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Gráfico simples, mas ilustrativo sobre o ROE dos grandes bancos.

O ROE nada mais é do que o Retorno sobre o patrimônio de uma companhia – o quanto ela consegue gerar de valor com seus próprios recursos.

Esse indicador é importante pois face a uma pressão de concorrência (que é o que tem acontecido no cenário bancário do Brasil, com as fintechs atacando o mercado dos bancões) ele tende a diminuir.

Como os números mostram: entre 2015 e 2016 houve forte queda resultante da crise que o país atravessou, se recuperando ao longo dos próximos anos até 2019, com outra queda forte em 2020 por conta da pandemia. Em 2021 o número voltou a crescer, sendo que no 1T22 as instituições voltaram a reportar um ROE no patamar que sempre operaram – entre 20% e 23% - o que os enquadra como os bancos mais eficientes do mundo.

Até o momento, não houve evidência de fato de uma deterioração dos resultados dos bancões por conta das fintechs, apesar do forte crescimento de algumas instituições (vide XP e Nubank).
A tese do urânio acabou? Não – pelo contrário.

As últimas semanas foram marcantes para o mercado de urânio. Com uma queda violenta em todas as ações do setor (inclusive nos principais ETFs, por obvio), alguns investidores passaram a ficar mais céticos com a tese e a questionar o real potencial de retorno que ela proporciona. Um erro crasso e que ilustra certa desatenção (ou despreparo) sobre o cerne da tese.

O racional para investir na tese do urânio é simples: oferta e demanda. Como pontuamos diversas vezes no nosso relatório educacional (que você pode ler completo e na íntegra em nossa plataforma), a tese gira em torno de um único ponto e nada mais: a oferta e a demanda do urânio. Só. Não precisa de mais explicações.

Apesar de toda essa flutuação no preço do urânio no curto prazo, a desvalorização dos contratos negociados agora não possui absolutamente nenhuma relação com a demanda futura do urânio. Isso é, a queda do preço atual não muda o fato de que o mercado está completamente desequilibrado e em algum momento haverá uma corrida para comprar mais urânio e o preço dos contratos explodirão para cima.

A maior parte dos contratos das usinas operantes irá terminar no final de 2023, sendo que até o momento os estoques de urânio seguem em queda, com mais usinas sendo criadas e uma pressão demandante sobre o produto cada vez maior. Mesmo que absolutamente nenhum reator novo seja construído nos próximos meses (o que é um cenário impossível, dado o fato de que há centenas de reatores sendo levantados), a oferta e a demanda ainda não se casam por conta da baixa produtividade que está ocorrendo no setor. Em termos mais simples: não há urânio sequer para abastecer as usinas existentes direito quando os contratos terminarem.

Resumindo, como mencionamos diversas vezes ao longo da tese: o mercado de urânio é extremamente volátil, fazendo com que o mercado de criptomoedas pareça brincadeira de criança. Essas chacoalhadas de curto prazo em nada mudam os fundamentos para a realização da tese no que tange a celebração dos contratos futuros para manter as usinas em funcionamento no final de 2023 para frente e a insustentabilidade do atual preço da libra que negociam no mercado.

Assumir que o urânio não atingirá seu preço de equilíbrio, significa assumir que as usinas irão deixar de funcionar (ou seja, seu desligamento) o que incorre em uma queda significativa de produção de energia na matriz energética de diversos países – inclusive a China e os EUA.

A tese é simples de compreender, e em nosso relatório educacional, em uma leitura de não mais de 5 ou 6 horas, você consegue compreender perfeitamente os gatilhos e os riscos existentes.

Não se assuste com a volatilidade de curto prazo. Sendo sincero, nos últimos meses houve uma quantidade ainda maior de eventos que beneficiem a tese, e é nos fundamentos e no preço da libra do urânio que você deve focar.


Considere investir na tese somente se você tiver estômago para volatilidade e paciência para a consolidação da celebração dos contratos do mercado que ocorrerão somente daqui alguns anos. Obviamente que não há absolutamente nenhuma garantia de retorno ou que tudo dará certo, mas até o momento, nada mudou, e a volatilidade segue normal em linha com o que sempre foi, assim como a assimetria continua extremamente positiva sob nossa leitura.

Leia o nosso relatório e você terá oportunidade de conhecer talvez uma das melhores oportunidades de investimentos dos últimos anos.

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Imóvel físico ou Fundo Imobiliário?

Antes de mais nada: a intenção desse texto não é convencer investidores de imóveis a investirem em fundos imobiliários, tão pouco incitar a discussão acalorada que esse tema tanto abarca. A intenção por aqui é indicar unicamente nosso ponto de vista sobre o tema. Uma reflexão, talvez.

O gráfico acima foi elaborado com dados da FIP/ZAP e se refere a evolução do yield de aluguel dos imóveis físicos na cidade de SP e a média de outras 25 cidades do Brasil.

Como fica evidente, esse yield de aluguel, isso é, o rendimento que você consegue mensalmente em relação ao valor do imóvel, bruto vem caindo desde 2009, hoje na casa dos 4,5% - considerando impostos e demais custos, o rendimento cai para casa dos 3,9% ou pouco menos.

Aos que investem no mercado de fundos imobiliários, é totalmente sabido que hoje os fundos trabalham com yield entre 6,5% em casos de fundos mais sólidos (vide o KNRI11, que paga menos e tem um dos melhores portfólios e gestão da indústria), e 10,0%. Isso considerando fundos de tijolos, não abrangendo os fundos de papéis por serem de natureza um pouco diferente.

Sob o ponto de vista de rendimento de aluguel, os fundos imobiliários são incomparavelmente melhores. Não há qualquer dado que torne imóveis físicos minimamente atrativos quando comparados aos fundos imobiliários quando falamos sobre fator.

Indo um pouco além, outros pontos tornam fundos imobiliários mais vantajosos: o fato de que você pode com um único aporte e baixa quantia de capital diversificar o seu dinheiro entre dezenas de inquilinos diferentes, dezenas de imóveis diferentes e nos melhores imóveis do país. Uma ilustração disso seria o fato de que o investidor pode comprar uma cota de um fundo da Faria Lima de SP que é AAA, por exemplo. Essa diversificação e fator de valor gera maior segurança e menor risco de vacância, visto que num imóvel físico, tendo apenas um inquilino, há essa dor de cabeça.

“Mas e então – fundos imobiliários são o suprassumo dos investimentos? Não há riscos?” Não, mas é claro que não. Fundos imobiliários também possuem riscos. E alguns estragam completamente a rentabilidade ao longo do tempo.

Um fundo imobiliário é tocado por um gestor. Simples assim. Sendo tocado por um gestor, se você já investe em um fundo de gestão ativa, já deve ter percebido que novas emissões de cotas ocorrem eventualmente com a gestão praticando a expansão do fundo. Esse é um dos maiores riscos que consideramos nos fundos imobiliários: caso a gestão seja ruim e as emissões sejam mal realizadas, o potencial do fundo desempenhar ao longo do tempo é destruído. Há diluição dos cotistas na base de capital do fundo.

Se você tem um imóvel próprio, esse risco não existe. O mínimo que ele fará (apesar de não ser garantido, mas extremamente provável) é seguir a inflação. Talvez não em totalidade, mas bem próximo e sem esforço.

Fundos imobiliários também desempenham o papel de proteção contra a inflação, mas devido a altíssima liquidez do mercado, a reposição inflacionária não funciona de imediato, com as cotas sendo reprecificadas para manter o prêmio a todo tempo. A questão é que com uma inflação crescente fazendo os contratos serem revisados para cima e um INCC alto fazendo o custo de reposição crescer, é inevitável que o fundo valorize como consequência. Talvez não tão rápido, mas se a gestão fizer o mínimo do bom trabalho, ocorre.

O texto, como mencionamos, não tem a mínimo intenção em pontuar qual é melhor ou não, mas sim evidenciar para os riscos de cada um. Enquanto um imóvel próprio da ao seu detentor o conforto da falta de liquidez e uma inflação repassada mais rápida, um fundo imobiliário goza de rendimentos mais altos, enquanto você precisa ficar atento aos movimentos da gestão para compreender se o gestor está tocando bem o fundo e não diluindo a base de cotistas somente para ganhar dinheiro e atender aos próprias interesses com emissões mal feitas.
Acreditamos que imóveis até podem fazer parte do rol de investimentos de uma pessoa, mas talvez para patrimônios maiores, atendendo a necessidades mais específicas. Frequentemente esse debate ocorre, mas alguns pontos básicos do assunto acabam passando batido porque investidores de ambos os lados levam opiniões como ofensa e o viés emocional se torna um imperativo.
Lembre-se: em investimentos, não há um certo ou um errado, mas sim o ideal de acordo com o seu perfil e objetivo. Não há nada mais importante do que você dormir todos os dias com a cabeça tranquila no travesseiro sabendo que o seu dinheiro está dentro do seu círculo de competência.
O gráfico acima se refere as empresas zumbis nos EUA.

Em termos simples, empresas zumbis nada mais são do que empresas que não tem capacidade de pagar suas dívidas. Isso é, o caixa que elas geram, não é suficiente sequer para arcar com suas dívidas.

Desde 2002, época em que os EUA começaram a trabalhar com juros baixíssimos (abaixo dos 2%), a quantidade de empresas alavancadas cresceu violentamente. Em 2008, quando pela primeira vez na história os EUA colocaram a sua taxa de juros em 0% após a crise do subprime e começou sua política de afrouxamento quantitativo injetando trilhões e trilhões de dólares na economia, houve mais uma disparada na existência desse tipo de empresa.

Como fica claro, quase 20% das empresas americanas são empresas “zumbis”. Empresas que sobreviveram durante anos se endividando e sem gerar qualquer tipo de resultado somente porque a taxa de juros do país estava em 0%, o que tornava o endividamento leve e praticamente sem custos.

Hoje, com o FED elevando os juros para tentar controlar a inflação no país, essas empresas sofrerão – principalmente as menores. É mais um fator que coloca o FED contra a parede e dificulta sua tomada de ação, visto que uma elevação de juros muito forte pode causar uma recessão tão forte quanto na economia, afinal, haverá uma quantidade gigante de companhias no país que não suportarão o endividamento e fecharão as portas, o que levará a um aumento de desemprego, queda de renda e, consequentemente, crise.

Esse é um dos diversos fatores do mercado ter certo ceticismo com a economia dos EUA no momento – o fato de que o FED está contra a parede, sem saber como conseguiu controlar a inflação sem que cause uma recessão.

Tudo isso beneficia os mercados emergentes – em especial, o Brasil, com seu cenário commoditizado.
Fizemos uma postagem na nossa página sintetizando sobre o uso do FGTS para comprar as ações da Eletrobras, mas resumiremos aqui também, dado o espaço mais didático e o modelo de texto que permite maior liberdade.

Em síntese, existem 5 pontos que o investidor deve saber antes de tomar a decisão.

1. O investimento será feito num fundo, e não nas ações diretamente.

Esqueça a ideia de que você terá suas ações diretamente na sua corretora assim como você tem como qualquer outro ativo. Não será assim. Seu dinheiro será investido em um fundo mútuo de privatização e o gestor comprará as ações para você.

2. Você pagará taxa de administração anualmente.

Sendo um fundo, obviamente você pagará taxa de administração. Aqui cabe o ponto de atenção: algumas gestoras cobram taxas altíssimas, enquanto outras, sequer taxas cobram. Na imagem que postamos agora junto ao texto (créditos ao Renam Lam) há a tabela dos fundos e respectivas taxas divulgadas até então.

3. O período de lockup é de 12 meses.
Você precisa ficar com as ações por pelo menos 12 meses. Antes disso, você não pode vender, independente da situação, valorização ou desvalorização do ativo. O nome disso é lockup. Se a ideia for um trade rápido de compra e venda para aproveitar o hype da privatização, não se esqueça: 12 meses casado com o fundo.

4. O dinheiro ficará no FGTS independente do que você faça.
Muita gente tem pensado em uma ideia espertinha de utilizar o dinheiro do FGTS para comprar as ações, vender as ações e então sacar o dinheiro para tirar o dinheiro do FGTS. Isso não funciona. Absolutamente qualquer transação que você faça, fará com que o dinheiro volte para o seu saldo do FGTS, sendo resgatável somente face as condições de sempre que o FGTS permite.

5. Você não receberá dividendos das ações diretamente.
Não, os dividendos não cairão na sua conta do FGTS. Como você investirá em um fundo, quem receberá os dividendos das ações será o gestor do fundo, que por sua vez, terá a obrigação de reinvestir no próprio fundo comprando mais ações. Em resumo, o dinheiro será reinvestido, assim como funciona nos fundos passivos e ETFs por aí. Não espere ver dividendos caindo na sua conta do FGTS pois não acontecerá.

Enfim, os principais pontos são esses. A decisão sobre fazer ou não esse movimento de utilizar o saldo do FGTS para comprar as ações, cabe a você. No que você fizer, você deixa de ter o rendimento de 3% a.a + TR que o FGTS proporciona e seguirá todas as regras citadas acima.

Lembrando que o período de reserva é entre o dia 03/06 e 06/06 e terá um limite de 50% do seu saldo total do FGTS (ou um teto de R$50 mil), sendo que há chances de rateio, dependendo da força compradora do ativo no momento da reserva.
A história sobre a bolsa brasileira que quase ninguém conta

Um país que é palco de gigantes perturbações políticas, instabilidade, chacoalhadas econômicas e fatores que nos fazem questionar o quão longe iremos todos os dias – esse é o Brasil. Como bem diz a frase, por aqui podemos morrer de susto, mas nunca de tédio.

Circundado por problemas que absolutamente qualquer outro país emergente também sofre, com o advento da facilidade do acesso que nós brasileiros tivemos para investir no exterior, tornou-se o mantra de muitos dizer para dolarizar 100% do patrimônio, tirar o dinheiro todo do Brasil ou falar que o CDI ganhou do IBOV nos últimos anos.

Muita gente diz isso, mas o que pouca gente realmente te fala, é sobre o longo prazo de verdade.

Longo prazo de verdade, não é 10 anos. São 20 anos, 30 anos – talvez até mais. Investir é algo que você leva para sua vida toda. Não é algo que você faz por 5 anos como um curso na faculdade e então para de realizar. É a base que você constrói financeiramente para levar uma vida boa e estável, sem preocupações que a maioria dos brasileiros tem.

Se te disséssemos que, no longo prazo de verdade, a bolsa brasileira dolarizada deu uma surra na bolsa americana mesmo depois da forte queda dos últimos anos, você acreditaria?

No gráfico está plotado o rendimento do IBOV em dólares desde 1968. Começando em US$100, sua máxima histórica foi em maio de 2008, atingindo US$44.600, o que significa que um investimento no índice em 1968 rendeu 446x o capital investido. Hoje a bolsa brasileira em dólares está em US$23.200, o que significa que um investimento no índice em 1968 rendeu 232x.

No S&P500, considerando o mesmo período de mensuração, um investimento de US$100 teria se tornado US$18.200 (entre 1968 e 2022) o que significa um capital multiplicado em 182x.

Perceba que, mesmo com a queda violenta dos últimos anos (o Brasil entrou num ciclo horrível depois de 2008 com a desvalorização do dólar, principalmente) um investimento na bolsa brasileira em 1968 deu bem mais retorno do que um investimento na bolsa americana, sendo que se for considerar a máxima histórica, esse rendimento foi mais do que o dobro.

Nossa intenção com esse texto é simples: mostrar como recortes de rentabilidade de 5 anos, 10 anos, comparações com o CDI e coisas do tipo podem acabar distorcendo os dados e expressão opiniões enviesadas.

Sem dúvidas a bolsa brasileira apanhou com força desde 2008, mas nunca, absolutamente nunca se esqueça dos ciclos econômicos. Nunca. Nunca. Ciclos importam. Economia funciona em ciclos. Simples assim.

Os EUA não crescerão para sempre assim como o Brasil não afundará para sempre. Cada economia possui sua particularidade do benefício do crescimento em um cenário diferente. Hoje, com commodities em alta e um boom inflacionário nos EUA, o ciclo assopra fortemente para os emergentes, que tem sofrido com força nos últimos anos com as economias desenvolvidas se expandido e commodities no chão.

Diversifique seus investimentos independente dos ciclos – lembre-se que as maiores fortunas foram feitas nos mercados de baixa. Tempo no mercado sempre vai ser superior a tentar acertar o tempo do mercado e a diversificação sempre será a melhor opção dada a imprevisibilidade do futuro.

Siga com sua alocação de capital, foque nos fundamentos das companhias e tome muito cuidado com quem sai por aí dizendo que a bolsa americana é uma maravilha de alta infinita e o Brasil é um buraco sem fim. Isso demonstra falta de estudo ou desonestidade. Assim como a bolsa americana deu 0% de rentabilidade entre 2000 e 2013, a bolsa brasileira também passou de lado durante um bom tempo após 2008. São ciclos. Eles sempre vão existir e o dinheiro do investidor sempre vai escoar para o mercado com maior potencial de ganho, até o momento que a economia atinja seu ápice, entre em recessão e os ciclos mudem novamente.

Diversifique e não acredite em qualquer número que você vê por aí, ainda mais recortes de curto prazo ou comparações sem compreender o fundamento das coisas.
Aprenda a investir o quanto antes e se beneficie independente do cenário. Conte conosco.

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Gráfico de rentabilidade dos últimos FMPs que rolaram com a Vale e a Petrobras.

Apenas ressaltando três pontos importantes: atenção com a taxa de admin (que alguns fundos ela é altíssima e corrói a rentabilidade no longo prazo), o fato de que a janela de mensuração foi de 20 anos (e aí o investidor tem que pensar quão realista é a chance dele ficar todo esse tempo com os ativos e com o FGTS) e a natureza das duas empresas, que são gigantes do cenário nacional e commoditizadas.

Sem tomar juízo de valor, apenas agregando com o gráfico, visto que muita gente tem perguntado sobre o rendimento dos últimos movimentos que ocorreram de fundos mútuos de privatização.
Muito se fala sobre a bolsa estar barata, e algumas métricas auxiliam nesse tipo de análise.

Num levantamento realizado pela XP dissecando o preço sobre lucro dos principais setores da bolsa projetando o lucro dos próximos 12 meses, com exceção de apenas dois setores (Tecnologia e Indústria), os demais estão negociando dentro ou abaixo da média dos últimos 10 anos.

No caso do Ibovespa em si, a média dos últimos 10 anos é de um preço sobre lucro de 11,5x, enquanto atualmente negocia a 6,8x. O setor de consumo básico possui um preço sobre lucro médio nos últimos 10 anos de 19,6x, enquanto atualmente negocia a 15,4x. O setor financeiro possui um preço sobre lucro médio nos últimos 10 anos de 9,9x, enquanto negocia atualmente a 7,9x.

Em suma, a maioria dos setores estão negociando por múltiplos atrativos, e considerando um retorno a média – ou as ações subirão de preço, ou o lucro cairá (o que é menos provável para alguns segmentos de maior solidez).

Como sempre mencionamos, analisar indicadores de forma isolada não é boa ideia, afinal, eles apenas indicam, não concluem nada. Mas com esses números, podemos evidenciar uma possível tendência de ativos subprecificados, e somente a análise da empresa em específico que nos ajuda a concluir se está barato ou não.

Na nossa visão – e aqui vale ressaltar que, apesar de podermos recomendar e sermos certificados para isso, não temos a pretensão e apenas aproveitamos o espaço para dar opinião – há sim muita coisa com preço atrativo na bolsa atualmente.

Os dados econômicos do país vão na contramão desse pessimismo em relação ao crescimento das empresas. Em momentos de crise, é natural que tendemos a analisar sob nossa ótica alguns fatores e a percepção sobre a realidade seja negativa. É difícil de acreditar que há recuperação econômica quando vamos ao mercado e os preços estão cada vez mais altos. É difícil acreditar que há recuperação econômica quando o orçamento está cada vez mais apertado, mas assim como não se destrói uma economia com populismo em apenas 6 meses, também não se reconstrói com o mesmo tempo. Melhora e destruição econômica são dois fatores que levam tempo. Se os dados indicam melhora hoje, você pode ter certeza de que ela ocorrerá, por mais que essa melhora passe a ser sentira meses à frente somente.

Se você acredita nos dados e compreende que a retomada econômica é um processo gradual e lento, atualmente a bolsa, caso selecione bem as ações, pode estar num momento de oportunidade que dificilmente se encontra. Se você acredita, mas resiste a não investir porque a renda fixa está mais atrativa, lembre-se que fortunas são feitas em mercados de baixa. A chance de você conseguir migrar da renda fixa para a renda variável no tempo certo entre a queda dos juros e o preço dos ativos baratos, é zero – ou quase.

Quando a SELIC apontar topo e houver qualquer evidência de início de movimento de queda, os institucionais multibilionários já estarão com suas posições montadas e será tarde demais para você aproveitar pechinchas do mercado. Os melhores aportes sempre são feitos em momentos de juros alto pelo simples motivo de que fundos de investimento precisam justificar rentabilidade para seus cotistas, já você, não. Então use isso ao seu favor.

Como dito, nós temos total direito de prestar recomendações e somos certificados para isso, mas absolutamente nada do que escrevemos aqui caracteriza recomendação e tem total inspiração na educação e cunho opinativo. É o nosso ponto de vista, é o que estamos pensando e fazendo.

Diversifique seu patrimônio, estude e aproveite momentos como o de agora para selecionar ativos extraordinários por bons preços. Encare sua carteira de investimentos como algo que você levará por toda sua vida, e não somente para 5 ou 10 anos.

O trabalho te fará ganhar dinheiro e o conhecimento a manter e multiplica-lo.


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O que poucos estão falando sobre as taxas de juros ao redor do planeta

A taxa de juros brasileira tem sido um assunto tratado amplamente entre os investidores brasileiros. Com uma SELIC que ficou um bom tempo acomodada nos 2%, foi em março de 2021 que o Banco Central do Brasil começou a elevá-la, realizando um dos maiores movimentos na taxa de juros da história do país desde a criação do COPOM, em 1996.

A razão da alta é simples: não entrando no mérito da eficácia do movimento, o racional do Banco Central é de elevar os juros para tentar conter parte da demanda que pressiona os preços pra cima (e consequentemente resulta em inflação) e atrair mais dólares para o país, apreciando o câmbio e fazendo com que o real valorize – o que tem dado certo.

O que pouca gente tem mencionado é: o Brasil não é uma exceção nesse sentido. Na verdade, é um dos poucos que tem feito a coisa certa para o cenário macroeconômico atual.

O mundo atualmente passa por uma inflação explosiva. Com recorde inflacionário dos últimos 50 anos nos EUA, Europa entre outras potências econômicas, os Bancos Centrais ao redor do globo estão encurralados, sem saber de fato o que fazer. Por um lado, eles devem subir suas taxas de juros para reduzir a inflação, do outro, eles não querem, pois uma alta levaria a uma forte recessão. Ou seja, a diminuição da inflação tem o seu custo – que não é nem um pouco barato e extremamente destrutivo para a imagem dos líderes políticos que carregarão a cruz de uma crise em seus mandatos.

Como mostra a tabela, entre as maiores economias do planeta, apenas o Brasil e a China estão com taxas de juros reais positivas, isso é, uma taxa de juros maior do que a inflação, possibilitando a população a ter o mínimo de proteção contra essa perda do poder de compra.

Em todos os outros países, a taxa de juros real está negativa, sendo que em alguns locais, não é pouco. No caso da União Européia, a média de rendimento real é de -8,6%, no Reino Unido, -8,0%, nos EUA, -7,4% - e assim por diante.

Indo um pouco além, fica perceptível como o problema inflacionário tem sido algo da conjuntura global, e não exclusividade tupiniquim. Praticamente todos os Bancos Centrais do planeta estão elevando suas taxas de juros em 2022 – com exceção de economias mais estáveis, como o Japão e a Suécia que não alteram seus juros há mais de 5 anos. E mesmo com essas altas, as taxas de juros reais estão fortemente negativas, sendo que para atingir um patamar positivo, teriam que elevar as taxas em quantidades inimagináveis para o histórico que possuem.

Em suma, a conclusão é simples: com a impressão violenta de dinheiro e estímulos econômicos que os governos mundo afora deram somados a quebra de cadeia de suprimentos global dos lockdowns, não há remédio doce para o problema inflacionário resultante. É economia básica: muito dinheiro, pouco produto, inflação sobe. A solução não é simples, machuca, é amarga e não há outra alternativa. Não há outra opção se não se machucar para lidar com a inflação, e infelizmente esses machucados recaem sempre sobre a população, e não sobre os banqueiros centrais ou governantes que tomaram as ações estúpidas que condenaram a economia de seus países no curto prazo.

O Brasil, por sua vez, passa por um problema inflacionário como todos os outros países, mas ainda goza do mínimo do benefício de uma taxa de juros que está próxima ao teto (dificilmente a SELIC passará de 14,00%) e está adiantado nesse cenário inevitável de alta de taxa de juros e essa destruição de valor colossal que esse rendimento negativo causa a população.
Isso não é uma justificativa ao cenário péssimo que vivemos, sequer uma tentativa de mostrar que o Brasil está um céu de brigadeiro – mas sim o fato de que a conjuntura global está em estado grave, e a atenção excessiva no cenário interno nos enviesa e faz esquecer de analisar a pintura como um todo. Todo o árduo caminho que o Brasil trilhou e está trilhando desde o começo de 2021, está para ser trilhado por todos os países da tabela, também. E talvez o fato de estarmos adiantados nesse ponto nos gere alguns benefícios, como da própria valorização do nosso câmbio nos últimos meses, que tem evitado que a situação se torne ainda pior.

Lembre-se: o trabalho enriquece, e o conhecimento faz com que o seu enriquecimento seja mantido. Venha conhecer a nossa plataforma de educação financeira e fazer parte da nossa comunidade!

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