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Retirado do relatório do 1T22 da Multiplan divulgado há pouco.

Os indicadores da empresa mostram que a venda no segmento de vestuário segue forte em seus shoppings, com crescimento expressivo não só em comparação aos números de 2021 (+85%), mas também em comparação aos números de 2019 (+25%), ano que não houve nenhum impacto de fechamento de shoppings e eles funcionaram normalmente.
É um ótimo sinal para companhias do setor vestuário, em especial as que trabalham principalmente em shoppings, vide Lojas Renner, Guararapes e C&A.
Opinião e análise breve – Grendene ($GRND3) – 1T/2022

Mais um trimestre se iniciando, e mais um período de resultados fracos da Grendene.

Citar a inflação nas análises virou algo recorrente. Em tempos de alta inflacionária e um orçamento cada vez menor das famílias, se torna necessário ressaltar como a inflação desempenha um tremendo vilão no resultado de algumas companhias mais sensíveis à renda das pessoas. E é o caso da Grendene.

No primeiro trimestre de 2022, com o mercado fragilizado pela alta inflação do período e uma parte cada vez menor do orçamento das famílias para o consumo de bens supérfluos, a Grendene vendeu apenas 28.6 milhões de pares de sapatos, sendo que esse número é o mesmo de 2018, e bem abaixo dos 35.4 milhões vendidos em 2021. Para ser justo, aqui vale pontuar um fato: desses 35.4 milhões vendidos no primeiro trimestre de 2021, 5 milhões foram não recorrentes por conta de atraso logístico da pandemia. Logo, a queda de fato seria de 30.4 milhões de pares para 28.6 milhões de pares – é um impacto menor, mas não deixa de ser algo ruim.

Desta queda, a maior parte foi no mercado interno, com uma redução de 30,4% de vendas comparado ao mesmo trimestre do ano passado (de 27.3 milhões de pares para 18.9 milhões de pares), enquanto o destaque positivo vai para o setor externo, com um crescimento de 8.1 milhões de pares para 9.7 milhões de pares vendidos.

Segundo a gestão, a partir do meio de março foi percebida uma melhora das vendas com um crescimento significativo no varejo, o que pode ser uma sinalização positiva para o 2T22.

Essa queda de venda de pares fez com que a receita da companhia mantivesse a estabilidade comparado ao mesmo período do ano passado, com uma ligeira queda de 1% (de R$523 milhões para R$518 milhões), sendo que o aumento de receita por par subiu de R$18,22 para R$22,05, compensado por uma melhora do mix dos produtos vendidos e um aumento de preço dos produtos no período. Ou seja, percebe-se que mesmo com a queda significativa na quantidade de pares, a receita operacional foi mantida graças ao poder de repasse de preço, um aspecto positivo da companhia.

Na parte de custos, a inflação da sua real cara, mostrando como tem sido uma pedra no sapato das companhias do varejo.

O custo médio por par da companhia subiu de R$8,12 para R$11,24 em comparação ao mesmo trimestre do ano passado (um aumento violento de 38,4%), sendo que a maior parte do aumento foi do lado da matéria-prima, embora todos os custos tenham subido. Esse aumento de custos resultou numa queda do lucro bruto de 17%. Margens sendo comprimidas em tempos de alta inflacionária, algo visto com frequência nos últimos balanços.

Ainda sobre custos, a gestão mencionou uma queda principalmente pelo preço da resina, que somada à queda do dólar, pode resultar em melhora de margens no próximo trimestre.

O resultado financeiro é algo obrigatório na análise da Grendene, e o motivo é simples: a companhia tem uma quantidade cavalar em caixa. Quase R$2 bilhões. Essa sempre foi uma característica importante da companhia (e ela não se desfaz do caixa por fatores legais, visto que é uma de suas condições para ter as isenções fiscais) porque gera um lucro alto, principalmente em tempos que a SELIC está elevada.

No período a Grendene gerou R$88.8 milhões em resultado financeiro líquido, sendo que R$42 milhões vieram da renda fixa e R$51 milhões vieram da renda variável. O líquido, como citado foi de R$88.8 milhões e representou uma alta de 108% numa comparação entre os mesmos períodos.

Seu lucro, por sua vez, foi de R$125 milhões, com uma queda de 3% em comparação ao mesmo período, e como já dito, o resultado financeiro foi o principal fator que salvou, o lucro, por assim dizer.

Em resumo, o resultado da Grendene não foi bom.

A companhia possui excelente fundamentos: zero dívida, um caixa gigante, marcas relativamente fortes, décadas de mercado entre outros pontos, mas alguns problemas tem incomodado.
Sua receita não sai do lugar há alguns anos (e, sendo justo, parte disso é por conta da sucessão de crises que o Brasil tem passado, sendo o seu setor de atuação extremamente sensível), a quantidade de pares vendidos também estagnou, a companhia não tem demonstrado muito movimento para crescer no e-commerce (hoje apenas 3,7% da receita da companhia vem de suas operações digitais – a Renner passou por algo semelhante mas nos últimos 2 anos realizou uma verdadeira revolução em seu business, saindo dos quase 0% de venda no digital para quase 17%) e a companhia possui limitação de uso de caixa por conta das isenções fiscais.

Seu caixa é seu grande salvador em meio aos períodos de turbulência no mercado, e isso é ótimo – como visto, R$90 milhões de resultado financeiro salvaram as linhas finais do balanço, mas em relação a isso, o investidor também deve questionar: “até que ponto uma companhia que vende sapatos deve gerar tanto resultado com seu caixa?”.

Por conta de suas isenções fiscais, seu caixa possui algumas limitações em relação ao uso, um plano de aquisições se torna algo um pouco mais complexo do que parece.

No mais, a atenção sobre a companhia vale ser ressaltada. Isso não é uma chamada referente a perda de fundamentos ou algo do tipo, pelo contrário, seus números são redondos, mas em uma reversão de cenário macroeconômico que beneficie os setores de consumo cíclico, é importante que o investidor que tenha ações da Grendene monitore principalmente os pontos que citamos aqui: número de pares vendidos, margens e crescimento no e-commerce. É praticamente impossível que a companhia desempenhe bem em um cenário tão adverso, mas é de suma importância que esse monitoramento exista – análise vai bem além da simples visualização da linha de lucro.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Vezes comparada com a Raia Drogasil, a Pague Menos possui outro “foco”, por assim dizer.

Seu resultado do primeiro trimestre de 2022 pode ser definido como “expansão”, e não em vão, o lucro veio mais baixo. Com o plano de expansão, riscos aparecem, e é quanto a isso que o investidor deve estar atento.

Enquanto a Raia Drogasil possui um foco no sudeste do país com um público alvo mais centrado na classe B+, a Pague Menos opera majoritariamente no Norte e Nordeste com a classe B-, ou seja, em termos de comparação, é sempre bom lembrar dessa diferença entre ambas (e isso não exclui o fato de que ambas buscam atacar as regiões de cada uma por um ganho de mercado). Vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022 a companhia seguiu com o seu plano de expansão, com a abertura de 10 novas farmácias no país, resultando num crescimento de 10,5% na receita. Como mencionado, o foco da Pague Menos é no Norte e Nordeste do país, em específico no interior, região que representou 70% da abertura das lojas no período.

Ao mesmo tempo que houve essas aberturas na região Norte e Nordeste, a companhia fechou 6 farmácias na região Sudeste. Ilustrando: 72% das lojas da Pague Menos estão no Norte e Nordeste do país.

Ainda que tenha ocorrido expansão e abertura de novas farmácias, o market share da companhia caiu 0,2pp, de 5,2% para 5,0% em amplitude nacional em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Na região Nordeste, área que a empresa é líder, a retração foi de 18,4% para 17,0% de market share em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, um ponto de atenção na análise para os próximos trimestres, visto que um plano de expansão onde a retração de market share ocorre, é algo a ser questionado.

Um ponto positivo no período foi o crescimento das vendas digitais (crescimento de 6% para 9% contra o 1T21) e a venda de marcas próprias, com um crescimento de 16% contra o 1T21. Venda de marca própria costuma ter maior margem e vantagens financeiras/logísticas, sendo que uma expansão da linha é algo positivo para a companhia.

Outro ponto a se destacar foi a expansão da Clinic Farma, o Hub de Saúde da Pague Menos com serviços médicos, abrangendo desde de acompanhamento de saúde (diabetes, colesterol, hipertensão e afins) a serviços de vacinação, avaliação corporal e revisão de medicação.

Esse nicho atingiu 837 mil atendimentos no 1T22, crescimento de 21% comparado ao 1T21 e representando uma diversificação de receita interessante pra rede.

O endividamento cresceu para 66% ano contra ano, mas a alavancagem segue saudável, com 0,9x de dívida líquida sobre o EBITDA, justificado principalmente pelo plano de expansão.

Sobre as linhas finais: houve recuo de 47% do lucro líquido, sendo que as margens foram pressionadas principalmente pelas ações promocionais da Clinic Farma (que mencionamos seu crescimento acima), pela inflação do período (por mais que haja repasse de preço, a compressão de margem é inevitável) e uma mudança de mix nos produtos. Em estratégias de expansão, faz parte sacrificar a linha de lucro, mas cabe ao investidor estudar se o custo realmente vale a pena. No caso da Pague Menos, não achamos que o crescimento tenha sido ruim, mas o resultado também não é excelente, ainda mais em um cenário que implica em perda de market share, como o que ocorreu.

Em síntese, se você é investidor de Raia Drogasil ou Pague Menos, a comparação entre ambas é relevante, mas merece seus cuidados. Como destacamos, são companhias do varejo farmacêutico com públicos diferentes, mas isso também não muda o fato de que em algum momento a ofensiva afetará o mercado uma da outra.

Uma empresa tão recente na bolsa merece seus cuidados na hora de analisar sem envolver paixão pelos números, mas principalmente pelo qualitativo. Com a recente aquisição da Extrafarma, a Pague Menos se tornou a segunda maior varejista farmacêutica do país, atrás somente da Raia Drogasil – e a ambição pelo primeiro lugar demanda um plano de expansão que pode sair caro caso não seja bem controlado.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 1T/2022

Figurinha repetida nas análises por aqui: a Raia Drogasil, assim como a maioria das empresas e também como provavelmente citaremos nas próximas análises a serem feitas de outras companhias, sofreu impacto significativo da inflação no primeiro trimestre do ano. Mesmo com uma alta expressiva da sua receita, as margens vieram mais apertadas. Explicaremos mais abaixo – vamos começar.

A Raia Drogasil é famosa pelo seu plano de expansão – quem mora no Sudeste, certamente já viu várias por aí. A companhia tem um plano ambicioso de expansão em território nacional, e para 2022 espera abrir 260 novas farmácias. No primeiro trimestre de 2022, foram abertas 52 novas farmácias, e a expansão foi um pouco além, sua cobertura de municípios pulo de 418 para 501 em comparação ao mesmo trimestre do ano passado.

Essa expansão física resultou num aumento de market share nacional de 0,1pp, fazendo com que a companhia atingisse 14% de market share, e todas as regiões tiveram aumento de participação, com exceção do Nordeste, com uma queda de 0,2pp (de 9,9% para 9,7%).

A expansão da companhia não tem ocorrido somente em ambiente físico, mas também no digital: a Raia Drogasil atingiu uma penetração de 10% da receita provinda de canais digitais, um aumento de 2,3pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Um ponto interessante a citar é o seu programa de Compre & Retire, que representou metade das vendas digitais e se alinha bem ao interesse do consumidor em pesquisa de preço com velocidade de compra do produto.

Tratando sobre a receita: houve um crescimento forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado com um aumento de 16,6% para R$6.9 bilhões (a título de curiosidade, a Raia Drogasil teve essa receita no ano inteiro de 2013), e desconsiderando o não recorrente de testes de Covid do primeiro trimestre de 2021, o crescimento de receita seria de 17,8%, mas como mencionado no começo da análise, a inflação pesou forte no trimestre.

Com a escalada da inflação no período pesando no preço dos remédios e nas despesas administrativas, a margem EBITDA da companhia caiu de 7,0% para 5,6%. Como a própria gestão cita no release, preços de remédios possuem controle pela CMED, e é esperado para o próximo trimestre que essa inflação já seja corrigida, normalizando as margens da companhia. Ou seja, assim como você deve esperar aumento de preços dos remédios, espere também recomposição de margens da Raia Drogasil.

Quanto ao endividamento, sem grandes novidades. A companhia dobrou sua dívida líquida no período (de R$0.8 bi para R$1.7 bi) mas a alavancagem ainda é baixíssima, de apenas 1x DL/EBITDA, sendo que 75% dessa dívida é de longo prazo.

As considerações finais são as mesmas coisas que citamos ao longo da análise breve aqui feita: inflação.

A melhor forma de se proteger da inflação, é investindo em ações. Isso é inegável, e mais de 100 anos de estudos comprovam a afirmação. O que muita gente confunde é a velocidade que isso ocorre. O repasse de preço pelas companhias não ocorre num passe de mágica. Como no caso da própria Raia Drogasil, eles dependem de permissão da CMED – e uma vez que o preço do remédio sobe, simplesmente não existe outra alternativa se não o consumidor aceitar esse preço. Farmacêuticas bem tocadas são poderosas para proteger o investidor da inflação por esse fator.

A própria gestão citou uma espera de recomposição de margem já no próximo trimestre, mas caso a inflação siga em alta, essa recomposição sofrerá um atraso. E esse é um conceito que você deve levar não só para a Raia Drogasil, mas para qualquer outra companhia com poder de repasse de preço. Tenha paciência.

No mais, a expansão da companhia no trimestre foi excelente, seguindo com sucesso na penetração digital e na abertura de farmácias, mas as margens amassadas pelo fator macroeconômico acabaram prejudicando o resultado final. Esperamos recomposição das margens nos próximos trimestre e uma melhora na bottom line.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Energias do Brasil (EDP) ($ENBR3) – 1T/2022

Sem muitos segredos, a análise trimestral da EDP é simples – se tratando de uma elétrica, o mais importante a se atentar é o seu grau de alavancagem para ver o endividamento segue sadio, e se o plano de expansão da companhia tem dado certo.

No trimestre, o endividamento cresceu substancialmente, mas não só ele: a receita e demais linhas de resultado também, mostrando bom desempenho da companhia, como usual. Vamos lá.

Antes de falar sobre os resultados é importante pontuar que a EDP tem investido bastante em suas operações de transmissão de energia, geração solar e na reciclagem do seu portfólio, vendendo algumas hidrelétricas, estratégia que ela vem anunciado há alguns anos.

A receita operacional da companhia veio com um crescimento relativamente tímido, de apenas 5,3% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas a margem bruta melhorou expressivamente: um crescimento de 19,6%, resultando numa melhora operacional significativa. Essa melhora é explicada pelo aumento da tarifa repassada pelas distribuidoras no período (SP e ES), o que ilustra o fato de que elétricas são ótimas para proteção contra a inflação – afinal, as tarifas irão seguir a inflação, queira ou não.

Na parte dos gastos gerenciáveis (e aqui é interessante lembrar que elétricas costumam dividir gastos gerenciáveis dos não gerenciáveis devido a regulação do setor), mais uma linha positiva: houve crescimento de apenas 2,3% em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, que como a própria companhia menciona, bem abaixo dos índices inflacionários do período, resultando na melhora de margem. O aumento veio basicamente de maior gasto com funcionários (lembrando que a EDP incorporou a EDP Goiás pelo seu plano de expansão) e de reajustes salariais do período.

Sobre o resultado financeiro, esse é um ponto que o investidor deve sempre ter grande atenção ao analisar elétricas, visto que indica muito sobre o corpo da dívida tomada.

Houve um crescimento de 88% na receita financeira da companhia (de R$83 milhões para R$157 milhões) comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Esse crescimento é explicado pelas aplicações financeiras atreladas ao CDI no período. O mesmo CDI que aumentou sua despesa financeira em 72% no período, junto do IPCA. O saldo líquido foi de um gasto de R$348 milhões com a dívida no trimestre (sendo que no mesmo trimestre do ano passado, o gasto tinha sido de R$210 milhões, o que representa um crescimento de 66%).

Sobre o endividamento, derivando do assunto de resultado financeiro, outro ponto de extrema importância para o investidor analisar ao estudar elétricas.

A dívida líquida da companhia subiu de R$8 bilhões para R$11.1 bilhões, um crescimento de 38% comparado ao mesmo trimestre do ano passado. Sem dúvidas, não é um crescimento negligenciável – é um crescimento de dívida que a princípio preocupa, mas seu nível de alavancagem segue dentro do padrão que sempre trabalhou (entre 1,5x e 2,5x) e terminou o trimestre em 2,3x dívida líquida sobe EBITDA (contra 2,0x no mesmo trimestre do ano passado).

Indo um pouco além, a maior parte da dívida vence depois de 2024 e a companhia tem dinheiro em caixa o suficiente para pagar as dívidas até 2023, sendo que 54% está atrelada ao CDI, 40% ao IPCA e o remanescente a outras taxas.

No lucro líquido, houve crescimento de 5,5% para R$523 milhões, sendo que ajustado pelas transmissoras, seria de 20,4% - um crescimento forte, novamente, explicado pela expansão da EDP em transmissão de energia. Essa expansão é interessante pois o funcionamento das transmissoras é bem seguro e extremamente eficiente para proteção contra a inflação, com os contratos sendo diretamente atrelados a índices inflacionários.
Em síntese, o crescimento da dívida da companhia assusta, mas como já falamos diversas vezes, elétricas trabalham com dívidas mais elevadas por conta da previsibilidade dos resultados. É um setor previsível, sem surpresas, onde não há disrupção, concorrência ou a possibilidade de abrir mão do uso – isso faz com que as companhias explorem ao máximo o endividamento para alavancar os resultados e crescer de forma mais acelerada.

Até o momento, sem grandes surpresas para a companhias. Seu plano de expansão segue em linha com o anunciado pela gestão, sua dívida saudável e seu crescimento forte. Não em vão são ótimas opções para o investidor de longo prazo que busca empresas que pagam bons proventos e menos riscos.

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Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3) – 1T/2022

Mais um trimestre se passou, e a narrativa de aperto de concorrência que estava previsto para ocorrer há alguns anos com a entrada da Heineken no mercado, tem ficado cada vez mais defasada.

Num período marcado pela inflação (novamente ela aqui) e o agravante da guerra entre a Rússia e a Ucrânia que impactou o preço das principais matérias-primas que a Ambev utiliza em seus produtos, seu desempenho foi muito bom, e acima do esperado, mostrando a força da sua marca. Enfim, vamos aos números!

No primeiro trimestre de 2022 a Ambev entregou um crescimento de volume de litros vendidos, aumentando em 3,6% comparado ao 1T21 – a princípio parece ser pouco, mas para a quantidade que a Ambev vende, é um número significativo.

Esse aumento de crescimento de volume vendido com o aumento de preço dos produtos e a melhora de mix, acarretou um crescimento de receita fortíssimo de 18,5%, atingindo os R$18.4 bilhões no trimestre, caracterizando a terceira maior receita registrada da companhia num trimestral (lembrando que o trimestre mais forte é sempre o último do ano por conta das datas festivas).

Por outro lado, os custos, refletindo o aumento da inflação e representando o maior ponto de atenção que o investidor deve ter. Houve um crescimento de custo do produto vendido de 26,5% comparado ao 1T21 – uma alta expressiva. A razão é simples: fora a alta inflacionária comum que a companhia estava sofrendo, houve um aumento substancial do custo do trigo, milho, cevada entre outras matérias-primas que ela utiliza em seus produtos. Em outras palavras, o que estava ruim, piorou. Isso fez com que a Ambev tivesse uma queda de margem de lucro operacional de 1,80bps, caindo para 22,7%.

Aqui, um comentário que gostaríamos de fazer antes de ir para outras linhas do release: a pressão da concorrência.

Quem estuda a Ambev, sabe que há algum tempo a principal preocupação do mercado tem sido a concorrência espremendo a empresa, tanto pelo lado das gigantes industriais (como a Heineken) quanto pelos menores descentralizados (como as cervejas artesanais). Até o momento, esse temor não se concretizou – pelo contrário, a Ambev tem aumentado consistentemente seu volume de litros vendidos principalmente no seu segmento de cervejas. Algumas ofensivas inovadoras da companhia têm ajudado muito nas vendas, como é o caso do próprio Zé Delivery, que foi criado pela Ambev e tem ganhado cada vez mais espaço no mercado de entregas, entre outras parcerias, como a que ela tem com a M. Dias Branco no mercado de snacks.

Aqui um número curioso: o Zé Delivery realizou 16 milhões de entregas no 1T22, são quase 180 mil entregas por dia.

Enfim, mesmo com esse cenário de pressão inflacionária, a companhia conseguiu melhorar seu resultado operacional e entregar um lucro mais alto, visto que seu volume e receita compensaram os custos, sendo assim, a Ambev teve um crescimento de lucro de 29,1% comparado ao 1T21, atingindo um recorde pro período, de R$3.5 bilhões.

Não há muito mais o que tratar referente ao release da companhia para esse trimestre. Nós gostamos dos números, e assim como a análise de qualquer companhia tomadora de preço do setor alimentício, a inflação vai continuar batendo. O que importa é que até o momento a Ambev tem crescido mais do que a média da indústria (como nesse último trimestre) tendo aumento de volume de litro, receita e, por último e não menos importante, no digital. O Zé Delivery tem se mostrando um sucesso tremendo na digitalização atual.

A Ambev pode caracterizar uma “armadura” na sua carteira – da mesma forma que ela não vai explodir e disparar em resultados, você sabe também que ela dificilmente vai afundar e cair, e é isso que ela tem mostrado nos últimos trimestres mesmo com tantas adversidades: pandemia, isolamento social, inflação, guerra e afins.

Saber que os problemas que cercam a companhia são da conjuntura macroeconômica e não da estrutura da companhia em si, é de extrema importância, afinal, todo o setor sofre, sendo que os gigantes, em menor escala.
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Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3) – 1T/2022

A princípio, um resultado preocupante: queda na receita – mas ao analisar os números percebe-se melhora do operacional, crescimento de margens e do lucro líquido.

O primeiro trimestre da Engie foi marcado por uma gigante rodada de investimentos, o que é de costume pela companhia. Foi investido mais de R$1 bilhão, com o início das operações em diversas linhas de transmissão (o que é excelente, dada a segurança do segmento), concluída a compra de alguns parques fotovoltaicos e a venda de algumas termelétricas, dando continuidade a reestruturação dada pela gestão nas linhas de serviço da companhia.

A receita líquida da Engie apresentou uma queda 5,8% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$3.2 para R$3.0 bilhões no período. A princípio preocupante, a queda é explicada por dois fatores: o reajuste de alguns contratos do seu segmento de transmissão de energia (que tem sido o foco da gestão a expansão nessa linha, participando cada vez mais dos leilões) e menor volume de trading de energia.

Apesar da queda da receita líquida, a Engie apresentou uma melhora de 8,8% no EBITDA e um crescimento de 22% no lucro líquido, explicado por dois fatores, principalmente: o aumento do preço médio de venda de energia (lembre-se quando sempre falamos que elétricas protegem contra a inflação, eis o exemplo – se a inflação sobe, o preço da energia seguirá, e invariavelmente os agentes econômicos tem que aceitar o preço, pois não há a opção de viver sem energia) que subiu 9,9% comparado ao trimestre passado (de R$205,13 para R$225,35 por MWh) e um controle responsável dos custos. Sendo assim, não se engane pela queda de receita – houve crescimento de todas as margens e linhas finais.

No resultado financeiro (ponto de atenção que sempre gostamos de lembrar o investidor ao analisar elétricas, visto que são mais alavancadas), ocorreu um “zero a zero”: houve um crescimento de R$117 milhões nas despesas financeiras, atingindo os R$974 milhões no trimestre, mas o resultado das aplicação financeiras que a companhia tem, houve uma receita de R$150 milhões graças ao crescimento do CDI, que foram suficientes para cobrir o crescimento do custo da dívida – uma demonstração de controle financeiro.

O endividamento por sua vez teve um crescimento de 9,8% comparado ao 1T2021, saindo de uma alavancagem de 2,0x DL/EBITDA para 2,2x DL/EBITDA. Essa dívida está majoritariamente atrelada ao IPCA, sendo 70% composta desse índice, sendo que o custo médio ponderado é de 14,5%, bem abaixo do retorno que a companhia consegue com seus ativos. Em suma, o endividamento cresceu, mas segue num nível de alavancagem controlado e sem gerar destruição de valor.

No mais, sem grandes surpresas pro trimestre. A companhia investiu R$1 bilhão no período e deseja investir mais R$4 bilhões no ano, expandindo seu segmento de transmissão e substituindo sua geração “suja” de termelétricas pela geração limpa com parques eólicos e fotovoltaicos (o que é de grande valor, haja em vista a importância que essas fontes de geração de energia têm tomado nos últimos meses).

Pontuamos apenas a atenção do investidor sobre o endividamento, que no caso da Engie, está majoritariamente atrelado ao IPCA, mas mesmo em um cenário tão adverso como o atual, a empresa mostrou que esse endividamento vale a pena e tem gerado um retorno bem acima do custo da dívida.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Opinião e análise breve – Sanepar (SAPR3/SAPR4/SAPR11) – 1T/2022

Sendo uma das estatais mais bem tocadas do país (talvez até mesmo a mais bem tocada), seus resultados continuam previsíveis como um relógio. E no bom sentido.

O primeiro trimestre de 2022 foi marcante para a Sanepar. Após mais de dois anos em vigor, o rodízio de água por conta dos reservatórios vazios foi encerrado logo no começo de janeiro (19/01/2022), propiciando um trimestre de entrega de entrega livre e normalizada, o que implica em maior uso de água e maior receita para a companhia.

A receita líquida da Sanepar cresceu 14,7% em comparação ao 1T21, atingindo os R$1.4 bilhões. Esse aumento de receita foi resultante não só da normalização da entrega de água com o fim do rodízio, mas também de um aumento de ligações de água (+73 mil) e aumento de ligações de esgoto (+67 mil). O volume medido de água subiu 5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, e é o primeiro trimestre em que o consumo cresce desde o começo do rodízio, ilustrando a volta à normalidade.

Não só a receita subiu: o ROE da companhia também teve uma melhora de 1,3bps (de 14% para 15,3%), a margem líquida subiu 0,6 bps (de 20,1% para 20,7%) e o lucro líquido cresceu substancialmente, em 18,4% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, de R$246 milhões para R$292 milhões.

Em destaque negativo, vale mencionar que houve aumento do volume de água perdido, isso é, aquela água obtida fazendo “gato”, subindo de 210 para 220 litros por dia. A princípio, é natural, dado o fim do rodízio e o aumento de consumo proporcionado. O aumento de inadimplência também vale menção, subindo de 3,5% para 5,7%.

No lado dos custos, da para sintetizar com três linhas: aumento do gasto com pessoal de +9,6% (salários reajustados), materiais de +20,2% (aumento de preço de matérias-primas) e energia elétrica de +41,4% (bandeira de escassez hídrica e corte de 2% no subsidio do custeio de energia elétrica para a companhia). Esses aumentos resultaram num crescimento de 14,8% dos custos da companhia comparado ao 1T21, mas não preocupam, porque foram bem abaixo do crescimento das linhas de receita e os custos de pessoal e energia elétrica não devem acontecer novamente (energia elétrica, na realidade, tende a cair, visto que a bandeira verde voltou a ser praticada em abril). Essa análise mais apurada dos custos é algo que sempre destacamos nas aulas do INT, pois faz compreender melhor o que realmente tem prejudicado a companhia – uma leitura que é obrigatório saber fazer para aproveitar as oportunidades.

A dívida líquida da companhia cresceu 10,1% comparado ao mesmo trimestre do ano passado, mas por conta da melhora do seu operacional, a alavancagem caiu, de 1,4x DL/EBITDA para 1,3x DL/EBITDA. Aqui vale destacar que a Sanepar possui em caixa dinheiro o suficiente para arcar com todas as dívidas dos próximos 5 anos, sendo a maior parte para ser paga de 2027 para frente. Além da alavancagem ser baixa, a dívida é bem alongada e extremamente saudável.

Como visto, a Sanepar tem uma estrutura financeira extremamente sólida. Apesar da resistência do investir com estatais, podemos afirmar que a Sanepar é uma das mais bem tocadas do país, e aos últimos anos tem mostrado isso, com melhora forte do operacional, controle de dívida perfeito e expansão com investimentos que tem dado certo.

O seu maior risco sempre é o regulatório, visto que é o Estado quem determina a tarifa de aumento dos custos dos seus serviços. Em momentos mais delicados, as tarifas não repassam todos os custos e as margens são atacadas, e isso incomoda grande parte dos investidores, também.

Esse ano terá novo reajuste tarifário, e caso ele seja condizente com a necessidade de manutenção das margens, junto da normalização de distribuição de água com o fim do rodízio, a companhia atingirá novos recordes de resultado, sem dúvidas.

Ademais, um trimestre bem forte, com crescimento e contratos longos de mais de 30 anos sustentando suas operações. É a companhia típica de atrai investidores de longo prazo pela excessiva segurança que ela proporciona.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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