Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3/BBDC4) – 1T/2022
É o fim da narrativa das fintechs?
Desde 2016 o mercado teme sobre um ponto em específico quando se trata de bancões: a concorrência. De fintechs até mesmo ao Pix, o que não faltou nos últimos anos foram mudanças estruturais no setor bancário brasileiro com alto potencial de prejudicar a margem dos grandes bancos. Até então, apesar de impactar, não houve mudanças significativas.
Para fechar a noite de domingo, trataremos brevemente sobre os resultados do Bradesco – mais especificamente, dos principais pontos.
No primeiro trimestre de 2022, o Bradesco atingiu um lucro de R$7.2 bilhões, representando alta de 4,7% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Essa alta de lucro ocorreu por uma melhora de sua linha de seguros e previdência, da expansão da margem com clientes (ponto importante de análise em bancos, representando a eficiência de suas operações de crédito), da expansão de sua carteira de crédito (que cresceu 18,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingiu R$835 bilhões), e o mais impressionante – até mesmo sua receita de prestação de serviços, a principal linha atacada pelas fintechs, cresceu, com um aumento de 6,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, algo que nem todos sabem é que os bancões estão inseridos no mercado digital há algum tempo, além dos mercados concorrenciais de corretoras e afins. No caso do Bradesco, sua corretora Ágora teve um crescimento de 24% na base de clientes atingindo 785 mil, e um crescimento de 16% no volume sob custódia, atingindo um volume de R$73 bilhões. Ambos números comparados com o mesmo trimestre do ano passado.
No Next, seu banco digital, houve um crescimento de 153% na quantidade de clientes, atingindo os 11 milhões. Em termos comparativos, o Banco Inter possui 16 milhões de clientes. Vale ressaltar que desses 11 milhões de clientes que o Next possui, 78% não são correntistas do Bradesco, o que exclui a premissa de que os números são inflados por conta da sua matriz.
O ponto negativo do release é a inadimplência: pela deterioração econômica do cenário com a alta da SELIC em ritmo acelerado, o mercado de crédito está enfrentando um crescimento de inadimplência. No caso do Bradesco, esse número subiu para 3,6%, uma alta de 0,4pp tomando como comparativo o 1T21. Ainda assim, a inadimplência segue abaixo da média de mercado e a concentração da carteira de crédito do Banco em clientes de melhor rating expressam maior segurança em momentos como esse.
Concluindo, o ROE do Bradesco voltou para o patamar dos 18%, contra 16% no mesmo trimestre do ano passado, mostrando a rentabilidade de suas operações. O Bradesco em si também teve forte expansão da base de clientes, atingindo 75 milhões de clientes no trimestre (+5,2% contra o mesmo trimestre anterior).
No guidance, o Bradesco também revisou todos os seus números para cima, expressando maior otimismo sobre os serviços e resultado da companhia, mas também elevou a quantidade destinada a PDD ligeiramente esperando uma inadimplência um pouco maior.
Enfim, como sempre falamos: o risco das fintechs é real, a concorrência existe e negligenciar isso não é algo inteligente a se fazer, mas mais importante do que dar o devido peso aos riscos, é analisar o cenário sem viés e compreender os dados financeiros para ver o que é impacto da conjuntura econômica e o que é impacto de concorrência de fato. Bancos não são só prestadores de serviços, são principalmente agentes que dão créditos, e no Brasil não há instituição com maior experiência em dar crédito do que os bancos centenários que atuam aqui há tanto tempo.
Sobre a digitalização, bem... alguns grandes bancos estão trocando a roda do carro com ele em movimento e poucos perceberam.
É o fim da narrativa das fintechs?
Desde 2016 o mercado teme sobre um ponto em específico quando se trata de bancões: a concorrência. De fintechs até mesmo ao Pix, o que não faltou nos últimos anos foram mudanças estruturais no setor bancário brasileiro com alto potencial de prejudicar a margem dos grandes bancos. Até então, apesar de impactar, não houve mudanças significativas.
Para fechar a noite de domingo, trataremos brevemente sobre os resultados do Bradesco – mais especificamente, dos principais pontos.
No primeiro trimestre de 2022, o Bradesco atingiu um lucro de R$7.2 bilhões, representando alta de 4,7% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Essa alta de lucro ocorreu por uma melhora de sua linha de seguros e previdência, da expansão da margem com clientes (ponto importante de análise em bancos, representando a eficiência de suas operações de crédito), da expansão de sua carteira de crédito (que cresceu 18,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingiu R$835 bilhões), e o mais impressionante – até mesmo sua receita de prestação de serviços, a principal linha atacada pelas fintechs, cresceu, com um aumento de 6,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, algo que nem todos sabem é que os bancões estão inseridos no mercado digital há algum tempo, além dos mercados concorrenciais de corretoras e afins. No caso do Bradesco, sua corretora Ágora teve um crescimento de 24% na base de clientes atingindo 785 mil, e um crescimento de 16% no volume sob custódia, atingindo um volume de R$73 bilhões. Ambos números comparados com o mesmo trimestre do ano passado.
No Next, seu banco digital, houve um crescimento de 153% na quantidade de clientes, atingindo os 11 milhões. Em termos comparativos, o Banco Inter possui 16 milhões de clientes. Vale ressaltar que desses 11 milhões de clientes que o Next possui, 78% não são correntistas do Bradesco, o que exclui a premissa de que os números são inflados por conta da sua matriz.
O ponto negativo do release é a inadimplência: pela deterioração econômica do cenário com a alta da SELIC em ritmo acelerado, o mercado de crédito está enfrentando um crescimento de inadimplência. No caso do Bradesco, esse número subiu para 3,6%, uma alta de 0,4pp tomando como comparativo o 1T21. Ainda assim, a inadimplência segue abaixo da média de mercado e a concentração da carteira de crédito do Banco em clientes de melhor rating expressam maior segurança em momentos como esse.
Concluindo, o ROE do Bradesco voltou para o patamar dos 18%, contra 16% no mesmo trimestre do ano passado, mostrando a rentabilidade de suas operações. O Bradesco em si também teve forte expansão da base de clientes, atingindo 75 milhões de clientes no trimestre (+5,2% contra o mesmo trimestre anterior).
No guidance, o Bradesco também revisou todos os seus números para cima, expressando maior otimismo sobre os serviços e resultado da companhia, mas também elevou a quantidade destinada a PDD ligeiramente esperando uma inadimplência um pouco maior.
Enfim, como sempre falamos: o risco das fintechs é real, a concorrência existe e negligenciar isso não é algo inteligente a se fazer, mas mais importante do que dar o devido peso aos riscos, é analisar o cenário sem viés e compreender os dados financeiros para ver o que é impacto da conjuntura econômica e o que é impacto de concorrência de fato. Bancos não são só prestadores de serviços, são principalmente agentes que dão créditos, e no Brasil não há instituição com maior experiência em dar crédito do que os bancos centenários que atuam aqui há tanto tempo.
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Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3/ITUB4) – 1T/2022
Após a divulgação do Santander e do Bradesco anunciando um trimestre forte para os grandes bancos, chegou a divulgação do Itaú, que honrando a sua posição de maior banco do país, chegou com os dois pés na porta em começou 2022 com um resultado extremamente forte.
No primeiro trimestre de 2022, o Itaú apresentou um crescimento de lucro de 15,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo o valor de R$7.4 bilhões no período. Esse crescimento de lucro foi resultado do crescimento forte da linha de receita de prestação de serviços, que cresceu 7,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a melhora da margem com clientes que cresceu incríveis 24% (resultado da expansão da carteira de crédito), e do crescimento da própria carteira de crédito, que atingiu o marco de R$1 trilhão no trimestre e cresceu 22,5% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O ponto de atenção que mencionamos também na análise sobre o Bradesco, é o de PDD e da inadimplência.
Com a forte expansão da carteira de crédito, é normal uma PDD maior, mas é também importante que a inadimplência não saia de controle. Nesse quesito, o Itaú se saiu muito bem, também.
A inadimplência do banco subiu apenas 0,2pp comparado ao 1T21, bem abaixo da média do mercado. Enquanto a de outros bancos subiu em até 1,0pp (e do próprio Bradesco que subiu 0,6pp), o Itaú conseguiu manter a qualidade do crédito e comprovou que apesar da forte expansão, o rating de contrato de empréstimo segue sendo seguido de forma responsável, não expandindo descontroladamente em detrimento da inadimplência.
Em linhas gerais, assim como o resultado do Bradesco, o do Itaú também foi ótimo, mas é claro que o Itaú conseguiu entregar um crescimento ainda superior ao do Bradesco, atingindo 20,4% de ROE no trimestre (sendo que esse número foi de algo próximo a 14% no início da pandemia).
Como sempre mencionamos, análise de bancos é simples até certo ponto me termos trimestrais. Monitoras as linhas de receita, a qualidade dos créditos, expansão da carteira e afins pode expressar muito se você souber diferir o que é impacto do mercado pra o que é impacto de concorrência de fato. Até o momento não houve nenhum impacto negativo nos grandes bancos referentes ao ataque das fintechs até mesmo na linha de serviços prestado, sendo que esse é o principal ponto de ataque das instituições.
Talvez você estranhe que os resultados estejam vindo tão forte e as ações só caem, pois lembre-se: o fluxo é soberano. Se o temor impera e o fluxo no mercado é de venda, empresas que divulgam resultados muito forte irão desvalorizar, enquanto ações que divulgam resultados fracos, vão desabar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Após a divulgação do Santander e do Bradesco anunciando um trimestre forte para os grandes bancos, chegou a divulgação do Itaú, que honrando a sua posição de maior banco do país, chegou com os dois pés na porta em começou 2022 com um resultado extremamente forte.
No primeiro trimestre de 2022, o Itaú apresentou um crescimento de lucro de 15,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo o valor de R$7.4 bilhões no período. Esse crescimento de lucro foi resultado do crescimento forte da linha de receita de prestação de serviços, que cresceu 7,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a melhora da margem com clientes que cresceu incríveis 24% (resultado da expansão da carteira de crédito), e do crescimento da própria carteira de crédito, que atingiu o marco de R$1 trilhão no trimestre e cresceu 22,5% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O ponto de atenção que mencionamos também na análise sobre o Bradesco, é o de PDD e da inadimplência.
Com a forte expansão da carteira de crédito, é normal uma PDD maior, mas é também importante que a inadimplência não saia de controle. Nesse quesito, o Itaú se saiu muito bem, também.
A inadimplência do banco subiu apenas 0,2pp comparado ao 1T21, bem abaixo da média do mercado. Enquanto a de outros bancos subiu em até 1,0pp (e do próprio Bradesco que subiu 0,6pp), o Itaú conseguiu manter a qualidade do crédito e comprovou que apesar da forte expansão, o rating de contrato de empréstimo segue sendo seguido de forma responsável, não expandindo descontroladamente em detrimento da inadimplência.
Em linhas gerais, assim como o resultado do Bradesco, o do Itaú também foi ótimo, mas é claro que o Itaú conseguiu entregar um crescimento ainda superior ao do Bradesco, atingindo 20,4% de ROE no trimestre (sendo que esse número foi de algo próximo a 14% no início da pandemia).
Como sempre mencionamos, análise de bancos é simples até certo ponto me termos trimestrais. Monitoras as linhas de receita, a qualidade dos créditos, expansão da carteira e afins pode expressar muito se você souber diferir o que é impacto do mercado pra o que é impacto de concorrência de fato. Até o momento não houve nenhum impacto negativo nos grandes bancos referentes ao ataque das fintechs até mesmo na linha de serviços prestado, sendo que esse é o principal ponto de ataque das instituições.
Talvez você estranhe que os resultados estejam vindo tão forte e as ações só caem, pois lembre-se: o fluxo é soberano. Se o temor impera e o fluxo no mercado é de venda, empresas que divulgam resultados muito forte irão desvalorizar, enquanto ações que divulgam resultados fracos, vão desabar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Petz ($PETZ3) – 1T/2022
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Em síntese, não vemos nada de errado com a empresa. O crescimento está bom, caso ocorra uma desaceleração mesmo que leve, ela está em um mercado altamente fragmentado e tem muito market share para ganhar, principalmente no mercado veterinário, que vai bem além do comércio de itens de animas de estimação.
Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Via ($VIIA3) – 1T/2022
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Em linhas gerais, o resultado não é bom. Por mais que existam os fatores não recorrentes a contabilizar na análise para torna-la mais justa (vide o “boost” econômico que o auxílio emergencial proporcionou no 1T21), nós não gostamos dos números. Há alguns anos a Via passa por uma reestruturação de suas operações em um esforço da gestão para levantar e tornar o operacional da companhia sustentável novamente. Os anos de 2020 e 2021 criaram em grande parte dos investidores uma gigante esperança sobre isso, mas a maioria ignorou a impressão violenta de dinheiro que o governo exerceu no período que beneficiou forte as varejistas.
Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
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Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Vivara ($VIVA3) – 1T/2022
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3) – 1T/2022
E o resultado do Banco do Brasil finalmente foi divulgado, dando melhor ideia sobre a atual situação dos grandes bancos com o cenário de concorrência das fintechs e a pressão sobre a deterioração do crédito que a conjuntura econômica tem proporcionado.
Fechando com chave de ouro, é justo dizer que entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi o banco que entregou o melhor resultado, embora isso não exclua o seu risco de governança nem signifique que os demais bancos tenham entregado resultados extraordinários. Pois bem, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 o Banco do Brasil entregou uma margem financeira de R$15.3 bilhões, contra R$14.5 bilhões no 1T21 – um aumento de 5,6%. Lembrando que a margem financeira é a diferença entre o valor que o banco paga e o valor que o banco cobra. Além da melhora desse spread, o Banco do Brasil também apresentou forte crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$7.5 bilhões – sendo impulsionada principalmente pelo crescimento da receita de administração de fundos de investimento, seguros, previdência e consórcios.
A carteira de crédito do banco também cresceu forte – menor do que a de seus concorrentes, mas ainda assim um crescimento acelerado. Foi atingido o valor de R$883 bilhões de carteira total e identificado um crescimento de 16,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que todos os segmentos cresceram bem. Sobre a inadimplência: houve um ligeiro aumento de 0,25pp comparado a dezembro de 2021 e a estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Lembrando que o Banco do Brasil é o banco com maior participação de crédito no setor agro do país, setor que tende a ter taxas de inadimplência baixíssimas. Essa é uma das principais vantagens do banco.
A PDD, assim como de todos os outros bancos, foi elevada em 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse movimento é conjuntural, com os bancos projetando uma deterioração do cenário de crédito do país com esse aumento inflacionário que vem ocorrendo. É uma lógica simples, a inflação mais alta tende a pressionar mais o orçamento dos agentes econômicos e a chance de calote em empréstimos é elevada.
Sobre as despesas, o Banco do Brasil tem realizado um trabalho exemplar com um controle responsável. As despesas administrativas subiram apenas 6%, enquanto a inflação do período foi de quase 12%, e o índice de eficiência atingiu os 34,7% - o melhor da série histórica pro trimestre.
Com todos esses pontos, o Banco do Brasil registrou o melhor primeiro trimestre da sua história, com um lucro de R$6.6 bilhões e a melhora de todos os seus indicadores.
Como dito, o Banco do Brasil entregou o melhor resultado entre os grandes bancos, mas seus concorrentes não ficaram muito atrás. É repetitivo dizer isso, mas o Banco do Brasil possui uma trava de valor obvia, que é o seu sócio: o Estado. Infelizmente o receio de uma possível intervenção no Banco do Brasil é uma realidade que trava o seu potencial de alta, assim como ocorre com a Petrobras.
Não é uma realidade, nem sequer uma certeza, mas um banco público da dimensão do Banco do Brasil, tem um altíssimo potencial de uso populista ao que tange prestação de crédito entre outros programas sociais criados em detrimento de seus resultados e sua saúde financeira.
Nós gostamos do banco, mas se for para investir nele, sempre cobre maior desconto e margem de segurança (como existe agora) e mensure a sua alocação, porque o Estado sempre é uma surpresa imprevisível.
Em síntese, excelentes resultados, e não só para o Banco do Brasil, mas para todos os bancões do cenário.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
E o resultado do Banco do Brasil finalmente foi divulgado, dando melhor ideia sobre a atual situação dos grandes bancos com o cenário de concorrência das fintechs e a pressão sobre a deterioração do crédito que a conjuntura econômica tem proporcionado.
Fechando com chave de ouro, é justo dizer que entre os grandes bancos, o Banco do Brasil foi o banco que entregou o melhor resultado, embora isso não exclua o seu risco de governança nem signifique que os demais bancos tenham entregado resultados extraordinários. Pois bem, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 o Banco do Brasil entregou uma margem financeira de R$15.3 bilhões, contra R$14.5 bilhões no 1T21 – um aumento de 5,6%. Lembrando que a margem financeira é a diferença entre o valor que o banco paga e o valor que o banco cobra. Além da melhora desse spread, o Banco do Brasil também apresentou forte crescimento da receita de prestação de serviços, crescendo 9,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingindo R$7.5 bilhões – sendo impulsionada principalmente pelo crescimento da receita de administração de fundos de investimento, seguros, previdência e consórcios.
A carteira de crédito do banco também cresceu forte – menor do que a de seus concorrentes, mas ainda assim um crescimento acelerado. Foi atingido o valor de R$883 bilhões de carteira total e identificado um crescimento de 16,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, sendo que todos os segmentos cresceram bem. Sobre a inadimplência: houve um ligeiro aumento de 0,25pp comparado a dezembro de 2021 e a estabilidade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Lembrando que o Banco do Brasil é o banco com maior participação de crédito no setor agro do país, setor que tende a ter taxas de inadimplência baixíssimas. Essa é uma das principais vantagens do banco.
A PDD, assim como de todos os outros bancos, foi elevada em 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Esse movimento é conjuntural, com os bancos projetando uma deterioração do cenário de crédito do país com esse aumento inflacionário que vem ocorrendo. É uma lógica simples, a inflação mais alta tende a pressionar mais o orçamento dos agentes econômicos e a chance de calote em empréstimos é elevada.
Sobre as despesas, o Banco do Brasil tem realizado um trabalho exemplar com um controle responsável. As despesas administrativas subiram apenas 6%, enquanto a inflação do período foi de quase 12%, e o índice de eficiência atingiu os 34,7% - o melhor da série histórica pro trimestre.
Com todos esses pontos, o Banco do Brasil registrou o melhor primeiro trimestre da sua história, com um lucro de R$6.6 bilhões e a melhora de todos os seus indicadores.
Como dito, o Banco do Brasil entregou o melhor resultado entre os grandes bancos, mas seus concorrentes não ficaram muito atrás. É repetitivo dizer isso, mas o Banco do Brasil possui uma trava de valor obvia, que é o seu sócio: o Estado. Infelizmente o receio de uma possível intervenção no Banco do Brasil é uma realidade que trava o seu potencial de alta, assim como ocorre com a Petrobras.
Não é uma realidade, nem sequer uma certeza, mas um banco público da dimensão do Banco do Brasil, tem um altíssimo potencial de uso populista ao que tange prestação de crédito entre outros programas sociais criados em detrimento de seus resultados e sua saúde financeira.
Nós gostamos do banco, mas se for para investir nele, sempre cobre maior desconto e margem de segurança (como existe agora) e mensure a sua alocação, porque o Estado sempre é uma surpresa imprevisível.
Em síntese, excelentes resultados, e não só para o Banco do Brasil, mas para todos os bancões do cenário.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Grupo Mateus ($GMAT3) – 1T/2022
Inflação prejudicando, mas não o suficiente para desacelerar o crescimento da empresa. O Grupo Mateus é uma rede ainda desconhecida em algumas regiões do país, mas bem forte e popular na região Norte e Nordeste. Entre os IPOs recentes, consideramos também uma das empresas mais interessantes a se analisar, pela a natureza dos números conservadores e pelo segmento inserido.
Pois bem, no primeiro trimestre de 2022 o Grupo Mateus seguiu seu plano de expansão, forte, com crescimento de todas as linhas, mas o inimigo de todas as análises, marcou presença mais uma vez: a inflação. Vamos aos dados.
No período a companhia entregou um crescimento de receita líquida de 36,2%, atingindo os R$4.5 bilhões em um único trimestre (a título de curiosidade, essa foi quase a receita do ano inteiro da companhia em 2015). Essa receita teve esse forte aumento principalmente pelo plano de expansão da rede (49 novas lojas abertas nos últimos 12 meses, sendo 16 inauguradas no 1T22), mas não só: o SSS (vendas nas mesmas lojas excluindo as inaugurações) cresceu 12,7%, caracterizando o maior crescimento entre as varejistas de mercado do país. Indo um pouco além, todos os segmentos de receita cresceram (varejo, atacarejo, eletro e vendas B2B), sendo o atacarejo o principal, com 37,6%.
Na parte do lucro bruto, a inflação da sua cara. O lucro bruto cresceu 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem caiu 1,6pp – de 23,9% para 22,3%.
Essa queda de margem é explicada por dois fatores principais: o primeiro é a inflação, que apesar dos supermercados terem forte potencial de repasse, eles não repassam tudo por fator de concorrência – se subir muito e buscar a manutenção da margem, o cliente irá para um mercado mais barato, então a briga de preços é algo natural do setor. O segundo fator é o crescimento das vendas no atacarejo. Com o aumento da inflação, é natural que as pessoas recorram aos atacados para comprar produtos em maior quantidade, visto que o preço é mais baixo e o estoque protege de uma futura alta depreço. Atacarejos possuem menor margem de lucro justamente por isso – os mercados perdem na margem, mas ganham muito no volume. É um movimento que compensa.
Na parte das despesas, houve crescimento de 32,7% no período, também impactada pela inflação, subindo de R$619 milhões para R$822 milhões comparando 1T21 com 1T22. A maior parte da alta veio de despesas com pessoal, explicado pela expansão e abertura de novos mercados (contratação de novos funcionários) e fretes e combustíveis, e aqui todos nós sabemos o quanto os combustíveis tem subido. Empresas sofrem tanto quanto nós em alguns segmentos.
Apesar dessas altas, as despesas foram diluídas na receita, que cresceu em proporção maior, representando 17,5% da receita líquida no 1T22 (contra 18,0% no 1T21).
A respeito do endividamento, não houve muita mudança – a companhia continuou com a mesma dívida bruta de 1 ano atrás (R$1 bilhão), mas a alavancagem da companhia subiu um pouco, de 0,1x para 0,4x (dívida líquida sobre EBITDA) não pelo aumento da dívida, mas pelo caixa queimado no período.
No trimestre, houve investimento de R$324 milhões, sendo que R$216 milhões foram para novas lojas e terrenos e R$46 milhões para reforma, ilustrando seu plano de expansão e inauguração de novas lojas.
Finalizando: o lucro líquido do período foi de R$199 milhões, um crescimento de 27%, e a margem líquida teve uma queda de 0,3pp para 4,4%, refletindo todos os pontos que citamos sobre expansão e inflação.
Inflação prejudicando, mas não o suficiente para desacelerar o crescimento da empresa. O Grupo Mateus é uma rede ainda desconhecida em algumas regiões do país, mas bem forte e popular na região Norte e Nordeste. Entre os IPOs recentes, consideramos também uma das empresas mais interessantes a se analisar, pela a natureza dos números conservadores e pelo segmento inserido.
Pois bem, no primeiro trimestre de 2022 o Grupo Mateus seguiu seu plano de expansão, forte, com crescimento de todas as linhas, mas o inimigo de todas as análises, marcou presença mais uma vez: a inflação. Vamos aos dados.
No período a companhia entregou um crescimento de receita líquida de 36,2%, atingindo os R$4.5 bilhões em um único trimestre (a título de curiosidade, essa foi quase a receita do ano inteiro da companhia em 2015). Essa receita teve esse forte aumento principalmente pelo plano de expansão da rede (49 novas lojas abertas nos últimos 12 meses, sendo 16 inauguradas no 1T22), mas não só: o SSS (vendas nas mesmas lojas excluindo as inaugurações) cresceu 12,7%, caracterizando o maior crescimento entre as varejistas de mercado do país. Indo um pouco além, todos os segmentos de receita cresceram (varejo, atacarejo, eletro e vendas B2B), sendo o atacarejo o principal, com 37,6%.
Na parte do lucro bruto, a inflação da sua cara. O lucro bruto cresceu 27,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem caiu 1,6pp – de 23,9% para 22,3%.
Essa queda de margem é explicada por dois fatores principais: o primeiro é a inflação, que apesar dos supermercados terem forte potencial de repasse, eles não repassam tudo por fator de concorrência – se subir muito e buscar a manutenção da margem, o cliente irá para um mercado mais barato, então a briga de preços é algo natural do setor. O segundo fator é o crescimento das vendas no atacarejo. Com o aumento da inflação, é natural que as pessoas recorram aos atacados para comprar produtos em maior quantidade, visto que o preço é mais baixo e o estoque protege de uma futura alta depreço. Atacarejos possuem menor margem de lucro justamente por isso – os mercados perdem na margem, mas ganham muito no volume. É um movimento que compensa.
Na parte das despesas, houve crescimento de 32,7% no período, também impactada pela inflação, subindo de R$619 milhões para R$822 milhões comparando 1T21 com 1T22. A maior parte da alta veio de despesas com pessoal, explicado pela expansão e abertura de novos mercados (contratação de novos funcionários) e fretes e combustíveis, e aqui todos nós sabemos o quanto os combustíveis tem subido. Empresas sofrem tanto quanto nós em alguns segmentos.
Apesar dessas altas, as despesas foram diluídas na receita, que cresceu em proporção maior, representando 17,5% da receita líquida no 1T22 (contra 18,0% no 1T21).
A respeito do endividamento, não houve muita mudança – a companhia continuou com a mesma dívida bruta de 1 ano atrás (R$1 bilhão), mas a alavancagem da companhia subiu um pouco, de 0,1x para 0,4x (dívida líquida sobre EBITDA) não pelo aumento da dívida, mas pelo caixa queimado no período.
No trimestre, houve investimento de R$324 milhões, sendo que R$216 milhões foram para novas lojas e terrenos e R$46 milhões para reforma, ilustrando seu plano de expansão e inauguração de novas lojas.
Finalizando: o lucro líquido do período foi de R$199 milhões, um crescimento de 27%, e a margem líquida teve uma queda de 0,3pp para 4,4%, refletindo todos os pontos que citamos sobre expansão e inflação.
Na nossa leitura, o resultado do Grupo Mateus foi bom e é uma companhia interessante para quem investe pro longo prazo. Os números até então foram sólidos, apesar do IPO recente, e em fator de governança há algo que gostamos, que é a proximidade do fundador com a companhia. O que tem incomodado de certa forma é sua queima de caixa: em 2020 a companhia tinha R$2.1 bilhões em caixa, enquanto no último trimestre, R$619 milhões – é uma redução expressiva. A explicação é a estratégia de expansão da rede, mas não deixa de ser um ponto para o investidor ter atenção. Lembre-se sempre da frase: empresas quebram crescendo. O Grupo Mateus de fato está crescendo bem e ganhando cada vez mais espaço na região que deseja (Norte e Nordeste), resta a gestão fazer um controle responsável das dívidas e do caixa para que esse crescimento não fuja de controle.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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