Opinião e análise breve – Telefônica ($VIVT3) – 1T/2022
Um bom setor para os investidores de longo prazo, mas pouco comentado nas redes: o setor de telecomunicação. Formado praticamente por um oligopólio onde 4 empresas detém 97,5% do setor, o mercado de telecomunicação é conhecido pela sua alta geração de caixa, baixa competitividade e bons dividendos pagos. E a Telefônica é a líder desse mercado.
Com um primeiro trimestre sem grandes supresas, daremos um parecer breve sobre seus resultados – lembrando que a análise de empresas desse setor deve ser realizada com uma pequena particularidade, com o lucro enganando um pouco. Vamos aos números.
No 1T22 a Telefônica entregou um crescimento de receita líquida de 4,6% comparando ao 1T21 - atingindo os R$11.3 bilhões. Essa receita cresceu tanto pela expansão do serviço móvel, que cresceu 6,1% (e aqui vale pontuar que a companhia tem aumentado bem a quantidade de celulares que vende em suas agências, representando hoje 6,8% da receita total). No segmento de negócio fixo (internet a cabo, TV etc) a receita subiu apenas 1,9%, sendo o destaque positivo para o seu nicho de internet de fibra ótica, que cresceu 26%, representando R$1.3 bilhões da receita total.
Indo um pouco além, os números mostram como a Telefônica tem investido bem nessa área: houve crescimento de 26% de casas passadas (que no caso, significa ponto de atendimento possível que a companhia pode atender) atingindo 20.5 milhões (contra 16.3 milhões no 1T21) e um crescimento de 29% de casas conectadas (casas que tem internet fibra ótica da Vivo), atingindo 4.8 milhões (contra 3.7 milhões no 1T22).
Na parte de custos, houve crescimento de 7% dos custos totais, abaixo da inflação do período (de 11,3%), sendo a maior parte desse crescimento resultado dos produtos vendidos (movimento natural por conta do crescimento de vendas) e da linha de pessoal (resultante de aumentos salariais e reajustes).
Sobre o resultado financeiro, houve forte aumento das despesas financeiras, com um crescimento de prejuízo de 66%, atingindo R$524 milhões no trimestre, enquanto o endividamento atingiu R$15.1 bilhões mas ainda com a alavancagem baixa e saudável, em 0,4x dívida líquida sobre EBITDA sendo 68% dessa dívida de longo prazo.
Sobre o lucro líquido, a Vivo entregou com uma queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com R$750 milhões. A análise um pouco diferente que citamos no começo do release, cabe aqui. Pelo segmento que ela está inserida, a quantidade de investimentos que ela realiza e os arrendamentos que ela faz, o lucro líquido acaba não sendo a melhor referência de análise no resultado final, visto que a depreciação e a amortização podem acabar implicando em uma distorção contábil sobre o número do lucro líquido.
Além do lucro líquido, gostamos de olhar principalmente para o EBITDA e a geração de caixa de empresas desse segmento. No caso da Telefônica, ambos tiveram aumento inexpressivo de aproximadamente 1% - com R$4.5 bilhões de EBITDA e R$2.6 bilhões de fluxo de caixa livre descontando desconsiderando o CAPEX. Como sempre falamos, análise de lucro é fraca, olhar só isso, induz ao erro.
Em síntese, o resultado não apresentou grandes surpresas, é uma companhia gigante que dificilmente vai mostrar grandes movimentos. Atualmente ela está investindo para ganhar espaço no 5G e isso comprometeu parte dos resultados e elevou a dívida no período, e isso deve durar mais tempo. Ainda assim, a companhia segue com seus fundamentos de gigante geradora de caixa crescendo a passos lentos.
Sem surpresas, cabendo ao investidor sempre se atentar à concorrência (que tem sido grande no setor, apesar dos obstáculos do oligopólio) e a expansão da companhia, principalmente agora, com boom do 5G.
Um bom setor para os investidores de longo prazo, mas pouco comentado nas redes: o setor de telecomunicação. Formado praticamente por um oligopólio onde 4 empresas detém 97,5% do setor, o mercado de telecomunicação é conhecido pela sua alta geração de caixa, baixa competitividade e bons dividendos pagos. E a Telefônica é a líder desse mercado.
Com um primeiro trimestre sem grandes supresas, daremos um parecer breve sobre seus resultados – lembrando que a análise de empresas desse setor deve ser realizada com uma pequena particularidade, com o lucro enganando um pouco. Vamos aos números.
No 1T22 a Telefônica entregou um crescimento de receita líquida de 4,6% comparando ao 1T21 - atingindo os R$11.3 bilhões. Essa receita cresceu tanto pela expansão do serviço móvel, que cresceu 6,1% (e aqui vale pontuar que a companhia tem aumentado bem a quantidade de celulares que vende em suas agências, representando hoje 6,8% da receita total). No segmento de negócio fixo (internet a cabo, TV etc) a receita subiu apenas 1,9%, sendo o destaque positivo para o seu nicho de internet de fibra ótica, que cresceu 26%, representando R$1.3 bilhões da receita total.
Indo um pouco além, os números mostram como a Telefônica tem investido bem nessa área: houve crescimento de 26% de casas passadas (que no caso, significa ponto de atendimento possível que a companhia pode atender) atingindo 20.5 milhões (contra 16.3 milhões no 1T21) e um crescimento de 29% de casas conectadas (casas que tem internet fibra ótica da Vivo), atingindo 4.8 milhões (contra 3.7 milhões no 1T22).
Na parte de custos, houve crescimento de 7% dos custos totais, abaixo da inflação do período (de 11,3%), sendo a maior parte desse crescimento resultado dos produtos vendidos (movimento natural por conta do crescimento de vendas) e da linha de pessoal (resultante de aumentos salariais e reajustes).
Sobre o resultado financeiro, houve forte aumento das despesas financeiras, com um crescimento de prejuízo de 66%, atingindo R$524 milhões no trimestre, enquanto o endividamento atingiu R$15.1 bilhões mas ainda com a alavancagem baixa e saudável, em 0,4x dívida líquida sobre EBITDA sendo 68% dessa dívida de longo prazo.
Sobre o lucro líquido, a Vivo entregou com uma queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com R$750 milhões. A análise um pouco diferente que citamos no começo do release, cabe aqui. Pelo segmento que ela está inserida, a quantidade de investimentos que ela realiza e os arrendamentos que ela faz, o lucro líquido acaba não sendo a melhor referência de análise no resultado final, visto que a depreciação e a amortização podem acabar implicando em uma distorção contábil sobre o número do lucro líquido.
Além do lucro líquido, gostamos de olhar principalmente para o EBITDA e a geração de caixa de empresas desse segmento. No caso da Telefônica, ambos tiveram aumento inexpressivo de aproximadamente 1% - com R$4.5 bilhões de EBITDA e R$2.6 bilhões de fluxo de caixa livre descontando desconsiderando o CAPEX. Como sempre falamos, análise de lucro é fraca, olhar só isso, induz ao erro.
Em síntese, o resultado não apresentou grandes surpresas, é uma companhia gigante que dificilmente vai mostrar grandes movimentos. Atualmente ela está investindo para ganhar espaço no 5G e isso comprometeu parte dos resultados e elevou a dívida no período, e isso deve durar mais tempo. Ainda assim, a companhia segue com seus fundamentos de gigante geradora de caixa crescendo a passos lentos.
Sem surpresas, cabendo ao investidor sempre se atentar à concorrência (que tem sido grande no setor, apesar dos obstáculos do oligopólio) e a expansão da companhia, principalmente agora, com boom do 5G.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 1T/2022
Talvez essa seja a análise mais simples que você verá por aqui. A análise sobre o resultado da B3 não tem muito segredo. Se trata da única empresa atuante no mercado tem território nacional e seu resultado é completamente influenciado pela taxa de juros do período.
No trimestre, a B3 apresentou desaceleração e queda nos seus números, mas para quem conhece a companhia, sabe que isso já era esperado. Como dito: por conta da taxa de juros. Uma SELIC mais alta tende a reduzir o capital que é direcionado à bolsa de valores (no caso, a B3), isso significa menor volume negociado na bolsa e consequentemente menos receita com taxas que a B3 recebe. Ela também ganha com renda fixa com a CETIP, mas representando uma parte bem menor de sua receita. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, houve uma queda na receita total da companhia de 4,6% comparado ao primeiro trimestre de 2021, voltando para os R$2.5 bilhões (contra R$2.6 bilhões em 2021). Essa queda na receita é explicada por uma queda de 10,4% na negociação de ativos de renda variável no geral, tendo o volume de negociação de ações caído 15,3% o volume de derivativos tendo caído 13,4% e o volume de juros e moedas caído 8,1%. O ponto positivo em termos de volume vai para a atividade da renda fixa, que teve um aumento de 11,6%, mas de certa forma irrelevante no resultado total, representando R$40 milhões dos R$2.5 bilhões de receita total.
Na parte de despesas, houve um crescimento de 29,5% no período, reflexo principalmente do crescimento de gasto com pessoal (reflexo de reajustes salariais e mais contratações) e do processamento de dados. Um aumento de R$195 milhões em relação ao período passado. Vale destacar aqui que boa parte disso está, como sempre, atrelado a inflação, principalmente na parte de pessoal.
Essa queda de receita somada ao aumento das despesas, fez com que a B3 tivesse uma perda de 9,90bps em sua margem operacional, caindo de 72,4% para 62,5%.
O lucro líquido, por sua vez, foi de R$1.1 bilhão no trimestre, uma queda de 12,3% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, dispondo de uma retração de margem líquida de 4,2bps para 48,2% (contra 52,4% no 1T21).
Agora ilustrado, fica perceptível o impacto que a taxa de juros tem na B3. O mesmo fator que fez com que a empresa se tornasse muito querida em 2020 e 2021, está fazendo agora com que muitos a odeiem: a taxa de juros. Numa SELIC de 2%, os agentes econômicos não tem escolha se não diversificar seus investimentos em renda variável, se torna algo obrigatório face as baixas taxas da renda fixa do período. Numa SELIC de 12,75% como a que estamos vivendo, por mais que siga fazendo sentido investir em renda variável, a maioria dos agentes econômicos acabam “fugindo” para a renda fixa, atraídos pelas altas taxas nominais e menosprezando os ativos de renda variável. Esse movimento causa queda de volume na bolsa e consequentemente a B3 ganha menos dinheiro.
É possível que isso mude? Certamente. Uma taxa de juros mais baixa – porque ela vai abaixar, é questão apenas de quando, e não de “se” – e uma população mais educada financeiramente mudam o cenário, mas por agora, essa desaceleração é esperada, e você não deve panicar ou interpretar de forma tão negativa como se fosse uma surpresa.
Não espere um crescimento violento no curto prazo enquanto o cenário macroeconômico não se acalmar. O ritmo de crescimento registrado em 2020 e 2021 dificilmente se repetirá por agora, mas isso não significa que a companhia deixou de ser uma gigante que atua sozinha (o que é um ponto de atenção, sempre) em seu setor, gerando bilhões em caixa todo trimestre.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Talvez essa seja a análise mais simples que você verá por aqui. A análise sobre o resultado da B3 não tem muito segredo. Se trata da única empresa atuante no mercado tem território nacional e seu resultado é completamente influenciado pela taxa de juros do período.
No trimestre, a B3 apresentou desaceleração e queda nos seus números, mas para quem conhece a companhia, sabe que isso já era esperado. Como dito: por conta da taxa de juros. Uma SELIC mais alta tende a reduzir o capital que é direcionado à bolsa de valores (no caso, a B3), isso significa menor volume negociado na bolsa e consequentemente menos receita com taxas que a B3 recebe. Ela também ganha com renda fixa com a CETIP, mas representando uma parte bem menor de sua receita. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, houve uma queda na receita total da companhia de 4,6% comparado ao primeiro trimestre de 2021, voltando para os R$2.5 bilhões (contra R$2.6 bilhões em 2021). Essa queda na receita é explicada por uma queda de 10,4% na negociação de ativos de renda variável no geral, tendo o volume de negociação de ações caído 15,3% o volume de derivativos tendo caído 13,4% e o volume de juros e moedas caído 8,1%. O ponto positivo em termos de volume vai para a atividade da renda fixa, que teve um aumento de 11,6%, mas de certa forma irrelevante no resultado total, representando R$40 milhões dos R$2.5 bilhões de receita total.
Na parte de despesas, houve um crescimento de 29,5% no período, reflexo principalmente do crescimento de gasto com pessoal (reflexo de reajustes salariais e mais contratações) e do processamento de dados. Um aumento de R$195 milhões em relação ao período passado. Vale destacar aqui que boa parte disso está, como sempre, atrelado a inflação, principalmente na parte de pessoal.
Essa queda de receita somada ao aumento das despesas, fez com que a B3 tivesse uma perda de 9,90bps em sua margem operacional, caindo de 72,4% para 62,5%.
O lucro líquido, por sua vez, foi de R$1.1 bilhão no trimestre, uma queda de 12,3% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, dispondo de uma retração de margem líquida de 4,2bps para 48,2% (contra 52,4% no 1T21).
Agora ilustrado, fica perceptível o impacto que a taxa de juros tem na B3. O mesmo fator que fez com que a empresa se tornasse muito querida em 2020 e 2021, está fazendo agora com que muitos a odeiem: a taxa de juros. Numa SELIC de 2%, os agentes econômicos não tem escolha se não diversificar seus investimentos em renda variável, se torna algo obrigatório face as baixas taxas da renda fixa do período. Numa SELIC de 12,75% como a que estamos vivendo, por mais que siga fazendo sentido investir em renda variável, a maioria dos agentes econômicos acabam “fugindo” para a renda fixa, atraídos pelas altas taxas nominais e menosprezando os ativos de renda variável. Esse movimento causa queda de volume na bolsa e consequentemente a B3 ganha menos dinheiro.
É possível que isso mude? Certamente. Uma taxa de juros mais baixa – porque ela vai abaixar, é questão apenas de quando, e não de “se” – e uma população mais educada financeiramente mudam o cenário, mas por agora, essa desaceleração é esperada, e você não deve panicar ou interpretar de forma tão negativa como se fosse uma surpresa.
Não espere um crescimento violento no curto prazo enquanto o cenário macroeconômico não se acalmar. O ritmo de crescimento registrado em 2020 e 2021 dificilmente se repetirá por agora, mas isso não significa que a companhia deixou de ser uma gigante que atua sozinha (o que é um ponto de atenção, sempre) em seu setor, gerando bilhões em caixa todo trimestre.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 1T/2022
Mais um trimestre de margens pressionadas, e meses turbulentos ainda pela frente.
O resultado do primeiro trimestre de 2022 da M. Dias Branco foi divulgar. Num mix de linhas positivas e negativas, como esperado, a pressão sobre as margens continua, mas alguns pontos de repasse de preço e ganho de mercado sopram ventos positivos pra companhia. Ainda assim, muitos fatores seguem criando um cenário nebuloso para a companhia nos próximos meses. Vamos para os números.
No primeiro trimestre de 2022 a M. Dias Branco entregou uma receita forte, com um crescimento de 27% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, outros pontos demonstraram melhora sobre a marca da companhia: o preço médio de venda subiu 20,3% (de R$4,2/kg para R$5,0/kg), o volume de vendas cresceu mesmo com a alta de preços, e a participação de mercado da companhia também. Ou seja, mesmo aumentando o preço, ela está conseguindo ganhar e recuperar sua participação em todas as regiões do país (tanto de defesa quanto de ataque), o que é um indicativo claro do poder de suas marcas.
Em suma, todos os segmentos da companhia apresentaram alta forte de receita e volume venda, sem exceção.
A margem bruta, por sua vez, piorou: houve uma queda de 0,7pp, de 26,8% para 26,1%, ainda que o número tenha melhorado ante janeiro de 2022 (que estava em 23,7%), ilustrando como os custos com matérias-primas tem pressionado forte, embaçando os ganhos nas linhas gerais.
Na parte de despesas controláveis – isso é, despesas que não estão associadas ao preço de matérias-primas, a companhia mostrou eficiência, reduzindo tanto a linha de despesas com vendas (que diminuiu de 22,1% da receita líquida para 18,7%) quanto a linha de despesas administrativas (que diminuiu de 3,8% da receita líquida para 3,2% da receita líquida).
Na parte de custos, a grande bomba que a companhia (e todo o setor) está passando.
O custo com matéria-prima subiu de 51,9% da receita líquida no 1T21 para 54,7% da receita líquida no 1T22. Além das matérias-primas em si, houve também aumento de custo de embalagens, refletindo a alta de alumínio entre outros produtos da base econômica. Houve um crescimento de 1,5pp em consumo de receita líquida quando consideramos os custos. Antes 78,3% da receita líquida no 1T21, e então 79,8% da receita líquida no 1T22.
Apenas a título de curiosidade, para se ter ideia da disparada do custo do trigo nos últimos meses: em dezembro de 2021 o preço da tonelada de trigo era de US$285, em março desse ano esse preço subiu para US$377. Em dezembro de 2021, o preço dó óleo de palma era de US$1.452 a tonelada, em março desse ano o preço subiu para US$1.808. A M. Dias Branco, por sua vez, conseguiu segurar os preços próximos ao que sempre negociou com suas operações de hedge e vantagem de escala, mas em algum momento o preço baterá novamente.
Com uma reversão de R$60 milhões no IR, a companhia fechou o trimestre com R$37 milhões de lucro líquido no trimestre.
Nossa opinião sobre o resultado da M. Dias Branco é simples, e sempre falamos sobre lá na página: é uma excelente companhia passando por um péssimo momento. Terrível. Certamente o pior desde que a companhia foi listada em bolsa disparadamente.
Um cenário que já era horrível por conta da alta das commodities e uma inflação recorde nas últimas décadas registrada globalmente, piorou ainda mais com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia (visto que os dois países são potências exportadoras de trigo) e está agravando ainda mais com países tomando medidas protecionistas proibindo exportações de trigo para conter a alta de preços local.
Na nossa leitura ela está segurando toda essa pressão até que bem, e infelizmente não há milagre. Não só ela, mas todas as companhias do segmento estão sofrendo com o mesmo problema.
Mais um trimestre de margens pressionadas, e meses turbulentos ainda pela frente.
O resultado do primeiro trimestre de 2022 da M. Dias Branco foi divulgar. Num mix de linhas positivas e negativas, como esperado, a pressão sobre as margens continua, mas alguns pontos de repasse de preço e ganho de mercado sopram ventos positivos pra companhia. Ainda assim, muitos fatores seguem criando um cenário nebuloso para a companhia nos próximos meses. Vamos para os números.
No primeiro trimestre de 2022 a M. Dias Branco entregou uma receita forte, com um crescimento de 27% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, outros pontos demonstraram melhora sobre a marca da companhia: o preço médio de venda subiu 20,3% (de R$4,2/kg para R$5,0/kg), o volume de vendas cresceu mesmo com a alta de preços, e a participação de mercado da companhia também. Ou seja, mesmo aumentando o preço, ela está conseguindo ganhar e recuperar sua participação em todas as regiões do país (tanto de defesa quanto de ataque), o que é um indicativo claro do poder de suas marcas.
Em suma, todos os segmentos da companhia apresentaram alta forte de receita e volume venda, sem exceção.
A margem bruta, por sua vez, piorou: houve uma queda de 0,7pp, de 26,8% para 26,1%, ainda que o número tenha melhorado ante janeiro de 2022 (que estava em 23,7%), ilustrando como os custos com matérias-primas tem pressionado forte, embaçando os ganhos nas linhas gerais.
Na parte de despesas controláveis – isso é, despesas que não estão associadas ao preço de matérias-primas, a companhia mostrou eficiência, reduzindo tanto a linha de despesas com vendas (que diminuiu de 22,1% da receita líquida para 18,7%) quanto a linha de despesas administrativas (que diminuiu de 3,8% da receita líquida para 3,2% da receita líquida).
Na parte de custos, a grande bomba que a companhia (e todo o setor) está passando.
O custo com matéria-prima subiu de 51,9% da receita líquida no 1T21 para 54,7% da receita líquida no 1T22. Além das matérias-primas em si, houve também aumento de custo de embalagens, refletindo a alta de alumínio entre outros produtos da base econômica. Houve um crescimento de 1,5pp em consumo de receita líquida quando consideramos os custos. Antes 78,3% da receita líquida no 1T21, e então 79,8% da receita líquida no 1T22.
Apenas a título de curiosidade, para se ter ideia da disparada do custo do trigo nos últimos meses: em dezembro de 2021 o preço da tonelada de trigo era de US$285, em março desse ano esse preço subiu para US$377. Em dezembro de 2021, o preço dó óleo de palma era de US$1.452 a tonelada, em março desse ano o preço subiu para US$1.808. A M. Dias Branco, por sua vez, conseguiu segurar os preços próximos ao que sempre negociou com suas operações de hedge e vantagem de escala, mas em algum momento o preço baterá novamente.
Com uma reversão de R$60 milhões no IR, a companhia fechou o trimestre com R$37 milhões de lucro líquido no trimestre.
Nossa opinião sobre o resultado da M. Dias Branco é simples, e sempre falamos sobre lá na página: é uma excelente companhia passando por um péssimo momento. Terrível. Certamente o pior desde que a companhia foi listada em bolsa disparadamente.
Um cenário que já era horrível por conta da alta das commodities e uma inflação recorde nas últimas décadas registrada globalmente, piorou ainda mais com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia (visto que os dois países são potências exportadoras de trigo) e está agravando ainda mais com países tomando medidas protecionistas proibindo exportações de trigo para conter a alta de preços local.
Na nossa leitura ela está segurando toda essa pressão até que bem, e infelizmente não há milagre. Não só ela, mas todas as companhias do segmento estão sofrendo com o mesmo problema.
Enquanto o cenário no mercado de trigo global não normalizar, não espere uma melhora abrupta das margens da companhia. Ela tem realizado seus esforços para contornar isso (vide uma alteração no mix de produtos buscando depender menos do trigo) e inclusive tem se dado bem, conseguindo ganhar mais mercado e elevar forte sua receita e o preço de seus produtos, mas todo esforço chega a ser pouco com o tamanho dos problemas que o mundo está enfrentando no cenário macro global.
Invista na M. Dias Branco se você compreende a influência dos ciclos em seus resultados, e que talvez seus melhores aportes sejam feitos justamente nesses momentos turbulentos dos ciclos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Invista na M. Dias Branco se você compreende a influência dos ciclos em seus resultados, e que talvez seus melhores aportes sejam feitos justamente nesses momentos turbulentos dos ciclos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Magazine Luiza ($MGLU3) – 1T/2022
Se procurarmos na bolsa brasileira inteira, não encontraremos uma empresa tão comentada e popular quanto a Magazine Luiza. Com um histórico de longa data no mercado, as ações saíram da casa dos R$0,10 para uma máxima história de quase R$28,00, sendo considerada uma das empresas que entregou maior rentabilidade no mundo então tão pouco tempo segundo algumas agências de mercado.
Desde novembro de 2020, com sua máxima histórica atingida, o cenário mudou. A ação já acumula 84% de queda e de queridinha do mercado se tornou uma das empresas mais “odiadas”, ilustrando muito bem aquela célebre frase de mercado, de que não há nada mais poderoso do que o preço para mudar o sentimento.
Essa queda de preço é motivada principalmente pela desaceleração do cenário econômico que o mercado espera sobre o país. Com uma taxa de juros próxima de 13% e uma inflação que aperta com força o orçamento das famílias diminuindo a propensão ao consumo, o setor de varejo no geral é o que mais sofre: não em vão vemos empresas de segmentos relacionados (Mercado Livre, Renner, Via, Arezzo e afins) sofrendo quedas, também.
Dito isso, o resultado da Magazine Luíza veio extremamente pressionado tanto pela inflação quanto pela taxa de juros, sendo que pontos como a expansão do GMV e a melhora de margens foram os destaques positivos. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Magazine Luíza entregou um GMV de R$14.1 bilhão, 13% acima do GMV do mesmo trimestre do ano passado (GMV significa Gross Merchandise Volume, uma métrica que indica o valor monetário total de vendas on-line – volume). A receita líquida, por sua vez, teve um crescimento de 6,2% comparado ao 1T22 e essa melhora foi impulsionada principalmente por conta do e-commerce da companhia, que cresceu 16,2% comparado ao 1T22. Para se ter ideia da importância do e-commerce na empresa, no 1T22 72% das vendas foram realizadas digitalmente. A ilustração da importância de uma boa experiência digital nos negócios hoje em dia. Apesar desse peso do digital, a companhia está agressiva na abertura de lojas físicas: foram inauguradas 175 lojas entre o 1T21 e o 1T22, sendo 112 delas no Sudeste. Isso aumenta a pressão nas despesas, e foi um dos pontos que levou a margem EBITDA da companhia a cair 4,5pp, para 3,9% no 1T22.
Quanto a margem bruta (considerando somente o custo dos produtos vendidos) teve uma ligeira melhora de 2,7pp, subindo de 25,1% para 27,8% mostrando até certo ponto a capacidade da Magalu em repassar preços, ponto importante em momentos de inflação mais alta.
O destaque negativo do resultado e fator que levou a companhia ao prejuízo no trimestre, é o resultado financeiro. Por obvio, a taxa de juros altíssima pressionou a linha da companhia, e está pressionando não só a Magalu, mas todas companhias que possuem dívidas – e esse é o momento que o investidor mais deve prestar atenção na alavancagem que as companhias possuem para compreender se ela tem capacidade ou não de pagar as dívidas que possui.
No 1T22 a Magalu teve um resultado financeiro líquido de -R$422 milhões, contra -R$170 milhões no 1T21. Houve um aumento de 148% de prejuízo financeiro por conta do aumento das despesas financeiras, que cresceram 254% no período e passaram a representar 6,5% da receita líquida, contra 2,0% no 1T21.
Esse efeito está sendo identificado em diversas companhias, como dito, e é resultante de uma taxa de juros que subiu de 2% para 12,75% em tão pouco tempo. Por isso alavancagem deve ser bem pensada: pagar uma dívida de SELIC + 2% num cenário que a SELIC está 2% é tranquilo, afinal, o custo da dívida será de 4%. A situação muda quanto a SELIC vai pra um patamar mais alto, e a dívida passa a ser 12,75 + 2%. Isso da uma percepção mais clara sobre os riscos do aumento da SELIC nos negócios alavancados. Por conta do resultado financeiro, o prejuízo no trimestre foi de R$161 milhões.
Se procurarmos na bolsa brasileira inteira, não encontraremos uma empresa tão comentada e popular quanto a Magazine Luiza. Com um histórico de longa data no mercado, as ações saíram da casa dos R$0,10 para uma máxima história de quase R$28,00, sendo considerada uma das empresas que entregou maior rentabilidade no mundo então tão pouco tempo segundo algumas agências de mercado.
Desde novembro de 2020, com sua máxima histórica atingida, o cenário mudou. A ação já acumula 84% de queda e de queridinha do mercado se tornou uma das empresas mais “odiadas”, ilustrando muito bem aquela célebre frase de mercado, de que não há nada mais poderoso do que o preço para mudar o sentimento.
Essa queda de preço é motivada principalmente pela desaceleração do cenário econômico que o mercado espera sobre o país. Com uma taxa de juros próxima de 13% e uma inflação que aperta com força o orçamento das famílias diminuindo a propensão ao consumo, o setor de varejo no geral é o que mais sofre: não em vão vemos empresas de segmentos relacionados (Mercado Livre, Renner, Via, Arezzo e afins) sofrendo quedas, também.
Dito isso, o resultado da Magazine Luíza veio extremamente pressionado tanto pela inflação quanto pela taxa de juros, sendo que pontos como a expansão do GMV e a melhora de margens foram os destaques positivos. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Magazine Luíza entregou um GMV de R$14.1 bilhão, 13% acima do GMV do mesmo trimestre do ano passado (GMV significa Gross Merchandise Volume, uma métrica que indica o valor monetário total de vendas on-line – volume). A receita líquida, por sua vez, teve um crescimento de 6,2% comparado ao 1T22 e essa melhora foi impulsionada principalmente por conta do e-commerce da companhia, que cresceu 16,2% comparado ao 1T22. Para se ter ideia da importância do e-commerce na empresa, no 1T22 72% das vendas foram realizadas digitalmente. A ilustração da importância de uma boa experiência digital nos negócios hoje em dia. Apesar desse peso do digital, a companhia está agressiva na abertura de lojas físicas: foram inauguradas 175 lojas entre o 1T21 e o 1T22, sendo 112 delas no Sudeste. Isso aumenta a pressão nas despesas, e foi um dos pontos que levou a margem EBITDA da companhia a cair 4,5pp, para 3,9% no 1T22.
Quanto a margem bruta (considerando somente o custo dos produtos vendidos) teve uma ligeira melhora de 2,7pp, subindo de 25,1% para 27,8% mostrando até certo ponto a capacidade da Magalu em repassar preços, ponto importante em momentos de inflação mais alta.
O destaque negativo do resultado e fator que levou a companhia ao prejuízo no trimestre, é o resultado financeiro. Por obvio, a taxa de juros altíssima pressionou a linha da companhia, e está pressionando não só a Magalu, mas todas companhias que possuem dívidas – e esse é o momento que o investidor mais deve prestar atenção na alavancagem que as companhias possuem para compreender se ela tem capacidade ou não de pagar as dívidas que possui.
No 1T22 a Magalu teve um resultado financeiro líquido de -R$422 milhões, contra -R$170 milhões no 1T21. Houve um aumento de 148% de prejuízo financeiro por conta do aumento das despesas financeiras, que cresceram 254% no período e passaram a representar 6,5% da receita líquida, contra 2,0% no 1T21.
Esse efeito está sendo identificado em diversas companhias, como dito, e é resultante de uma taxa de juros que subiu de 2% para 12,75% em tão pouco tempo. Por isso alavancagem deve ser bem pensada: pagar uma dívida de SELIC + 2% num cenário que a SELIC está 2% é tranquilo, afinal, o custo da dívida será de 4%. A situação muda quanto a SELIC vai pra um patamar mais alto, e a dívida passa a ser 12,75 + 2%. Isso da uma percepção mais clara sobre os riscos do aumento da SELIC nos negócios alavancados. Por conta do resultado financeiro, o prejuízo no trimestre foi de R$161 milhões.
Sobre o endividamento: a dívida da companhia está bem alongada e disparou em 2021 por conta da aquisição da Kabum (e vale ressaltar que os resultados estão contemplando já a incorporação da Kabum), atingindo R$6.9 bilhões, com uma alavancagem de nível de maior atenção (5,3x dívida líquida sobre EBITDA), mas com apenas 7% dela sendo de curto prazo (próximos 24 meses, no caso).
Os comentários sobre a Magazine Luíza é o padrão sobre o setor de varejo: não espere um desempenho extraordinário da companhia enquanto a economia brasileira não estiver realmente aquecida. Dois fatores prejudicam o segmento: a taxa de juros altíssima que impacta diretamente seu resultado financeiro ao mesmo tempo que freia o consumo da população, e a inflação que faz com que a população tenha cada vez menos renda para gastar com bens mais supérfluos.
O maior problema da Magazine Luiza foi ter passado pelo estrelato do mercado acionário – aquele momento em que a empresa de populariza, todos traçam um céu de brigadeiro para ela, narrativas de investimento que justificam comprar a companhia em um preço sobre lucro de 500x são normalizados e afins. Hoje, com um cenário adverso, o preço está deprimido, mostrando como quanto mais altas as expectativas, pior é o tombo.
Como dito, não espere resultados extraordinários da companhia enquanto não houver uma recuperação econômica plena e um aquecimento da economia que faça com que o varejo fortaleça novamente. E dificilmente isso acontece tão em breve com juros e inflação pressionando o orçamento das famílias.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Os comentários sobre a Magazine Luíza é o padrão sobre o setor de varejo: não espere um desempenho extraordinário da companhia enquanto a economia brasileira não estiver realmente aquecida. Dois fatores prejudicam o segmento: a taxa de juros altíssima que impacta diretamente seu resultado financeiro ao mesmo tempo que freia o consumo da população, e a inflação que faz com que a população tenha cada vez menos renda para gastar com bens mais supérfluos.
O maior problema da Magazine Luiza foi ter passado pelo estrelato do mercado acionário – aquele momento em que a empresa de populariza, todos traçam um céu de brigadeiro para ela, narrativas de investimento que justificam comprar a companhia em um preço sobre lucro de 500x são normalizados e afins. Hoje, com um cenário adverso, o preço está deprimido, mostrando como quanto mais altas as expectativas, pior é o tombo.
Como dito, não espere resultados extraordinários da companhia enquanto não houver uma recuperação econômica plena e um aquecimento da economia que faça com que o varejo fortaleça novamente. E dificilmente isso acontece tão em breve com juros e inflação pressionando o orçamento das famílias.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Itaúsa ($ITSA3/$ITSA4) – 1T/2022
A análise da holding mais querida do Brasil não poderia faltar.
A Itaúsa é a maior e mais conhecida holding do país. Hoje 84% da holding é composta pelo gigante do setor bancário Itaú, e por isso, a análise da holding fica bem simples – se o Itaú for bem, é certo que a Itaúsa irá também.
Apesar dessa concentração, a Itaúsa tem tomado diversas medidas nos últimos trimestres para se tornar uma holding de fato, aumentando sua participação em outras companhias, outros segmentos e deixando de ser apenas um Itaú de fachada como sempre foi. E a estratégia tem dado certo.
Enfim, no primeiro trimestre de 2022 a Itaúsa registrou seu melhor primeiro trimestre da história, e vamos aos números. Lembrando que essa análise será breve, visto que não há muito o que tratar.
No 1T22 a Itaúsa apresentou um resultado recorrente das companhias a qual investe 15% acima do 1T21. A melhoria é justificada pelo aumento de resultado vindo do Itaú, da XP, da Aegea, da Copa Energia e da NTS. Na linha de resultado da própria Itaúsa, a companhia conseguiu reverter um prejuízo de R$100 milhões no 1T21 para uma receita de R$908 milhões no 1T22. Essa melhoria é explicada principalmente pela alienação das ações da XP realizada em março.
Aqui gostamos de pontuar algo importante: a concentração da Itaúsa era gigante em Itaú lá pra 2019, coisa de 95%+. Hoje ainda é grande (na casa dos 84%), mas as iniciativas que a holding tem tomado para diluir essa concentração, tem dado certo, vide sua inclinação a participação no segmento de saneamento básico com a Aegea (e aqui mostra lá ela se posicionando para as mudanças tangentes ao marco do saneamento), transporte de gás natural com a NTS e distribuição de gás natural com a Copa Energia – fora a Dexco e Alpagartas que já são antigas no portfólio. Essas empresas ainda representam pouco do seu resultado total, mas ainda assim, é um bom começo e indicativo de mudança.
Todos esses pontos fizeram com que a Itaúsa atingisse um lucro líquido de R$3.8 bilhões no trimestre, bem acima dos R$2.4 bilhões registrados no 1T21.
A Itaúsa é uma empresa excelente, mas a concentração no Itaú ainda é alta. Investir na companhia buscando uma diversificação na holding no aguardo de que ela se torne uma “Berkshire Hathaway brasileira” pode fazer sentido, mas levará um tempo até que isso ocorra. O que importa é que a gestão está se movimentando e buscando diminuir cada vez mais essa concentração no Itaú, e os últimos trimestres tem mostrado um sucesso na estratégia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
A análise da holding mais querida do Brasil não poderia faltar.
A Itaúsa é a maior e mais conhecida holding do país. Hoje 84% da holding é composta pelo gigante do setor bancário Itaú, e por isso, a análise da holding fica bem simples – se o Itaú for bem, é certo que a Itaúsa irá também.
Apesar dessa concentração, a Itaúsa tem tomado diversas medidas nos últimos trimestres para se tornar uma holding de fato, aumentando sua participação em outras companhias, outros segmentos e deixando de ser apenas um Itaú de fachada como sempre foi. E a estratégia tem dado certo.
Enfim, no primeiro trimestre de 2022 a Itaúsa registrou seu melhor primeiro trimestre da história, e vamos aos números. Lembrando que essa análise será breve, visto que não há muito o que tratar.
No 1T22 a Itaúsa apresentou um resultado recorrente das companhias a qual investe 15% acima do 1T21. A melhoria é justificada pelo aumento de resultado vindo do Itaú, da XP, da Aegea, da Copa Energia e da NTS. Na linha de resultado da própria Itaúsa, a companhia conseguiu reverter um prejuízo de R$100 milhões no 1T21 para uma receita de R$908 milhões no 1T22. Essa melhoria é explicada principalmente pela alienação das ações da XP realizada em março.
Aqui gostamos de pontuar algo importante: a concentração da Itaúsa era gigante em Itaú lá pra 2019, coisa de 95%+. Hoje ainda é grande (na casa dos 84%), mas as iniciativas que a holding tem tomado para diluir essa concentração, tem dado certo, vide sua inclinação a participação no segmento de saneamento básico com a Aegea (e aqui mostra lá ela se posicionando para as mudanças tangentes ao marco do saneamento), transporte de gás natural com a NTS e distribuição de gás natural com a Copa Energia – fora a Dexco e Alpagartas que já são antigas no portfólio. Essas empresas ainda representam pouco do seu resultado total, mas ainda assim, é um bom começo e indicativo de mudança.
Todos esses pontos fizeram com que a Itaúsa atingisse um lucro líquido de R$3.8 bilhões no trimestre, bem acima dos R$2.4 bilhões registrados no 1T21.
A Itaúsa é uma empresa excelente, mas a concentração no Itaú ainda é alta. Investir na companhia buscando uma diversificação na holding no aguardo de que ela se torne uma “Berkshire Hathaway brasileira” pode fazer sentido, mas levará um tempo até que isso ocorra. O que importa é que a gestão está se movimentando e buscando diminuir cada vez mais essa concentração no Itaú, e os últimos trimestres tem mostrado um sucesso na estratégia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Hapvida ($HAPV3) – 1T/2022
Nesta análise, daremos uma natureza diferente. Atualmente a Hapvida passa por um forte processo de mudança por conta da aquisição que ela realizou do Grupo NotreDame Intermédica (antiga $GNDI3) e isso acabou tornando os números do 1T22 mais complicados e “sujos” para serem analisados, afinal, houve incorporação da companhia e uma “mistura” de resultados.
Nossa análise aqui será dada com uma natureza diferente, pois resumiremos os principais pontos que vieram negativos e que tem incomodado o mercado, fazendo com que as ações tanto caíssem nas últimas semanas (e intensificasse a queda após a integra do 1T22).
Antes, vamos entender o que se tornou a empresa.
No inicio de 2022, a Hapvida e o Grupo NotreDame Intermédica concluíram sua fusão – um processo que estava ocorrendo há algum tempo. Essa fusão criou o maior sistema de saúde suplementar do país, contemplando mais de 15 milhões de beneficiários. A ideia da fusão foi inspirada principalmente pela complementaridade que elas possuem – isso é, são fortes em diferentes regiões do país.
Esse movimento criou o maior sistema de saúde suplementar do país, como dito, com 15.27 milhões de beneficiários (dobrando com a aquisição), e expandiu a quantidade de pontos de atendimento de 457 para 749, somando entre hospitais, clínicas e laboratórios. Lembrando que a Hapvida (assim como era a GNDI) são operadoras verticalizadas que buscam vender planos de saúde e atendimentos dentro das próprias redes, o que explica esse número de pontos de atendimento e pode ser dada como uma de suas vantagens.
Enfim, com isso fica evidente o tamanho da aquisição que a companhia fez: ela praticamente dobrou de tamanho em termos de beneficiários e expandiu fortemente seus pontos de atendimento. A princípio, isso é ótimo pelo seu poder de ganho de escala, mas alguns fatores negativos estão deixando o mercado mais cético, fatores até mesmo “temporários”, por assim dizer. Abaixo nós vamos citá-los.
O primeiro ponto foi o reajuste negativo no preço de planos individuais dado pela ANS. Entre março de 2021 e abril de 2022, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão vinculado ao ministério de saúde que controla o mercado de convênios e afins, determinou que os planos de saúdes individuais fossem reajustados em -9% decorrente de fatores da pandemia. Isso importa: quase 25% dos planos de saúde da Hapvida são individuais. Por obvio, isso afeta o ticket médio e consequentemente a receita da companhia.
O segundo ponto é a sinistralidade. No primeiro trimestre de 2022 houve uma crescente da sinistralidade da companhia por conta de dois motivos. (I) a continuidade da pandemia, que por mais que tenha deixado de ser um “trend” e a quantidade de comentários sobre na mídia tenha sido menor, os referentes a variante ômicron ainda estão ocorrendo. (II) a epidemia de casos de influenza, também, que pressionou bastante no período (para se ter ideia, houve aumento de 70% no número de consultas do segmento). Além desses dois pontos, a GNDI historicamente sempre teve uma sinistralidade mais alta que a Hapvida, ou seja, na fusão o número foi pra cima mesmo sem esses não recorrentes que ocorreram acima. Isso levou a sinistralidade aos 71,4% no trimestre (contra 67,2% no 4T21 e 65,5% no 1T21). A pressão sobre as margens foi forte e diminui o lucro bruto significativamente.
O terceiro ponto é a queda do ticket médio em si dos planos da operadora. A GNDI sempre trabalhou com tickets mais baixos providenciando planos de saúde mais acessíveis. A Hapvida segue em linha, mas costuma cobrar preços mais altos. No consolidado isso leva a companhia a ter uma queda no ticket médio e gera certo incômodo em alguns investidores, visto que é uma pressão a mais nas margens da companhia.
Nesta análise, daremos uma natureza diferente. Atualmente a Hapvida passa por um forte processo de mudança por conta da aquisição que ela realizou do Grupo NotreDame Intermédica (antiga $GNDI3) e isso acabou tornando os números do 1T22 mais complicados e “sujos” para serem analisados, afinal, houve incorporação da companhia e uma “mistura” de resultados.
Nossa análise aqui será dada com uma natureza diferente, pois resumiremos os principais pontos que vieram negativos e que tem incomodado o mercado, fazendo com que as ações tanto caíssem nas últimas semanas (e intensificasse a queda após a integra do 1T22).
Antes, vamos entender o que se tornou a empresa.
No inicio de 2022, a Hapvida e o Grupo NotreDame Intermédica concluíram sua fusão – um processo que estava ocorrendo há algum tempo. Essa fusão criou o maior sistema de saúde suplementar do país, contemplando mais de 15 milhões de beneficiários. A ideia da fusão foi inspirada principalmente pela complementaridade que elas possuem – isso é, são fortes em diferentes regiões do país.
Esse movimento criou o maior sistema de saúde suplementar do país, como dito, com 15.27 milhões de beneficiários (dobrando com a aquisição), e expandiu a quantidade de pontos de atendimento de 457 para 749, somando entre hospitais, clínicas e laboratórios. Lembrando que a Hapvida (assim como era a GNDI) são operadoras verticalizadas que buscam vender planos de saúde e atendimentos dentro das próprias redes, o que explica esse número de pontos de atendimento e pode ser dada como uma de suas vantagens.
Enfim, com isso fica evidente o tamanho da aquisição que a companhia fez: ela praticamente dobrou de tamanho em termos de beneficiários e expandiu fortemente seus pontos de atendimento. A princípio, isso é ótimo pelo seu poder de ganho de escala, mas alguns fatores negativos estão deixando o mercado mais cético, fatores até mesmo “temporários”, por assim dizer. Abaixo nós vamos citá-los.
O primeiro ponto foi o reajuste negativo no preço de planos individuais dado pela ANS. Entre março de 2021 e abril de 2022, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão vinculado ao ministério de saúde que controla o mercado de convênios e afins, determinou que os planos de saúdes individuais fossem reajustados em -9% decorrente de fatores da pandemia. Isso importa: quase 25% dos planos de saúde da Hapvida são individuais. Por obvio, isso afeta o ticket médio e consequentemente a receita da companhia.
O segundo ponto é a sinistralidade. No primeiro trimestre de 2022 houve uma crescente da sinistralidade da companhia por conta de dois motivos. (I) a continuidade da pandemia, que por mais que tenha deixado de ser um “trend” e a quantidade de comentários sobre na mídia tenha sido menor, os referentes a variante ômicron ainda estão ocorrendo. (II) a epidemia de casos de influenza, também, que pressionou bastante no período (para se ter ideia, houve aumento de 70% no número de consultas do segmento). Além desses dois pontos, a GNDI historicamente sempre teve uma sinistralidade mais alta que a Hapvida, ou seja, na fusão o número foi pra cima mesmo sem esses não recorrentes que ocorreram acima. Isso levou a sinistralidade aos 71,4% no trimestre (contra 67,2% no 4T21 e 65,5% no 1T21). A pressão sobre as margens foi forte e diminui o lucro bruto significativamente.
O terceiro ponto é a queda do ticket médio em si dos planos da operadora. A GNDI sempre trabalhou com tickets mais baixos providenciando planos de saúde mais acessíveis. A Hapvida segue em linha, mas costuma cobrar preços mais altos. No consolidado isso leva a companhia a ter uma queda no ticket médio e gera certo incômodo em alguns investidores, visto que é uma pressão a mais nas margens da companhia.
O quarto e último ponto: a inflação. Ela novamente. Com a pressão inflacionária sobre o orçamento das famílias, diferente da SulAmerica e convênios médicos mais premiums e menos sensíveis a renda, os beneficiários dos planos da Hapvida e GNDI estão mais suscetíveis ao cancelamento de seus planos. Com isso, o mercado teme maior dificuldade de captação da companhia de forma orgânica nos próximos meses.
Em linhas gerais, é isso. Houve também um dispêndio a mais por conta da fusão na linha de despesas administrativas e isso acabou fazendo com que a companhia tivesse prejuízo no trimestre, mas faz parte de gastos não recorrentes dado que os gastos com a fusão acontecem somente uma vez.
No mais, citamos apenas os pontos que provavelmente mais incomodaram o mercado, que esperava uma melhora já nesse trimestre em termos de sinistralidade e sinergia.
Apesar de todos os problemas, a Hapvida hoje é a maior empresa de seu segmento e a fusão com a GNDI fortaleceu sua posição. Apesar da alavancagem, o endividamento está em patamares tranquilos, sendo que somente o dinheiro que a companhia possui em caixa é suficiente para cobrir suas dívidas até 2025.
O resultado veio ruim, de fato, mas não há muito o que fazer com o cenário atual de alta sinistralidade decorrente de pandemia e epidemia de outros vírus com uma agência reguladora ajustando preço na canetada. O case da Hapvida é de crescimento e seu plano de expansão e aquisições ilustra isso: só no primeiro trimestre de 2022 já foram duas aquisições grandes que agregaram quase 500 mil beneficiários para a companhia, não é uma certeza que ela sairá ilesa de toda essa turbulência atual, mas sem dúvidas é uma das empresas que mais tem chance, gozando de seu benefício de escala. E se tudo der certo, todo esse crescimento vai maturar, os problemas atuais relacionados à pandemia vão passar e suas margens de 2019 vão retornar, com a empresa sendo uma máquina de geração de caixa e lucro com margem líquida de quase 15%.
Não espere resultados fenomenais em tempos de turbulência – houve praticamente a queda de um meteoro no setor de saúde de 2020 até então.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Em linhas gerais, é isso. Houve também um dispêndio a mais por conta da fusão na linha de despesas administrativas e isso acabou fazendo com que a companhia tivesse prejuízo no trimestre, mas faz parte de gastos não recorrentes dado que os gastos com a fusão acontecem somente uma vez.
No mais, citamos apenas os pontos que provavelmente mais incomodaram o mercado, que esperava uma melhora já nesse trimestre em termos de sinistralidade e sinergia.
Apesar de todos os problemas, a Hapvida hoje é a maior empresa de seu segmento e a fusão com a GNDI fortaleceu sua posição. Apesar da alavancagem, o endividamento está em patamares tranquilos, sendo que somente o dinheiro que a companhia possui em caixa é suficiente para cobrir suas dívidas até 2025.
O resultado veio ruim, de fato, mas não há muito o que fazer com o cenário atual de alta sinistralidade decorrente de pandemia e epidemia de outros vírus com uma agência reguladora ajustando preço na canetada. O case da Hapvida é de crescimento e seu plano de expansão e aquisições ilustra isso: só no primeiro trimestre de 2022 já foram duas aquisições grandes que agregaram quase 500 mil beneficiários para a companhia, não é uma certeza que ela sairá ilesa de toda essa turbulência atual, mas sem dúvidas é uma das empresas que mais tem chance, gozando de seu benefício de escala. E se tudo der certo, todo esse crescimento vai maturar, os problemas atuais relacionados à pandemia vão passar e suas margens de 2019 vão retornar, com a empresa sendo uma máquina de geração de caixa e lucro com margem líquida de quase 15%.
Não espere resultados fenomenais em tempos de turbulência – houve praticamente a queda de um meteoro no setor de saúde de 2020 até então.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Boa Safra ($SOJA3) – 1T/2022
A leitura do resultado do primeiro trimestre da Boa Safra é simples – diríamos até mesmo que bem rápida, mas possui suas particularidades.
Quem analisa os números friamente sob a lente do aumento da receita e demais indicadores sem considerar o segmento que a companhia está inserida, comete um erro crasso pois invariavelmente vai identificar uma queda violenta de resultados. O motivo é simples: sua sazonalidade.
A Boa Safra talvez seja a empresa que mais sofre com sazonalidade na bolsa brasileira. Praticamente toda sua geração de resultado está concentrada no terceiro e quarto trimestre por conta dos ciclos de colheita e plantio de soja, sendo o primeiro e o segundo trimestres períodos de registro de pedidos, e então o terceiro e o quarto de vendas de fato. Em termos resumidos, o primeiro semestre concentra os custos da companhia por conta do período de produção e estocagem, e o segundo semestre concentra os ganhos, quando os agricultores iniciam o plantio.
Considerando essas informações, é importante sempre analisar o resultado sob a ótica do efeito sazonal que a companhia sofre. Obrigatório. Imprescindível. Em tempos onde a preferência por leitura de manchetes tem ocorrido em detrimento de leitura de textos e artigos, aqui a ilustração perfeita de como só ler notícia de linha de lucro pode enganar. Sendo assim, algumas linhas financeiras acabam sendo irrelevantes, de certa forma, no período, com a atenção devendo ser empreendida no número de pedidos e fatores qualitativos do período. Vamos lá.
No primeiro trimestre de 2022 a Boa Safra seguiu com seu agressivo plano de expansão, implementando e finalizando a obra ou expansão de 4 novas UBS (unidades de beneficiamento de sementes) espalhadas em 4 polos produtores de sojas importantes em estados diferentes do país. Essa ampliação eleva a capacidade instalada da companhia de forma expressiva, em 70%, ao longo de 24 meses (entre 2020 e 2022). Lembrando que o IPO da companhia foi realizado justamente com esse intuito – utilizar o dinheiro captado para a expansão orgânica da capacidade produtiva. Aqui, um ponto positivo, mostrando que a empresa está honrando sua estratégia anunciada e justificando a queima de caixa como previsto.
Sobre sua participação de mercado, a companhia segue aumentando. Seu market share foi de 6,1% no 1T22, contra 4,8% no mesmo trimestre do ano passado. Além do market share da companhia, outro indicador qualitativo apresentou melhora – o de taxa de germinação, que atingiu os 95%. Para se ter ideia, a média e referência determinada pelo Ministério da Agricultura, é de 80% - com a companhia trabalhando com uma taxa bem acima da referência.
Fializando, o ponto mais importante do resultado no trimestre: sua carteira de pedidos. É isso que determinará o seu faturamento nos próximos trimestres, sendo o principal indicativo de crescimento da companhia. NO 1T22 a companhia atingiu uma carteira de pedidos de R$742 milhões, o que representa um crescimento de 59% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento é justificado por dois pontos: ciclo e a expansão da capacidade produtiva da companhia, que como bem mencionamos, quase dobrou em 24 meses.
Em síntese, a companhia segue honrando seu plano de expansão proposto com a captação do IPO e os números trimestrais continuam vindo bem mais fortes em termos comparativos, mostrando o sucesso da estratégia de crescimento. Não há muito o que falar porque a empresa é redonda em endividamento (não tem dívidas) e sua sazonalidade remete a uma análise mais rápida e simples, pois como dito, algumas linhas financeiras, como o próprio lucro e a receita no primeiro semestre, são irrelevantes.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
A leitura do resultado do primeiro trimestre da Boa Safra é simples – diríamos até mesmo que bem rápida, mas possui suas particularidades.
Quem analisa os números friamente sob a lente do aumento da receita e demais indicadores sem considerar o segmento que a companhia está inserida, comete um erro crasso pois invariavelmente vai identificar uma queda violenta de resultados. O motivo é simples: sua sazonalidade.
A Boa Safra talvez seja a empresa que mais sofre com sazonalidade na bolsa brasileira. Praticamente toda sua geração de resultado está concentrada no terceiro e quarto trimestre por conta dos ciclos de colheita e plantio de soja, sendo o primeiro e o segundo trimestres períodos de registro de pedidos, e então o terceiro e o quarto de vendas de fato. Em termos resumidos, o primeiro semestre concentra os custos da companhia por conta do período de produção e estocagem, e o segundo semestre concentra os ganhos, quando os agricultores iniciam o plantio.
Considerando essas informações, é importante sempre analisar o resultado sob a ótica do efeito sazonal que a companhia sofre. Obrigatório. Imprescindível. Em tempos onde a preferência por leitura de manchetes tem ocorrido em detrimento de leitura de textos e artigos, aqui a ilustração perfeita de como só ler notícia de linha de lucro pode enganar. Sendo assim, algumas linhas financeiras acabam sendo irrelevantes, de certa forma, no período, com a atenção devendo ser empreendida no número de pedidos e fatores qualitativos do período. Vamos lá.
No primeiro trimestre de 2022 a Boa Safra seguiu com seu agressivo plano de expansão, implementando e finalizando a obra ou expansão de 4 novas UBS (unidades de beneficiamento de sementes) espalhadas em 4 polos produtores de sojas importantes em estados diferentes do país. Essa ampliação eleva a capacidade instalada da companhia de forma expressiva, em 70%, ao longo de 24 meses (entre 2020 e 2022). Lembrando que o IPO da companhia foi realizado justamente com esse intuito – utilizar o dinheiro captado para a expansão orgânica da capacidade produtiva. Aqui, um ponto positivo, mostrando que a empresa está honrando sua estratégia anunciada e justificando a queima de caixa como previsto.
Sobre sua participação de mercado, a companhia segue aumentando. Seu market share foi de 6,1% no 1T22, contra 4,8% no mesmo trimestre do ano passado. Além do market share da companhia, outro indicador qualitativo apresentou melhora – o de taxa de germinação, que atingiu os 95%. Para se ter ideia, a média e referência determinada pelo Ministério da Agricultura, é de 80% - com a companhia trabalhando com uma taxa bem acima da referência.
Fializando, o ponto mais importante do resultado no trimestre: sua carteira de pedidos. É isso que determinará o seu faturamento nos próximos trimestres, sendo o principal indicativo de crescimento da companhia. NO 1T22 a companhia atingiu uma carteira de pedidos de R$742 milhões, o que representa um crescimento de 59% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse aumento é justificado por dois pontos: ciclo e a expansão da capacidade produtiva da companhia, que como bem mencionamos, quase dobrou em 24 meses.
Em síntese, a companhia segue honrando seu plano de expansão proposto com a captação do IPO e os números trimestrais continuam vindo bem mais fortes em termos comparativos, mostrando o sucesso da estratégia de crescimento. Não há muito o que falar porque a empresa é redonda em endividamento (não tem dívidas) e sua sazonalidade remete a uma análise mais rápida e simples, pois como dito, algumas linhas financeiras, como o próprio lucro e a receita no primeiro semestre, são irrelevantes.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião sobre os resultados do primeiro trimestre de 2022.
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2022 já está chegando ao fim. Com quase 85% das empresas já tendo divulgado seus números referentes ao começo de 2022, com a leitura de diversos releases, podemos extrair algumas informações e concluir alguns insights importantes referentes ao cenário de uma forma geral.
Na nossa leitura, englobando o release de todas empresas que lemos até o momento (pouco mais de 50), a percepção que tivemos foi a mesma do quatro trimestre de 2021: uma recuperação econômica mais forte do que a maioria dos analistas tem esperado. Isso não significa que o Brasil está uma maravilha, mas sim que a recuperação da crise que a pandemia causou em 2022 está ocorrendo na linha de projeção que era “otimista”, por assim dizer.
Os dois principais pontos que percebemos que devem ser monitorados nos próximos resultados com atenção dobrada, é a capacidade das companhias em: (I) repassar preços – nem todos os setores possuem capacidade plena de repasse de preços para compensar toda essa inflação. Escala e poder de marca são fatores determinantes, e dois exemplos que podemos dar nesse sentido é a Ambev e a M. Dias Branco. Sendo do setor alimentício, ambas tem aumentado o preço médio de seus produtos e conseguido ganhar market share, ainda que esse repasse não tenha sido completo (as margens continuaram pressionadas), é um indicativo de “pricing power” que sempre falamos. No longo prazo o pricing power é de extrema importância para a companhia, caso contrário, ela não se sustenta e o ponto (II), a alavancagem.
Dezenas de companhias aproveitaram 2021 para se alavancar (isso é, crescer contratando dívida) aproveitando os juros baixíssimos da época, mas nem todas tiveram expertise para montar uma estrutura que protegesse caso os juros explodissem para 12,75%, que é o cenário que estamos vivendo hoje. Uma dívida de CDI+3% é extremamente fácil de pagar quando o CDI está em 2%, afinal é um custo de 5%, por assim dizer. O jogo muda quando o CDI vai para 12,75%, a dívida é CDI+3% e o custo explode para 15,75%.
Isso não significa que toda empresa alavancada está com um cenário problemático a frente, mas sim que toda empresa alavancada merece atenção sobre a estrutura de sua dívida. Em termos simples, quanto mais alavancada, maior o risco da empresa gastar parte significativa de sua receita pra pagar as dívidas. E se isso acontece, sobra menos dinheiro para a companhia gastar com o que realmente precisa e remunera o acionista.
Commodities seguem sendo estrelas. Não parece que no curto prazo as commodities vão ter uma queda de preço, e com isso, gigantes como a Vale, Petrobras, Suzano e similares se tornam verdadeiras impressoras de dinheiro, gerando bilhões de caixa e distribuindo bilhões em dividendos para os acionistas. O maior risco em investir nessas empresas por agora, é a incerteza sobre o topo do ciclo. É dito que o topo está próximo e haverá queda das commodities há alguns meses, mas com a cadeia de produção extremamente perturbada e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia pressionando ainda mais a logística global, esse topo seguido de queda ainda não foi visto. Em resumo, brasileiras de commodities gigantes imprimindo dinheiro e o Estado brasileiro se beneficiando com o tanto de dinheiro arrecadado via impostos com isso.
Essa atmosfera de alta de commodities também é um fator que beneficia não só as empresas commoditizadas, mas todas as companhias do mercado. Com a melhora da arrecadação do país e mais dólares entrando aqui, há menos risco fiscal e menor pressão sobre o câmbio (não em vão o real tem valorizado tanto nos últimos meses, indo na contramão do mundo.
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2022 já está chegando ao fim. Com quase 85% das empresas já tendo divulgado seus números referentes ao começo de 2022, com a leitura de diversos releases, podemos extrair algumas informações e concluir alguns insights importantes referentes ao cenário de uma forma geral.
Na nossa leitura, englobando o release de todas empresas que lemos até o momento (pouco mais de 50), a percepção que tivemos foi a mesma do quatro trimestre de 2021: uma recuperação econômica mais forte do que a maioria dos analistas tem esperado. Isso não significa que o Brasil está uma maravilha, mas sim que a recuperação da crise que a pandemia causou em 2022 está ocorrendo na linha de projeção que era “otimista”, por assim dizer.
Os dois principais pontos que percebemos que devem ser monitorados nos próximos resultados com atenção dobrada, é a capacidade das companhias em: (I) repassar preços – nem todos os setores possuem capacidade plena de repasse de preços para compensar toda essa inflação. Escala e poder de marca são fatores determinantes, e dois exemplos que podemos dar nesse sentido é a Ambev e a M. Dias Branco. Sendo do setor alimentício, ambas tem aumentado o preço médio de seus produtos e conseguido ganhar market share, ainda que esse repasse não tenha sido completo (as margens continuaram pressionadas), é um indicativo de “pricing power” que sempre falamos. No longo prazo o pricing power é de extrema importância para a companhia, caso contrário, ela não se sustenta e o ponto (II), a alavancagem.
Dezenas de companhias aproveitaram 2021 para se alavancar (isso é, crescer contratando dívida) aproveitando os juros baixíssimos da época, mas nem todas tiveram expertise para montar uma estrutura que protegesse caso os juros explodissem para 12,75%, que é o cenário que estamos vivendo hoje. Uma dívida de CDI+3% é extremamente fácil de pagar quando o CDI está em 2%, afinal é um custo de 5%, por assim dizer. O jogo muda quando o CDI vai para 12,75%, a dívida é CDI+3% e o custo explode para 15,75%.
Isso não significa que toda empresa alavancada está com um cenário problemático a frente, mas sim que toda empresa alavancada merece atenção sobre a estrutura de sua dívida. Em termos simples, quanto mais alavancada, maior o risco da empresa gastar parte significativa de sua receita pra pagar as dívidas. E se isso acontece, sobra menos dinheiro para a companhia gastar com o que realmente precisa e remunera o acionista.
Commodities seguem sendo estrelas. Não parece que no curto prazo as commodities vão ter uma queda de preço, e com isso, gigantes como a Vale, Petrobras, Suzano e similares se tornam verdadeiras impressoras de dinheiro, gerando bilhões de caixa e distribuindo bilhões em dividendos para os acionistas. O maior risco em investir nessas empresas por agora, é a incerteza sobre o topo do ciclo. É dito que o topo está próximo e haverá queda das commodities há alguns meses, mas com a cadeia de produção extremamente perturbada e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia pressionando ainda mais a logística global, esse topo seguido de queda ainda não foi visto. Em resumo, brasileiras de commodities gigantes imprimindo dinheiro e o Estado brasileiro se beneficiando com o tanto de dinheiro arrecadado via impostos com isso.
Essa atmosfera de alta de commodities também é um fator que beneficia não só as empresas commoditizadas, mas todas as companhias do mercado. Com a melhora da arrecadação do país e mais dólares entrando aqui, há menos risco fiscal e menor pressão sobre o câmbio (não em vão o real tem valorizado tanto nos últimos meses, indo na contramão do mundo.