FinDocs
3.35K subscribers
279 photos
14 files
234 links
Bem-vindo(a) ao canal oficial da FinDocs.

Aqui você encontrará notificações dos nossos conteúdos, de aulas, eventos, comentários e discussões da nossa equipe e demais materiais que julgarmos relevantes para você.

www.findocs.com.br

Avante!
Download Telegram
Opinião e análise breve – Magazine Luiza ($MGLU3) – 1T/2022

Se procurarmos na bolsa brasileira inteira, não encontraremos uma empresa tão comentada e popular quanto a Magazine Luiza. Com um histórico de longa data no mercado, as ações saíram da casa dos R$0,10 para uma máxima história de quase R$28,00, sendo considerada uma das empresas que entregou maior rentabilidade no mundo então tão pouco tempo segundo algumas agências de mercado.

Desde novembro de 2020, com sua máxima histórica atingida, o cenário mudou. A ação já acumula 84% de queda e de queridinha do mercado se tornou uma das empresas mais “odiadas”, ilustrando muito bem aquela célebre frase de mercado, de que não há nada mais poderoso do que o preço para mudar o sentimento.

Essa queda de preço é motivada principalmente pela desaceleração do cenário econômico que o mercado espera sobre o país. Com uma taxa de juros próxima de 13% e uma inflação que aperta com força o orçamento das famílias diminuindo a propensão ao consumo, o setor de varejo no geral é o que mais sofre: não em vão vemos empresas de segmentos relacionados (Mercado Livre, Renner, Via, Arezzo e afins) sofrendo quedas, também.

Dito isso, o resultado da Magazine Luíza veio extremamente pressionado tanto pela inflação quanto pela taxa de juros, sendo que pontos como a expansão do GMV e a melhora de margens foram os destaques positivos. Vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022 a Magazine Luíza entregou um GMV de R$14.1 bilhão, 13% acima do GMV do mesmo trimestre do ano passado (GMV significa Gross Merchandise Volume, uma métrica que indica o valor monetário total de vendas on-line – volume). A receita líquida, por sua vez, teve um crescimento de 6,2% comparado ao 1T22 e essa melhora foi impulsionada principalmente por conta do e-commerce da companhia, que cresceu 16,2% comparado ao 1T22. Para se ter ideia da importância do e-commerce na empresa, no 1T22 72% das vendas foram realizadas digitalmente. A ilustração da importância de uma boa experiência digital nos negócios hoje em dia. Apesar desse peso do digital, a companhia está agressiva na abertura de lojas físicas: foram inauguradas 175 lojas entre o 1T21 e o 1T22, sendo 112 delas no Sudeste. Isso aumenta a pressão nas despesas, e foi um dos pontos que levou a margem EBITDA da companhia a cair 4,5pp, para 3,9% no 1T22.

Quanto a margem bruta (considerando somente o custo dos produtos vendidos) teve uma ligeira melhora de 2,7pp, subindo de 25,1% para 27,8% mostrando até certo ponto a capacidade da Magalu em repassar preços, ponto importante em momentos de inflação mais alta.

O destaque negativo do resultado e fator que levou a companhia ao prejuízo no trimestre, é o resultado financeiro. Por obvio, a taxa de juros altíssima pressionou a linha da companhia, e está pressionando não só a Magalu, mas todas companhias que possuem dívidas – e esse é o momento que o investidor mais deve prestar atenção na alavancagem que as companhias possuem para compreender se ela tem capacidade ou não de pagar as dívidas que possui.

No 1T22 a Magalu teve um resultado financeiro líquido de -R$422 milhões, contra -R$170 milhões no 1T21. Houve um aumento de 148% de prejuízo financeiro por conta do aumento das despesas financeiras, que cresceram 254% no período e passaram a representar 6,5% da receita líquida, contra 2,0% no 1T21.

Esse efeito está sendo identificado em diversas companhias, como dito, e é resultante de uma taxa de juros que subiu de 2% para 12,75% em tão pouco tempo. Por isso alavancagem deve ser bem pensada: pagar uma dívida de SELIC + 2% num cenário que a SELIC está 2% é tranquilo, afinal, o custo da dívida será de 4%. A situação muda quanto a SELIC vai pra um patamar mais alto, e a dívida passa a ser 12,75 + 2%. Isso da uma percepção mais clara sobre os riscos do aumento da SELIC nos negócios alavancados. Por conta do resultado financeiro, o prejuízo no trimestre foi de R$161 milhões.
Sobre o endividamento: a dívida da companhia está bem alongada e disparou em 2021 por conta da aquisição da Kabum (e vale ressaltar que os resultados estão contemplando já a incorporação da Kabum), atingindo R$6.9 bilhões, com uma alavancagem de nível de maior atenção (5,3x dívida líquida sobre EBITDA), mas com apenas 7% dela sendo de curto prazo (próximos 24 meses, no caso).

Os comentários sobre a Magazine Luíza é o padrão sobre o setor de varejo: não espere um desempenho extraordinário da companhia enquanto a economia brasileira não estiver realmente aquecida. Dois fatores prejudicam o segmento: a taxa de juros altíssima que impacta diretamente seu resultado financeiro ao mesmo tempo que freia o consumo da população, e a inflação que faz com que a população tenha cada vez menos renda para gastar com bens mais supérfluos.

O maior problema da Magazine Luiza foi ter passado pelo estrelato do mercado acionário – aquele momento em que a empresa de populariza, todos traçam um céu de brigadeiro para ela, narrativas de investimento que justificam comprar a companhia em um preço sobre lucro de 500x são normalizados e afins. Hoje, com um cenário adverso, o preço está deprimido, mostrando como quanto mais altas as expectativas, pior é o tombo.

Como dito, não espere resultados extraordinários da companhia enquanto não houver uma recuperação econômica plena e um aquecimento da economia que faça com que o varejo fortaleça novamente. E dificilmente isso acontece tão em breve com juros e inflação pressionando o orçamento das famílias.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Itaúsa ($ITSA3/$ITSA4) – 1T/2022

A análise da holding mais querida do Brasil não poderia faltar.

A Itaúsa é a maior e mais conhecida holding do país. Hoje 84% da holding é composta pelo gigante do setor bancário Itaú, e por isso, a análise da holding fica bem simples – se o Itaú for bem, é certo que a Itaúsa irá também.

Apesar dessa concentração, a Itaúsa tem tomado diversas medidas nos últimos trimestres para se tornar uma holding de fato, aumentando sua participação em outras companhias, outros segmentos e deixando de ser apenas um Itaú de fachada como sempre foi. E a estratégia tem dado certo.

Enfim, no primeiro trimestre de 2022 a Itaúsa registrou seu melhor primeiro trimestre da história, e vamos aos números. Lembrando que essa análise será breve, visto que não há muito o que tratar.

No 1T22 a Itaúsa apresentou um resultado recorrente das companhias a qual investe 15% acima do 1T21. A melhoria é justificada pelo aumento de resultado vindo do Itaú, da XP, da Aegea, da Copa Energia e da NTS. Na linha de resultado da própria Itaúsa, a companhia conseguiu reverter um prejuízo de R$100 milhões no 1T21 para uma receita de R$908 milhões no 1T22. Essa melhoria é explicada principalmente pela alienação das ações da XP realizada em março.

Aqui gostamos de pontuar algo importante: a concentração da Itaúsa era gigante em Itaú lá pra 2019, coisa de 95%+. Hoje ainda é grande (na casa dos 84%), mas as iniciativas que a holding tem tomado para diluir essa concentração, tem dado certo, vide sua inclinação a participação no segmento de saneamento básico com a Aegea (e aqui mostra lá ela se posicionando para as mudanças tangentes ao marco do saneamento), transporte de gás natural com a NTS e distribuição de gás natural com a Copa Energia – fora a Dexco e Alpagartas que já são antigas no portfólio. Essas empresas ainda representam pouco do seu resultado total, mas ainda assim, é um bom começo e indicativo de mudança.

Todos esses pontos fizeram com que a Itaúsa atingisse um lucro líquido de R$3.8 bilhões no trimestre, bem acima dos R$2.4 bilhões registrados no 1T21.

A Itaúsa é uma empresa excelente, mas a concentração no Itaú ainda é alta. Investir na companhia buscando uma diversificação na holding no aguardo de que ela se torne uma “Berkshire Hathaway brasileira” pode fazer sentido, mas levará um tempo até que isso ocorra. O que importa é que a gestão está se movimentando e buscando diminuir cada vez mais essa concentração no Itaú, e os últimos trimestres tem mostrado um sucesso na estratégia.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Hapvida ($HAPV3) – 1T/2022

Nesta análise, daremos uma natureza diferente. Atualmente a Hapvida passa por um forte processo de mudança por conta da aquisição que ela realizou do Grupo NotreDame Intermédica (antiga $GNDI3) e isso acabou tornando os números do 1T22 mais complicados e “sujos” para serem analisados, afinal, houve incorporação da companhia e uma “mistura” de resultados.

Nossa análise aqui será dada com uma natureza diferente, pois resumiremos os principais pontos que vieram negativos e que tem incomodado o mercado, fazendo com que as ações tanto caíssem nas últimas semanas (e intensificasse a queda após a integra do 1T22).

Antes, vamos entender o que se tornou a empresa.

No inicio de 2022, a Hapvida e o Grupo NotreDame Intermédica concluíram sua fusão – um processo que estava ocorrendo há algum tempo. Essa fusão criou o maior sistema de saúde suplementar do país, contemplando mais de 15 milhões de beneficiários. A ideia da fusão foi inspirada principalmente pela complementaridade que elas possuem – isso é, são fortes em diferentes regiões do país.

Esse movimento criou o maior sistema de saúde suplementar do país, como dito, com 15.27 milhões de beneficiários (dobrando com a aquisição), e expandiu a quantidade de pontos de atendimento de 457 para 749, somando entre hospitais, clínicas e laboratórios. Lembrando que a Hapvida (assim como era a GNDI) são operadoras verticalizadas que buscam vender planos de saúde e atendimentos dentro das próprias redes, o que explica esse número de pontos de atendimento e pode ser dada como uma de suas vantagens.

Enfim, com isso fica evidente o tamanho da aquisição que a companhia fez: ela praticamente dobrou de tamanho em termos de beneficiários e expandiu fortemente seus pontos de atendimento. A princípio, isso é ótimo pelo seu poder de ganho de escala, mas alguns fatores negativos estão deixando o mercado mais cético, fatores até mesmo “temporários”, por assim dizer. Abaixo nós vamos citá-los.


O primeiro ponto foi o reajuste negativo no preço de planos individuais dado pela ANS. Entre março de 2021 e abril de 2022, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão vinculado ao ministério de saúde que controla o mercado de convênios e afins, determinou que os planos de saúdes individuais fossem reajustados em -9% decorrente de fatores da pandemia. Isso importa: quase 25% dos planos de saúde da Hapvida são individuais. Por obvio, isso afeta o ticket médio e consequentemente a receita da companhia.

O segundo ponto é a sinistralidade. No primeiro trimestre de 2022 houve uma crescente da sinistralidade da companhia por conta de dois motivos. (I) a continuidade da pandemia, que por mais que tenha deixado de ser um “trend” e a quantidade de comentários sobre na mídia tenha sido menor, os referentes a variante ômicron ainda estão ocorrendo. (II) a epidemia de casos de influenza, também, que pressionou bastante no período (para se ter ideia, houve aumento de 70% no número de consultas do segmento). Além desses dois pontos, a GNDI historicamente sempre teve uma sinistralidade mais alta que a Hapvida, ou seja, na fusão o número foi pra cima mesmo sem esses não recorrentes que ocorreram acima. Isso levou a sinistralidade aos 71,4% no trimestre (contra 67,2% no 4T21 e 65,5% no 1T21). A pressão sobre as margens foi forte e diminui o lucro bruto significativamente.

O terceiro ponto é a queda do ticket médio em si dos planos da operadora. A GNDI sempre trabalhou com tickets mais baixos providenciando planos de saúde mais acessíveis. A Hapvida segue em linha, mas costuma cobrar preços mais altos. No consolidado isso leva a companhia a ter uma queda no ticket médio e gera certo incômodo em alguns investidores, visto que é uma pressão a mais nas margens da companhia.
O quarto e último ponto: a inflação. Ela novamente. Com a pressão inflacionária sobre o orçamento das famílias, diferente da SulAmerica e convênios médicos mais premiums e menos sensíveis a renda, os beneficiários dos planos da Hapvida e GNDI estão mais suscetíveis ao cancelamento de seus planos. Com isso, o mercado teme maior dificuldade de captação da companhia de forma orgânica nos próximos meses.

Em linhas gerais, é isso. Houve também um dispêndio a mais por conta da fusão na linha de despesas administrativas e isso acabou fazendo com que a companhia tivesse prejuízo no trimestre, mas faz parte de gastos não recorrentes dado que os gastos com a fusão acontecem somente uma vez.

No mais, citamos apenas os pontos que provavelmente mais incomodaram o mercado, que esperava uma melhora já nesse trimestre em termos de sinistralidade e sinergia.

Apesar de todos os problemas, a Hapvida hoje é a maior empresa de seu segmento e a fusão com a GNDI fortaleceu sua posição. Apesar da alavancagem, o endividamento está em patamares tranquilos, sendo que somente o dinheiro que a companhia possui em caixa é suficiente para cobrir suas dívidas até 2025.

O resultado veio ruim, de fato, mas não há muito o que fazer com o cenário atual de alta sinistralidade decorrente de pandemia e epidemia de outros vírus com uma agência reguladora ajustando preço na canetada. O case da Hapvida é de crescimento e seu plano de expansão e aquisições ilustra isso: só no primeiro trimestre de 2022 já foram duas aquisições grandes que agregaram quase 500 mil beneficiários para a companhia, não é uma certeza que ela sairá ilesa de toda essa turbulência atual, mas sem dúvidas é uma das empresas que mais tem chance, gozando de seu benefício de escala. E se tudo der certo, todo esse crescimento vai maturar, os problemas atuais relacionados à pandemia vão passar e suas margens de 2019 vão retornar, com a empresa sendo uma máquina de geração de caixa e lucro com margem líquida de quase 15%.

Não espere resultados fenomenais em tempos de turbulência – houve praticamente a queda de um meteoro no setor de saúde de 2020 até então.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Boa Safra ($SOJA3) – 1T/2022

A leitura do resultado do primeiro trimestre da Boa Safra é simples – diríamos até mesmo que bem rápida, mas possui suas particularidades.

Quem analisa os números friamente sob a lente do aumento da receita e demais indicadores sem considerar o segmento que a companhia está inserida, comete um erro crasso pois invariavelmente vai identificar uma queda violenta de resultados. O motivo é simples: sua sazonalidade.

A Boa Safra talvez seja a empresa que mais sofre com sazonalidade na bolsa brasileira. Praticamente toda sua geração de resultado está concentrada no terceiro e quarto trimestre por conta dos ciclos de colheita e plantio de soja, sendo o primeiro e o segundo trimestres períodos de registro de pedidos, e então o terceiro e o quarto de vendas de fato. Em termos resumidos, o primeiro semestre concentra os custos da companhia por conta do período de produção e estocagem, e o segundo semestre concentra os ganhos, quando os agricultores iniciam o plantio.

Considerando essas informações, é importante sempre analisar o resultado sob a ótica do efeito sazonal que a companhia sofre. Obrigatório. Imprescindível. Em tempos onde a preferência por leitura de manchetes tem ocorrido em detrimento de leitura de textos e artigos, aqui a ilustração perfeita de como só ler notícia de linha de lucro pode enganar. Sendo assim, algumas linhas financeiras acabam sendo irrelevantes, de certa forma, no período, com a atenção devendo ser empreendida no número de pedidos e fatores qualitativos do período. Vamos lá.

No primeiro trimestre de 2022 a Boa Safra seguiu com seu agressivo plano de expansão, implementando e finalizando a obra ou expansão de 4 novas UBS (unidades de beneficiamento de sementes) espalhadas em 4 polos produtores de sojas importantes em estados diferentes do país. Essa ampliação eleva a capacidade instalada da companhia de forma expressiva, em 70%, ao longo de 24 meses (entre 2020 e 2022). Lembrando que o IPO da companhia foi realizado justamente com esse intuito – utilizar o dinheiro captado para a expansão orgânica da capacidade produtiva. Aqui, um ponto positivo, mostrando que a empresa está honrando sua estratégia anunciada e justificando a queima de caixa como previsto.

Sobre sua participação de mercado, a companhia segue aumentando. Seu market share foi de 6,1% no 1T22, contra 4,8% no mesmo trimestre do ano passado. Além do market share da companhia, outro indicador qualitativo apresentou melhora – o de taxa de germinação, que atingiu os 95%. Para se ter ideia, a média e referência determinada pelo Ministério da Agricultura, é de 80% - com a companhia trabalhando com uma taxa bem acima da referência.

Fializando, o ponto mais importante do resultado no trimestre: sua carteira de pedidos. É isso que determinará o seu faturamento nos próximos trimestres, sendo o principal indicativo de crescimento da companhia. NO 1T22 a companhia atingiu uma carteira de pedidos de R$742 milhões, o que representa um crescimento de 59% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento é justificado por dois pontos: ciclo e a expansão da capacidade produtiva da companhia, que como bem mencionamos, quase dobrou em 24 meses.

Em síntese, a companhia segue honrando seu plano de expansão proposto com a captação do IPO e os números trimestrais continuam vindo bem mais fortes em termos comparativos, mostrando o sucesso da estratégia de crescimento. Não há muito o que falar porque a empresa é redonda em endividamento (não tem dívidas) e sua sazonalidade remete a uma análise mais rápida e simples, pois como dito, algumas linhas financeiras, como o próprio lucro e a receita no primeiro semestre, são irrelevantes.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião sobre os resultados do primeiro trimestre de 2022.

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2022 já está chegando ao fim. Com quase 85% das empresas já tendo divulgado seus números referentes ao começo de 2022, com a leitura de diversos releases, podemos extrair algumas informações e concluir alguns insights importantes referentes ao cenário de uma forma geral.

Na nossa leitura, englobando o release de todas empresas que lemos até o momento (pouco mais de 50), a percepção que tivemos foi a mesma do quatro trimestre de 2021: uma recuperação econômica mais forte do que a maioria dos analistas tem esperado. Isso não significa que o Brasil está uma maravilha, mas sim que a recuperação da crise que a pandemia causou em 2022 está ocorrendo na linha de projeção que era “otimista”, por assim dizer.

Os dois principais pontos que percebemos que devem ser monitorados nos próximos resultados com atenção dobrada, é a capacidade das companhias em: (I) repassar preços – nem todos os setores possuem capacidade plena de repasse de preços para compensar toda essa inflação. Escala e poder de marca são fatores determinantes, e dois exemplos que podemos dar nesse sentido é a Ambev e a M. Dias Branco. Sendo do setor alimentício, ambas tem aumentado o preço médio de seus produtos e conseguido ganhar market share, ainda que esse repasse não tenha sido completo (as margens continuaram pressionadas), é um indicativo de “pricing power” que sempre falamos. No longo prazo o pricing power é de extrema importância para a companhia, caso contrário, ela não se sustenta e o ponto (II), a alavancagem.

Dezenas de companhias aproveitaram 2021 para se alavancar (isso é, crescer contratando dívida) aproveitando os juros baixíssimos da época, mas nem todas tiveram expertise para montar uma estrutura que protegesse caso os juros explodissem para 12,75%, que é o cenário que estamos vivendo hoje. Uma dívida de CDI+3% é extremamente fácil de pagar quando o CDI está em 2%, afinal é um custo de 5%, por assim dizer. O jogo muda quando o CDI vai para 12,75%, a dívida é CDI+3% e o custo explode para 15,75%.

Isso não significa que toda empresa alavancada está com um cenário problemático a frente, mas sim que toda empresa alavancada merece atenção sobre a estrutura de sua dívida. Em termos simples, quanto mais alavancada, maior o risco da empresa gastar parte significativa de sua receita pra pagar as dívidas. E se isso acontece, sobra menos dinheiro para a companhia gastar com o que realmente precisa e remunera o acionista.

Commodities seguem sendo estrelas. Não parece que no curto prazo as commodities vão ter uma queda de preço, e com isso, gigantes como a Vale, Petrobras, Suzano e similares se tornam verdadeiras impressoras de dinheiro, gerando bilhões de caixa e distribuindo bilhões em dividendos para os acionistas. O maior risco em investir nessas empresas por agora, é a incerteza sobre o topo do ciclo. É dito que o topo está próximo e haverá queda das commodities há alguns meses, mas com a cadeia de produção extremamente perturbada e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia pressionando ainda mais a logística global, esse topo seguido de queda ainda não foi visto. Em resumo, brasileiras de commodities gigantes imprimindo dinheiro e o Estado brasileiro se beneficiando com o tanto de dinheiro arrecadado via impostos com isso.

Essa atmosfera de alta de commodities também é um fator que beneficia não só as empresas commoditizadas, mas todas as companhias do mercado. Com a melhora da arrecadação do país e mais dólares entrando aqui, há menos risco fiscal e menor pressão sobre o câmbio (não em vão o real tem valorizado tanto nos últimos meses, indo na contramão do mundo.
Em linhas gerais, apesar da inflação batendo forte em alguns resultados (que provavelmente serão recuperados nos próximos trimestres, nós gostamos do trimestre e a impressão de que a bolsa está atrativa (obviamente, selecionando bons ativos) fica ainda mais forte. Ou seja, estamos otimistas. Existe um leque gigante de companhias negociando em múltiplos piores do que na crise de 2015 (que, acredite se quiser, foi pior do que a crise atual) mesmo com resultados crescentes e em mercados extremamente resilientes. Acreditamos que um ciclo de mercados emergentes se sobressaindo não é improvável. Apesar de muito falarem sobre bolsa americana e sua rentabilidade fenomenal no longo prazo, poucos sabem que a bolsa brasileira em dólares deu uma surra no S&P500 entre 1968 e 2022, que a bolsa brasileira já multiplicou em quase 160 vezes seu valor em dólar desde 1968 e que entre 2000 e 2013 a bolsa americana passou de lado, dando praticamente 0% de rentabilidade.

Não se trata sobre prever o futuro ou não, mas sim justamente sobre o fato de que você não tem essa habilidade e a diversificação sem se abraçar a narrativas de fim de mundo (como muitos influencers falavam para dolarizar 100% do patrimônio no final de 2021 e hoje resultando em uma queda de quase 40% somando câmbio e bolsa) sempre será a melhor escolha. As verdadeiras fortunas foram feitas no Bear Market.

Talvez estejamos diante de uma das maiores oportunidades que o mercado já disponibilizou, e apenas estudando você conseguirá aproveitar isso – então aproveite enquanto há tempo e lembre-se que o CDI não ficará em 12,75% por muito tempo.

Lembrando que absolutamente nenhuma das nossas mensagens caracterizam recomendação de compra ou venda de qualquer ativo que seja. Embora possamos fazer isso e nossa equipe tenha profissionais certificados, a Findocs tem como objetivo o desenvolvimento educacional, e por enquanto não há qualquer intuito de recomendação com natureza de research e afins.

Se você ainda não conhece, venha conhecer a nossa plataforma de educação financeira – são mais de 230h de aulas, artigos, textos, debates e uma comunidade de assinantes para preparar você a se tornar um investidor completo – e com a assinatura você tem acesso a todo nosso conteúdo que é publicado semanalmente. De aulas praticas que ensinam a realizar análises de ações e FIIs, a aulas de programação voltada ao mercado financeiro. Você tem 7 dias de teste gratuito!

www.findocs.com.br
Gráfico simples, mas ilustrativo sobre o ROE dos grandes bancos.

O ROE nada mais é do que o Retorno sobre o patrimônio de uma companhia – o quanto ela consegue gerar de valor com seus próprios recursos.

Esse indicador é importante pois face a uma pressão de concorrência (que é o que tem acontecido no cenário bancário do Brasil, com as fintechs atacando o mercado dos bancões) ele tende a diminuir.

Como os números mostram: entre 2015 e 2016 houve forte queda resultante da crise que o país atravessou, se recuperando ao longo dos próximos anos até 2019, com outra queda forte em 2020 por conta da pandemia. Em 2021 o número voltou a crescer, sendo que no 1T22 as instituições voltaram a reportar um ROE no patamar que sempre operaram – entre 20% e 23% - o que os enquadra como os bancos mais eficientes do mundo.

Até o momento, não houve evidência de fato de uma deterioração dos resultados dos bancões por conta das fintechs, apesar do forte crescimento de algumas instituições (vide XP e Nubank).
A tese do urânio acabou? Não – pelo contrário.

As últimas semanas foram marcantes para o mercado de urânio. Com uma queda violenta em todas as ações do setor (inclusive nos principais ETFs, por obvio), alguns investidores passaram a ficar mais céticos com a tese e a questionar o real potencial de retorno que ela proporciona. Um erro crasso e que ilustra certa desatenção (ou despreparo) sobre o cerne da tese.

O racional para investir na tese do urânio é simples: oferta e demanda. Como pontuamos diversas vezes no nosso relatório educacional (que você pode ler completo e na íntegra em nossa plataforma), a tese gira em torno de um único ponto e nada mais: a oferta e a demanda do urânio. Só. Não precisa de mais explicações.

Apesar de toda essa flutuação no preço do urânio no curto prazo, a desvalorização dos contratos negociados agora não possui absolutamente nenhuma relação com a demanda futura do urânio. Isso é, a queda do preço atual não muda o fato de que o mercado está completamente desequilibrado e em algum momento haverá uma corrida para comprar mais urânio e o preço dos contratos explodirão para cima.

A maior parte dos contratos das usinas operantes irá terminar no final de 2023, sendo que até o momento os estoques de urânio seguem em queda, com mais usinas sendo criadas e uma pressão demandante sobre o produto cada vez maior. Mesmo que absolutamente nenhum reator novo seja construído nos próximos meses (o que é um cenário impossível, dado o fato de que há centenas de reatores sendo levantados), a oferta e a demanda ainda não se casam por conta da baixa produtividade que está ocorrendo no setor. Em termos mais simples: não há urânio sequer para abastecer as usinas existentes direito quando os contratos terminarem.

Resumindo, como mencionamos diversas vezes ao longo da tese: o mercado de urânio é extremamente volátil, fazendo com que o mercado de criptomoedas pareça brincadeira de criança. Essas chacoalhadas de curto prazo em nada mudam os fundamentos para a realização da tese no que tange a celebração dos contratos futuros para manter as usinas em funcionamento no final de 2023 para frente e a insustentabilidade do atual preço da libra que negociam no mercado.

Assumir que o urânio não atingirá seu preço de equilíbrio, significa assumir que as usinas irão deixar de funcionar (ou seja, seu desligamento) o que incorre em uma queda significativa de produção de energia na matriz energética de diversos países – inclusive a China e os EUA.

A tese é simples de compreender, e em nosso relatório educacional, em uma leitura de não mais de 5 ou 6 horas, você consegue compreender perfeitamente os gatilhos e os riscos existentes.

Não se assuste com a volatilidade de curto prazo. Sendo sincero, nos últimos meses houve uma quantidade ainda maior de eventos que beneficiem a tese, e é nos fundamentos e no preço da libra do urânio que você deve focar.


Considere investir na tese somente se você tiver estômago para volatilidade e paciência para a consolidação da celebração dos contratos do mercado que ocorrerão somente daqui alguns anos. Obviamente que não há absolutamente nenhuma garantia de retorno ou que tudo dará certo, mas até o momento, nada mudou, e a volatilidade segue normal em linha com o que sempre foi, assim como a assimetria continua extremamente positiva sob nossa leitura.

Leia o nosso relatório e você terá oportunidade de conhecer talvez uma das melhores oportunidades de investimentos dos últimos anos.

www.findocs.com.br
Imóvel físico ou Fundo Imobiliário?

Antes de mais nada: a intenção desse texto não é convencer investidores de imóveis a investirem em fundos imobiliários, tão pouco incitar a discussão acalorada que esse tema tanto abarca. A intenção por aqui é indicar unicamente nosso ponto de vista sobre o tema. Uma reflexão, talvez.

O gráfico acima foi elaborado com dados da FIP/ZAP e se refere a evolução do yield de aluguel dos imóveis físicos na cidade de SP e a média de outras 25 cidades do Brasil.

Como fica evidente, esse yield de aluguel, isso é, o rendimento que você consegue mensalmente em relação ao valor do imóvel, bruto vem caindo desde 2009, hoje na casa dos 4,5% - considerando impostos e demais custos, o rendimento cai para casa dos 3,9% ou pouco menos.

Aos que investem no mercado de fundos imobiliários, é totalmente sabido que hoje os fundos trabalham com yield entre 6,5% em casos de fundos mais sólidos (vide o KNRI11, que paga menos e tem um dos melhores portfólios e gestão da indústria), e 10,0%. Isso considerando fundos de tijolos, não abrangendo os fundos de papéis por serem de natureza um pouco diferente.

Sob o ponto de vista de rendimento de aluguel, os fundos imobiliários são incomparavelmente melhores. Não há qualquer dado que torne imóveis físicos minimamente atrativos quando comparados aos fundos imobiliários quando falamos sobre fator.

Indo um pouco além, outros pontos tornam fundos imobiliários mais vantajosos: o fato de que você pode com um único aporte e baixa quantia de capital diversificar o seu dinheiro entre dezenas de inquilinos diferentes, dezenas de imóveis diferentes e nos melhores imóveis do país. Uma ilustração disso seria o fato de que o investidor pode comprar uma cota de um fundo da Faria Lima de SP que é AAA, por exemplo. Essa diversificação e fator de valor gera maior segurança e menor risco de vacância, visto que num imóvel físico, tendo apenas um inquilino, há essa dor de cabeça.

“Mas e então – fundos imobiliários são o suprassumo dos investimentos? Não há riscos?” Não, mas é claro que não. Fundos imobiliários também possuem riscos. E alguns estragam completamente a rentabilidade ao longo do tempo.

Um fundo imobiliário é tocado por um gestor. Simples assim. Sendo tocado por um gestor, se você já investe em um fundo de gestão ativa, já deve ter percebido que novas emissões de cotas ocorrem eventualmente com a gestão praticando a expansão do fundo. Esse é um dos maiores riscos que consideramos nos fundos imobiliários: caso a gestão seja ruim e as emissões sejam mal realizadas, o potencial do fundo desempenhar ao longo do tempo é destruído. Há diluição dos cotistas na base de capital do fundo.

Se você tem um imóvel próprio, esse risco não existe. O mínimo que ele fará (apesar de não ser garantido, mas extremamente provável) é seguir a inflação. Talvez não em totalidade, mas bem próximo e sem esforço.

Fundos imobiliários também desempenham o papel de proteção contra a inflação, mas devido a altíssima liquidez do mercado, a reposição inflacionária não funciona de imediato, com as cotas sendo reprecificadas para manter o prêmio a todo tempo. A questão é que com uma inflação crescente fazendo os contratos serem revisados para cima e um INCC alto fazendo o custo de reposição crescer, é inevitável que o fundo valorize como consequência. Talvez não tão rápido, mas se a gestão fizer o mínimo do bom trabalho, ocorre.

O texto, como mencionamos, não tem a mínimo intenção em pontuar qual é melhor ou não, mas sim evidenciar para os riscos de cada um. Enquanto um imóvel próprio da ao seu detentor o conforto da falta de liquidez e uma inflação repassada mais rápida, um fundo imobiliário goza de rendimentos mais altos, enquanto você precisa ficar atento aos movimentos da gestão para compreender se o gestor está tocando bem o fundo e não diluindo a base de cotistas somente para ganhar dinheiro e atender aos próprias interesses com emissões mal feitas.
Acreditamos que imóveis até podem fazer parte do rol de investimentos de uma pessoa, mas talvez para patrimônios maiores, atendendo a necessidades mais específicas. Frequentemente esse debate ocorre, mas alguns pontos básicos do assunto acabam passando batido porque investidores de ambos os lados levam opiniões como ofensa e o viés emocional se torna um imperativo.
Lembre-se: em investimentos, não há um certo ou um errado, mas sim o ideal de acordo com o seu perfil e objetivo. Não há nada mais importante do que você dormir todos os dias com a cabeça tranquila no travesseiro sabendo que o seu dinheiro está dentro do seu círculo de competência.