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Opinião e análise breve – Via ($VIIA3) – 1T/2022

Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.

O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.

A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.

Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).

A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.

Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.

No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Em linhas gerais, o resultado não é bom. Por mais que existam os fatores não recorrentes a contabilizar na análise para torna-la mais justa (vide o “boost” econômico que o auxílio emergencial proporcionou no 1T21), nós não gostamos dos números. Há alguns anos a Via passa por uma reestruturação de suas operações em um esforço da gestão para levantar e tornar o operacional da companhia sustentável novamente. Os anos de 2020 e 2021 criaram em grande parte dos investidores uma gigante esperança sobre isso, mas a maioria ignorou a impressão violenta de dinheiro que o governo exerceu no período que beneficiou forte as varejistas.

Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.

Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Vivara ($VIVA3) – 1T/2022

Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.

Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.

O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.

Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.

Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.

Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.

Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.

Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 1T/2022

E o resultado do Banco do Brasil finalmente foi divulgado, dando melhor ideia sobre a atual situação dos grandes bancos com o cenário de concorrência das fintechs e a pressão sobre a deterioração do crédito que a conjuntura econômica tem proporcionado.

Fechando com chave de ouro, é justo dizer que entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi o banco que entregou o melhor resultado, embora isso não exclua o seu risco de governança nem signifique que os demais bancos tenham entregado resultados extraordinários. Pois bem, vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022 o Banco do Brasil entregou uma margem financeira de R$15.3 bilhões, contra R$14.5 bilhões no 1T21 – um aumento de 5,6%. Lembrando que a margem financeira é a diferença entre o valor que o banco paga e o valor que o banco cobra. Além da melhora desse spread, o Banco do Brasil também apresentou forte crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$7.5 bilhões – sendo impulsionada principalmente pelo crescimento da receita de administração de fundos de investimento, seguros, previdência e consórcios.

A carteira de crédito do banco também cresceu forte – menor do que a de seus concorrentes, mas ainda assim um crescimento acelerado. Foi atingido o valor de R$883 bilhões de carteira total e identificado um crescimento de 16,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que todos os segmentos cresceram bem. Sobre a inadimplência: houve um ligeiro aumento de 0,25pp comparado a dezembro de 2021 e a estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Lembrando que o Banco do Brasil é o banco com maior participação de crédito no setor agro do país, setor que tende a ter taxas de inadimplência baixíssimas. Essa é uma das principais vantagens do banco.

A PDD, assim como de todos os outros bancos, foi elevada em 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse movimento é conjuntural, com os bancos projetando uma deterioração do cenário de crédito do país com esse aumento inflacionário que vem ocorrendo. É uma lógica simples, a inflação mais alta tende a pressionar mais o orçamento dos agentes econômicos e a chance de calote em empréstimos é elevada.

Sobre as despesas, o Banco do Brasil tem realizado um trabalho exemplar com um controle responsável. As despesas administrativas subiram apenas 6%, enquanto a inflação do período foi de quase 12%, e o índice de eficiência atingiu os 34,7% - o melhor da série histórica pro trimestre.

Com todos esses pontos, o Banco do Brasil registrou o melhor primeiro trimestre da sua história, com um lucro de R$6.6 bilhões e a melhora de todos os seus indicadores.

Como dito, o Banco do Brasil entregou o melhor resultado entre os grandes bancos, mas seus concorrentes não ficaram muito atrás. É repetitivo dizer isso, mas o Banco do Brasil possui uma trava de valor obvia, que é o seu sócio: o Estado. Infelizmente o receio de uma possível intervenção no Banco do Brasil é uma realidade que trava o seu potencial de alta, assim como ocorre com a Petrobras.

Não é uma realidade, nem sequer uma certeza, mas um banco público da dimensão do Banco do Brasil, tem um altíssimo potencial de uso populista ao que tange prestação de crédito entre outros programas sociais criados em detrimento de seus resultados e sua saúde financeira.

Nós gostamos do banco, mas se for para investir nele, sempre cobre maior desconto e margem de segurança (como existe agora) e mensure a sua alocação, porque o Estado sempre é uma surpresa imprevisível.

Em síntese, excelentes resultados, e não só para o Banco do Brasil, mas para todos os bancões do cenário.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Grupo Mateus ($GMAT3) – 1T/2022

Inflação prejudicando, mas não o suficiente para desacelerar o crescimento da empresa. O Grupo Mateus é uma rede ainda desconhecida em algumas regiões do país, mas bem forte e popular na região Norte e Nordeste. Entre os IPOs recentes, consideramos também uma das empresas mais interessantes a se analisar, pela a natureza dos números conservadores e pelo segmento inserido.

Pois bem, no primeiro trimestre de 2022 o Grupo Mateus seguiu seu plano de expansão, forte, com crescimento de todas as linhas, mas o inimigo de todas as análises, marcou presença mais uma vez: a inflação. Vamos aos dados.

No período a companhia entregou um crescimento de receita líquida de 36,2%, atingindo os R$4.5 bilhões em um único trimestre (a título de curiosidade, essa foi quase a receita do ano inteiro da companhia em 2015). Essa receita teve esse forte aumento principalmente pelo plano de expansão da rede (49 novas lojas abertas nos últimos 12 meses, sendo 16 inauguradas no 1T22), mas não só: o SSS (vendas nas mesmas lojas excluindo as inaugurações) cresceu 12,7%, caracterizando o maior crescimento entre as varejistas de mercado do país. Indo um pouco além, todos os segmentos de receita cresceram (varejo, atacarejo, eletro e vendas B2B), sendo o atacarejo o principal, com 37,6%.

Na parte do lucro bruto, a inflação da sua cara. O lucro bruto cresceu 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem caiu 1,6pp – de 23,9% para 22,3%.

Essa queda de margem é explicada por dois fatores principais: o primeiro é a inflação, que apesar dos supermercados terem forte potencial de repasse, eles não repassam tudo por fator de concorrência – se subir muito e buscar a manutenção da margem, o cliente irá para um mercado mais barato, então a briga de preços é algo natural do setor. O segundo fator é o crescimento das vendas no atacarejo. Com o aumento da inflação, é natural que as pessoas recorram aos atacados para comprar produtos em maior quantidade, visto que o preço é mais baixo e o estoque protege de uma futura alta depreço. Atacarejos possuem menor margem de lucro justamente por isso – os mercados perdem na margem, mas ganham muito no volume. É um movimento que compensa.

Na parte das despesas, houve crescimento de 32,7% no período, também impactada pela inflação, subindo de R$619 milhões para R$822 milhões comparando 1T21 com 1T22. A maior parte da alta veio de despesas com pessoal, explicado pela expansão e abertura de novos mercados (contratação de novos funcionários) e fretes e combustíveis, e aqui todos nós sabemos o quanto os combustíveis tem subido. Empresas sofrem tanto quanto nós em alguns segmentos.

Apesar dessas altas, as despesas foram diluídas na receita, que cresceu em proporção maior, representando 17,5% da receita líquida no 1T22 (contra 18,0% no 1T21).

A respeito do endividamento, não houve muita mudança – a companhia continuou com a mesma dívida bruta de 1 ano atrás (R$1 bilhão), mas a alavancagem da companhia subiu um pouco, de 0,1x para 0,4x (dívida líquida sobre EBITDA) não pelo aumento da dívida, mas pelo caixa queimado no período.

No trimestre, houve investimento de R$324 milhões, sendo que R$216 milhões foram para novas lojas e terrenos e R$46 milhões para reforma, ilustrando seu plano de expansão e inauguração de novas lojas.

Finalizando: o lucro líquido do período foi de R$199 milhões, um crescimento de 27%, e a margem líquida teve uma queda de 0,3pp para 4,4%, refletindo todos os pontos que citamos sobre expansão e inflação.
Na nossa leitura, o resultado do Grupo Mateus foi bom e é uma companhia interessante para quem investe pro longo prazo. Os números até então foram sólidos, apesar do IPO recente, e em fator de governança há algo que gostamos, que é a proximidade do fundador com a companhia. O que tem incomodado de certa forma é sua queima de caixa: em 2020 a companhia tinha R$2.1 bilhões em caixa, enquanto no último trimestre, R$619 milhões – é uma redução expressiva. A explicação é a estratégia de expansão da rede, mas não deixa de ser um ponto para o investidor ter atenção. Lembre-se sempre da frase: empresas quebram crescendo. O Grupo Mateus de fato está crescendo bem e ganhando cada vez mais espaço na região que deseja (Norte e Nordeste), resta a gestão fazer um controle responsável das dívidas e do caixa para que esse crescimento não fuja de controle.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Telefônica ($VIVT3) – 1T/2022

Um bom setor para os investidores de longo prazo, mas pouco comentado nas redes: o setor de telecomunicação. Formado praticamente por um oligopólio onde 4 empresas detém 97,5% do setor, o mercado de telecomunicação é conhecido pela sua alta geração de caixa, baixa competitividade e bons dividendos pagos. E a Telefônica é a líder desse mercado.

Com um primeiro trimestre sem grandes supresas, daremos um parecer breve sobre seus resultados – lembrando que a análise de empresas desse setor deve ser realizada com uma pequena particularidade, com o lucro enganando um pouco. Vamos aos números.

No 1T22 a Telefônica entregou um crescimento de receita líquida de 4,6% comparando ao 1T21 - atingindo os R$11.3 bilhões. Essa receita cresceu tanto pela expansão do serviço móvel, que cresceu 6,1% (e aqui vale pontuar que a companhia tem aumentado bem a quantidade de celulares que vende em suas agências, representando hoje 6,8% da receita total). No segmento de negócio fixo (internet a cabo, TV etc) a receita subiu apenas 1,9%, sendo o destaque positivo para o seu nicho de internet de fibra ótica, que cresceu 26%, representando R$1.3 bilhões da receita total.

Indo um pouco além, os números mostram como a Telefônica tem investido bem nessa área: houve crescimento de 26% de casas passadas (que no caso, significa ponto de atendimento possível que a companhia pode atender) atingindo 20.5 milhões (contra 16.3 milhões no 1T21) e um crescimento de 29% de casas conectadas (casas que tem internet fibra ótica da Vivo), atingindo 4.8 milhões (contra 3.7 milhões no 1T22).

Na parte de custos, houve crescimento de 7% dos custos totais, abaixo da inflação do período (de 11,3%), sendo a maior parte desse crescimento resultado dos produtos vendidos (movimento natural por conta do crescimento de vendas) e da linha de pessoal (resultante de aumentos salariais e reajustes).

Sobre o resultado financeiro, houve forte aumento das despesas financeiras, com um crescimento de prejuízo de 66%, atingindo R$524 milhões no trimestre, enquanto o endividamento atingiu R$15.1 bilhões mas ainda com a alavancagem baixa e saudável, em 0,4x dívida líquida sobre EBITDA sendo 68% dessa dívida de longo prazo.

Sobre o lucro líquido, a Vivo entregou com uma queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com R$750 milhões. A análise um pouco diferente que citamos no começo do release, cabe aqui. Pelo segmento que ela está inserida, a quantidade de investimentos que ela realiza e os arrendamentos que ela faz, o lucro líquido acaba não sendo a melhor referência de análise no resultado final, visto que a depreciação e a amortização podem acabar implicando em uma distorção contábil sobre o número do lucro líquido.

Além do lucro líquido, gostamos de olhar principalmente para o EBITDA e a geração de caixa de empresas desse segmento. No caso da Telefônica, ambos tiveram aumento inexpressivo de aproximadamente 1% - com R$4.5 bilhões de EBITDA e R$2.6 bilhões de fluxo de caixa livre descontando desconsiderando o CAPEX. Como sempre falamos, análise de lucro é fraca, olhar só isso, induz ao erro.

Em síntese, o resultado não apresentou grandes surpresas, é uma companhia gigante que dificilmente vai mostrar grandes movimentos. Atualmente ela está investindo para ganhar espaço no 5G e isso comprometeu parte dos resultados e elevou a dívida no período, e isso deve durar mais tempo. Ainda assim, a companhia segue com seus fundamentos de gigante geradora de caixa crescendo a passos lentos.

Sem surpresas, cabendo ao investidor sempre se atentar à concorrência (que tem sido grande no setor, apesar dos obstáculos do oligopólio) e a expansão da companhia, principalmente agora, com boom do 5G.
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Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 1T/2022

Talvez essa seja a análise mais simples que você verá por aqui. A análise sobre o resultado da B3 não tem muito segredo. Se trata da única empresa atuante no mercado tem território nacional e seu resultado é completamente influenciado pela taxa de juros do período.

No trimestre, a B3 apresentou desaceleração e queda nos seus números, mas para quem conhece a companhia, sabe que isso já era esperado. Como dito: por conta da taxa de juros. Uma SELIC mais alta tende a reduzir o capital que é direcionado à bolsa de valores (no caso, a B3), isso significa menor volume negociado na bolsa e consequentemente menos receita com taxas que a B3 recebe. Ela também ganha com renda fixa com a CETIP, mas representando uma parte bem menor de sua receita. Enfim, vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022, houve uma queda na receita total da companhia de 4,6% comparado ao primeiro trimestre de 2021, voltando para os R$2.5 bilhões (contra R$2.6 bilhões em 2021). Essa queda na receita é explicada por uma queda de 10,4% na negociação de ativos de renda variável no geral, tendo o volume de negociação de ações caído 15,3% o volume de derivativos tendo caído 13,4% e o volume de juros e moedas caído 8,1%. O ponto positivo em termos de volume vai para a atividade da renda fixa, que teve um aumento de 11,6%, mas de certa forma irrelevante no resultado total, representando R$40 milhões dos R$2.5 bilhões de receita total.

Na parte de despesas, houve um crescimento de 29,5% no período, reflexo principalmente do crescimento de gasto com pessoal (reflexo de reajustes salariais e mais contratações) e do processamento de dados. Um aumento de R$195 milhões em relação ao período passado. Vale destacar aqui que boa parte disso está, como sempre, atrelado a inflação, principalmente na parte de pessoal.

Essa queda de receita somada ao aumento das despesas, fez com que a B3 tivesse uma perda de 9,90bps em sua margem operacional, caindo de 72,4% para 62,5%.

O lucro líquido, por sua vez, foi de R$1.1 bilhão no trimestre, uma queda de 12,3% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, dispondo de uma retração de margem líquida de 4,2bps para 48,2% (contra 52,4% no 1T21).

Agora ilustrado, fica perceptível o impacto que a taxa de juros tem na B3. O mesmo fator que fez com que a empresa se tornasse muito querida em 2020 e 2021, está fazendo agora com que muitos a odeiem: a taxa de juros. Numa SELIC de 2%, os agentes econômicos não tem escolha se não diversificar seus investimentos em renda variável, se torna algo obrigatório face as baixas taxas da renda fixa do período. Numa SELIC de 12,75% como a que estamos vivendo, por mais que siga fazendo sentido investir em renda variável, a maioria dos agentes econômicos acabam “fugindo” para a renda fixa, atraídos pelas altas taxas nominais e menosprezando os ativos de renda variável. Esse movimento causa queda de volume na bolsa e consequentemente a B3 ganha menos dinheiro.

É possível que isso mude? Certamente. Uma taxa de juros mais baixa – porque ela vai abaixar, é questão apenas de quando, e não de “se” – e uma população mais educada financeiramente mudam o cenário, mas por agora, essa desaceleração é esperada, e você não deve panicar ou interpretar de forma tão negativa como se fosse uma surpresa.

Não espere um crescimento violento no curto prazo enquanto o cenário macroeconômico não se acalmar. O ritmo de crescimento registrado em 2020 e 2021 dificilmente se repetirá por agora, mas isso não significa que a companhia deixou de ser uma gigante que atua sozinha (o que é um ponto de atenção, sempre) em seu setor, gerando bilhões em caixa todo trimestre.

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Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 1T/2022

Mais um trimestre de margens pressionadas, e meses turbulentos ainda pela frente.

O resultado do primeiro trimestre de 2022 da M. Dias Branco foi divulgar. Num mix de linhas positivas e negativas, como esperado, a pressão sobre as margens continua, mas alguns pontos de repasse de preço e ganho de mercado sopram ventos positivos pra companhia. Ainda assim, muitos fatores seguem criando um cenário nebuloso para a companhia nos próximos meses. Vamos para os números.

No primeiro trimestre de 2022 a M. Dias Branco entregou uma receita forte, com um crescimento de 27% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, outros pontos demonstraram melhora sobre a marca da companhia: o preço médio de venda subiu 20,3% (de R$4,2/kg para R$5,0/kg), o volume de vendas cresceu mesmo com a alta de preços, e a participação de mercado da companhia também. Ou seja, mesmo aumentando o preço, ela está conseguindo ganhar e recuperar sua participação em todas as regiões do país (tanto de defesa quanto de ataque), o que é um indicativo claro do poder de suas marcas.

Em suma, todos os segmentos da companhia apresentaram alta forte de receita e volume venda, sem exceção.

A margem bruta, por sua vez, piorou: houve uma queda de 0,7pp, de 26,8% para 26,1%, ainda que o número tenha melhorado ante janeiro de 2022 (que estava em 23,7%), ilustrando como os custos com matérias-primas tem pressionado forte, embaçando os ganhos nas linhas gerais.

Na parte de despesas controláveis – isso é, despesas que não estão associadas ao preço de matérias-primas, a companhia mostrou eficiência, reduzindo tanto a linha de despesas com vendas (que diminuiu de 22,1% da receita líquida para 18,7%) quanto a linha de despesas administrativas (que diminuiu de 3,8% da receita líquida para 3,2% da receita líquida).

Na parte de custos, a grande bomba que a companhia (e todo o setor) está passando.

O custo com matéria-prima subiu de 51,9% da receita líquida no 1T21 para 54,7% da receita líquida no 1T22. Além das matérias-primas em si, houve também aumento de custo de embalagens, refletindo a alta de alumínio entre outros produtos da base econômica. Houve um crescimento de 1,5pp em consumo de receita líquida quando consideramos os custos. Antes 78,3% da receita líquida no 1T21, e então 79,8% da receita líquida no 1T22.

Apenas a título de curiosidade, para se ter ideia da disparada do custo do trigo nos últimos meses: em dezembro de 2021 o preço da tonelada de trigo era de US$285, em março desse ano esse preço subiu para US$377. Em dezembro de 2021, o preço dó óleo de palma era de US$1.452 a tonelada, em março desse ano o preço subiu para US$1.808. A M. Dias Branco, por sua vez, conseguiu segurar os preços próximos ao que sempre negociou com suas operações de hedge e vantagem de escala, mas em algum momento o preço baterá novamente.

Com uma reversão de R$60 milhões no IR, a companhia fechou o trimestre com R$37 milhões de lucro líquido no trimestre.

Nossa opinião sobre o resultado da M. Dias Branco é simples, e sempre falamos sobre lá na página: é uma excelente companhia passando por um péssimo momento. Terrível. Certamente o pior desde que a companhia foi listada em bolsa disparadamente.

Um cenário que já era horrível por conta da alta das commodities e uma inflação recorde nas últimas décadas registrada globalmente, piorou ainda mais com o conflito entre a Rússia e a Ucrânia (visto que os dois países são potências exportadoras de trigo) e está agravando ainda mais com países tomando medidas protecionistas proibindo exportações de trigo para conter a alta de preços local.

Na nossa leitura ela está segurando toda essa pressão até que bem, e infelizmente não há milagre. Não só ela, mas todas as companhias do segmento estão sofrendo com o mesmo problema.
Enquanto o cenário no mercado de trigo global não normalizar, não espere uma melhora abrupta das margens da companhia. Ela tem realizado seus esforços para contornar isso (vide uma alteração no mix de produtos buscando depender menos do trigo) e inclusive tem se dado bem, conseguindo ganhar mais mercado e elevar forte sua receita e o preço de seus produtos, mas todo esforço chega a ser pouco com o tamanho dos problemas que o mundo está enfrentando no cenário macro global.

Invista na M. Dias Branco se você compreende a influência dos ciclos em seus resultados, e que talvez seus melhores aportes sejam feitos justamente nesses momentos turbulentos dos ciclos.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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