de 12 meses.
Você precisa ficar com as ações por pelo menos 12 meses. Antes disso, você não pode vender, independente da situação, valorização ou desvalorização do ativo. O nome disso é lockup. Se a ideia for um trade rápido de compra e venda para aproveitar o hype da privatização, não se esqueça: 12 meses casado com o fundo.

4. O dinheiro ficará no FGTS independente do que você faça.
Muita gente tem pensado em uma ideia espertinha de utilizar o dinheiro do FGTS para comprar as ações, vender as ações e então sacar o dinheiro para tirar o dinheiro do FGTS. Isso não funciona. Absolutamente qualquer transação que você faça, fará com que o dinheiro volte para o seu saldo do FGTS, sendo resgatável somente face as condições de sempre que o FGTS permite.

5. Você não receberá dividendos das ações diretamente.
Não, os dividendos não cairão na sua conta do FGTS. Como você investirá em um fundo, quem receberá os dividendos das ações será o gestor do fundo, que por sua vez, terá a obrigação de reinvestir no próprio fundo comprando mais ações. Em resumo, o dinheiro será reinvestido, assim como funciona nos fundos passivos e ETFs por aí. Não espere ver dividendos caindo na sua conta do FGTS pois não acontecerá.

Enfim, os principais pontos são esses. A decisão sobre fazer ou não esse movimento de utilizar o saldo do FGTS para comprar as ações, cabe a você. No que você fizer, você deixa de ter o rendimento de 3% a.a + TR que o FGTS proporciona e seguirá todas as regras citadas acima.

Lembrando que o período de reserva é entre o dia 03/06 e 06/06 e terá um limite de 50% do seu saldo total do FGTS (ou um teto de R$50 mil), sendo que há chances de rateio, dependendo da força compradora do ativo no momento da reserva.
A história sobre a bolsa brasileira que quase ninguém conta

Um país que é palco de gigantes perturbações políticas, instabilidade, chacoalhadas econômicas e fatores que nos fazem questionar o quão longe iremos todos os dias – esse é o Brasil. Como bem diz a frase, por aqui podemos morrer de susto, mas nunca de tédio.

Circundado por problemas que absolutamente qualquer outro país emergente também sofre, com o advento da facilidade do acesso que nós brasileiros tivemos para investir no exterior, tornou-se o mantra de muitos dizer para dolarizar 100% do patrimônio, tirar o dinheiro todo do Brasil ou falar que o CDI ganhou do IBOV nos últimos anos.

Muita gente diz isso, mas o que pouca gente realmente te fala, é sobre o longo prazo de verdade.

Longo prazo de verdade, não é 10 anos. São 20 anos, 30 anos – talvez até mais. Investir é algo que você leva para sua vida toda. Não é algo que você faz por 5 anos como um curso na faculdade e então para de realizar. É a base que você constrói financeiramente para levar uma vida boa e estável, sem preocupações que a maioria dos brasileiros tem.

Se te disséssemos que, no longo prazo de verdade, a bolsa brasileira dolarizada deu uma surra na bolsa americana mesmo depois da forte queda dos últimos anos, você acreditaria?

No gráfico está plotado o rendimento do IBOV em dólares desde 1968. Começando em US$100, sua máxima histórica foi em maio de 2008, atingindo US$44.600, o que significa que um investimento no índice em 1968 rendeu 446x o capital investido. Hoje a bolsa brasileira em dólares está em US$23.200, o que significa que um investimento no índice em 1968 rendeu 232x.

No S&P500, considerando o mesmo período de mensuração, um investimento de US$100 teria se tornado US$18.200 (entre 1968 e 2022) o que significa um capital multiplicado em 182x.

Perceba que, mesmo com a queda violenta dos últimos anos (o Brasil entrou num ciclo horrível depois de 2008 com a desvalorização do dólar, principalmente) um investimento na bolsa brasileira em 1968 deu bem mais retorno do que um investimento na bolsa americana, sendo que se for considerar a máxima histórica, esse rendimento foi mais do que o dobro.

Nossa intenção com esse texto é simples: mostrar como recortes de rentabilidade de 5 anos, 10 anos, comparações com o CDI e coisas do tipo podem acabar distorcendo os dados e expressão opiniões enviesadas.

Sem dúvidas a bolsa brasileira apanhou com força desde 2008, mas nunca, absolutamente nunca se esqueça dos ciclos econômicos. Nunca. Nunca. Ciclos importam. Economia funciona em ciclos. Simples assim.

Os EUA não crescerão para sempre assim como o Brasil não afundará para sempre. Cada economia possui sua particularidade do benefício do crescimento em um cenário diferente. Hoje, com commodities em alta e um boom inflacionário nos EUA, o ciclo assopra fortemente para os emergentes, que tem sofrido com força nos últimos anos com as economias desenvolvidas se expandido e commodities no chão.

Diversifique seus investimentos independente dos ciclos – lembre-se que as maiores fortunas foram feitas nos mercados de baixa. Tempo no mercado sempre vai ser superior a tentar acertar o tempo do mercado e a diversificação sempre será a melhor opção dada a imprevisibilidade do futuro.

Siga com sua alocação de capital, foque nos fundamentos das companhias e tome muito cuidado com quem sai por aí dizendo que a bolsa americana é uma maravilha de alta infinita e o Brasil é um buraco sem fim. Isso demonstra falta de estudo ou desonestidade. Assim como a bolsa americana deu 0% de rentabilidade entre 2000 e 2013, a bolsa brasileira também passou de lado durante um bom tempo após 2008. São ciclos. Eles sempre vão existir e o dinheiro do investidor sempre vai escoar para o mercado com maior potencial de ganho, até o momento que a economia atinja seu ápice, entre em recessão e os ciclos mudem novamente.

Diversifique e não acredite em qualquer número que você vê por aí, ainda mais recortes de curto prazo ou comparações sem compreender o fundamento das coisas.
Aprenda a investir o quanto antes e se beneficie independente do cenário. Conte conosco.

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Gráfico de rentabilidade dos últimos FMPs que rolaram com a Vale e a Petrobras.

Apenas ressaltando três pontos importantes: atenção com a taxa de admin (que alguns fundos ela é altíssima e corrói a rentabilidade no longo prazo), o fato de que a janela de mensuração foi de 20 anos (e aí o investidor tem que pensar quão realista é a chance dele ficar todo esse tempo com os ativos e com o FGTS) e a natureza das duas empresas, que são gigantes do cenário nacional e commoditizadas.

Sem tomar juízo de valor, apenas agregando com o gráfico, visto que muita gente tem perguntado sobre o rendimento dos últimos movimentos que ocorreram de fundos mútuos de privatização.
Muito se fala sobre a bolsa estar barata, e algumas métricas auxiliam nesse tipo de análise.

Num levantamento realizado pela XP dissecando o preço sobre lucro dos principais setores da bolsa projetando o lucro dos próximos 12 meses, com exceção de apenas dois setores (Tecnologia e Indústria), os demais estão negociando dentro ou abaixo da média dos últimos 10 anos.

No caso do Ibovespa em si, a média dos últimos 10 anos é de um preço sobre lucro de 11,5x, enquanto atualmente negocia a 6,8x. O setor de consumo básico possui um preço sobre lucro médio nos últimos 10 anos de 19,6x, enquanto atualmente negocia a 15,4x. O setor financeiro possui um preço sobre lucro médio nos últimos 10 anos de 9,9x, enquanto negocia atualmente a 7,9x.

Em suma, a maioria dos setores estão negociando por múltiplos atrativos, e considerando um retorno a média – ou as ações subirão de preço, ou o lucro cairá (o que é menos provável para alguns segmentos de maior solidez).

Como sempre mencionamos, analisar indicadores de forma isolada não é boa ideia, afinal, eles apenas indicam, não concluem nada. Mas com esses números, podemos evidenciar uma possível tendência de ativos subprecificados, e somente a análise da empresa em específico que nos ajuda a concluir se está barato ou não.

Na nossa visão – e aqui vale ressaltar que, apesar de podermos recomendar e sermos certificados para isso, não temos a pretensão e apenas aproveitamos o espaço para dar opinião – há sim muita coisa com preço atrativo na bolsa atualmente.

Os dados econômicos do país vão na contramão desse pessimismo em relação ao crescimento das empresas. Em momentos de crise, é natural que tendemos a analisar sob nossa ótica alguns fatores e a percepção sobre a realidade seja negativa. É difícil de acreditar que há recuperação econômica quando vamos ao mercado e os preços estão cada vez mais altos. É difícil acreditar que há recuperação econômica quando o orçamento está cada vez mais apertado, mas assim como não se destrói uma economia com populismo em apenas 6 meses, também não se reconstrói com o mesmo tempo. Melhora e destruição econômica são dois fatores que levam tempo. Se os dados indicam melhora hoje, você pode ter certeza de que ela ocorrerá, por mais que essa melhora passe a ser sentira meses à frente somente.

Se você acredita nos dados e compreende que a retomada econômica é um processo gradual e lento, atualmente a bolsa, caso selecione bem as ações, pode estar num momento de oportunidade que dificilmente se encontra. Se você acredita, mas resiste a não investir porque a renda fixa está mais atrativa, lembre-se que fortunas são feitas em mercados de baixa. A chance de você conseguir migrar da renda fixa para a renda variável no tempo certo entre a queda dos juros e o preço dos ativos baratos, é zero – ou quase.

Quando a SELIC apontar topo e houver qualquer evidência de início de movimento de queda, os institucionais multibilionários já estarão com suas posições montadas e será tarde demais para você aproveitar pechinchas do mercado. Os melhores aportes sempre são feitos em momentos de juros alto pelo simples motivo de que fundos de investimento precisam justificar rentabilidade para seus cotistas, já você, não. Então use isso ao seu favor.

Como dito, nós temos total direito de prestar recomendações e somos certificados para isso, mas absolutamente nada do que escrevemos aqui caracteriza recomendação e tem total inspiração na educação e cunho opinativo. É o nosso ponto de vista, é o que estamos pensando e fazendo.

Diversifique seu patrimônio, estude e aproveite momentos como o de agora para selecionar ativos extraordinários por bons preços. Encare sua carteira de investimentos como algo que você levará por toda sua vida, e não somente para 5 ou 10 anos.

O trabalho te fará ganhar dinheiro e o conhecimento a manter e multiplica-lo.


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O que poucos estão falando sobre as taxas de juros ao redor do planeta

A taxa de juros brasileira tem sido um assunto tratado amplamente entre os investidores brasileiros. Com uma SELIC que ficou um bom tempo acomodada nos 2%, foi em março de 2021 que o Banco Central do Brasil começou a elevá-la, realizando um dos maiores movimentos na taxa de juros da história do país desde a criação do COPOM, em 1996.

A razão da alta é simples: não entrando no mérito da eficácia do movimento, o racional do Banco Central é de elevar os juros para tentar conter parte da demanda que pressiona os preços pra cima (e consequentemente resulta em inflação) e atrair mais dólares para o país, apreciando o câmbio e fazendo com que o real valorize – o que tem dado certo.

O que pouca gente tem mencionado é: o Brasil não é uma exceção nesse sentido. Na verdade, é um dos poucos que tem feito a coisa certa para o cenário macroeconômico atual.

O mundo atualmente passa por uma inflação explosiva. Com recorde inflacionário dos últimos 50 anos nos EUA, Europa entre outras potências econômicas, os Bancos Centrais ao redor do globo estão encurralados, sem saber de fato o que fazer. Por um lado, eles devem subir suas taxas de juros para reduzir a inflação, do outro, eles não querem, pois uma alta levaria a uma forte recessão. Ou seja, a diminuição da inflação tem o seu custo – que não é nem um pouco barato e extremamente destrutivo para a imagem dos líderes políticos que carregarão a cruz de uma crise em seus mandatos.

Como mostra a tabela, entre as maiores economias do planeta, apenas o Brasil e a China estão com taxas de juros reais positivas, isso é, uma taxa de juros maior do que a inflação, possibilitando a população a ter o mínimo de proteção contra essa perda do poder de compra.

Em todos os outros países, a taxa de juros real está negativa, sendo que em alguns locais, não é pouco. No caso da União Européia, a média de rendimento real é de -8,6%, no Reino Unido, -8,0%, nos EUA, -7,4% - e assim por diante.

Indo um pouco além, fica perceptível como o problema inflacionário tem sido algo da conjuntura global, e não exclusividade tupiniquim. Praticamente todos os Bancos Centrais do planeta estão elevando suas taxas de juros em 2022 – com exceção de economias mais estáveis, como o Japão e a Suécia que não alteram seus juros há mais de 5 anos. E mesmo com essas altas, as taxas de juros reais estão fortemente negativas, sendo que para atingir um patamar positivo, teriam que elevar as taxas em quantidades inimagináveis para o histórico que possuem.

Em suma, a conclusão é simples: com a impressão violenta de dinheiro e estímulos econômicos que os governos mundo afora deram somados a quebra de cadeia de suprimentos global dos lockdowns, não há remédio doce para o problema inflacionário resultante. É economia básica: muito dinheiro, pouco produto, inflação sobe. A solução não é simples, machuca, é amarga e não há outra alternativa. Não há outra opção se não se machucar para lidar com a inflação, e infelizmente esses machucados recaem sempre sobre a população, e não sobre os banqueiros centrais ou governantes que tomaram as ações estúpidas que condenaram a economia de seus países no curto prazo.

O Brasil, por sua vez, passa por um problema inflacionário como todos os outros países, mas ainda goza do mínimo do benefício de uma taxa de juros que está próxima ao teto (dificilmente a SELIC passará de 14,00%) e está adiantado nesse cenário inevitável de alta de taxa de juros e essa destruição de valor colossal que esse rendimento negativo causa a população.
Isso não é uma justificativa ao cenário péssimo que vivemos, sequer uma tentativa de mostrar que o Brasil está um céu de brigadeiro – mas sim o fato de que a conjuntura global está em estado grave, e a atenção excessiva no cenário interno nos enviesa e faz esquecer de analisar a pintura como um todo. Todo o árduo caminho que o Brasil trilhou e está trilhando desde o começo de 2021, está para ser trilhado por todos os países da tabela, também. E talvez o fato de estarmos adiantados nesse ponto nos gere alguns benefícios, como da própria valorização do nosso câmbio nos últimos meses, que tem evitado que a situação se torne ainda pior.

Lembre-se: o trabalho enriquece, e o conhecimento faz com que o seu enriquecimento seja mantido. Venha conhecer a nossa plataforma de educação financeira e fazer parte da nossa comunidade!

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Boa notícia para as varejistas.

Pelo sexto mês seguido, as vendas no varejo seguem subindo, sendo que em abril o resultado apurado foi um crescimento de 20,5% já em termos reais e descontando a inflação.

O crescimento forte ocorre principalmente por conta da base comparativa mais fraca no mesmo ano (em 2021 houve fechamento de porta de lojas de forma parcial para conter uma nova onda do coronavírus nessa época), mas mesmo considerando esse fator, o crescimento foi forte, além do fato de que vem crescendo há 6 meses e com números reais bem acima da inflação.

Ainda não é um mar de rosas, mas é um excelente indicador para as varejistas do país, mostrando como o consumo segue crescendo mesmo face as adversidades econômicas que estamos atravessando.

O relatório é o ICVA, divulgado mensalmente pela Cielo.
Esse gráfico justifica toda a queda e pânico atual do mercado.

Se você é iniciante no mundo dos investimentos e queda te incomoda, não se preocupe: não é algo novo, não é a primeira vez e definitivamente não será a última.

O gráfico representa a probabilidade do Banco Central Americano (Federal Reserve) elevar a taxa de juros em 0,75% na próxima reunião. Como ilustrado, enquanto no dia 09/06 a probabilidade era de 4%, hoje, dia 13/06, a probabilidade subiu para quase 50%. Ou seja, o mercado espera que o Banco Central Americano eleve a taxa de juros num nível mais forte do que o esperado.

Por que isso causa uma queda nos mercados globais? A explicação é simples.

Uma alta de juros significa uma desaceleração econômica. Caso o Banco Central Americano realmente eleve a taxa de juros dos EUA de forma mais rígida do que o esperado, significa que a atividade econômica dos EUA (e consequentemente global) irá desacelerar, ocasionando possivelmente uma recessão. Numa recessão, empresas lucram menos, com isso ondas de demissões ocorrem, ações desvalorizam e tudo começa a desabar, como num efeito dominó.

A alta do juros é nos EUA, mas o mundo inteiro sofre as consequências, dado seu tamanho agigantado e a sua influência econômica que se expande para todos os cantos do globo.

O que você precisa saber é: recessão não significa o fim do mundo! Não, quando falamos sobre recessão, não significa o colapso da civilização moderna, o fim do mundo ou coisas do tipo, mas apenas um momento econômico mais turbulento, onde empresas mais arriscadas e alavancadas sofrem (e aqui é o ponto de atenção principal), mas empresas mais seguras e conservadoras costumam atravessar sem grandes problemas.

Recessões fazem parte dos ciclos econômicos e são completamente normais, por pior que sejam. Elas ocorrem de tempos em tempos, e sempre chegam após momentos de bonança. Como dito, não significa o fim do mundo, não significa que tudo vai quebrar e não é uma novidade.

Se é a primeira vez que você pega um momento do tipo (afinal, 2020 sequer deve ser considerado direito, visto que a queda foi forte, mas o retorno extremamente rápido), faça questão de ter seu dinheiro investido em empresas seguras, conservadoras, não muito endividadas e tenha em mente que em algum momento o ciclo econômico irá virar, com uma recuperação e a chegada de outro boom econômico, com crescimento, valorização do mercado e afins.

Esse é o momento em que você deve colocar a prova tudo aquilo que você aprendeu lendo livros, histórias de grandes retornos e afins. Todos falam que a bolsa americana possui uma valorização de pouco mais de 10% ao ano nos últimos 150 anos, mas poucos dizem que no meio do caminho, fortes quedas ocorrem.

O jogo de longo prazo consiste principalmente em enfrentar o seu próprio psicológico, que mesmo do alto de tanta experiência e conhecimento, as vezes nos incomoda, com um turbilhão de notícias negativas nos fazendo acreditar que é o fim do mundo ou coisas do tipo.

Em resumo: fique tranquilo. As recessões fazem parte dos ciclos. Investimentos em longo prazo devem ser pautados nos fundamentos das companhias, principalmente, e é isso que você deve focar. Certifique-se que de você está investindo em empresas com pouca alavancagem, que geram caixa, bons resultados e com alto potencial de enfrentar os momentos de crise.

Os jornais tentarão te convencer de que é o fim do mundo e tudo está ruindo, mas lembre-se: a maioria deles sobrevive do pânico e do terror daqueles que leem.

Ciclos. Pense sempre nos ciclos. Um exercício legal para quem ainda não conhece: pegue o gráfico da S&P500, coloque para ver o máximo de tempo possível e associe as quedas aos grandes eventos econômicos (crises) que ocorreram.

Recessões vem e vão – empresas boas atravessam e perseveram, tornando-se mais fortes. O mesmo se aplica a quase todos os mercados – lembre-se sempre dos ciclos! A importância de saber investir nessas horas para se aproveitar das oportunidades (que, acredite, há de monte) é gigante. Tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber cuidar ele.

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As altas dos juros nos EUA e a bolsa brasileira

Como muita gente já deve ter percebido, as altas dos juros nos EUA realizado pelo Banco Central Americano machucam. Bastou dados de uma inflação mais alta do que o esperado por lá, que o mercado passou a precificar altas maiores, esperando um ciclo de aperto monetário mais rígido.

Em meio a essa turbulência, nós brasileiros sempre nos perguntamos: como a bolsa brasileira reage, afinal? Pois bem, a tabela acima detalha.

Apurando os três últimos ciclos de aperto monetário que os EUA realizaram, os números surpreendem: em todos a diferença de retorno entre a bolsa brasileira e a bolsa americana foi gigante, sendo que a bolsa brasileira desempenhou melhor.

Ciclos. Lembre-se dos ciclos. Não se apegue emocionalmente a nenhum ativo, não dê all-in em nada por pânico ou euforia e mantenha seu asset location e diversificação em dia.

Lembrando que essa tabela foi publicada em nosso relatório de InSights Econômicos do mês de maio – mensalmente publicamos relatórios de dados econômicos para os assinantes da plataforma contemplando tudo que o investidor precisa saber. Devidamente explicado nos detalhes. É uma das diversas funcionalidades que você adquire ao assinar o serviço.

Se ainda não nos conhece, venha – você tem 7 dias de graça e pode realizar o cancelamento quando quiser.

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Sobre as últimas grandes crises dos EUA

Se você está se perguntando sobre quando essa crise atual que estamos passando irá acabar, a verdade é: ninguém sabe.

Alguns analistas apontam gatilhos, outros possíveis soluções, outros pintam cenários de verdadeiros terroristas emocionais pregando o fim do mundo e afins, mas a verdade é: ninguém sabe. A economia se mexe rápido demais e bilhões de informações passam e mudam sua estrutura diariamente. Modelos podem apontar possíveis mudanças, mas não mostrar com exatidão. As vezes eles passam longe, na verdade.

No gráfico acima, as 4 maiores crises recentes da bolsa de valores americana estão apontadas.

A primeira: a crise da bolha da internet – ou bolha.com.

Ela se assemelhou muito ao que aconteceu em 2021: com narrativas encantadoras e muito sobre o uso do termo “disrupção”, empresas de tecnologia que estavam na internet passaram a ser valorizadas e atingir patamares de preços inimagináveis. Bastava ter “tech” no nome que a ação explodia para cima. O motivo é simples: naquela época, a internet era novidade. Pouco se conhecia sobre, muito se especulava. Na euforia do mercado, como num efeito manada que sempre ocorre em bull markets, até os piores ativos subiram violentamente.

Como num estalo, o mercado passou a lidar de fato com a realidade e viu que não fazia sentido pagar 1000 vezes o lucro em algumas companhias que sequer tinham nome direito. Para agravar a situação, houve também o 11 de setembro, que abateu a confiança dos EUA que até o momento era um imperativo de segurança e poder bélico global.

Os dois eventos fizeram com que a bolsa americana entrasse em um bear market que durou 1165 dias para se recuperar, tendo atingido sua mínima apenas 638 dias depois do começo da queda, com -51%.

A segunda: a crise de 2008.

Disparadamente a pior crise da história. O problema foi tão grande que hoje existem dezenas de filmes, séries e documentários sobre o assunto (e fica aí a sugestão para assistir o filme The Big Short, que além de ser fiel ao problema ocorrido, conta com um elenco excelente) e na época esperava-se que o capitalismo fosse quebrar. Literalmente.

O resumo é que houve muito problema e sujeira no setor imobiliário dos EUA, fazendo com que uma grande bolha se formasse e alguns bancos gigantes dos países tivessem se alavancado com dívidas podres que nunca seriam pagas. Quando dissemos que achavam que o capitalismo ia quebrar, não foi exagero. Alguns bancos gigantes estavam no meio de toda essa sujeira e foram a falência (vide o Lehmann Brothers, que sozinho tinha uma dívida de US$ 700 bilhões), criando o risco sistêmico de levar outros bancos menores pro buraco também, afinal, se um banco tão grande quebra, significa que todo o sistema financeiro será comprometido, visto que há dinheiro emprestado em todos os cantos vindo dessa instituição.

Foi nessa crise que o Quantitative Easing se tornou uma ferramenta popular, e foi ela também que evitou problemas maiores, salvando alguns bancos que colocaram em xeque o sistema financeiro do planeta.

Essa crise durou 1009 dias, levou 352 dias para atingir seu fundo e a mínima registrada foi de -52%. A título de curiosidade, GFC significa “Great Financial Crisis” – ou “A Grande Crise Financeira” em tradução livre. Foi a pior crise já ocorrida no planeta desde 1929.

A terceira: a crise do Covid.

Face a um inimigo desconhecido, os países passaram a fechar suas fronteiras, proibir voos, proibir o funcionamento do comércio físico entre outras atitudes que sequer eram vistas em tempos de guerra.

Com tudo isso ocorrendo, o mercado entrou em seu modo de pânico até que as coisas ficassem mais esclarecidas. Em apenas 23 dias o mercado americano desabou 35%, mas algo curioso e nunca antes registrado ocorreu: se recuperou em pouco mais de 103 dias. Foi uma crise “relâmpago”, por assim dizer.