Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Porto ($PSSA3) – 1T/2022
Um trimestre marcado pela mudança de sua identidade visual, a iniciativa de uma mudança para se expandir em mais mercado, e um resultado fraco – mas compreensível, com uma queda de lucro de 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Aos que ainda não sabem, neste trimestre a Porto passou por uma transformação. Passando a se chamar Porto (antes chamada de Porto Seguro), a companhia se tornou uma holding divida em três segmentos de marcas próprias: Porto Seguros, Porto Saúde e Porto Seguro Bank. Nós vemos essa mudança com bons olhos tanto por fator de organização quanto de facilidade de crescimento, visto que os números nos releases ficam mais claros e o direcionamento que a companhia pode das as suas verticais se torna menos “dependente” de outros segmentos envolvidos.
Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, a Porto teve um crescimento de 23% na sua receita total, indicando aumento de prêmio de todas as suas verticais. Na parte das despesas administrativas, houve uma melhora, com queda de 2,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, fazendo com que a porto tivesse uma melhora no indicador de eficiência operacional de 15,5% para 13,1% - em termos simples, esse indicador significa quanto as despesas administrativas consomem da receita, ou seja, quanto menor, melhor.
Apesar do forte crescimento da receita, a Porto entregou um lucro 40% menor, caindo de R$295 milhões para R$175 milhões. E a explicação vem logo justificada pelo segmento de seguro de veículos da companhia.
No trimestre, a sinistralidade do segmento de automóveis explodiu, subindo de 50% no 1T21 para 65,3% no 1T22, tendo uma razão bem simples, que nós já havíamos dito que poderia ocorrer quando analisamos o 4T21 por aqui: o aumento do preço das peças de carros.
A mesma inflação de veículos que nos atinge tornando a compra de carros mais caros, atinge com força ainda maior a porto. Lembre-se: o segundo trabalha com um contrato “defasado”, digamos, enquanto o preço das peças de carros e dos carros em si mudou violentamente entre o 1T21 e o 1T22. Isso significa que a Porto tem uma perda de margem forte, porque enquanto ela tem que aceitar o preço contratado nas apólices, o preço praticado no mercado já é outro. Como se trata de um contrato, não há nada que a companhia possa fazer. Foi a maior sinistralidade para o segmento de seguros veiculares da década, e por incrível que pareça, a Porto foi a que menos sofreu, com uma sinistralidade para 65%, enquanto a média do mercado foi de 75%. Ou seja, é um problema estrutural, e não da companhia em si.
A forma que a companhia vai lidar com isso é bem simples: as próximas apólices de seguros serão bem mais caras e as margens serão retomadas. Com isso, nós esperamos que já pro meio do 2T22 a melhora da margem da Porto comece a ficar mais clara e sua lucratividade volte a aumentar. Mesmo com esse problema no segmento de autos e a restrição de venda de carros no mercado, a companhia conseguiu expandir a frota de segurados em 200 mil carros comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em resumo, poderíamos terminar a análise por aqui mesmo, pois é praticamente esse ponto negativo que justifica queda da lucratividade da companhia no trimestre e que fez com que o índice combinado disparasse e atingisse 99,5% (contra 91% no mesmo trimestre do ano passado, sendo que 100% significa que o operacional da companhia não gera lucro). É interessante abrir o release e ver que essa deterioração do índice combinado tem ocorrido trimestre a trimestre, ilustrando justamente a volta da normalidade da economia com o aumento de preço dos carros (maior circulação, mais acidentes e mais sinistros com preços maiores).
Enfim, explicado o ponto mais importante, passaremos brevemente pelos próximos pontos para não tornar a análise tão extensa.
Um trimestre marcado pela mudança de sua identidade visual, a iniciativa de uma mudança para se expandir em mais mercado, e um resultado fraco – mas compreensível, com uma queda de lucro de 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Aos que ainda não sabem, neste trimestre a Porto passou por uma transformação. Passando a se chamar Porto (antes chamada de Porto Seguro), a companhia se tornou uma holding divida em três segmentos de marcas próprias: Porto Seguros, Porto Saúde e Porto Seguro Bank. Nós vemos essa mudança com bons olhos tanto por fator de organização quanto de facilidade de crescimento, visto que os números nos releases ficam mais claros e o direcionamento que a companhia pode das as suas verticais se torna menos “dependente” de outros segmentos envolvidos.
Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, a Porto teve um crescimento de 23% na sua receita total, indicando aumento de prêmio de todas as suas verticais. Na parte das despesas administrativas, houve uma melhora, com queda de 2,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, fazendo com que a porto tivesse uma melhora no indicador de eficiência operacional de 15,5% para 13,1% - em termos simples, esse indicador significa quanto as despesas administrativas consomem da receita, ou seja, quanto menor, melhor.
Apesar do forte crescimento da receita, a Porto entregou um lucro 40% menor, caindo de R$295 milhões para R$175 milhões. E a explicação vem logo justificada pelo segmento de seguro de veículos da companhia.
No trimestre, a sinistralidade do segmento de automóveis explodiu, subindo de 50% no 1T21 para 65,3% no 1T22, tendo uma razão bem simples, que nós já havíamos dito que poderia ocorrer quando analisamos o 4T21 por aqui: o aumento do preço das peças de carros.
A mesma inflação de veículos que nos atinge tornando a compra de carros mais caros, atinge com força ainda maior a porto. Lembre-se: o segundo trabalha com um contrato “defasado”, digamos, enquanto o preço das peças de carros e dos carros em si mudou violentamente entre o 1T21 e o 1T22. Isso significa que a Porto tem uma perda de margem forte, porque enquanto ela tem que aceitar o preço contratado nas apólices, o preço praticado no mercado já é outro. Como se trata de um contrato, não há nada que a companhia possa fazer. Foi a maior sinistralidade para o segmento de seguros veiculares da década, e por incrível que pareça, a Porto foi a que menos sofreu, com uma sinistralidade para 65%, enquanto a média do mercado foi de 75%. Ou seja, é um problema estrutural, e não da companhia em si.
A forma que a companhia vai lidar com isso é bem simples: as próximas apólices de seguros serão bem mais caras e as margens serão retomadas. Com isso, nós esperamos que já pro meio do 2T22 a melhora da margem da Porto comece a ficar mais clara e sua lucratividade volte a aumentar. Mesmo com esse problema no segmento de autos e a restrição de venda de carros no mercado, a companhia conseguiu expandir a frota de segurados em 200 mil carros comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em resumo, poderíamos terminar a análise por aqui mesmo, pois é praticamente esse ponto negativo que justifica queda da lucratividade da companhia no trimestre e que fez com que o índice combinado disparasse e atingisse 99,5% (contra 91% no mesmo trimestre do ano passado, sendo que 100% significa que o operacional da companhia não gera lucro). É interessante abrir o release e ver que essa deterioração do índice combinado tem ocorrido trimestre a trimestre, ilustrando justamente a volta da normalidade da economia com o aumento de preço dos carros (maior circulação, mais acidentes e mais sinistros com preços maiores).
Enfim, explicado o ponto mais importante, passaremos brevemente pelos próximos pontos para não tornar a análise tão extensa.
Como dito, o segmento de seguro de automóvel teve crescimento, mas a sinistralidade pressionou a margem, o segmento de seguro patrimonial teve crescimento e seguiu estável, o segmento de seguro de vida teve crescimento e queda forte na sinistralidade, o que é excelente, visto que esse foi impactado com força pela pandemia e o segmento de previdência manteve-se estável.
No segmento de saúde (lembrando que agora a Porto são três verticais), o desempenho foi ótimo. Houve crescimento forte nos beneficiários de plano de saúde (+95 mil segurados) com estabilidade da sinistralidade (o que é positivo, considerando o cenário de pandemia), o segmento de odonto seguiu estável, com uma queda de 1300 beneficiários, e no consolidado houve crescimento de 37% na receita e 24,5% no lucro. Em suma, o segmento de saúde desempenhou muito bem.
No terceiro e último segmento, o Porto Seguro Bank, alguns números merecem menção, também. A receita do braço financeiro da companhia cresceu em 30%, explicado principalmente pelo aumento de cartões de créditos emitidos e da expansão de carteira de crédito, que atingiu R$13.5 bilhões (contra R$10.3 bilhões no mesmo trimestre do ano passado). O ponto de atenção aqui fica sobre a inadimplência: houve aumento de 4% para 6,2% nas operações de crédito da companhia. Até certo ponto, é compreensível, visto que esse movimento tem sido conjuntural (todos os bancos que reportaram resultados até agora tiveram crescimento de inadimplência pela deterioração do cenário macro com o aumento de juros), mas isso não exime o investidor de questionar o número. A Porto tem qualidade de gestão do Itaú, mas essa inadimplência não deve ser aceita em níveis tão altos. A gestão alega que é proposital por estratégia de crescimento, mas segue a atenção.
Para finalizar, o resultado financeiro teve piora por um simples motivo: títulos indexados a inflação. A marcação na curva faz com que alguns títulos desvalorizem, mas isso não gera efeito caixa, e o resultado não deve repetir, visto que dificilmente as taxas longas piores acima do que já piorou.
Em resumo, é isso. O resultado da Porto veio péssimo, mas na nossa visão, já era esperado. Desde o 4T21 a gestão e o cenário econômico apontam para isso. O principal segmento que a Porto atua é no de veículos, sendo que dos R$5.8 bi de receita, quase R$4 bi vem de lá. Enquanto a companhia não repassar 100% da inflação de peças para as apólices de seguros e os contratos todos forem renovados, as margens serão pressionadas. É um problema pontual. E ela vai repassar os preços, então prepare-se para uma alta no seguro do seu carro ou no custo do seu veículo por assinatura. Esperamos melhora das margens assim que todos os contratos forem reciclados e um aumento significativo da lucratividade com a expansão que ela está realizando. Tempos de inflação, problemas pontuais.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
No segmento de saúde (lembrando que agora a Porto são três verticais), o desempenho foi ótimo. Houve crescimento forte nos beneficiários de plano de saúde (+95 mil segurados) com estabilidade da sinistralidade (o que é positivo, considerando o cenário de pandemia), o segmento de odonto seguiu estável, com uma queda de 1300 beneficiários, e no consolidado houve crescimento de 37% na receita e 24,5% no lucro. Em suma, o segmento de saúde desempenhou muito bem.
No terceiro e último segmento, o Porto Seguro Bank, alguns números merecem menção, também. A receita do braço financeiro da companhia cresceu em 30%, explicado principalmente pelo aumento de cartões de créditos emitidos e da expansão de carteira de crédito, que atingiu R$13.5 bilhões (contra R$10.3 bilhões no mesmo trimestre do ano passado). O ponto de atenção aqui fica sobre a inadimplência: houve aumento de 4% para 6,2% nas operações de crédito da companhia. Até certo ponto, é compreensível, visto que esse movimento tem sido conjuntural (todos os bancos que reportaram resultados até agora tiveram crescimento de inadimplência pela deterioração do cenário macro com o aumento de juros), mas isso não exime o investidor de questionar o número. A Porto tem qualidade de gestão do Itaú, mas essa inadimplência não deve ser aceita em níveis tão altos. A gestão alega que é proposital por estratégia de crescimento, mas segue a atenção.
Para finalizar, o resultado financeiro teve piora por um simples motivo: títulos indexados a inflação. A marcação na curva faz com que alguns títulos desvalorizem, mas isso não gera efeito caixa, e o resultado não deve repetir, visto que dificilmente as taxas longas piores acima do que já piorou.
Em resumo, é isso. O resultado da Porto veio péssimo, mas na nossa visão, já era esperado. Desde o 4T21 a gestão e o cenário econômico apontam para isso. O principal segmento que a Porto atua é no de veículos, sendo que dos R$5.8 bi de receita, quase R$4 bi vem de lá. Enquanto a companhia não repassar 100% da inflação de peças para as apólices de seguros e os contratos todos forem renovados, as margens serão pressionadas. É um problema pontual. E ela vai repassar os preços, então prepare-se para uma alta no seguro do seu carro ou no custo do seu veículo por assinatura. Esperamos melhora das margens assim que todos os contratos forem reciclados e um aumento significativo da lucratividade com a expansão que ela está realizando. Tempos de inflação, problemas pontuais.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 1T/2022
Aquisições, forte expansão e recomposição de margens.
A Fleury está mudando. De uma pequena companhia do segmento de medicina diagnóstica do país, a gestão decidiu acompanhar a onda de mudanças que está ocorrendo no setor de saúde brasileiro e desde 2018 começou a realizar uma série de aquisições para penetrar em novos mercados. Até o momento foram 14 aquisições, algumas pequenas, outras gigantes (como é o caso do laboratório Marcelo Magalhães no mês de maio desse ano por R$385 milhões), e tudo isso tem alterado a estrutura da companhia por completo.
A razão de estarmos dizendo isso, é simples: não é suficiente olhar para a Fleury com os mesmos olhos que olhávamos há 2 anos. Setores mudam, as preferências dos consumidores mudam, e empresas também. Sendo assim – entenda que a Fleury de hoje é completamente diferente da Fleury que existia há 3 anos, e a mudança está apenas começando.
No 1T22 a Fleury atingiu um recorde histórico de receita, com um valor de R$1.2 bilhão. Essa receita é 21,7% maior do que a receita auferida no mesmo trimestre do ano passado. A princípio, esse aumento forte é resultado das aquisições feitas pela companhia, mas desconsiderando todas elas, também houve crescimento: 12% contra o mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, houve crescimento forte do atendimento móvel da companhia (+27,6% contra o 1T21) e é importante destacar o ponto sobre a receita que a companhia gera com exames de Covid-19: no 2T20, 17,3% da receita da Fleury foi gerada com exames de Covid-19, no 1T22, apenas 6% da receita veio disso. Desconsiderando esse fator, o crescimento da receita da Fleury seria de 26,3%, visto que nos trimestres passados a companhia ganhou muito dinheiro com esses exames e tornou a base de comparação mais forte artificialmente.
Em termos de crescimento de marcas, todas cresceram, e aqui vale lembrar que são métricas orgânicas. A marca principal da companhia (Fleury) cresceu 18,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo uma participação de mercado de 51,6% (crescendo dos 46,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado).
Um dos pontos mais importantes a serem tratados ao ler o resultado da Fleury: suas margens.
Aquisições geram um aumento excelente de receita, mas em contrapartida, tendem a espremer as margens da companhia. A razão é simples: leva um tempo até que as empresas adquiridas atinjam a maturação e alguns gastos “extraordinários” ocorrem nesse processo. Pense que você está comprando outra empresa, e nela alguns setores podem ser despedidos, afinal, você não precisa de 2 setores iguais numa só companhia, por exemplo. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de treinamento, burocracia e afins para quem essa sinergia seja realizada. Logo, as margens no curto prazo sofrem. É normal – e isso não significa que o investidor pode negligenciar, obviamente.
A margem bruta da Fleury caiu de 32,1% para 29,8% comparando trimestre com trimestre. A principal razão disso foi o aumento de gastos com pessoal (efeito de incorporação das companhias adquiridas) e de gastos com materiais (efeito da inflação encarecendo produtos, que, como sempre falamos aqui, leva um tempo até que os preços sejam completamente repassados aos consumidores).
Em empresas que realizam muitas aquisições, é importante também analisar o resultado financeiro – ainda mais quando essas aquisições são feitas com alavancagem, como no caso da Fleury.
A companhia dobrou seu gasto com dívida comparado com o mesmo trimestre do ano passado, de R$30 milhões para R$60 milhões. A razão é o aumento do CDI no período. Apesar do crescimento do gasto, o endividamento segue extremamente saudável, com uma alavancagem pequena de 1,3x DL/EBITDA e uma dívida bem alongada.
Aquisições, forte expansão e recomposição de margens.
A Fleury está mudando. De uma pequena companhia do segmento de medicina diagnóstica do país, a gestão decidiu acompanhar a onda de mudanças que está ocorrendo no setor de saúde brasileiro e desde 2018 começou a realizar uma série de aquisições para penetrar em novos mercados. Até o momento foram 14 aquisições, algumas pequenas, outras gigantes (como é o caso do laboratório Marcelo Magalhães no mês de maio desse ano por R$385 milhões), e tudo isso tem alterado a estrutura da companhia por completo.
A razão de estarmos dizendo isso, é simples: não é suficiente olhar para a Fleury com os mesmos olhos que olhávamos há 2 anos. Setores mudam, as preferências dos consumidores mudam, e empresas também. Sendo assim – entenda que a Fleury de hoje é completamente diferente da Fleury que existia há 3 anos, e a mudança está apenas começando.
No 1T22 a Fleury atingiu um recorde histórico de receita, com um valor de R$1.2 bilhão. Essa receita é 21,7% maior do que a receita auferida no mesmo trimestre do ano passado. A princípio, esse aumento forte é resultado das aquisições feitas pela companhia, mas desconsiderando todas elas, também houve crescimento: 12% contra o mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, houve crescimento forte do atendimento móvel da companhia (+27,6% contra o 1T21) e é importante destacar o ponto sobre a receita que a companhia gera com exames de Covid-19: no 2T20, 17,3% da receita da Fleury foi gerada com exames de Covid-19, no 1T22, apenas 6% da receita veio disso. Desconsiderando esse fator, o crescimento da receita da Fleury seria de 26,3%, visto que nos trimestres passados a companhia ganhou muito dinheiro com esses exames e tornou a base de comparação mais forte artificialmente.
Em termos de crescimento de marcas, todas cresceram, e aqui vale lembrar que são métricas orgânicas. A marca principal da companhia (Fleury) cresceu 18,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo uma participação de mercado de 51,6% (crescendo dos 46,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado).
Um dos pontos mais importantes a serem tratados ao ler o resultado da Fleury: suas margens.
Aquisições geram um aumento excelente de receita, mas em contrapartida, tendem a espremer as margens da companhia. A razão é simples: leva um tempo até que as empresas adquiridas atinjam a maturação e alguns gastos “extraordinários” ocorrem nesse processo. Pense que você está comprando outra empresa, e nela alguns setores podem ser despedidos, afinal, você não precisa de 2 setores iguais numa só companhia, por exemplo. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de treinamento, burocracia e afins para quem essa sinergia seja realizada. Logo, as margens no curto prazo sofrem. É normal – e isso não significa que o investidor pode negligenciar, obviamente.
A margem bruta da Fleury caiu de 32,1% para 29,8% comparando trimestre com trimestre. A principal razão disso foi o aumento de gastos com pessoal (efeito de incorporação das companhias adquiridas) e de gastos com materiais (efeito da inflação encarecendo produtos, que, como sempre falamos aqui, leva um tempo até que os preços sejam completamente repassados aos consumidores).
Em empresas que realizam muitas aquisições, é importante também analisar o resultado financeiro – ainda mais quando essas aquisições são feitas com alavancagem, como no caso da Fleury.
A companhia dobrou seu gasto com dívida comparado com o mesmo trimestre do ano passado, de R$30 milhões para R$60 milhões. A razão é o aumento do CDI no período. Apesar do crescimento do gasto, o endividamento segue extremamente saudável, com uma alavancagem pequena de 1,3x DL/EBITDA e uma dívida bem alongada.
Tanto a redução da margem bruta quanto o aumento das despesas financeiras fizeram com que a margem líquida fosse de 10% no trimestre, enquanto no mesmo trimestre do ano passado a margem foi de 13%. Aqui vale mencionar algo importante: por mais que tenha caído a margem comparado ao 1T21, ela voltou a subir comparado ao 4T21, o que aponta uma melhora de recomposição das margens e a continuidade do repasse de preços. Concluindo, essa margem mais espremida fez com que o lucro líquido tivesse uma ligeira queda de R$118 milhões para R$110 milhões comparando os mesmos trimestres de cada ano.
Como sempre falamos: análise de lucro, é análise fraca. Com o grande boom dos novos influencers do meio da educação financeira, análises rápidas que dão atenção demais à linha de lucro e atenção de menos aos fundamentos da companhia como um todo tem se tornado quase que uma epidemia.
A Fleury está passando por uma mudança estrutural de aquisições e expansão de seus negócios, e esse trimestre apontou algumas evidências de que a estratégia está dando certo.
Não espere lucro explosivo nem margens maravilhosas enquanto a maturação do negócio não ocorrer. Nós gostamos do resultado pois o operacional tem melhorado além do inorgânico, com crescimento das marcas premium (como a própria Fleury) e das aquisições feitas, mas nas análises da companhia, mantenha a atenção nas margens, na alavancagem e veja se o crescimento está fazendo jus ao custo que está sendo pago.
No mais, acreditamos que toda essa pressão nas margens da companhia devido as aquisições feitas já estão mais do que precificadas nas ações.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Como sempre falamos: análise de lucro, é análise fraca. Com o grande boom dos novos influencers do meio da educação financeira, análises rápidas que dão atenção demais à linha de lucro e atenção de menos aos fundamentos da companhia como um todo tem se tornado quase que uma epidemia.
A Fleury está passando por uma mudança estrutural de aquisições e expansão de seus negócios, e esse trimestre apontou algumas evidências de que a estratégia está dando certo.
Não espere lucro explosivo nem margens maravilhosas enquanto a maturação do negócio não ocorrer. Nós gostamos do resultado pois o operacional tem melhorado além do inorgânico, com crescimento das marcas premium (como a própria Fleury) e das aquisições feitas, mas nas análises da companhia, mantenha a atenção nas margens, na alavancagem e veja se o crescimento está fazendo jus ao custo que está sendo pago.
No mais, acreditamos que toda essa pressão nas margens da companhia devido as aquisições feitas já estão mais do que precificadas nas ações.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3/BBDC4) – 1T/2022
É o fim da narrativa das fintechs?
Desde 2016 o mercado teme sobre um ponto em específico quando se trata de bancões: a concorrência. De fintechs até mesmo ao Pix, o que não faltou nos últimos anos foram mudanças estruturais no setor bancário brasileiro com alto potencial de prejudicar a margem dos grandes bancos. Até então, apesar de impactar, não houve mudanças significativas.
Para fechar a noite de domingo, trataremos brevemente sobre os resultados do Bradesco – mais especificamente, dos principais pontos.
No primeiro trimestre de 2022, o Bradesco atingiu um lucro de R$7.2 bilhões, representando alta de 4,7% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Essa alta de lucro ocorreu por uma melhora de sua linha de seguros e previdência, da expansão da margem com clientes (ponto importante de análise em bancos, representando a eficiência de suas operações de crédito), da expansão de sua carteira de crédito (que cresceu 18,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingiu R$835 bilhões), e o mais impressionante – até mesmo sua receita de prestação de serviços, a principal linha atacada pelas fintechs, cresceu, com um aumento de 6,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, algo que nem todos sabem é que os bancões estão inseridos no mercado digital há algum tempo, além dos mercados concorrenciais de corretoras e afins. No caso do Bradesco, sua corretora Ágora teve um crescimento de 24% na base de clientes atingindo 785 mil, e um crescimento de 16% no volume sob custódia, atingindo um volume de R$73 bilhões. Ambos números comparados com o mesmo trimestre do ano passado.
No Next, seu banco digital, houve um crescimento de 153% na quantidade de clientes, atingindo os 11 milhões. Em termos comparativos, o Banco Inter possui 16 milhões de clientes. Vale ressaltar que desses 11 milhões de clientes que o Next possui, 78% não são correntistas do Bradesco, o que exclui a premissa de que os números são inflados por conta da sua matriz.
O ponto negativo do release é a inadimplência: pela deterioração econômica do cenário com a alta da SELIC em ritmo acelerado, o mercado de crédito está enfrentando um crescimento de inadimplência. No caso do Bradesco, esse número subiu para 3,6%, uma alta de 0,4pp tomando como comparativo o 1T21. Ainda assim, a inadimplência segue abaixo da média de mercado e a concentração da carteira de crédito do Banco em clientes de melhor rating expressam maior segurança em momentos como esse.
Concluindo, o ROE do Bradesco voltou para o patamar dos 18%, contra 16% no mesmo trimestre do ano passado, mostrando a rentabilidade de suas operações. O Bradesco em si também teve forte expansão da base de clientes, atingindo 75 milhões de clientes no trimestre (+5,2% contra o mesmo trimestre anterior).
No guidance, o Bradesco também revisou todos os seus números para cima, expressando maior otimismo sobre os serviços e resultado da companhia, mas também elevou a quantidade destinada a PDD ligeiramente esperando uma inadimplência um pouco maior.
Enfim, como sempre falamos: o risco das fintechs é real, a concorrência existe e negligenciar isso não é algo inteligente a se fazer, mas mais importante do que dar o devido peso aos riscos, é analisar o cenário sem viés e compreender os dados financeiros para ver o que é impacto da conjuntura econômica e o que é impacto de concorrência de fato. Bancos não são só prestadores de serviços, são principalmente agentes que dão créditos, e no Brasil não há instituição com maior experiência em dar crédito do que os bancos centenários que atuam aqui há tanto tempo.
Sobre a digitalização, bem... alguns grandes bancos estão trocando a roda do carro com ele em movimento e poucos perceberam.
É o fim da narrativa das fintechs?
Desde 2016 o mercado teme sobre um ponto em específico quando se trata de bancões: a concorrência. De fintechs até mesmo ao Pix, o que não faltou nos últimos anos foram mudanças estruturais no setor bancário brasileiro com alto potencial de prejudicar a margem dos grandes bancos. Até então, apesar de impactar, não houve mudanças significativas.
Para fechar a noite de domingo, trataremos brevemente sobre os resultados do Bradesco – mais especificamente, dos principais pontos.
No primeiro trimestre de 2022, o Bradesco atingiu um lucro de R$7.2 bilhões, representando alta de 4,7% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Essa alta de lucro ocorreu por uma melhora de sua linha de seguros e previdência, da expansão da margem com clientes (ponto importante de análise em bancos, representando a eficiência de suas operações de crédito), da expansão de sua carteira de crédito (que cresceu 18,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e atingiu R$835 bilhões), e o mais impressionante – até mesmo sua receita de prestação de serviços, a principal linha atacada pelas fintechs, cresceu, com um aumento de 6,7% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, algo que nem todos sabem é que os bancões estão inseridos no mercado digital há algum tempo, além dos mercados concorrenciais de corretoras e afins. No caso do Bradesco, sua corretora Ágora teve um crescimento de 24% na base de clientes atingindo 785 mil, e um crescimento de 16% no volume sob custódia, atingindo um volume de R$73 bilhões. Ambos números comparados com o mesmo trimestre do ano passado.
No Next, seu banco digital, houve um crescimento de 153% na quantidade de clientes, atingindo os 11 milhões. Em termos comparativos, o Banco Inter possui 16 milhões de clientes. Vale ressaltar que desses 11 milhões de clientes que o Next possui, 78% não são correntistas do Bradesco, o que exclui a premissa de que os números são inflados por conta da sua matriz.
O ponto negativo do release é a inadimplência: pela deterioração econômica do cenário com a alta da SELIC em ritmo acelerado, o mercado de crédito está enfrentando um crescimento de inadimplência. No caso do Bradesco, esse número subiu para 3,6%, uma alta de 0,4pp tomando como comparativo o 1T21. Ainda assim, a inadimplência segue abaixo da média de mercado e a concentração da carteira de crédito do Banco em clientes de melhor rating expressam maior segurança em momentos como esse.
Concluindo, o ROE do Bradesco voltou para o patamar dos 18%, contra 16% no mesmo trimestre do ano passado, mostrando a rentabilidade de suas operações. O Bradesco em si também teve forte expansão da base de clientes, atingindo 75 milhões de clientes no trimestre (+5,2% contra o mesmo trimestre anterior).
No guidance, o Bradesco também revisou todos os seus números para cima, expressando maior otimismo sobre os serviços e resultado da companhia, mas também elevou a quantidade destinada a PDD ligeiramente esperando uma inadimplência um pouco maior.
Enfim, como sempre falamos: o risco das fintechs é real, a concorrência existe e negligenciar isso não é algo inteligente a se fazer, mas mais importante do que dar o devido peso aos riscos, é analisar o cenário sem viés e compreender os dados financeiros para ver o que é impacto da conjuntura econômica e o que é impacto de concorrência de fato. Bancos não são só prestadores de serviços, são principalmente agentes que dão créditos, e no Brasil não há instituição com maior experiência em dar crédito do que os bancos centenários que atuam aqui há tanto tempo.
Sobre a digitalização, bem... alguns grandes bancos estão trocando a roda do carro com ele em movimento e poucos perceberam.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3/ITUB4) – 1T/2022
Após a divulgação do Santander e do Bradesco anunciando um trimestre forte para os grandes bancos, chegou a divulgação do Itaú, que honrando a sua posição de maior banco do país, chegou com os dois pés na porta em começou 2022 com um resultado extremamente forte.
No primeiro trimestre de 2022, o Itaú apresentou um crescimento de lucro de 15,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo o valor de R$7.4 bilhões no período. Esse crescimento de lucro foi resultado do crescimento forte da linha de receita de prestação de serviços, que cresceu 7,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a melhora da margem com clientes que cresceu incríveis 24% (resultado da expansão da carteira de crédito), e do crescimento da própria carteira de crédito, que atingiu o marco de R$1 trilhão no trimestre e cresceu 22,5% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O ponto de atenção que mencionamos também na análise sobre o Bradesco, é o de PDD e da inadimplência.
Com a forte expansão da carteira de crédito, é normal uma PDD maior, mas é também importante que a inadimplência não saia de controle. Nesse quesito, o Itaú se saiu muito bem, também.
A inadimplência do banco subiu apenas 0,2pp comparado ao 1T21, bem abaixo da média do mercado. Enquanto a de outros bancos subiu em até 1,0pp (e do próprio Bradesco que subiu 0,6pp), o Itaú conseguiu manter a qualidade do crédito e comprovou que apesar da forte expansão, o rating de contrato de empréstimo segue sendo seguido de forma responsável, não expandindo descontroladamente em detrimento da inadimplência.
Em linhas gerais, assim como o resultado do Bradesco, o do Itaú também foi ótimo, mas é claro que o Itaú conseguiu entregar um crescimento ainda superior ao do Bradesco, atingindo 20,4% de ROE no trimestre (sendo que esse número foi de algo próximo a 14% no início da pandemia).
Como sempre mencionamos, análise de bancos é simples até certo ponto me termos trimestrais. Monitoras as linhas de receita, a qualidade dos créditos, expansão da carteira e afins pode expressar muito se você souber diferir o que é impacto do mercado pra o que é impacto de concorrência de fato. Até o momento não houve nenhum impacto negativo nos grandes bancos referentes ao ataque das fintechs até mesmo na linha de serviços prestado, sendo que esse é o principal ponto de ataque das instituições.
Talvez você estranhe que os resultados estejam vindo tão forte e as ações só caem, pois lembre-se: o fluxo é soberano. Se o temor impera e o fluxo no mercado é de venda, empresas que divulgam resultados muito forte irão desvalorizar, enquanto ações que divulgam resultados fracos, vão desabar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Após a divulgação do Santander e do Bradesco anunciando um trimestre forte para os grandes bancos, chegou a divulgação do Itaú, que honrando a sua posição de maior banco do país, chegou com os dois pés na porta em começou 2022 com um resultado extremamente forte.
No primeiro trimestre de 2022, o Itaú apresentou um crescimento de lucro de 15,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo o valor de R$7.4 bilhões no período. Esse crescimento de lucro foi resultado do crescimento forte da linha de receita de prestação de serviços, que cresceu 7,2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, a melhora da margem com clientes que cresceu incríveis 24% (resultado da expansão da carteira de crédito), e do crescimento da própria carteira de crédito, que atingiu o marco de R$1 trilhão no trimestre e cresceu 22,5% contra o mesmo trimestre do ano passado.
O ponto de atenção que mencionamos também na análise sobre o Bradesco, é o de PDD e da inadimplência.
Com a forte expansão da carteira de crédito, é normal uma PDD maior, mas é também importante que a inadimplência não saia de controle. Nesse quesito, o Itaú se saiu muito bem, também.
A inadimplência do banco subiu apenas 0,2pp comparado ao 1T21, bem abaixo da média do mercado. Enquanto a de outros bancos subiu em até 1,0pp (e do próprio Bradesco que subiu 0,6pp), o Itaú conseguiu manter a qualidade do crédito e comprovou que apesar da forte expansão, o rating de contrato de empréstimo segue sendo seguido de forma responsável, não expandindo descontroladamente em detrimento da inadimplência.
Em linhas gerais, assim como o resultado do Bradesco, o do Itaú também foi ótimo, mas é claro que o Itaú conseguiu entregar um crescimento ainda superior ao do Bradesco, atingindo 20,4% de ROE no trimestre (sendo que esse número foi de algo próximo a 14% no início da pandemia).
Como sempre mencionamos, análise de bancos é simples até certo ponto me termos trimestrais. Monitoras as linhas de receita, a qualidade dos créditos, expansão da carteira e afins pode expressar muito se você souber diferir o que é impacto do mercado pra o que é impacto de concorrência de fato. Até o momento não houve nenhum impacto negativo nos grandes bancos referentes ao ataque das fintechs até mesmo na linha de serviços prestado, sendo que esse é o principal ponto de ataque das instituições.
Talvez você estranhe que os resultados estejam vindo tão forte e as ações só caem, pois lembre-se: o fluxo é soberano. Se o temor impera e o fluxo no mercado é de venda, empresas que divulgam resultados muito forte irão desvalorizar, enquanto ações que divulgam resultados fracos, vão desabar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Petz ($PETZ3) – 1T/2022
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Com uma queda acumulada de quase 30% nos últimos 5 dias, muitos investidores da Petz têm se incomodado. Mesmo com um trimestre relativamente bom, as ações estão derretendo, levantando aquele ceticismo de sempre principalmente sobre a análise nos fazendo questionar se deixamos passar algo batido ou não.
Abaixo, citaremos os principais pontos que identificamos no resultado do primeiro trimestre de 2022 da Petz e gostaríamos de reforçar, como sempre, que em mercados de baixa como o que estamos vivendo, é completamente normal ações desabarem de preço. Para se ter ideia, a Nasdaq, bolsa de tecnologia dos EUA, já acumula queda de quase 30% no ano.
Empresas que estão divulgando resultados fortes estão caindo, empresas que estão divulgando resultados fracos, estão desabando. Principalmente as mais pressionadas pela inflação. Enfim, vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022 a Petz seguiu com o seu plano de franca expansão em alta. A empresa inaugurou 10 novas lojas no período (sendo 42 nos últimos 12 meses) e a receita total teve um crescimento forte, de 39% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Considerando apenas a Petz (e excluindo a aquisição da Zee.Dog), o crescimento ainda assim foi forte, com 29% comparado ao 1T21.
Sua penetração digital teve forte melhora, crescendo de 28,9% para 34,5% da receita total da companhia (e aqui a companhia não divide entre a Petz sozinha e a Petz + Zee.Dog, não sendo possível diferir se foi efeito-aquisição ou orgânico). Outro ponto que merece menção em termos de expansão, foi a inauguração de 23 novos centros veterinários da marca “Seres” da companhia – um mercado extremamente fragmentado que ela tem muito a explorar e uma expansão no segmento é, na nossa leitura, algo positivo.
Ademais, o lucro líquido do trimestre foi de R$21 milhões segundo a desconsideração de não-recorrentes que a própria companhia menciona, ou então R$2.5 milhões considerando os não recorrentes.
Como ilustrado, em termos de crescimento, a Petz não teve um trimestre ruim. Pelo contrário: sua expansão seguiu, seus números melhoraram e aquisições continuam sendo realizadas e tudo isso sem alavancagem, visto que a Petz não possui dívida líquida (tem bem mais caixa do que dívida, no caso).
O que acreditamos que está pressionando o preço da ação para baixo com tanta força: o primeiro ponto, a maldita inflação. Ela estará presente na análise de absolutamente TODAS as empresas. Todas. Ninguém corre da inflação. Ninguém. Inflação é algo que incomoda até mesmo quando é pequena – em um cenário de inflação global como o que estamos vivendo, ela se torna um problema tão grande quanto.
Mais da metade da receita da Petz vem da venda de ração. Ração com o aumento da inflação, dos grãos, carnes e afins terá o preço pressionado e elevado com força. Isso significa que a Petz terá problema para repassar preço no curto prazo. Ou seja, um problema pontuado no curto prazo que incomoda muito o mercado.
O segundo ponto é uma desaceleração do mercado de animais de estimação. A inflação causou um boom tremendo nesse mercado porque forçou muitas pessoas a ficarem em casa. A ideia de ter um bichinho passou a pairar sobre a cabeça de muita gente, e isso beneficiou extremamente o setor. Um crescimento no mesmo ritmo que o setor teve em 2 anos é improvável, e o mercado trabalha com essa possibilidade. Existem dados dessa desaceleração já no mercado americano. No Brasil não é diferente.
O terceiro ponto foi o próprio IPO. Um IPO que ancora as expectativas lá no alto, obriga que uma companhia entregue resultados tão altos quanto. Se não entregar, o mercado pune da forma que estamos vendo. Simples assim. Ancoragem, nada além disso. Uma empresa que pode exemplificar isso é o Nubank: se vendeu como o maior banco do país que vai atingir um crescimento pra desbancar os gigantes bancários. Se a expectativa não for atendida no curto prazo, o preço da ação é punido. A Petz sem dúvida está passando por isso com o agravante do cenário inflacionário no período.
Em síntese, não vemos nada de errado com a empresa. O crescimento está bom, caso ocorra uma desaceleração mesmo que leve, ela está em um mercado altamente fragmentado e tem muito market share para ganhar, principalmente no mercado veterinário, que vai bem além do comércio de itens de animas de estimação.
Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Sabemos que a queda da cotação de um ativo incomoda, ainda mais quando vemos o oposto nos resultados que a empresa divulga. Esse é o maior desafio que existe em investir. Ao ler nos livros, achamos ser fácil lidar com o psicológico, mas no campo de batalha, o jogo é diferente.
As pressões inflacionárias de curto prazo têm alto potencial para prejudicar todas empresas da bolsa, mas lembre-se sempre que são os gigantes que saem ganhando nessa corrida. Foque nos fundamentos, esqueça a cotação e deixe que o mercado faça o resto.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Via ($VIIA3) – 1T/2022
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Uma das empresas mais faladas da bolsa brasileira – e nada simples de analisar.
O primeiro trimestre de 2022 foi sem grandes novidades para a Via. Antes de começar a análise, é válido lembrar alguns pontos: o primeiro trimestre do ano passado é uma base de comparação forte, mês em que houve distribuição de dinheiro do auxílio emergencial que escoou em grande parte para o varejo do país (principalmente de linha branca), e na análise dessa companhia nós gostamos de nos atentar bastante principalmente a liquidez e endividamento, visto que é esse o maior problema que pega no seu calo.
A receita líquida da companhia atingiu R$7.4 bilhões no trimestre, queda de 2% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. A princípio, é um número ruim, mas como dito, é necessário considerar alguns pontos ao efetuar a leitura sobre o mercado de consumo. O primeiro é o não recorrente de auxílio emergencial que potencializou as vendas no mesmo período do ano passado, o segundo é a taxa de juros praticada no 1T21 para o 1T22. Praticamente saímos dos 2% para os 12% atualmente. O setor de varejo é um dos mais impactos num cenário de juros explosivo como o que estamos vivendo.
Indo um pouco além, a margem EBITDA (que considera somente o operacional da companhia) teve uma melhora significativa de 1,4pps. Esse aumento é justificado principalmente pelo trabalho feito com as despesas no trimestre: praticamente com a receita estável, a gestão conseguiu reduzir em 10% os gastos no período, fazendo com que a linha representasse 21,7% no trimestre (contra 24,5% no mesmo trimestre do ano passado).
A participação de mercado da companhia por sua vez apresentou uma queda significativa na operação on-line, de 16,7% para 13,0% comparado ao mesmo trimestre do ano passado – mesmo com um aumento da base de clientes e usuários ativos de quase 5%, a participação foi reduzida significativamente. Ainda sobre os pontos negativos, a inadimplência da carteira de crédito da companhia subiu 1,1pp, para 9,0% (o que já é um número alto), e a perda sobre a carteira atingiu 3,6%, aumento de 1,2pp contra o mesmo trimestre do ano passado, números que apontam deterioração fiscal.
Tanto o resultado financeiro quanto o endividamento da companhia são os fatores mais preocupantes e que mais incomodam, principalmente considerando seu histórico de reestruturação.
No 1T22 a Via teve um resultado financeiro negativo de R$489 milhões, sendo que dobrou em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A razão disso é simples: aumento da taxa de juros. A Via é extremamente endividada, sendo que boa parte da sua dívida está indexada ao CDI. O custo da sua dívida era algo negligenciável num cenário de SELIC 2 %, mas hoje, com a SELIC a 12,75%, se tornou algo preocupante. Além do forte crescimento das despesas financeiras, o endividamento também cresceu, com a dívida líquida atingindo R$8.1 bilhões, um crescimento de 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Além do crescimento da dívida, a alavancagem atingiu 11,7x dívida líquida sobre o EBITDA. O problema é que o cenário é de desaceleração para o varejo e o operacional do segmento tende a esfriar, enquanto a dívida atrelada ao CDI da Via segue rumo contrário, visto que o custo médio da dívida é o CDI + 2,5%. O único ponto positivo relacionado ao endividamento foi o reperfilamento da dívida, que no 1T21 era 80% de curto prazo, enquanto hoje, é 60% - ainda em níveis preocupantes. Além disso, há R$900 milhões em dívidas para vencer ainda no 2T22, um valor altíssimo considerando seu operacional e seu caixa.
Em linhas gerais, o resultado não é bom. Por mais que existam os fatores não recorrentes a contabilizar na análise para torna-la mais justa (vide o “boost” econômico que o auxílio emergencial proporcionou no 1T21), nós não gostamos dos números. Há alguns anos a Via passa por uma reestruturação de suas operações em um esforço da gestão para levantar e tornar o operacional da companhia sustentável novamente. Os anos de 2020 e 2021 criaram em grande parte dos investidores uma gigante esperança sobre isso, mas a maioria ignorou a impressão violenta de dinheiro que o governo exerceu no período que beneficiou forte as varejistas.
Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Hoje, com a economia passando por uma “ressaca” sem que exista a chance de mais impressão de dinheiro em iguais proporções (ainda mais considerando o ganho real nisso), a taxa de juros alta e uma desaceleração no varejo, a Via tem uma dívida gigante para enfrentar, e possivelmente irá tomar mais dívida para continuar a rolagem – vide os R$900 milhões que estão para vencer já no trimestre que vem.
Se você investe na Via, atente-se sobre a sua alavancagem e o seu nível de endividamento. Saiba que ela é completamente dependente de um ciclo favorável da economia em um setor de altíssima concorrência – e vale pontuar também a pressão de players externos nos últimos trimestres.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
Opinião e análise breve – Vivara ($VIVA3) – 1T/2022
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Não seria exagero dizer que a Vivara faz parte da safra dos melhores IPOs dos últimos anos.
Nós sempre destacamos que investir em IPO é algo perigoso – falta histórico, falta transparência, falta informação. Além disso, as empresas tendem a “arrumar a noiva” antes da divulgação dos balanços para que a foto expresse o melhor retrato possível, evitando que a primeira impressão não seja impactada negativamente.
O IPO da Vivara foi realizado em 2019. No final de 2019, para ser mais preciso, logo em outubro. Pouco tempo depois, a alegria da gestão em ver sua companhia listada em bolsa, se tornou em uma grande preocupação com a chegada da pandemia. E nem isso foi suficiente para brecar a empresa, com os resultados seguindo em ritmo de melhora mesmo face as adversidades econômicas do período. Vamos aos números.
No primeiro trimestre de 2022, a Vivara entregou uma receita líquida de R$337 milhões – um valor 55% maior do que no mesmo trimestre do ano passado. Além da receita, a margem bruta da companhia (que já é alta) melhorou, crescendo 2,1pp, para 67,6%. Essa receita teve forte aumento por conta da alteração do mix de produtos que a companhia vende, e pela aceleração da expansão de suas lojas físicas. Foram inauguradas 23 lojas da Vivara, 22 lojas da Life, e 14 fechamentos de quiosques (aquelas lojinhas que ficam no meio dos shoppings). O fechamento de quiosques é explicado pela própria estratégia que a companhia tem realizado, substituindo por lojas da Life, percebendo maior potencial de venda e valor agregado.
Essa estratégia de expansão fez com que a Vivara atingisse R$46 milhões de lucro líquido no trimestre e registrasse o melhor primeiro trimestre de sua história, com uma margem líquida de 14% no período.
Em relação as despesas, algo interessante. A companhia teve um aumento de 34% das despesas operacionais no período (de R$117 milhões para R$156 milhões), mas devido ao crescimento forte da receita e da melhora da eficiência do seu operacional, essas despesas foram diluídas em 5,3pp e elas representaram apenas 46% da receita líquida total (contra 54% no 1T21). Aqui é válido pontuar sobre o aumento de despesas de uma companhia. Esse crescimento não necessariamente é ruim – veja sempre o crescimento de custos como um investimento necessário para ganhar mais dinheiro. Se a empresa realizar mais despesas de forma inteligente, o retorno compensa, e ocorre justamente como mostra aqui.
Sobre endividamento não há muito o que dizer – a companhia possui bem mais caixa do que dívida, ou seja, não é endividada – e no lado dos investimentos, foi despendido R$24 milhões no trimestre, com metade desse valor sendo destinado para a abertura de novas lojas.
Finalizando, o market share da companhia vem crescendo consistentemente desde 2019, apresentando aumento em absolutamente todos os trimestres desde que realizou seu IPO. A participação de mercado era de 11,4% em 2019, cresceu para 13,1% em 2020, fechou em 16,0% em 2021 e atingiu 16,3% agora no primeiro trimestre de 2022. Vale lembrar que o mercado de jóias no Brasil é extremamente fragmentado, e há muito território para ser conquistado.
Como dissemos no começo do texto, em nossa leitura, a Vivara está entre as poucas frutas boas da leva colossal de IPOs dos últimos anos. Uma marca forte, com uma história de décadas, com uma gestão responsável e bem conservadora. Além do segmento que está inserida, que tange um público mais “resistente” a crises e com uma facilidade imensa de repasse de preço, afinal, são joias, de certa forma, o preço alto acaba sendo um atrativo para alguns produtos.
Um bom começo de ano para a companhia e um mercado gigante para desbravar.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!