Opinião e análise breve – Petz ($PETZ3) – 1T/2022
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Em síntese, não vemos nada de errado com a empresa. O crescimento está bom, caso ocorra uma desaceleração mesmo que leve, ela está em um mercado altamente fragmentado e tem muito market share para ganhar, principalmente no mercado veterinário, que vai bem além do comércio de itens de animas de estimação.
Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Via ($VIIA3) – 1T/2022
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Em linhas gerais, o resultado não é bom. Por mais que existam os fatores não recorrentes a contabilizar na análise para torna-la mais justa (vide o “boost” econômico que o auxílio emergencial proporcionou no 1T21), nós não gostamos dos números. Há alguns anos a Via passa por uma reestruturação de suas operações em um esforço da gestão para levantar e tornar o operacional da companhia sustentável novamente. Os anos de 2020 e 2021 criaram em grande parte dos investidores uma gigante esperança sobre isso, mas a maioria ignorou a impressão violenta de dinheiro que o governo exerceu no período que beneficiou forte as varejistas.
Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Vivara ($VIVA3) – 1T/2022
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 1T/2022
E o resultado do Banco do Brasil finalmente foi divulgado, dando melhor ideia sobre a atual situação dos grandes bancos com o cenário de concorrência das fintechs e a pressão sobre a deterioração do crédito que a conjuntura econômica tem proporcionado.
Fechando com chave de ouro, é justo dizer que entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi o banco que entregou o melhor resultado, embora isso não exclua o seu risco de governança nem signifique que os demais bancos tenham entregado resultados extraordinários. Pois bem, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 o Banco do Brasil entregou uma margem financeira de R$15.3 bilhões, contra R$14.5 bilhões no 1T21 – um aumento de 5,6%. Lembrando que a margem financeira é a diferença entre o valor que o banco paga e o valor que o banco cobra. Além da melhora desse spread, o Banco do Brasil também apresentou forte crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$7.5 bilhões – sendo impulsionada principalmente pelo crescimento da receita de administração de fundos de investimento, seguros, previdência e consórcios.
A carteira de crédito do banco também cresceu forte – menor do que a de seus concorrentes, mas ainda assim um crescimento acelerado. Foi atingido o valor de R$883 bilhões de carteira total e identificado um crescimento de 16,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que todos os segmentos cresceram bem. Sobre a inadimplência: houve um ligeiro aumento de 0,25pp comparado a dezembro de 2021 e a estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Lembrando que o Banco do Brasil é o banco com maior participação de crédito no setor agro do país, setor que tende a ter taxas de inadimplência baixíssimas. Essa é uma das principais vantagens do banco.
A PDD, assim como de todos os outros bancos, foi elevada em 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse movimento é conjuntural, com os bancos projetando uma deterioração do cenário de crédito do país com esse aumento inflacionário que vem ocorrendo. É uma lógica simples, a inflação mais alta tende a pressionar mais o orçamento dos agentes econômicos e a chance de calote em empréstimos é elevada.
Sobre as despesas, o Banco do Brasil tem realizado um trabalho exemplar com um controle responsável. As despesas administrativas subiram apenas 6%, enquanto a inflação do período foi de quase 12%, e o índice de eficiência atingiu os 34,7% - o melhor da série histórica pro trimestre.
Com todos esses pontos, o Banco do Brasil registrou o melhor primeiro trimestre da sua história, com um lucro de R$6.6 bilhões e a melhora de todos os seus indicadores.
Como dito, o Banco do Brasil entregou o melhor resultado entre os grandes bancos, mas seus concorrentes não ficaram muito atrás. É repetitivo dizer isso, mas o Banco do Brasil possui uma trava de valor obvia, que é o seu sócio: o Estado. Infelizmente o receio de uma possível intervenção no Banco do Brasil é uma realidade que trava o seu potencial de alta, assim como ocorre com a Petrobras.
Não é uma realidade, nem sequer uma certeza, mas um banco público da dimensão do Banco do Brasil, tem um altíssimo potencial de uso populista ao que tange prestação de crédito entre outros programas sociais criados em detrimento de seus resultados e sua saúde financeira.
Nós gostamos do banco, mas se for para investir nele, sempre cobre maior desconto e margem de segurança (como existe agora) e mensure a sua alocação, porque o Estado sempre é uma surpresa imprevisível.
Em síntese, excelentes resultados, e não só para o Banco do Brasil, mas para todos os bancões do cenário.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
E o resultado do Banco do Brasil finalmente foi divulgado, dando melhor ideia sobre a atual situação dos grandes bancos com o cenário de concorrência das fintechs e a pressão sobre a deterioração do crédito que a conjuntura econômica tem proporcionado.
Fechando com chave de ouro, é justo dizer que entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi o banco que entregou o melhor resultado, embora isso não exclua o seu risco de governança nem signifique que os demais bancos tenham entregado resultados extraordinários. Pois bem, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 o Banco do Brasil entregou uma margem financeira de R$15.3 bilhões, contra R$14.5 bilhões no 1T21 – um aumento de 5,6%. Lembrando que a margem financeira é a diferença entre o valor que o banco paga e o valor que o banco cobra. Além da melhora desse spread, o Banco do Brasil também apresentou forte crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$7.5 bilhões – sendo impulsionada principalmente pelo crescimento da receita de administração de fundos de investimento, seguros, previdência e consórcios.
A carteira de crédito do banco também cresceu forte – menor do que a de seus concorrentes, mas ainda assim um crescimento acelerado. Foi atingido o valor de R$883 bilhões de carteira total e identificado um crescimento de 16,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que todos os segmentos cresceram bem. Sobre a inadimplência: houve um ligeiro aumento de 0,25pp comparado a dezembro de 2021 e a estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Lembrando que o Banco do Brasil é o banco com maior participação de crédito no setor agro do país, setor que tende a ter taxas de inadimplência baixíssimas. Essa é uma das principais vantagens do banco.
A PDD, assim como de todos os outros bancos, foi elevada em 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse movimento é conjuntural, com os bancos projetando uma deterioração do cenário de crédito do país com esse aumento inflacionário que vem ocorrendo. É uma lógica simples, a inflação mais alta tende a pressionar mais o orçamento dos agentes econômicos e a chance de calote em empréstimos é elevada.
Sobre as despesas, o Banco do Brasil tem realizado um trabalho exemplar com um controle responsável. As despesas administrativas subiram apenas 6%, enquanto a inflação do período foi de quase 12%, e o índice de eficiência atingiu os 34,7% - o melhor da série histórica pro trimestre.
Com todos esses pontos, o Banco do Brasil registrou o melhor primeiro trimestre da sua história, com um lucro de R$6.6 bilhões e a melhora de todos os seus indicadores.
Como dito, o Banco do Brasil entregou o melhor resultado entre os grandes bancos, mas seus concorrentes não ficaram muito atrás. É repetitivo dizer isso, mas o Banco do Brasil possui uma trava de valor obvia, que é o seu sócio: o Estado. Infelizmente o receio de uma possível intervenção no Banco do Brasil é uma realidade que trava o seu potencial de alta, assim como ocorre com a Petrobras.
Não é uma realidade, nem sequer uma certeza, mas um banco público da dimensão do Banco do Brasil, tem um altíssimo potencial de uso populista ao que tange prestação de crédito entre outros programas sociais criados em detrimento de seus resultados e sua saúde financeira.
Nós gostamos do banco, mas se for para investir nele, sempre cobre maior desconto e margem de segurança (como existe agora) e mensure a sua alocação, porque o Estado sempre é uma surpresa imprevisível.
Em síntese, excelentes resultados, e não só para o Banco do Brasil, mas para todos os bancões do cenário.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Grupo Mateus ($GMAT3) – 1T/2022
Inflação prejudicando, mas não o suficiente para desacelerar o crescimento da empresa. O Grupo Mateus é uma rede ainda desconhecida em algumas regiões do país, mas bem forte e popular na região Norte e Nordeste. Entre os IPOs recentes, consideramos também uma das empresas mais interessantes a se analisar, pela a natureza dos números conservadores e pelo segmento inserido.
Pois bem, no primeiro trimestre de 2022 o Grupo Mateus seguiu seu plano de expansão, forte, com crescimento de todas as linhas, mas o inimigo de todas as análises, marcou presença mais uma vez: a inflação. Vamos aos dados.
No período a companhia entregou um crescimento de receita líquida de 36,2%, atingindo os R$4.5 bilhões em um único trimestre (a título de curiosidade, essa foi quase a receita do ano inteiro da companhia em 2015). Essa receita teve esse forte aumento principalmente pelo plano de expansão da rede (49 novas lojas abertas nos últimos 12 meses, sendo 16 inauguradas no 1T22), mas não só: o SSS (vendas nas mesmas lojas excluindo as inaugurações) cresceu 12,7%, caracterizando o maior crescimento entre as varejistas de mercado do país. Indo um pouco além, todos os segmentos de receita cresceram (varejo, atacarejo, eletro e vendas B2B), sendo o atacarejo o principal, com 37,6%.
Na parte do lucro bruto, a inflação da sua cara. O lucro bruto cresceu 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem caiu 1,6pp – de 23,9% para 22,3%.
Essa queda de margem é explicada por dois fatores principais: o primeiro é a inflação, que apesar dos supermercados terem forte potencial de repasse, eles não repassam tudo por fator de concorrência – se subir muito e buscar a manutenção da margem, o cliente irá para um mercado mais barato, então a briga de preços é algo natural do setor. O segundo fator é o crescimento das vendas no atacarejo. Com o aumento da inflação, é natural que as pessoas recorram aos atacados para comprar produtos em maior quantidade, visto que o preço é mais baixo e o estoque protege de uma futura alta depreço. Atacarejos possuem menor margem de lucro justamente por isso – os mercados perdem na margem, mas ganham muito no volume. É um movimento que compensa.
Na parte das despesas, houve crescimento de 32,7% no período, também impactada pela inflação, subindo de R$619 milhões para R$822 milhões comparando 1T21 com 1T22. A maior parte da alta veio de despesas com pessoal, explicado pela expansão e abertura de novos mercados (contratação de novos funcionários) e fretes e combustíveis, e aqui todos nós sabemos o quanto os combustíveis tem subido. Empresas sofrem tanto quanto nós em alguns segmentos.
Apesar dessas altas, as despesas foram diluídas na receita, que cresceu em proporção maior, representando 17,5% da receita líquida no 1T22 (contra 18,0% no 1T21).
A respeito do endividamento, não houve muita mudança – a companhia continuou com a mesma dívida bruta de 1 ano atrás (R$1 bilhão), mas a alavancagem da companhia subiu um pouco, de 0,1x para 0,4x (dívida líquida sobre EBITDA) não pelo aumento da dívida, mas pelo caixa queimado no período.
No trimestre, houve investimento de R$324 milhões, sendo que R$216 milhões foram para novas lojas e terrenos e R$46 milhões para reforma, ilustrando seu plano de expansão e inauguração de novas lojas.
Finalizando: o lucro líquido do período foi de R$199 milhões, um crescimento de 27%, e a margem líquida teve uma queda de 0,3pp para 4,4%, refletindo todos os pontos que citamos sobre expansão e inflação.
Inflação prejudicando, mas não o suficiente para desacelerar o crescimento da empresa. O Grupo Mateus é uma rede ainda desconhecida em algumas regiões do país, mas bem forte e popular na região Norte e Nordeste. Entre os IPOs recentes, consideramos também uma das empresas mais interessantes a se analisar, pela a natureza dos números conservadores e pelo segmento inserido.
Pois bem, no primeiro trimestre de 2022 o Grupo Mateus seguiu seu plano de expansão, forte, com crescimento de todas as linhas, mas o inimigo de todas as análises, marcou presença mais uma vez: a inflação. Vamos aos dados.
No período a companhia entregou um crescimento de receita líquida de 36,2%, atingindo os R$4.5 bilhões em um único trimestre (a título de curiosidade, essa foi quase a receita do ano inteiro da companhia em 2015). Essa receita teve esse forte aumento principalmente pelo plano de expansão da rede (49 novas lojas abertas nos últimos 12 meses, sendo 16 inauguradas no 1T22), mas não só: o SSS (vendas nas mesmas lojas excluindo as inaugurações) cresceu 12,7%, caracterizando o maior crescimento entre as varejistas de mercado do país. Indo um pouco além, todos os segmentos de receita cresceram (varejo, atacarejo, eletro e vendas B2B), sendo o atacarejo o principal, com 37,6%.
Na parte do lucro bruto, a inflação da sua cara. O lucro bruto cresceu 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem caiu 1,6pp – de 23,9% para 22,3%.
Essa queda de margem é explicada por dois fatores principais: o primeiro é a inflação, que apesar dos supermercados terem forte potencial de repasse, eles não repassam tudo por fator de concorrência – se subir muito e buscar a manutenção da margem, o cliente irá para um mercado mais barato, então a briga de preços é algo natural do setor. O segundo fator é o crescimento das vendas no atacarejo. Com o aumento da inflação, é natural que as pessoas recorram aos atacados para comprar produtos em maior quantidade, visto que o preço é mais baixo e o estoque protege de uma futura alta depreço. Atacarejos possuem menor margem de lucro justamente por isso – os mercados perdem na margem, mas ganham muito no volume. É um movimento que compensa.
Na parte das despesas, houve crescimento de 32,7% no período, também impactada pela inflação, subindo de R$619 milhões para R$822 milhões comparando 1T21 com 1T22. A maior parte da alta veio de despesas com pessoal, explicado pela expansão e abertura de novos mercados (contratação de novos funcionários) e fretes e combustíveis, e aqui todos nós sabemos o quanto os combustíveis tem subido. Empresas sofrem tanto quanto nós em alguns segmentos.
Apesar dessas altas, as despesas foram diluídas na receita, que cresceu em proporção maior, representando 17,5% da receita líquida no 1T22 (contra 18,0% no 1T21).
A respeito do endividamento, não houve muita mudança – a companhia continuou com a mesma dívida bruta de 1 ano atrás (R$1 bilhão), mas a alavancagem da companhia subiu um pouco, de 0,1x para 0,4x (dívida líquida sobre EBITDA) não pelo aumento da dívida, mas pelo caixa queimado no período.
No trimestre, houve investimento de R$324 milhões, sendo que R$216 milhões foram para novas lojas e terrenos e R$46 milhões para reforma, ilustrando seu plano de expansão e inauguração de novas lojas.
Finalizando: o lucro líquido do período foi de R$199 milhões, um crescimento de 27%, e a margem líquida teve uma queda de 0,3pp para 4,4%, refletindo todos os pontos que citamos sobre expansão e inflação.
Na nossa leitura, o resultado do Grupo Mateus foi bom e é uma companhia interessante para quem investe pro longo prazo. Os números até então foram sólidos, apesar do IPO recente, e em fator de governança há algo que gostamos, que é a proximidade do fundador com a companhia. O que tem incomodado de certa forma é sua queima de caixa: em 2020 a companhia tinha R$2.1 bilhões em caixa, enquanto no último trimestre, R$619 milhões – é uma redução expressiva. A explicação é a estratégia de expansão da rede, mas não deixa de ser um ponto para o investidor ter atenção. Lembre-se sempre da frase: empresas quebram crescendo. O Grupo Mateus de fato está crescendo bem e ganhando cada vez mais espaço na região que deseja (Norte e Nordeste), resta a gestão fazer um controle responsável das dívidas e do caixa para que esse crescimento não fuja de controle.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Telefônica ($VIVT3) – 1T/2022
Um bom setor para os investidores de longo prazo, mas pouco comentado nas redes: o setor de telecomunicação. Formado praticamente por um oligopólio onde 4 empresas detém 97,5% do setor, o mercado de telecomunicação é conhecido pela sua alta geração de caixa, baixa competitividade e bons dividendos pagos. E a Telefônica é a líder desse mercado.
Com um primeiro trimestre sem grandes supresas, daremos um parecer breve sobre seus resultados – lembrando que a análise de empresas desse setor deve ser realizada com uma pequena particularidade, com o lucro enganando um pouco. Vamos aos números.
No 1T22 a Telefônica entregou um crescimento de receita líquida de 4,6% comparando ao 1T21 - atingindo os R$11.3 bilhões. Essa receita cresceu tanto pela expansão do serviço móvel, que cresceu 6,1% (e aqui vale pontuar que a companhia tem aumentado bem a quantidade de celulares que vende em suas agências, representando hoje 6,8% da receita total). No segmento de negócio fixo (internet a cabo, TV etc) a receita subiu apenas 1,9%, sendo o destaque positivo para o seu nicho de internet de fibra ótica, que cresceu 26%, representando R$1.3 bilhões da receita total.
Indo um pouco além, os números mostram como a Telefônica tem investido bem nessa área: houve crescimento de 26% de casas passadas (que no caso, significa ponto de atendimento possível que a companhia pode atender) atingindo 20.5 milhões (contra 16.3 milhões no 1T21) e um crescimento de 29% de casas conectadas (casas que tem internet fibra ótica da Vivo), atingindo 4.8 milhões (contra 3.7 milhões no 1T22).
Na parte de custos, houve crescimento de 7% dos custos totais, abaixo da inflação do período (de 11,3%), sendo a maior parte desse crescimento resultado dos produtos vendidos (movimento natural por conta do crescimento de vendas) e da linha de pessoal (resultante de aumentos salariais e reajustes).
Sobre o resultado financeiro, houve forte aumento das despesas financeiras, com um crescimento de prejuízo de 66%, atingindo R$524 milhões no trimestre, enquanto o endividamento atingiu R$15.1 bilhões mas ainda com a alavancagem baixa e saudável, em 0,4x dívida líquida sobre EBITDA sendo 68% dessa dívida de longo prazo.
Sobre o lucro líquido, a Vivo entregou com uma queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com R$750 milhões. A análise um pouco diferente que citamos no começo do release, cabe aqui. Pelo segmento que ela está inserida, a quantidade de investimentos que ela realiza e os arrendamentos que ela faz, o lucro líquido acaba não sendo a melhor referência de análise no resultado final, visto que a depreciação e a amortização podem acabar implicando em uma distorção contábil sobre o número do lucro líquido.
Além do lucro líquido, gostamos de olhar principalmente para o EBITDA e a geração de caixa de empresas desse segmento. No caso da Telefônica, ambos tiveram aumento inexpressivo de aproximadamente 1% - com R$4.5 bilhões de EBITDA e R$2.6 bilhões de fluxo de caixa livre descontando desconsiderando o CAPEX. Como sempre falamos, análise de lucro é fraca, olhar só isso, induz ao erro.
Em síntese, o resultado não apresentou grandes surpresas, é uma companhia gigante que dificilmente vai mostrar grandes movimentos. Atualmente ela está investindo para ganhar espaço no 5G e isso comprometeu parte dos resultados e elevou a dívida no período, e isso deve durar mais tempo. Ainda assim, a companhia segue com seus fundamentos de gigante geradora de caixa crescendo a passos lentos.
Sem surpresas, cabendo ao investidor sempre se atentar à concorrência (que tem sido grande no setor, apesar dos obstáculos do oligopólio) e a expansão da companhia, principalmente agora, com boom do 5G.
Um bom setor para os investidores de longo prazo, mas pouco comentado nas redes: o setor de telecomunicação. Formado praticamente por um oligopólio onde 4 empresas detém 97,5% do setor, o mercado de telecomunicação é conhecido pela sua alta geração de caixa, baixa competitividade e bons dividendos pagos. E a Telefônica é a líder desse mercado.
Com um primeiro trimestre sem grandes supresas, daremos um parecer breve sobre seus resultados – lembrando que a análise de empresas desse setor deve ser realizada com uma pequena particularidade, com o lucro enganando um pouco. Vamos aos números.
No 1T22 a Telefônica entregou um crescimento de receita líquida de 4,6% comparando ao 1T21 - atingindo os R$11.3 bilhões. Essa receita cresceu tanto pela expansão do serviço móvel, que cresceu 6,1% (e aqui vale pontuar que a companhia tem aumentado bem a quantidade de celulares que vende em suas agências, representando hoje 6,8% da receita total). No segmento de negócio fixo (internet a cabo, TV etc) a receita subiu apenas 1,9%, sendo o destaque positivo para o seu nicho de internet de fibra ótica, que cresceu 26%, representando R$1.3 bilhões da receita total.
Indo um pouco além, os números mostram como a Telefônica tem investido bem nessa área: houve crescimento de 26% de casas passadas (que no caso, significa ponto de atendimento possível que a companhia pode atender) atingindo 20.5 milhões (contra 16.3 milhões no 1T21) e um crescimento de 29% de casas conectadas (casas que tem internet fibra ótica da Vivo), atingindo 4.8 milhões (contra 3.7 milhões no 1T22).
Na parte de custos, houve crescimento de 7% dos custos totais, abaixo da inflação do período (de 11,3%), sendo a maior parte desse crescimento resultado dos produtos vendidos (movimento natural por conta do crescimento de vendas) e da linha de pessoal (resultante de aumentos salariais e reajustes).
Sobre o resultado financeiro, houve forte aumento das despesas financeiras, com um crescimento de prejuízo de 66%, atingindo R$524 milhões no trimestre, enquanto o endividamento atingiu R$15.1 bilhões mas ainda com a alavancagem baixa e saudável, em 0,4x dívida líquida sobre EBITDA sendo 68% dessa dívida de longo prazo.
Sobre o lucro líquido, a Vivo entregou com uma queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com R$750 milhões. A análise um pouco diferente que citamos no começo do release, cabe aqui. Pelo segmento que ela está inserida, a quantidade de investimentos que ela realiza e os arrendamentos que ela faz, o lucro líquido acaba não sendo a melhor referência de análise no resultado final, visto que a depreciação e a amortização podem acabar implicando em uma distorção contábil sobre o número do lucro líquido.
Além do lucro líquido, gostamos de olhar principalmente para o EBITDA e a geração de caixa de empresas desse segmento. No caso da Telefônica, ambos tiveram aumento inexpressivo de aproximadamente 1% - com R$4.5 bilhões de EBITDA e R$2.6 bilhões de fluxo de caixa livre descontando desconsiderando o CAPEX. Como sempre falamos, análise de lucro é fraca, olhar só isso, induz ao erro.
Em síntese, o resultado não apresentou grandes surpresas, é uma companhia gigante que dificilmente vai mostrar grandes movimentos. Atualmente ela está investindo para ganhar espaço no 5G e isso comprometeu parte dos resultados e elevou a dívida no período, e isso deve durar mais tempo. Ainda assim, a companhia segue com seus fundamentos de gigante geradora de caixa crescendo a passos lentos.
Sem surpresas, cabendo ao investidor sempre se atentar à concorrência (que tem sido grande no setor, apesar dos obstáculos do oligopólio) e a expansão da companhia, principalmente agora, com boom do 5G.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – B3 ($B3SA3) – 1T/2022
Talvez essa seja a análise mais simples que você verá por aqui. A análise sobre o resultado da B3 não tem muito segredo. Se trata da única empresa atuante no mercado tem território nacional e seu resultado é completamente influenciado pela taxa de juros do período.
No trimestre, a B3 apresentou desaceleração e queda nos seus números, mas para quem conhece a companhia, sabe que isso já era esperado. Como dito: por conta da taxa de juros. Uma SELIC mais alta tende a reduzir o capital que é direcionado à bolsa de valores (no caso, a B3), isso significa menor volume negociado na bolsa e consequentemente menos receita com taxas que a B3 recebe. Ela também ganha com renda fixa com a CETIP, mas representando uma parte bem menor de sua receita. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, houve uma queda na receita total da companhia de 4,6% comparado ao primeiro trimestre de 2021, voltando para os R$2.5 bilhões (contra R$2.6 bilhões em 2021). Essa queda na receita é explicada por uma queda de 10,4% na negociação de ativos de renda variável no geral, tendo o volume de negociação de ações caído 15,3% o volume de derivativos tendo caído 13,4% e o volume de juros e moedas caído 8,1%. O ponto positivo em termos de volume vai para a atividade da renda fixa, que teve um aumento de 11,6%, mas de certa forma irrelevante no resultado total, representando R$40 milhões dos R$2.5 bilhões de receita total.
Na parte de despesas, houve um crescimento de 29,5% no período, reflexo principalmente do crescimento de gasto com pessoal (reflexo de reajustes salariais e mais contratações) e do processamento de dados. Um aumento de R$195 milhões em relação ao período passado. Vale destacar aqui que boa parte disso está, como sempre, atrelado a inflação, principalmente na parte de pessoal.
Essa queda de receita somada ao aumento das despesas, fez com que a B3 tivesse uma perda de 9,90bps em sua margem operacional, caindo de 72,4% para 62,5%.
O lucro líquido, por sua vez, foi de R$1.1 bilhão no trimestre, uma queda de 12,3% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, dispondo de uma retração de margem líquida de 4,2bps para 48,2% (contra 52,4% no 1T21).
Agora ilustrado, fica perceptível o impacto que a taxa de juros tem na B3. O mesmo fator que fez com que a empresa se tornasse muito querida em 2020 e 2021, está fazendo agora com que muitos a odeiem: a taxa de juros. Numa SELIC de 2%, os agentes econômicos não tem escolha se não diversificar seus investimentos em renda variável, se torna algo obrigatório face as baixas taxas da renda fixa do período. Numa SELIC de 12,75% como a que estamos vivendo, por mais que siga fazendo sentido investir em renda variável, a maioria dos agentes econômicos acabam “fugindo” para a renda fixa, atraídos pelas altas taxas nominais e menosprezando os ativos de renda variável. Esse movimento causa queda de volume na bolsa e consequentemente a B3 ganha menos dinheiro.
É possível que isso mude? Certamente. Uma taxa de juros mais baixa – porque ela vai abaixar, é questão apenas de quando, e não de “se” – e uma população mais educada financeiramente mudam o cenário, mas por agora, essa desaceleração é esperada, e você não deve panicar ou interpretar de forma tão negativa como se fosse uma surpresa.
Não espere um crescimento violento no curto prazo enquanto o cenário macroeconômico não se acalmar. O ritmo de crescimento registrado em 2020 e 2021 dificilmente se repetirá por agora, mas isso não significa que a companhia deixou de ser uma gigante que atua sozinha (o que é um ponto de atenção, sempre) em seu setor, gerando bilhões em caixa todo trimestre.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Talvez essa seja a análise mais simples que você verá por aqui. A análise sobre o resultado da B3 não tem muito segredo. Se trata da única empresa atuante no mercado tem território nacional e seu resultado é completamente influenciado pela taxa de juros do período.
No trimestre, a B3 apresentou desaceleração e queda nos seus números, mas para quem conhece a companhia, sabe que isso já era esperado. Como dito: por conta da taxa de juros. Uma SELIC mais alta tende a reduzir o capital que é direcionado à bolsa de valores (no caso, a B3), isso significa menor volume negociado na bolsa e consequentemente menos receita com taxas que a B3 recebe. Ela também ganha com renda fixa com a CETIP, mas representando uma parte bem menor de sua receita. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, houve uma queda na receita total da companhia de 4,6% comparado ao primeiro trimestre de 2021, voltando para os R$2.5 bilhões (contra R$2.6 bilhões em 2021). Essa queda na receita é explicada por uma queda de 10,4% na negociação de ativos de renda variável no geral, tendo o volume de negociação de ações caído 15,3% o volume de derivativos tendo caído 13,4% e o volume de juros e moedas caído 8,1%. O ponto positivo em termos de volume vai para a atividade da renda fixa, que teve um aumento de 11,6%, mas de certa forma irrelevante no resultado total, representando R$40 milhões dos R$2.5 bilhões de receita total.
Na parte de despesas, houve um crescimento de 29,5% no período, reflexo principalmente do crescimento de gasto com pessoal (reflexo de reajustes salariais e mais contratações) e do processamento de dados. Um aumento de R$195 milhões em relação ao período passado. Vale destacar aqui que boa parte disso está, como sempre, atrelado a inflação, principalmente na parte de pessoal.
Essa queda de receita somada ao aumento das despesas, fez com que a B3 tivesse uma perda de 9,90bps em sua margem operacional, caindo de 72,4% para 62,5%.
O lucro líquido, por sua vez, foi de R$1.1 bilhão no trimestre, uma queda de 12,3% comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, dispondo de uma retração de margem líquida de 4,2bps para 48,2% (contra 52,4% no 1T21).
Agora ilustrado, fica perceptível o impacto que a taxa de juros tem na B3. O mesmo fator que fez com que a empresa se tornasse muito querida em 2020 e 2021, está fazendo agora com que muitos a odeiem: a taxa de juros. Numa SELIC de 2%, os agentes econômicos não tem escolha se não diversificar seus investimentos em renda variável, se torna algo obrigatório face as baixas taxas da renda fixa do período. Numa SELIC de 12,75% como a que estamos vivendo, por mais que siga fazendo sentido investir em renda variável, a maioria dos agentes econômicos acabam “fugindo” para a renda fixa, atraídos pelas altas taxas nominais e menosprezando os ativos de renda variável. Esse movimento causa queda de volume na bolsa e consequentemente a B3 ganha menos dinheiro.
É possível que isso mude? Certamente. Uma taxa de juros mais baixa – porque ela vai abaixar, é questão apenas de quando, e não de “se” – e uma população mais educada financeiramente mudam o cenário, mas por agora, essa desaceleração é esperada, e você não deve panicar ou interpretar de forma tão negativa como se fosse uma surpresa.
Não espere um crescimento violento no curto prazo enquanto o cenário macroeconômico não se acalmar. O ritmo de crescimento registrado em 2020 e 2021 dificilmente se repetirá por agora, mas isso não significa que a companhia deixou de ser uma gigante que atua sozinha (o que é um ponto de atenção, sempre) em seu setor, gerando bilhões em caixa todo trimestre.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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