Opinião e análise breve – Energias do Brasil (EDP) ($ENBR3) – 1T/2022
Sem muitos segredos, a análise trimestral da EDP é simples – se tratando de uma elétrica, o mais importante a se atentar é o seu grau de alavancagem para ver o endividamento segue sadio, e se o plano de expansão da companhia tem dado certo.
No trimestre, o endividamento cresceu substancialmente, mas não só ele: a receita e demais linhas de resultado também, mostrando bom desempenho da companhia, como usual. Vamos lá.
Antes de falar sobre os resultados é importante pontuar que a EDP tem investido bastante em suas operações de transmissão de energia, geração solar e na reciclagem do seu portfólio, vendendo algumas hidrelétricas, estratégia que ela vem anunciado há alguns anos.
A receita operacional da companhia veio com um crescimento relativamente tímido, de apenas 5,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem bruta melhorou expressivamente: um crescimento de 19,6%, resultando numa melhora operacional significativa. Essa melhora é explicada pelo aumento da tarifa repassada pelas distribuidoras no período (SP e ES), o que ilustra o fato de que elétricas são ótimas para proteção contra a inflação – afinal, as tarifas irão seguir a inflação, queira ou não.
Na parte dos gastos gerenciáveis (e aqui é interessante lembrar que elétricas costumam dividir gastos gerenciáveis dos não gerenciáveis devido a regulação do setor), mais uma linha positiva: houve crescimento de apenas 2,3% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, que como a própria companhia menciona, bem abaixo dos índices inflacionários do período, resultando na melhora de margem. O aumento veio basicamente de maior gasto com funcionários (lembrando que a EDP incorporou a EDP Goiás pelo seu plano de expansão) e de reajustes salariais do período.
Sobre o resultado financeiro, esse é um ponto que o investidor deve sempre ter grande atenção ao analisar elétricas, visto que indica muito sobre o corpo da dívida tomada.
Houve um crescimento de 88% na receita financeira da companhia (de R$83 milhões para R$157 milhões) comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento é explicado pelas aplicações financeiras atreladas ao CDI no período. O mesmo CDI que aumentou sua despesa financeira em 72% no período, junto do IPCA. O saldo líquido foi de um gasto de R$348 milhões com a dívida no trimestre (sendo que no mesmo trimestre do ano passado, o gasto tinha sido de R$210 milhões, o que representa um crescimento de 66%).
Sobre o endividamento, derivando do assunto de resultado financeiro, outro ponto de extrema importância para o investidor analisar ao estudar elétricas.
A dívida líquida da companhia subiu de R$8 bilhões para R$11.1 bilhões, um crescimento de 38% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Sem dúvidas, não é um crescimento negligenciável – é um crescimento de dívida que a princípio preocupa, mas seu nível de alavancagem segue dentro do padrão que sempre trabalhou (entre 1,5x e 2,5x) e terminou o trimestre em 2,3x dívida líquida sobe EBITDA (contra 2,0x no mesmo trimestre do ano passado).
Indo um pouco além, a maior parte da dívida vence depois de 2024 e a companhia tem dinheiro em caixa o suficiente para pagar as dívidas até 2023, sendo que 54% está atrelada ao CDI, 40% ao IPCA e o remanescente a outras taxas.
No lucro líquido, houve crescimento de 5,5% para R$523 milhões, sendo que ajustado pelas transmissoras, seria de 20,4% - um crescimento forte, novamente, explicado pela expansão da EDP em transmissão de energia. Essa expansão é interessante pois o funcionamento das transmissoras é bem seguro e extremamente eficiente para proteção contra a inflação, com os contratos sendo diretamente atrelados a índices inflacionários.
Sem muitos segredos, a análise trimestral da EDP é simples – se tratando de uma elétrica, o mais importante a se atentar é o seu grau de alavancagem para ver o endividamento segue sadio, e se o plano de expansão da companhia tem dado certo.
No trimestre, o endividamento cresceu substancialmente, mas não só ele: a receita e demais linhas de resultado também, mostrando bom desempenho da companhia, como usual. Vamos lá.
Antes de falar sobre os resultados é importante pontuar que a EDP tem investido bastante em suas operações de transmissão de energia, geração solar e na reciclagem do seu portfólio, vendendo algumas hidrelétricas, estratégia que ela vem anunciado há alguns anos.
A receita operacional da companhia veio com um crescimento relativamente tímido, de apenas 5,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem bruta melhorou expressivamente: um crescimento de 19,6%, resultando numa melhora operacional significativa. Essa melhora é explicada pelo aumento da tarifa repassada pelas distribuidoras no período (SP e ES), o que ilustra o fato de que elétricas são ótimas para proteção contra a inflação – afinal, as tarifas irão seguir a inflação, queira ou não.
Na parte dos gastos gerenciáveis (e aqui é interessante lembrar que elétricas costumam dividir gastos gerenciáveis dos não gerenciáveis devido a regulação do setor), mais uma linha positiva: houve crescimento de apenas 2,3% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, que como a própria companhia menciona, bem abaixo dos índices inflacionários do período, resultando na melhora de margem. O aumento veio basicamente de maior gasto com funcionários (lembrando que a EDP incorporou a EDP Goiás pelo seu plano de expansão) e de reajustes salariais do período.
Sobre o resultado financeiro, esse é um ponto que o investidor deve sempre ter grande atenção ao analisar elétricas, visto que indica muito sobre o corpo da dívida tomada.
Houve um crescimento de 88% na receita financeira da companhia (de R$83 milhões para R$157 milhões) comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento é explicado pelas aplicações financeiras atreladas ao CDI no período. O mesmo CDI que aumentou sua despesa financeira em 72% no período, junto do IPCA. O saldo líquido foi de um gasto de R$348 milhões com a dívida no trimestre (sendo que no mesmo trimestre do ano passado, o gasto tinha sido de R$210 milhões, o que representa um crescimento de 66%).
Sobre o endividamento, derivando do assunto de resultado financeiro, outro ponto de extrema importância para o investidor analisar ao estudar elétricas.
A dívida líquida da companhia subiu de R$8 bilhões para R$11.1 bilhões, um crescimento de 38% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Sem dúvidas, não é um crescimento negligenciável – é um crescimento de dívida que a princípio preocupa, mas seu nível de alavancagem segue dentro do padrão que sempre trabalhou (entre 1,5x e 2,5x) e terminou o trimestre em 2,3x dívida líquida sobe EBITDA (contra 2,0x no mesmo trimestre do ano passado).
Indo um pouco além, a maior parte da dívida vence depois de 2024 e a companhia tem dinheiro em caixa o suficiente para pagar as dívidas até 2023, sendo que 54% está atrelada ao CDI, 40% ao IPCA e o remanescente a outras taxas.
No lucro líquido, houve crescimento de 5,5% para R$523 milhões, sendo que ajustado pelas transmissoras, seria de 20,4% - um crescimento forte, novamente, explicado pela expansão da EDP em transmissão de energia. Essa expansão é interessante pois o funcionamento das transmissoras é bem seguro e extremamente eficiente para proteção contra a inflação, com os contratos sendo diretamente atrelados a índices inflacionários.
Em síntese, o crescimento da dívida da companhia assusta, mas como já falamos diversas vezes, elétricas trabalham com dívidas mais elevadas por conta da previsibilidade dos resultados. É um setor previsível, sem surpresas, onde não há disrupção, concorrência ou a possibilidade de abrir mão do uso – isso faz com que as companhias explorem ao máximo o endividamento para alavancar os resultados e crescer de forma mais acelerada.
Até o momento, sem grandes surpresas para a companhias. Seu plano de expansão segue em linha com o anunciado pela gestão, sua dívida saudável e seu crescimento forte. Não em vão são ótimas opções para o investidor de longo prazo que busca empresas que pagam bons proventos e menos riscos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Até o momento, sem grandes surpresas para a companhias. Seu plano de expansão segue em linha com o anunciado pela gestão, sua dívida saudável e seu crescimento forte. Não em vão são ótimas opções para o investidor de longo prazo que busca empresas que pagam bons proventos e menos riscos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 1T/2022
Mais um trimestre se passou, e a narrativa de aperto de concorrência que estava previsto para ocorrer há alguns anos com a entrada da Heineken no mercado, tem ficado cada vez mais defasada.
Num período marcado pela inflação (novamente ela aqui) e o agravante da guerra entre a Rússia e a Ucrânia que impactou o preço das principais matérias-primas que a Ambev utiliza em seus produtos, seu desempenho foi muito bom, e acima do esperado, mostrando a força da sua marca. Enfim, vamos aos números!
No primeiro trimestre de 2022 a Ambev entregou um crescimento de volume de litros vendidos, aumentando em 3,6% comparado ao 1T21 – a princípio parece ser pouco, mas para a quantidade que a Ambev vende, é um número significativo.
Esse aumento de crescimento de volume vendido com o aumento de preço dos produtos e a melhora de mix, acarretou um crescimento de receita fortíssimo de 18,5%, atingindo os R$18.4 bilhões no trimestre, caracterizando a terceira maior receita registrada da companhia num trimestral (lembrando que o trimestre mais forte é sempre o último do ano por conta das datas festivas).
Por outro lado, os custos, refletindo o aumento da inflação e representando o maior ponto de atenção que o investidor deve ter. Houve um crescimento de custo do produto vendido de 26,5% comparado ao 1T21 – uma alta expressiva. A razão é simples: fora a alta inflacionária comum que a companhia estava sofrendo, houve um aumento substancial do custo do trigo, milho, cevada entre outras matérias-primas que ela utiliza em seus produtos. Em outras palavras, o que estava ruim, piorou. Isso fez com que a Ambev tivesse uma queda de margem de lucro operacional de 1,80bps, caindo para 22,7%.
Aqui, um comentário que gostaríamos de fazer antes de ir para outras linhas do release: a pressão da concorrência.
Quem estuda a Ambev, sabe que há algum tempo a principal preocupação do mercado tem sido a concorrência espremendo a empresa, tanto pelo lado das gigantes industriais (como a Heineken) quanto pelos menores descentralizados (como as cervejas artesanais). Até o momento, esse temor não se concretizou – pelo contrário, a Ambev tem aumentado consistentemente seu volume de litros vendidos principalmente no seu segmento de cervejas. Algumas ofensivas inovadoras da companhia têm ajudado muito nas vendas, como é o caso do próprio Zé Delivery, que foi criado pela Ambev e tem ganhado cada vez mais espaço no mercado de entregas, entre outras parcerias, como a que ela tem com a M. Dias Branco no mercado de snacks.
Aqui um número curioso: o Zé Delivery realizou 16 milhões de entregas no 1T22, são quase 180 mil entregas por dia.
Enfim, mesmo com esse cenário de pressão inflacionária, a companhia conseguiu melhorar seu resultado operacional e entregar um lucro mais alto, visto que seu volume e receita compensaram os custos, sendo assim, a Ambev teve um crescimento de lucro de 29,1% comparado ao 1T21, atingindo um recorde pro período, de R$3.5 bilhões.
Não há muito mais o que tratar referente ao release da companhia para esse trimestre. Nós gostamos dos números, e assim como a análise de qualquer companhia tomadora de preço do setor alimentício, a inflação vai continuar batendo. O que importa é que até o momento a Ambev tem crescido mais do que a média da indústria (como nesse último trimestre) tendo aumento de volume de litro, receita e, por último e não menos importante, no digital. O Zé Delivery tem se mostrando um sucesso tremendo na digitalização atual.
A Ambev pode caracterizar uma “armadura” na sua carteira – da mesma forma que ela não vai explodir e disparar em resultados, você sabe também que ela dificilmente vai afundar e cair, e é isso que ela tem mostrado nos últimos trimestres mesmo com tantas adversidades: pandemia, isolamento social, inflação, guerra e afins.
Saber que os problemas que cercam a companhia são da conjuntura macroeconômica e não da estrutura da companhia em si, é de extrema importância, afinal, todo o setor sofre, sendo que os gigantes, em menor escala.
Mais um trimestre se passou, e a narrativa de aperto de concorrência que estava previsto para ocorrer há alguns anos com a entrada da Heineken no mercado, tem ficado cada vez mais defasada.
Num período marcado pela inflação (novamente ela aqui) e o agravante da guerra entre a Rússia e a Ucrânia que impactou o preço das principais matérias-primas que a Ambev utiliza em seus produtos, seu desempenho foi muito bom, e acima do esperado, mostrando a força da sua marca. Enfim, vamos aos números!
No primeiro trimestre de 2022 a Ambev entregou um crescimento de volume de litros vendidos, aumentando em 3,6% comparado ao 1T21 – a princípio parece ser pouco, mas para a quantidade que a Ambev vende, é um número significativo.
Esse aumento de crescimento de volume vendido com o aumento de preço dos produtos e a melhora de mix, acarretou um crescimento de receita fortíssimo de 18,5%, atingindo os R$18.4 bilhões no trimestre, caracterizando a terceira maior receita registrada da companhia num trimestral (lembrando que o trimestre mais forte é sempre o último do ano por conta das datas festivas).
Por outro lado, os custos, refletindo o aumento da inflação e representando o maior ponto de atenção que o investidor deve ter. Houve um crescimento de custo do produto vendido de 26,5% comparado ao 1T21 – uma alta expressiva. A razão é simples: fora a alta inflacionária comum que a companhia estava sofrendo, houve um aumento substancial do custo do trigo, milho, cevada entre outras matérias-primas que ela utiliza em seus produtos. Em outras palavras, o que estava ruim, piorou. Isso fez com que a Ambev tivesse uma queda de margem de lucro operacional de 1,80bps, caindo para 22,7%.
Aqui, um comentário que gostaríamos de fazer antes de ir para outras linhas do release: a pressão da concorrência.
Quem estuda a Ambev, sabe que há algum tempo a principal preocupação do mercado tem sido a concorrência espremendo a empresa, tanto pelo lado das gigantes industriais (como a Heineken) quanto pelos menores descentralizados (como as cervejas artesanais). Até o momento, esse temor não se concretizou – pelo contrário, a Ambev tem aumentado consistentemente seu volume de litros vendidos principalmente no seu segmento de cervejas. Algumas ofensivas inovadoras da companhia têm ajudado muito nas vendas, como é o caso do próprio Zé Delivery, que foi criado pela Ambev e tem ganhado cada vez mais espaço no mercado de entregas, entre outras parcerias, como a que ela tem com a M. Dias Branco no mercado de snacks.
Aqui um número curioso: o Zé Delivery realizou 16 milhões de entregas no 1T22, são quase 180 mil entregas por dia.
Enfim, mesmo com esse cenário de pressão inflacionária, a companhia conseguiu melhorar seu resultado operacional e entregar um lucro mais alto, visto que seu volume e receita compensaram os custos, sendo assim, a Ambev teve um crescimento de lucro de 29,1% comparado ao 1T21, atingindo um recorde pro período, de R$3.5 bilhões.
Não há muito mais o que tratar referente ao release da companhia para esse trimestre. Nós gostamos dos números, e assim como a análise de qualquer companhia tomadora de preço do setor alimentício, a inflação vai continuar batendo. O que importa é que até o momento a Ambev tem crescido mais do que a média da indústria (como nesse último trimestre) tendo aumento de volume de litro, receita e, por último e não menos importante, no digital. O Zé Delivery tem se mostrando um sucesso tremendo na digitalização atual.
A Ambev pode caracterizar uma “armadura” na sua carteira – da mesma forma que ela não vai explodir e disparar em resultados, você sabe também que ela dificilmente vai afundar e cair, e é isso que ela tem mostrado nos últimos trimestres mesmo com tantas adversidades: pandemia, isolamento social, inflação, guerra e afins.
Saber que os problemas que cercam a companhia são da conjuntura macroeconômica e não da estrutura da companhia em si, é de extrema importância, afinal, todo o setor sofre, sendo que os gigantes, em menor escala.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3) – 1T/2022
A princípio, um resultado preocupante: queda na receita – mas ao analisar os números percebe-se melhora do operacional, crescimento de margens e do lucro líquido.
O primeiro trimestre da Engie foi marcado por uma gigante rodada de investimentos, o que é de costume pela companhia. Foi investido mais de R$1 bilhão, com o início das operações em diversas linhas de transmissão (o que é excelente, dada a segurança do segmento), concluída a compra de alguns parques fotovoltaicos e a venda de algumas termelétricas, dando continuidade a reestruturação dada pela gestão nas linhas de serviço da companhia.
A receita líquida da Engie apresentou uma queda 5,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$3.2 para R$3.0 bilhões no período. A princípio preocupante, a queda é explicada por dois fatores: o reajuste de alguns contratos do seu segmento de transmissão de energia (que tem sido o foco da gestão a expansão nessa linha, participando cada vez mais dos leilões) e menor volume de trading de energia.
Apesar da queda da receita líquida, a Engie apresentou uma melhora de 8,8% no EBITDA e um crescimento de 22% no lucro líquido, explicado por dois fatores, principalmente: o aumento do preço médio de venda de energia (lembre-se quando sempre falamos que elétricas protegem contra a inflação, eis o exemplo – se a inflação sobe, o preço da energia seguirá, e invariavelmente os agentes econômicos tem que aceitar o preço, pois não há a opção de viver sem energia) que subiu 9,9% comparado ao trimestre passado (de R$205,13 para R$225,35 por MWh) e um controle responsável dos custos. Sendo assim, não se engane pela queda de receita – houve crescimento de todas as margens e linhas finais.
No resultado financeiro (ponto de atenção que sempre gostamos de lembrar o investidor ao analisar elétricas, visto que são mais alavancadas), ocorreu um “zero a zero”: houve um crescimento de R$117 milhões nas despesas financeiras, atingindo os R$974 milhões no trimestre, mas o resultado das aplicação financeiras que a companhia tem, houve uma receita de R$150 milhões graças ao crescimento do CDI, que foram suficientes para cobrir o crescimento do custo da dívida – uma demonstração de controle financeiro.
O endividamento por sua vez teve um crescimento de 9,8% comparado ao 1T2021, saindo de uma alavancagem de 2,0x DL/EBITDA para 2,2x DL/EBITDA. Essa dívida está majoritariamente atrelada ao IPCA, sendo 70% composta desse índice, sendo que o custo médio ponderado é de 14,5%, bem abaixo do retorno que a companhia consegue com seus ativos. Em suma, o endividamento cresceu, mas segue num nível de alavancagem controlado e sem gerar destruição de valor.
No mais, sem grandes surpresas pro trimestre. A companhia investiu R$1 bilhão no período e deseja investir mais R$4 bilhões no ano, expandindo seu segmento de transmissão e substituindo sua geração “suja” de termelétricas pela geração limpa com parques eólicos e fotovoltaicos (o que é de grande valor, haja em vista a importância que essas fontes de geração de energia têm tomado nos últimos meses).
Pontuamos apenas a atenção do investidor sobre o endividamento, que no caso da Engie, está majoritariamente atrelado ao IPCA, mas mesmo em um cenário tão adverso como o atual, a empresa mostrou que esse endividamento vale a pena e tem gerado um retorno bem acima do custo da dívida.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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A princípio, um resultado preocupante: queda na receita – mas ao analisar os números percebe-se melhora do operacional, crescimento de margens e do lucro líquido.
O primeiro trimestre da Engie foi marcado por uma gigante rodada de investimentos, o que é de costume pela companhia. Foi investido mais de R$1 bilhão, com o início das operações em diversas linhas de transmissão (o que é excelente, dada a segurança do segmento), concluída a compra de alguns parques fotovoltaicos e a venda de algumas termelétricas, dando continuidade a reestruturação dada pela gestão nas linhas de serviço da companhia.
A receita líquida da Engie apresentou uma queda 5,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$3.2 para R$3.0 bilhões no período. A princípio preocupante, a queda é explicada por dois fatores: o reajuste de alguns contratos do seu segmento de transmissão de energia (que tem sido o foco da gestão a expansão nessa linha, participando cada vez mais dos leilões) e menor volume de trading de energia.
Apesar da queda da receita líquida, a Engie apresentou uma melhora de 8,8% no EBITDA e um crescimento de 22% no lucro líquido, explicado por dois fatores, principalmente: o aumento do preço médio de venda de energia (lembre-se quando sempre falamos que elétricas protegem contra a inflação, eis o exemplo – se a inflação sobe, o preço da energia seguirá, e invariavelmente os agentes econômicos tem que aceitar o preço, pois não há a opção de viver sem energia) que subiu 9,9% comparado ao trimestre passado (de R$205,13 para R$225,35 por MWh) e um controle responsável dos custos. Sendo assim, não se engane pela queda de receita – houve crescimento de todas as margens e linhas finais.
No resultado financeiro (ponto de atenção que sempre gostamos de lembrar o investidor ao analisar elétricas, visto que são mais alavancadas), ocorreu um “zero a zero”: houve um crescimento de R$117 milhões nas despesas financeiras, atingindo os R$974 milhões no trimestre, mas o resultado das aplicação financeiras que a companhia tem, houve uma receita de R$150 milhões graças ao crescimento do CDI, que foram suficientes para cobrir o crescimento do custo da dívida – uma demonstração de controle financeiro.
O endividamento por sua vez teve um crescimento de 9,8% comparado ao 1T2021, saindo de uma alavancagem de 2,0x DL/EBITDA para 2,2x DL/EBITDA. Essa dívida está majoritariamente atrelada ao IPCA, sendo 70% composta desse índice, sendo que o custo médio ponderado é de 14,5%, bem abaixo do retorno que a companhia consegue com seus ativos. Em suma, o endividamento cresceu, mas segue num nível de alavancagem controlado e sem gerar destruição de valor.
No mais, sem grandes surpresas pro trimestre. A companhia investiu R$1 bilhão no período e deseja investir mais R$4 bilhões no ano, expandindo seu segmento de transmissão e substituindo sua geração “suja” de termelétricas pela geração limpa com parques eólicos e fotovoltaicos (o que é de grande valor, haja em vista a importância que essas fontes de geração de energia têm tomado nos últimos meses).
Pontuamos apenas a atenção do investidor sobre o endividamento, que no caso da Engie, está majoritariamente atrelado ao IPCA, mas mesmo em um cenário tão adverso como o atual, a empresa mostrou que esse endividamento vale a pena e tem gerado um retorno bem acima do custo da dívida.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Sanepar (SAPR3/SAPR4/SAPR11) – 1T/2022
Sendo uma das estatais mais bem tocadas do país (talvez até mesmo a mais bem tocada), seus resultados continuam previsíveis como um relógio. E no bom sentido.
O primeiro trimestre de 2022 foi marcante para a Sanepar. Após mais de dois anos em vigor, o rodízio de água por conta dos reservatórios vazios foi encerrado logo no começo de janeiro (19/01/2022), propiciando um trimestre de entrega de entrega livre e normalizada, o que implica em maior uso de água e maior receita para a companhia.
A receita líquida da Sanepar cresceu 14,7% em comparação ao 1T21, atingindo os R$1.4 bilhões. Esse aumento de receita foi resultante não só da normalização da entrega de água com o fim do rodízio, mas também de um aumento de ligações de água (+73 mil) e aumento de ligações de esgoto (+67 mil). O volume medido de água subiu 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e é o primeiro trimestre em que o consumo cresce desde o começo do rodízio, ilustrando a volta à normalidade.
Não só a receita subiu: o ROE da companhia também teve uma melhora de 1,3bps (de 14% para 15,3%), a margem líquida subiu 0,6 bps (de 20,1% para 20,7%) e o lucro líquido cresceu substancialmente, em 18,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$246 milhões para R$292 milhões.
Em destaque negativo, vale mencionar que houve aumento do volume de água perdido, isso é, aquela água obtida fazendo “gato”, subindo de 210 para 220 litros por dia. A princípio, é natural, dado o fim do rodízio e o aumento de consumo proporcionado. O aumento de inadimplência também vale menção, subindo de 3,5% para 5,7%.
No lado dos custos, da para sintetizar com três linhas: aumento do gasto com pessoal de +9,6% (salários reajustados), materiais de +20,2% (aumento de preço de matérias-primas) e energia elétrica de +41,4% (bandeira de escassez hídrica e corte de 2% no subsidio do custeio de energia elétrica para a companhia). Esses aumentos resultaram num crescimento de 14,8% dos custos da companhia comparado ao 1T21, mas não preocupam, porque foram bem abaixo do crescimento das linhas de receita e os custos de pessoal e energia elétrica não devem acontecer novamente (energia elétrica, na realidade, tende a cair, visto que a bandeira verde voltou a ser praticada em abril). Essa análise mais apurada dos custos é algo que sempre destacamos nas aulas do INT, pois faz compreender melhor o que realmente tem prejudicado a companhia – uma leitura que é obrigatório saber fazer para aproveitar as oportunidades.
A dívida líquida da companhia cresceu 10,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas por conta da melhora do seu operacional, a alavancagem caiu, de 1,4x DL/EBITDA para 1,3x DL/EBITDA. Aqui vale destacar que a Sanepar possui em caixa dinheiro o suficiente para arcar com todas as dívidas dos próximos 5 anos, sendo a maior parte para ser paga de 2027 para frente. Além da alavancagem ser baixa, a dívida é bem alongada e extremamente saudável.
Como visto, a Sanepar tem uma estrutura financeira extremamente sólida. Apesar da resistência do investir com estatais, podemos afirmar que a Sanepar é uma das mais bem tocadas do país, e aos últimos anos tem mostrado isso, com melhora forte do operacional, controle de dívida perfeito e expansão com investimentos que tem dado certo.
O seu maior risco sempre é o regulatório, visto que é o Estado quem determina a tarifa de aumento dos custos dos seus serviços. Em momentos mais delicados, as tarifas não repassam todos os custos e as margens são atacadas, e isso incomoda grande parte dos investidores, também.
Esse ano terá novo reajuste tarifário, e caso ele seja condizente com a necessidade de manutenção das margens, junto da normalização de distribuição de água com o fim do rodízio, a companhia atingirá novos recordes de resultado, sem dúvidas.
Ademais, um trimestre bem forte, com crescimento e contratos longos de mais de 30 anos sustentando suas operações. É a companhia típica de atrai investidores de longo prazo pela excessiva segurança que ela proporciona.
Sendo uma das estatais mais bem tocadas do país (talvez até mesmo a mais bem tocada), seus resultados continuam previsíveis como um relógio. E no bom sentido.
O primeiro trimestre de 2022 foi marcante para a Sanepar. Após mais de dois anos em vigor, o rodízio de água por conta dos reservatórios vazios foi encerrado logo no começo de janeiro (19/01/2022), propiciando um trimestre de entrega de entrega livre e normalizada, o que implica em maior uso de água e maior receita para a companhia.
A receita líquida da Sanepar cresceu 14,7% em comparação ao 1T21, atingindo os R$1.4 bilhões. Esse aumento de receita foi resultante não só da normalização da entrega de água com o fim do rodízio, mas também de um aumento de ligações de água (+73 mil) e aumento de ligações de esgoto (+67 mil). O volume medido de água subiu 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e é o primeiro trimestre em que o consumo cresce desde o começo do rodízio, ilustrando a volta à normalidade.
Não só a receita subiu: o ROE da companhia também teve uma melhora de 1,3bps (de 14% para 15,3%), a margem líquida subiu 0,6 bps (de 20,1% para 20,7%) e o lucro líquido cresceu substancialmente, em 18,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$246 milhões para R$292 milhões.
Em destaque negativo, vale mencionar que houve aumento do volume de água perdido, isso é, aquela água obtida fazendo “gato”, subindo de 210 para 220 litros por dia. A princípio, é natural, dado o fim do rodízio e o aumento de consumo proporcionado. O aumento de inadimplência também vale menção, subindo de 3,5% para 5,7%.
No lado dos custos, da para sintetizar com três linhas: aumento do gasto com pessoal de +9,6% (salários reajustados), materiais de +20,2% (aumento de preço de matérias-primas) e energia elétrica de +41,4% (bandeira de escassez hídrica e corte de 2% no subsidio do custeio de energia elétrica para a companhia). Esses aumentos resultaram num crescimento de 14,8% dos custos da companhia comparado ao 1T21, mas não preocupam, porque foram bem abaixo do crescimento das linhas de receita e os custos de pessoal e energia elétrica não devem acontecer novamente (energia elétrica, na realidade, tende a cair, visto que a bandeira verde voltou a ser praticada em abril). Essa análise mais apurada dos custos é algo que sempre destacamos nas aulas do INT, pois faz compreender melhor o que realmente tem prejudicado a companhia – uma leitura que é obrigatório saber fazer para aproveitar as oportunidades.
A dívida líquida da companhia cresceu 10,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas por conta da melhora do seu operacional, a alavancagem caiu, de 1,4x DL/EBITDA para 1,3x DL/EBITDA. Aqui vale destacar que a Sanepar possui em caixa dinheiro o suficiente para arcar com todas as dívidas dos próximos 5 anos, sendo a maior parte para ser paga de 2027 para frente. Além da alavancagem ser baixa, a dívida é bem alongada e extremamente saudável.
Como visto, a Sanepar tem uma estrutura financeira extremamente sólida. Apesar da resistência do investir com estatais, podemos afirmar que a Sanepar é uma das mais bem tocadas do país, e aos últimos anos tem mostrado isso, com melhora forte do operacional, controle de dívida perfeito e expansão com investimentos que tem dado certo.
O seu maior risco sempre é o regulatório, visto que é o Estado quem determina a tarifa de aumento dos custos dos seus serviços. Em momentos mais delicados, as tarifas não repassam todos os custos e as margens são atacadas, e isso incomoda grande parte dos investidores, também.
Esse ano terá novo reajuste tarifário, e caso ele seja condizente com a necessidade de manutenção das margens, junto da normalização de distribuição de água com o fim do rodízio, a companhia atingirá novos recordes de resultado, sem dúvidas.
Ademais, um trimestre bem forte, com crescimento e contratos longos de mais de 30 anos sustentando suas operações. É a companhia típica de atrai investidores de longo prazo pela excessiva segurança que ela proporciona.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Lojas Renner ($LREN3) – 1T/2022
Com um dos resultados mais surpreendentes dos balanços que lemos até o momento, a Lojas Renner entregou aumento de receitas, digital e melhora de margens mesmo com a conjuntura desafiadora que o cenário macroeconômico tem proporcionado. Buscando uma comparação mais justa e limpa, iremos comparar alguns indicadores com o primeiro trimestre de 2019, visto que no primeiro trimestre de 2020 e 2021 os shoppings ficaram fechados por conta de medidas de isolamento em busca da contenção da pandemia.
O primeiro trimestre de 2022 foi ótimo para a Renner. A companhia registrou uma receita líquida de R$2.2 bilhões no período, 35% acima do 1T19, ultrapassando os números pré pandemia. Segundo a própria gestão, o desempenho das vendas foi superior ao índice PMC do vestuário, medido pelo IBGE, representando o nível de vendas do segmento – ou seja, a Renner vendeu mais do que suas concorrentes, reforçando o poder da sua marca.
A penetração digital também merece destaque: 15,1% da receita do período veio dos canais digitais, enquanto no 1T19 representava apenas 3,9%. A companhia nos últimos 2 anos tem investido muito em sua digitalização, inclusive o maior centro de distribuição do Brasil é dela, que atualmente pertence ao KNRI11. Contra o 1T21, houve queda de 2,7bps em termos de penetração digital, explicada pela volta do funcionamento das lojas físicas, o que é completamente plausível. No mais, esse ponto vale destaque pois a digitalização da Renner antes da pandemia era um verdadeiro problema – a companhia sempre teve um e-commerce muito fraco, mas a evolução nos últimos 2 anos tem sido evidente.
Indo um pouco a frente: a maior surpresa positiva do relatório, que provavelmente tem sido o que mais agradou o mercado – a melhora da margem bruta da companhia. Mesmo com a alta da inflação nos principais consumos que a companhia utiliza e um custo violento de aumento no segmento logístico, a Renner conseguiu expandir sua margem bruta, voltando ao mesmo patamar de 2019, mostrando um pricing power inesperado em um espaço de tempo tão curto.
Segundo a companhia, a utilização de uso de dados e inteligência artificial fez com que ela aperfeiçoasse o abastecimento das lojas e a remarcação de preço dos produtos.
Nas despesas operacionais, outra surpresa positiva: apesar do aumento de 24% em relação ao mesmo trimestre de 2021, as despesas representaram apenas 41% da receita operacional líquida, retornando também a um nível de eficiência próximo ao que possuía em 2019, época pré pandemia.
O EBITDA atingiu R$298 milhões, contra R$317 milhões no mesmo trimestre de 2019 Apesar da queda, o número vem se recuperando, sendo foi de R$197 milhões no 1T20 e -R$37 milhões no 1T21. O acompanhamento dessa recuperação é de extrema importância.
Outro ponto de atenção é o cartão próprio da companhia: houve crescimento de 1,1bps de inadimplência, um patamar ainda saudável, mas que não deve ser negligenciado. Segundo a companhia, faz parte da estratégia tornar o crédito mais amplo para potencializar as vendas, mas isso não exime o investidor de analisar o indicador com cautela.
Todos esses números resultaram num lucro da companhia de R$191 milhões no trimestre, contra R$156 milhões no 1T19, ou seja, um lucro acima do último trimestre pré pandemia.
A recuperação da companhia no trimestre surpreendeu pois foi acima de qualquer estimativa do mercado, por mais positiva que fosse. Quem está há mais tempo aqui no grupo do Telegram, deve se lembrar que postamos uma tabela de aumento de vendas do varejo vestuário em shoppings no 1T22, e cá está o resultado, mostrando que algumas métricas relacionadas servem muito bem para desenhar o resultado das companhias.
Apesar da pressão do cenário econômico com uma inflação pujante e uma possível pressão dos aplicativos de venda de roupas que tem tomado popularidade, a Renner segue sendo um player forte do setor, e o trimestre foi ótimo.
Com um dos resultados mais surpreendentes dos balanços que lemos até o momento, a Lojas Renner entregou aumento de receitas, digital e melhora de margens mesmo com a conjuntura desafiadora que o cenário macroeconômico tem proporcionado. Buscando uma comparação mais justa e limpa, iremos comparar alguns indicadores com o primeiro trimestre de 2019, visto que no primeiro trimestre de 2020 e 2021 os shoppings ficaram fechados por conta de medidas de isolamento em busca da contenção da pandemia.
O primeiro trimestre de 2022 foi ótimo para a Renner. A companhia registrou uma receita líquida de R$2.2 bilhões no período, 35% acima do 1T19, ultrapassando os números pré pandemia. Segundo a própria gestão, o desempenho das vendas foi superior ao índice PMC do vestuário, medido pelo IBGE, representando o nível de vendas do segmento – ou seja, a Renner vendeu mais do que suas concorrentes, reforçando o poder da sua marca.
A penetração digital também merece destaque: 15,1% da receita do período veio dos canais digitais, enquanto no 1T19 representava apenas 3,9%. A companhia nos últimos 2 anos tem investido muito em sua digitalização, inclusive o maior centro de distribuição do Brasil é dela, que atualmente pertence ao KNRI11. Contra o 1T21, houve queda de 2,7bps em termos de penetração digital, explicada pela volta do funcionamento das lojas físicas, o que é completamente plausível. No mais, esse ponto vale destaque pois a digitalização da Renner antes da pandemia era um verdadeiro problema – a companhia sempre teve um e-commerce muito fraco, mas a evolução nos últimos 2 anos tem sido evidente.
Indo um pouco a frente: a maior surpresa positiva do relatório, que provavelmente tem sido o que mais agradou o mercado – a melhora da margem bruta da companhia. Mesmo com a alta da inflação nos principais consumos que a companhia utiliza e um custo violento de aumento no segmento logístico, a Renner conseguiu expandir sua margem bruta, voltando ao mesmo patamar de 2019, mostrando um pricing power inesperado em um espaço de tempo tão curto.
Segundo a companhia, a utilização de uso de dados e inteligência artificial fez com que ela aperfeiçoasse o abastecimento das lojas e a remarcação de preço dos produtos.
Nas despesas operacionais, outra surpresa positiva: apesar do aumento de 24% em relação ao mesmo trimestre de 2021, as despesas representaram apenas 41% da receita operacional líquida, retornando também a um nível de eficiência próximo ao que possuía em 2019, época pré pandemia.
O EBITDA atingiu R$298 milhões, contra R$317 milhões no mesmo trimestre de 2019 Apesar da queda, o número vem se recuperando, sendo foi de R$197 milhões no 1T20 e -R$37 milhões no 1T21. O acompanhamento dessa recuperação é de extrema importância.
Outro ponto de atenção é o cartão próprio da companhia: houve crescimento de 1,1bps de inadimplência, um patamar ainda saudável, mas que não deve ser negligenciado. Segundo a companhia, faz parte da estratégia tornar o crédito mais amplo para potencializar as vendas, mas isso não exime o investidor de analisar o indicador com cautela.
Todos esses números resultaram num lucro da companhia de R$191 milhões no trimestre, contra R$156 milhões no 1T19, ou seja, um lucro acima do último trimestre pré pandemia.
A recuperação da companhia no trimestre surpreendeu pois foi acima de qualquer estimativa do mercado, por mais positiva que fosse. Quem está há mais tempo aqui no grupo do Telegram, deve se lembrar que postamos uma tabela de aumento de vendas do varejo vestuário em shoppings no 1T22, e cá está o resultado, mostrando que algumas métricas relacionadas servem muito bem para desenhar o resultado das companhias.
Apesar da pressão do cenário econômico com uma inflação pujante e uma possível pressão dos aplicativos de venda de roupas que tem tomado popularidade, a Renner segue sendo um player forte do setor, e o trimestre foi ótimo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Porto ($PSSA3) – 1T/2022
Um trimestre marcado pela mudança de sua identidade visual, a iniciativa de uma mudança para se expandir em mais mercado, e um resultado fraco – mas compreensível, com uma queda de lucro de 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Aos que ainda não sabem, neste trimestre a Porto passou por uma transformação. Passando a se chamar Porto (antes chamada de Porto Seguro), a companhia se tornou uma holding divida em três segmentos de marcas próprias: Porto Seguros, Porto Saúde e Porto Seguro Bank. Nós vemos essa mudança com bons olhos tanto por fator de organização quanto de facilidade de crescimento, visto que os números nos releases ficam mais claros e o direcionamento que a companhia pode das as suas verticais se torna menos “dependente” de outros segmentos envolvidos.
Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, a Porto teve um crescimento de 23% na sua receita total, indicando aumento de prêmio de todas as suas verticais. Na parte das despesas administrativas, houve uma melhora, com queda de 2,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, fazendo com que a porto tivesse uma melhora no indicador de eficiência operacional de 15,5% para 13,1% - em termos simples, esse indicador significa quanto as despesas administrativas consomem da receita, ou seja, quanto menor, melhor.
Apesar do forte crescimento da receita, a Porto entregou um lucro 40% menor, caindo de R$295 milhões para R$175 milhões. E a explicação vem logo justificada pelo segmento de seguro de veículos da companhia.
No trimestre, a sinistralidade do segmento de automóveis explodiu, subindo de 50% no 1T21 para 65,3% no 1T22, tendo uma razão bem simples, que nós já havíamos dito que poderia ocorrer quando analisamos o 4T21 por aqui: o aumento do preço das peças de carros.
A mesma inflação de veículos que nos atinge tornando a compra de carros mais caros, atinge com força ainda maior a porto. Lembre-se: o segundo trabalha com um contrato “defasado”, digamos, enquanto o preço das peças de carros e dos carros em si mudou violentamente entre o 1T21 e o 1T22. Isso significa que a Porto tem uma perda de margem forte, porque enquanto ela tem que aceitar o preço contratado nas apólices, o preço praticado no mercado já é outro. Como se trata de um contrato, não há nada que a companhia possa fazer. Foi a maior sinistralidade para o segmento de seguros veiculares da década, e por incrível que pareça, a Porto foi a que menos sofreu, com uma sinistralidade para 65%, enquanto a média do mercado foi de 75%. Ou seja, é um problema estrutural, e não da companhia em si.
A forma que a companhia vai lidar com isso é bem simples: as próximas apólices de seguros serão bem mais caras e as margens serão retomadas. Com isso, nós esperamos que já pro meio do 2T22 a melhora da margem da Porto comece a ficar mais clara e sua lucratividade volte a aumentar. Mesmo com esse problema no segmento de autos e a restrição de venda de carros no mercado, a companhia conseguiu expandir a frota de segurados em 200 mil carros comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em resumo, poderíamos terminar a análise por aqui mesmo, pois é praticamente esse ponto negativo que justifica queda da lucratividade da companhia no trimestre e que fez com que o índice combinado disparasse e atingisse 99,5% (contra 91% no mesmo trimestre do ano passado, sendo que 100% significa que o operacional da companhia não gera lucro). É interessante abrir o release e ver que essa deterioração do índice combinado tem ocorrido trimestre a trimestre, ilustrando justamente a volta da normalidade da economia com o aumento de preço dos carros (maior circulação, mais acidentes e mais sinistros com preços maiores).
Enfim, explicado o ponto mais importante, passaremos brevemente pelos próximos pontos para não tornar a análise tão extensa.
Um trimestre marcado pela mudança de sua identidade visual, a iniciativa de uma mudança para se expandir em mais mercado, e um resultado fraco – mas compreensível, com uma queda de lucro de 40% comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Aos que ainda não sabem, neste trimestre a Porto passou por uma transformação. Passando a se chamar Porto (antes chamada de Porto Seguro), a companhia se tornou uma holding divida em três segmentos de marcas próprias: Porto Seguros, Porto Saúde e Porto Seguro Bank. Nós vemos essa mudança com bons olhos tanto por fator de organização quanto de facilidade de crescimento, visto que os números nos releases ficam mais claros e o direcionamento que a companhia pode das as suas verticais se torna menos “dependente” de outros segmentos envolvidos.
Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, a Porto teve um crescimento de 23% na sua receita total, indicando aumento de prêmio de todas as suas verticais. Na parte das despesas administrativas, houve uma melhora, com queda de 2,9% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, fazendo com que a porto tivesse uma melhora no indicador de eficiência operacional de 15,5% para 13,1% - em termos simples, esse indicador significa quanto as despesas administrativas consomem da receita, ou seja, quanto menor, melhor.
Apesar do forte crescimento da receita, a Porto entregou um lucro 40% menor, caindo de R$295 milhões para R$175 milhões. E a explicação vem logo justificada pelo segmento de seguro de veículos da companhia.
No trimestre, a sinistralidade do segmento de automóveis explodiu, subindo de 50% no 1T21 para 65,3% no 1T22, tendo uma razão bem simples, que nós já havíamos dito que poderia ocorrer quando analisamos o 4T21 por aqui: o aumento do preço das peças de carros.
A mesma inflação de veículos que nos atinge tornando a compra de carros mais caros, atinge com força ainda maior a porto. Lembre-se: o segundo trabalha com um contrato “defasado”, digamos, enquanto o preço das peças de carros e dos carros em si mudou violentamente entre o 1T21 e o 1T22. Isso significa que a Porto tem uma perda de margem forte, porque enquanto ela tem que aceitar o preço contratado nas apólices, o preço praticado no mercado já é outro. Como se trata de um contrato, não há nada que a companhia possa fazer. Foi a maior sinistralidade para o segmento de seguros veiculares da década, e por incrível que pareça, a Porto foi a que menos sofreu, com uma sinistralidade para 65%, enquanto a média do mercado foi de 75%. Ou seja, é um problema estrutural, e não da companhia em si.
A forma que a companhia vai lidar com isso é bem simples: as próximas apólices de seguros serão bem mais caras e as margens serão retomadas. Com isso, nós esperamos que já pro meio do 2T22 a melhora da margem da Porto comece a ficar mais clara e sua lucratividade volte a aumentar. Mesmo com esse problema no segmento de autos e a restrição de venda de carros no mercado, a companhia conseguiu expandir a frota de segurados em 200 mil carros comparado ao mesmo trimestre do ano passado.
Em resumo, poderíamos terminar a análise por aqui mesmo, pois é praticamente esse ponto negativo que justifica queda da lucratividade da companhia no trimestre e que fez com que o índice combinado disparasse e atingisse 99,5% (contra 91% no mesmo trimestre do ano passado, sendo que 100% significa que o operacional da companhia não gera lucro). É interessante abrir o release e ver que essa deterioração do índice combinado tem ocorrido trimestre a trimestre, ilustrando justamente a volta da normalidade da economia com o aumento de preço dos carros (maior circulação, mais acidentes e mais sinistros com preços maiores).
Enfim, explicado o ponto mais importante, passaremos brevemente pelos próximos pontos para não tornar a análise tão extensa.
Como dito, o segmento de seguro de automóvel teve crescimento, mas a sinistralidade pressionou a margem, o segmento de seguro patrimonial teve crescimento e seguiu estável, o segmento de seguro de vida teve crescimento e queda forte na sinistralidade, o que é excelente, visto que esse foi impactado com força pela pandemia e o segmento de previdência manteve-se estável.
No segmento de saúde (lembrando que agora a Porto são três verticais), o desempenho foi ótimo. Houve crescimento forte nos beneficiários de plano de saúde (+95 mil segurados) com estabilidade da sinistralidade (o que é positivo, considerando o cenário de pandemia), o segmento de odonto seguiu estável, com uma queda de 1300 beneficiários, e no consolidado houve crescimento de 37% na receita e 24,5% no lucro. Em suma, o segmento de saúde desempenhou muito bem.
No terceiro e último segmento, o Porto Seguro Bank, alguns números merecem menção, também. A receita do braço financeiro da companhia cresceu em 30%, explicado principalmente pelo aumento de cartões de créditos emitidos e da expansão de carteira de crédito, que atingiu R$13.5 bilhões (contra R$10.3 bilhões no mesmo trimestre do ano passado). O ponto de atenção aqui fica sobre a inadimplência: houve aumento de 4% para 6,2% nas operações de crédito da companhia. Até certo ponto, é compreensível, visto que esse movimento tem sido conjuntural (todos os bancos que reportaram resultados até agora tiveram crescimento de inadimplência pela deterioração do cenário macro com o aumento de juros), mas isso não exime o investidor de questionar o número. A Porto tem qualidade de gestão do Itaú, mas essa inadimplência não deve ser aceita em níveis tão altos. A gestão alega que é proposital por estratégia de crescimento, mas segue a atenção.
Para finalizar, o resultado financeiro teve piora por um simples motivo: títulos indexados a inflação. A marcação na curva faz com que alguns títulos desvalorizem, mas isso não gera efeito caixa, e o resultado não deve repetir, visto que dificilmente as taxas longas piores acima do que já piorou.
Em resumo, é isso. O resultado da Porto veio péssimo, mas na nossa visão, já era esperado. Desde o 4T21 a gestão e o cenário econômico apontam para isso. O principal segmento que a Porto atua é no de veículos, sendo que dos R$5.8 bi de receita, quase R$4 bi vem de lá. Enquanto a companhia não repassar 100% da inflação de peças para as apólices de seguros e os contratos todos forem renovados, as margens serão pressionadas. É um problema pontual. E ela vai repassar os preços, então prepare-se para uma alta no seguro do seu carro ou no custo do seu veículo por assinatura. Esperamos melhora das margens assim que todos os contratos forem reciclados e um aumento significativo da lucratividade com a expansão que ela está realizando. Tempos de inflação, problemas pontuais.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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No segmento de saúde (lembrando que agora a Porto são três verticais), o desempenho foi ótimo. Houve crescimento forte nos beneficiários de plano de saúde (+95 mil segurados) com estabilidade da sinistralidade (o que é positivo, considerando o cenário de pandemia), o segmento de odonto seguiu estável, com uma queda de 1300 beneficiários, e no consolidado houve crescimento de 37% na receita e 24,5% no lucro. Em suma, o segmento de saúde desempenhou muito bem.
No terceiro e último segmento, o Porto Seguro Bank, alguns números merecem menção, também. A receita do braço financeiro da companhia cresceu em 30%, explicado principalmente pelo aumento de cartões de créditos emitidos e da expansão de carteira de crédito, que atingiu R$13.5 bilhões (contra R$10.3 bilhões no mesmo trimestre do ano passado). O ponto de atenção aqui fica sobre a inadimplência: houve aumento de 4% para 6,2% nas operações de crédito da companhia. Até certo ponto, é compreensível, visto que esse movimento tem sido conjuntural (todos os bancos que reportaram resultados até agora tiveram crescimento de inadimplência pela deterioração do cenário macro com o aumento de juros), mas isso não exime o investidor de questionar o número. A Porto tem qualidade de gestão do Itaú, mas essa inadimplência não deve ser aceita em níveis tão altos. A gestão alega que é proposital por estratégia de crescimento, mas segue a atenção.
Para finalizar, o resultado financeiro teve piora por um simples motivo: títulos indexados a inflação. A marcação na curva faz com que alguns títulos desvalorizem, mas isso não gera efeito caixa, e o resultado não deve repetir, visto que dificilmente as taxas longas piores acima do que já piorou.
Em resumo, é isso. O resultado da Porto veio péssimo, mas na nossa visão, já era esperado. Desde o 4T21 a gestão e o cenário econômico apontam para isso. O principal segmento que a Porto atua é no de veículos, sendo que dos R$5.8 bi de receita, quase R$4 bi vem de lá. Enquanto a companhia não repassar 100% da inflação de peças para as apólices de seguros e os contratos todos forem renovados, as margens serão pressionadas. É um problema pontual. E ela vai repassar os preços, então prepare-se para uma alta no seguro do seu carro ou no custo do seu veículo por assinatura. Esperamos melhora das margens assim que todos os contratos forem reciclados e um aumento significativo da lucratividade com a expansão que ela está realizando. Tempos de inflação, problemas pontuais.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 1T/2022
Aquisições, forte expansão e recomposição de margens.
A Fleury está mudando. De uma pequena companhia do segmento de medicina diagnóstica do país, a gestão decidiu acompanhar a onda de mudanças que está ocorrendo no setor de saúde brasileiro e desde 2018 começou a realizar uma série de aquisições para penetrar em novos mercados. Até o momento foram 14 aquisições, algumas pequenas, outras gigantes (como é o caso do laboratório Marcelo Magalhães no mês de maio desse ano por R$385 milhões), e tudo isso tem alterado a estrutura da companhia por completo.
A razão de estarmos dizendo isso, é simples: não é suficiente olhar para a Fleury com os mesmos olhos que olhávamos há 2 anos. Setores mudam, as preferências dos consumidores mudam, e empresas também. Sendo assim – entenda que a Fleury de hoje é completamente diferente da Fleury que existia há 3 anos, e a mudança está apenas começando.
No 1T22 a Fleury atingiu um recorde histórico de receita, com um valor de R$1.2 bilhão. Essa receita é 21,7% maior do que a receita auferida no mesmo trimestre do ano passado. A princípio, esse aumento forte é resultado das aquisições feitas pela companhia, mas desconsiderando todas elas, também houve crescimento: 12% contra o mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, houve crescimento forte do atendimento móvel da companhia (+27,6% contra o 1T21) e é importante destacar o ponto sobre a receita que a companhia gera com exames de Covid-19: no 2T20, 17,3% da receita da Fleury foi gerada com exames de Covid-19, no 1T22, apenas 6% da receita veio disso. Desconsiderando esse fator, o crescimento da receita da Fleury seria de 26,3%, visto que nos trimestres passados a companhia ganhou muito dinheiro com esses exames e tornou a base de comparação mais forte artificialmente.
Em termos de crescimento de marcas, todas cresceram, e aqui vale lembrar que são métricas orgânicas. A marca principal da companhia (Fleury) cresceu 18,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo uma participação de mercado de 51,6% (crescendo dos 46,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado).
Um dos pontos mais importantes a serem tratados ao ler o resultado da Fleury: suas margens.
Aquisições geram um aumento excelente de receita, mas em contrapartida, tendem a espremer as margens da companhia. A razão é simples: leva um tempo até que as empresas adquiridas atinjam a maturação e alguns gastos “extraordinários” ocorrem nesse processo. Pense que você está comprando outra empresa, e nela alguns setores podem ser despedidos, afinal, você não precisa de 2 setores iguais numa só companhia, por exemplo. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de treinamento, burocracia e afins para quem essa sinergia seja realizada. Logo, as margens no curto prazo sofrem. É normal – e isso não significa que o investidor pode negligenciar, obviamente.
A margem bruta da Fleury caiu de 32,1% para 29,8% comparando trimestre com trimestre. A principal razão disso foi o aumento de gastos com pessoal (efeito de incorporação das companhias adquiridas) e de gastos com materiais (efeito da inflação encarecendo produtos, que, como sempre falamos aqui, leva um tempo até que os preços sejam completamente repassados aos consumidores).
Em empresas que realizam muitas aquisições, é importante também analisar o resultado financeiro – ainda mais quando essas aquisições são feitas com alavancagem, como no caso da Fleury.
A companhia dobrou seu gasto com dívida comparado com o mesmo trimestre do ano passado, de R$30 milhões para R$60 milhões. A razão é o aumento do CDI no período. Apesar do crescimento do gasto, o endividamento segue extremamente saudável, com uma alavancagem pequena de 1,3x DL/EBITDA e uma dívida bem alongada.
Aquisições, forte expansão e recomposição de margens.
A Fleury está mudando. De uma pequena companhia do segmento de medicina diagnóstica do país, a gestão decidiu acompanhar a onda de mudanças que está ocorrendo no setor de saúde brasileiro e desde 2018 começou a realizar uma série de aquisições para penetrar em novos mercados. Até o momento foram 14 aquisições, algumas pequenas, outras gigantes (como é o caso do laboratório Marcelo Magalhães no mês de maio desse ano por R$385 milhões), e tudo isso tem alterado a estrutura da companhia por completo.
A razão de estarmos dizendo isso, é simples: não é suficiente olhar para a Fleury com os mesmos olhos que olhávamos há 2 anos. Setores mudam, as preferências dos consumidores mudam, e empresas também. Sendo assim – entenda que a Fleury de hoje é completamente diferente da Fleury que existia há 3 anos, e a mudança está apenas começando.
No 1T22 a Fleury atingiu um recorde histórico de receita, com um valor de R$1.2 bilhão. Essa receita é 21,7% maior do que a receita auferida no mesmo trimestre do ano passado. A princípio, esse aumento forte é resultado das aquisições feitas pela companhia, mas desconsiderando todas elas, também houve crescimento: 12% contra o mesmo trimestre do ano passado.
Indo um pouco além, houve crescimento forte do atendimento móvel da companhia (+27,6% contra o 1T21) e é importante destacar o ponto sobre a receita que a companhia gera com exames de Covid-19: no 2T20, 17,3% da receita da Fleury foi gerada com exames de Covid-19, no 1T22, apenas 6% da receita veio disso. Desconsiderando esse fator, o crescimento da receita da Fleury seria de 26,3%, visto que nos trimestres passados a companhia ganhou muito dinheiro com esses exames e tornou a base de comparação mais forte artificialmente.
Em termos de crescimento de marcas, todas cresceram, e aqui vale lembrar que são métricas orgânicas. A marca principal da companhia (Fleury) cresceu 18,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo uma participação de mercado de 51,6% (crescendo dos 46,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado).
Um dos pontos mais importantes a serem tratados ao ler o resultado da Fleury: suas margens.
Aquisições geram um aumento excelente de receita, mas em contrapartida, tendem a espremer as margens da companhia. A razão é simples: leva um tempo até que as empresas adquiridas atinjam a maturação e alguns gastos “extraordinários” ocorrem nesse processo. Pense que você está comprando outra empresa, e nela alguns setores podem ser despedidos, afinal, você não precisa de 2 setores iguais numa só companhia, por exemplo. Ao mesmo tempo, existe a necessidade de treinamento, burocracia e afins para quem essa sinergia seja realizada. Logo, as margens no curto prazo sofrem. É normal – e isso não significa que o investidor pode negligenciar, obviamente.
A margem bruta da Fleury caiu de 32,1% para 29,8% comparando trimestre com trimestre. A principal razão disso foi o aumento de gastos com pessoal (efeito de incorporação das companhias adquiridas) e de gastos com materiais (efeito da inflação encarecendo produtos, que, como sempre falamos aqui, leva um tempo até que os preços sejam completamente repassados aos consumidores).
Em empresas que realizam muitas aquisições, é importante também analisar o resultado financeiro – ainda mais quando essas aquisições são feitas com alavancagem, como no caso da Fleury.
A companhia dobrou seu gasto com dívida comparado com o mesmo trimestre do ano passado, de R$30 milhões para R$60 milhões. A razão é o aumento do CDI no período. Apesar do crescimento do gasto, o endividamento segue extremamente saudável, com uma alavancagem pequena de 1,3x DL/EBITDA e uma dívida bem alongada.
Tanto a redução da margem bruta quanto o aumento das despesas financeiras fizeram com que a margem líquida fosse de 10% no trimestre, enquanto no mesmo trimestre do ano passado a margem foi de 13%. Aqui vale mencionar algo importante: por mais que tenha caído a margem comparado ao 1T21, ela voltou a subir comparado ao 4T21, o que aponta uma melhora de recomposição das margens e a continuidade do repasse de preços. Concluindo, essa margem mais espremida fez com que o lucro líquido tivesse uma ligeira queda de R$118 milhões para R$110 milhões comparando os mesmos trimestres de cada ano.
Como sempre falamos: análise de lucro, é análise fraca. Com o grande boom dos novos influencers do meio da educação financeira, análises rápidas que dão atenção demais à linha de lucro e atenção de menos aos fundamentos da companhia como um todo tem se tornado quase que uma epidemia.
A Fleury está passando por uma mudança estrutural de aquisições e expansão de seus negócios, e esse trimestre apontou algumas evidências de que a estratégia está dando certo.
Não espere lucro explosivo nem margens maravilhosas enquanto a maturação do negócio não ocorrer. Nós gostamos do resultado pois o operacional tem melhorado além do inorgânico, com crescimento das marcas premium (como a própria Fleury) e das aquisições feitas, mas nas análises da companhia, mantenha a atenção nas margens, na alavancagem e veja se o crescimento está fazendo jus ao custo que está sendo pago.
No mais, acreditamos que toda essa pressão nas margens da companhia devido as aquisições feitas já estão mais do que precificadas nas ações.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma e comunidade – são mais de 200h de aulas, textos, relatórios, debates e muito mais!
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