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FIIS de shoppings e a volta à normalidade

A pandemia foi uma verdadeira bomba nos investimentos em fundos imobiliários: em questão de pouco tempo, milhares de fundos sofreram com o isolamento social, deixando de receber os aluguéis de seus imóveis ou tendo de adiar o recebimento para datas longínquas.

Entre os que mais sofreram com isso, o segmento de escritórios sempre é abordado, mas pouco se fala sobre o segmento de shoppings.

Esse segmento sempre foi um dos preferidos dos investidores de FIIs – e com razão. Caracterizando resiliência e sendo um símbolo de resistência à crises, até mesmo a crise de 2016 que foi uma das piores do país nos últimos 100 anos foi capaz de impactar negativamente a maioria dos fundos, com os resultados continuando fortes e crescentes na época.

Até que a pandemia chegou e fez muita gente desacreditar.

Com os shoppings fechados e o crescimento em ritmo acelerado do e-commerce, as teses surgiam com viés cada vez mais negativo: alguns até mesmo apostam que as compras on-line farão com que os shoppings deixem de existir. Esse cenário nebuloso e cinzento fez com que as cotas dos fundos caíssem violentamente, assim como seus rendimentos – afinal, com as portas fechadas, os lojistas não teriam renda e capacidade de pagar o aluguel.


Hoje, pouco mais de 2 anos depois do início da pandemia e um cenário mais claro, as análises se tornam mais fáceis.
Com a retirada de restrição de horário de funcionamento ao redor do país e a volta à normalidade, os shoppings voltaram a ser frequentados, as lojas voltaram a vender e a renda desses imóveis voltou a subir.

Como o gráfico mostra: aos poucos a distribuição de rendimentos do setor retoma os patamares que tínhamos há 2 anos. Um processo lento, mas que tem ocorrido. Ainda longe do suficiente, afinal, esses rendimentos além de atingir os patamares de 2019, também tem de subir para compensar a inflação dos últimos 2 anos, mas como dito, os números tem crescido, assim como a receita da maioria dos shoppings e o fluxo de pessoas também normalizado.

Sobre o e-commerce e a tese de fim dos shoppings – nós discordamos da relação entre ambos.

O crescimento das vendas on-line é uma certeza, algo inevitável. Mas acreditamos que seja um erro a comparação direta entre ambos, não há simetria. Shoppings no Brasil não são somente locais de compras, mas ambientes que vendem também experiência. Um local de passeio, segurança, climatização, que une ambiente para alimentação, cinema e afins. Em um país onde a violência é elevada, essa experiência de segurança é algo que deve ser considerado.

Acreditamos que shoppings bem localizados e com um bom portfólio de lojas, seguirão existindo, crescerão e triunfarão, com a normalização completa do fluxo de pessoas, das vendas e dos rendimentos, inclusive corrigidos pela inflação ao decorrer dos anos.

O que houve em 2020 não era esperado de nenhuma forma, e sem dúvidas o setor de shoppings foi um dos mais impactados no cenário econômico – foram quase 2 anos de portas fechadas. E no longo prazo, para os bons fundos, isso será apenas um soluço.
Sobre o Ciclo das Commodities

A China é uma gigante – isso é de conhecimento geral. O que nem todos sabem, é que o país é o grande motor responsável pelo preço das commodities devido seu altíssimo consumo a ponto de ser uma determinante nesse sentido.

Não era de se esperar menos, afinal, estamos falando da segunda maior economia do planeta que comporta 28% da população global – ou 1.4 bilhões de pessoas, para ser mais claro.

Para se ter ideia, entre 2011 e 2013, a China usou mais cimento do que os EUA em um século inteiro (1901-2000). Não, você não leu errado: em 3 anos a China usou mais cimento do que a maior potência econômica do planeta no século 20 inteiro.

O gráfico é uma ilustração disso. Na linha roxa, trata-se do crescimento anual de importações da China, enquanto a linha azul, o preço das commodities globalmente.

Percebe-se que a correlação entre ambas é altíssima. Hoje o preço das commodities está completamente descolado do nível de importações, o que sugere que em algum momento essas linhas voltarão a se encontrar – seja por queda do preço das commodities, ou aumento das importações chinesas.

Vale lembrar que a China está passando por um momento delicado da pandemia, com lockdowns e uma onda de contaminação de Covid que tem forçado isolamentos extremamente restritivos – o que é uma forte pressão negativa sobre o preço das commodities, então não se espante caso você tenha commodities em carteira e veja empresas do segmento com maior oscilação nos próximos dias.
A atual queda dos mercados explicada


Como investidores de longo prazo, sempre reforçamos: no curto prazo a volatilidade assusta, mas é natural e faz parte. Sempre falamos que eventos do tipo não importam, e que o foco deve ser o fundamento das empresas. Seguimos com essa visão.

Indo um pouco além, como entusiastas e profissionais do mercado, também achamos interessante o conhecimento dos eventos econômicos recentes, indo um pouco além daquela visão que diz que o investidor não deve ver notícias e praticamente se isolar do mundo moderno para investir o seu dinheiro.

Se manter informado até certo ponto importa, além do mais, caso você goste, não há problema algum nisso, desde que você não invista pautando suas atitudes em noticias e saiba até que ponto as informações devem influenciar nas suas decisões.

Com essa introdução, compartilharemos um pouco da nossa visão sobre o que está acontecendo no mercado, explicando um pouco dos principais eventos macroeconômicos globais que justificam todas essas quedas.

O primeiro ponto é a inflação americana. Enquanto em 2020 e 2021 o Banco Central Americano esperava uma inflação alta, mas transitória, a realidade se mostrou contrária, com uma inflação alta, mas duradoura – e ainda mais alta do que era projetada. Esse cenário de alta inflacionária tem pressionado o Banco Central do país a elevar o juros além do que era projetado e um corte de liquidez diminuindo a balança do FED (isso é, tirando dinheiro da economia vendendo ativos que o governo americano comprou durante a crise).

Ou seja, além de uma alta de juros que ultrapassa o esperado, o FED irá retirar dinheiro da economia numa velocidade mais alta do que o esperado. Sendo assim, haverá menos dinheiro disponível no planeta, e consequentemente os investidores selecionam os ativos com maior cautela para investir, o que significa menor risco e queda nas bolsas.

O segundo ponto é a pandemia na China. Relatamos esse problema na semana passada mostrando uma imagem do número de navios estacionados no porto de Shangai.

A China está passando por uma onda forte de Covid e forçando lockdowns extremamente restritivos em algumas regiões essenciais para o funcionamento econômico não só da China em si, mas do mundo, como é o caso de Shangai.

Milhares de barcos cargueiros que carregam produtos que circulam no mundo todo estão parados ou atrasando por conta do lockdown chinês, isso reflete em mais problemas na cadeia de suprimento global que já foi severamente impactada durante 2020 e 2021 com os isolamentos mundo afora. De um lado, o preço das commodities desaba por conta dessa redução de consumo que o lockdown causa, mas de outro, há chance de aumento de inflação por conta da quebra da cadeia de oferta de suprimentos que eleva a escassez de alguns produtos.

O que você sempre deve ter em mente é: a China sozinha faz preço no mundo inteiro. O mundo depende dela, queira ou não, e desde 1978 o país é a fábrica do planeta. Inclusive essa dependência da China tem sido cada vez mais discutida pelos líderes globais, haja em vista que é insustentável que um país sozinho consiga perturbar o funcionamento econômico do planeta inteiro com tamanha facilidade.

O terceiro ponto é: a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Você pode estar cansado de ler sobre isso, mas infelizmente, faz parte, e a guerra tem atormentado o planeta inteiro.

Em vez da busca por uma solução diplomática nas últimas semanas, os países estão escalando cada vez mais o conflito. Essa escalada resulta em mais sanções, mais perturbação na cadeia de suprimentos global e consequências no planeta inteiro.

Hoje mesmo a Rússia cortou o fornecimento de gás natural da Polônia, que tem 40% do gás utilizado no país dependente do fornecimento Russo. Além da Polônia, países como a França, Itália, Alemanha, Bulgária e Finlândia dependem completamente do gás que vem de lá – e esse jogo de poder é algo perigoso. Sem o gás russo, todos esses países sofrerão com a alta de preço da energia de forma que contamine toda a Europa, novamente ecoando em todos os cantos do planeta.
Os países tem buscado uma alternativa ao uso do gás natural russo, mas não é algo simples, muito menos de curto prazo. Enquanto isso, a incerteza é um imperativo e a tormenta sobre a instabilidade econômica global persiste.

Outros pontos também passam despercebidos sob a leitura de alguns especialistas e valem ser mencionados, como é o caso do mercado de óleo de palma: sendo um dos principais óleo vegetais utilizados atualmente, o óleo de palma vai do mercado de produtos de higiene básica ao mercado de alimentos. Um país sozinho representa 50% da produção global: a Indonésia. E essa semana foi anunciado o interrompimento das exportações do produto pelo país para conter a alta de preços no mercado interno. Ou seja, mais uma pressão inflacionária para somar com fatores como alta de fertilizantes, energia e afins.

No Brasil, apesar do cenário positivo em alguns pontos (vide reajuste do PIB para cima nos últimos dias), quando o cenário macro pesa dessa forma, não há economia que saia ilesa. A desvalorização das commodities nos últimos dias tem pesado forte fazendo com que nosso câmbio voltasse a depreciar, mas o movimento de queda da bolsa e alta do câmbio é mais justificado pelo cenário global de aversão ao risco que os investidores tem tomado.

Novamente, a razão de estarmos explicando tudo isso, é simples: informação. Não é a primeira vez que crises acontecem, não será a última. Empresas boas também são impactadas, chacoalham e sofrem, mas continuam vivas e tendem a sair mais fortes.

Se você é novo na renda variável e entrou no mercado no bull market de 2019 ou 2020, acostume-se com toda essa turbulência. Abra o gráfico das principais bolsas do planeta, veja as quedas que já ocorreram e assimile aos principais eventos de cada época. Problemas sempre vão existir, e as melhores empresas sempre irão triunfar.

Mantenha-se informado, mas nunca paute suas decisões somente em notícias. Se você ainda não sabe como investir, aprenda, pois é a melhor forma de proteger o seu patrimônio, e é na nossa plataforma que você encontrará mais de 200 horas de conteúdo em vídeo, relatórios e aulas para isso.

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Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3) – 1T/2022

Realizar uma análise sobre a WEG pode ser algo definido como monotonia, dizendo no bom sentido: desde 2016 a empresa vem crescendo seus resultados de forma sólida, feito um reloginho, entregando crescimento forte e batendo todas as expectativas. Logo no primeiro trimestre de 2022, não foi diferente.

Em mais um trimestre a WEG bateu as expectativas mais otimistas do mercado e seguiu crescendo, mesmo com os reveses do cenário macroeconômico global e a valorização da nossa moeda (que sim, tem um impacto negativo nos resultados da empresa, visto que praticamente metade da sua receita vem de fora).

Enfim, a análise será sucinta e direta.

No primeiro trimestre de 2022 a WEG teve um crescimento forte de receita comparado ao mesmo trimestre do ano passado, com um aumento de 34,5%. Além da receita ter crescido, o retorno sobre o capital investido também melhorou, com um aumento de 1,5pp (de 28,2% para 29,7%), sendo que o que mais beneficiou a companhia foi o crescimento do mercado interno. Enquanto o mercado externo cresceu 22,8% na comparação entre os períodos, o mercado interno cresceu 48,1%.

Com esses números, a companhia atingiu R$6.8 bilhões de receita no trimestre, sendo 51% do mercado interno contra 49% do mercado externo (no 1T21 foi 54% do mercado externo contra 46% do mercado interno. Aqui vale citar algo interessante: o que a WEG faturou no primeiro trimestre desse ano, foi o mesmo tanto que ela faturou em 2013 inteiro. Isso já ilustra o quanto a companhia tem crescido.

Em questão da fonte da receita da companhia, houve crescimento forte em todas as regiões do planeta (lembrando que a WEG atua em todos continentes atualmente), sendo que comparando do 4T21 para o 1T22, o destaque negativo vai para a queda de receita do mercado Europeu, certamente explicado pelo momento atual, de cenário de guerra, alta de inflação por custo de energia e afins.

Importante mencionar: o dólar médio da receita da companhia caiu de R$5,48 para R$5,23 – mesmo com essa desvalorização de quase 5% na moeda, o crescimento da receita veio forte.

Dissecando a receita pela área de negócios, todos tiveram crescimento forte, com destaque para o crescimento principalmente da receita com equipamentos eletroeletrônicos industriais no mercado externo (+34,8%), com demanda forte pelos EUA e China, reforçando a vantagem da empresa em atingir os principais mercados do planeta. O segmento de geração, transmissão e distribuição de energia também vale a menção: no mercado interno teve um aumento de 106%, de R$974 milhões para R$2 bilhões. Pouca gente sabe, mas a WEG tem se tornado um player cada vez mais importante no setor de geração de energia renovável e ela atua forte com energia solar distribuída. R$2 bilhões de receita somente provenientes dessa linha mostram a dimensão do que estamos falando.

Na parte de custos, a pedra no sapato da empresa. Se tratando de uma área industrial, suas margens já tendem a ser naturalmente menores, e todos sabemos que o momento econômico global é delicado nesse sentido, com uma inflação alta em todo o planeta, implicando em aumento de custo de matérias-primas.

Na comparação entre os mesmos trimestres, houve aumento forte dos custos dos produtos vendidos, implicando numa queda de margem bruta expressiva de 31,9% no 1T21 para 27,8% no 1T22. Comparando com o 4T21, o resultado foi positivo, com um aumento de 0,2pp (de 27,6% para 27,8%), visto que num cenário como esse, a simples manutenção da margem já é algo ótimo por sinalizar capacidade de repasse de preço.

O que mais impactou na margem bruta da companhia no período foi o aumento do preço do aço e do cobre. Ilustrando como a matéria-prima é um ponto de análise importante tratando sobre custos da WEG: no 1T21 representava 70% do CPV, sendo que no 1T22, passou a representar 74%.
Finalizando, como mencionado, a receita cresceu 34,5% comparado ao mesmo trimestre do ano passado e o lucro líquido cresceu 23,5%, para R$943 milhões, sendo que o único destaque negativo fica nas margens, com uma queda de 1,9pp (de 20% pra 18,1%) mas uma recomposição em relação ao 4T21 (de 17,2%).

A WEG é um reloginho, a estrutura da sua geração de receita tanto em termos de segmento quanto origem geográfica, gera uma proteção e vantagens para a companhia que torna possível afirmar que ela é uma das mais seguras empresas da bolsa brasileira. É uma análise sem surpresas, que pelo fator de qualidade, sempre estará cara, a não ser que os ventos passem a soprar em direção contrária.

Para os próximos trimestres, há chances de uma desaceleração considerável nos resultados por alguns motivos: cenário europeu piorando bastante, China com seus lockdowns brecando o cenário econômico de forma geral, EUA flertando com recessão e desaceleração econômica e o real expressivamente valorizado em comparação aos preços praticados antes.

Metade da receita da WEG está atrelada ao dólar, se o dólar cai, sua receita tende a cair, também. Inclusive esse foi um dos fatores que tanto impulsionou a companhia nos últimos trimestres.

Ademais, nada disso deve ser razão pra preocupação, ressaltando que citamos uma possível desaceleração, e não retração, o que é algo completamente diferente. WEG é empresa para comprar e dormir tranquilo.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Retirado do relatório do 1T22 da Multiplan divulgado há pouco.

Os indicadores da empresa mostram que a venda no segmento de vestuário segue forte em seus shoppings, com crescimento expressivo não só em comparação aos números de 2021 (+85%), mas também em comparação aos números de 2019 (+25%), ano que não houve nenhum impacto de fechamento de shoppings e eles funcionaram normalmente.
É um ótimo sinal para companhias do setor vestuário, em especial as que trabalham principalmente em shoppings, vide Lojas Renner, Guararapes e C&A.
Opinião e análise breve – Grendene ($GRND3) – 1T/2022

Mais um trimestre se iniciando, e mais um período de resultados fracos da Grendene.

Citar a inflação nas análises virou algo recorrente. Em tempos de alta inflacionária e um orçamento cada vez menor das famílias, se torna necessário ressaltar como a inflação desempenha um tremendo vilão no resultado de algumas companhias mais sensíveis à renda das pessoas. E é o caso da Grendene.

No primeiro trimestre de 2022, com o mercado fragilizado pela alta inflação do período e uma parte cada vez menor do orçamento das famílias para o consumo de bens supérfluos, a Grendene vendeu apenas 28.6 milhões de pares de sapatos, sendo que esse número é o mesmo de 2018, e bem abaixo dos 35.4 milhões vendidos em 2021. Para ser justo, aqui vale pontuar um fato: desses 35.4 milhões vendidos no primeiro trimestre de 2021, 5 milhões foram não recorrentes por conta de atraso logístico da pandemia. Logo, a queda de fato seria de 30.4 milhões de pares para 28.6 milhões de pares – é um impacto menor, mas não deixa de ser algo ruim.

Desta queda, a maior parte foi no mercado interno, com uma redução de 30,4% de vendas comparado ao mesmo trimestre do ano passado (de 27.3 milhões de pares para 18.9 milhões de pares), enquanto o destaque positivo vai para o setor externo, com um crescimento de 8.1 milhões de pares para 9.7 milhões de pares vendidos.

Segundo a gestão, a partir do meio de março foi percebida uma melhora das vendas com um crescimento significativo no varejo, o que pode ser uma sinalização positiva para o 2T22.

Essa queda de venda de pares fez com que a receita da companhia mantivesse a estabilidade comparado ao mesmo período do ano passado, com uma ligeira queda de 1% (de R$523 milhões para R$518 milhões), sendo que o aumento de receita por par subiu de R$18,22 para R$22,05, compensado por uma melhora do mix dos produtos vendidos e um aumento de preço dos produtos no período. Ou seja, percebe-se que mesmo com a queda significativa na quantidade de pares, a receita operacional foi mantida graças ao poder de repasse de preço, um aspecto positivo da companhia.

Na parte de custos, a inflação da sua real cara, mostrando como tem sido uma pedra no sapato das companhias do varejo.

O custo médio por par da companhia subiu de R$8,12 para R$11,24 em comparação ao mesmo trimestre do ano passado (um aumento violento de 38,4%), sendo que a maior parte do aumento foi do lado da matéria-prima, embora todos os custos tenham subido. Esse aumento de custos resultou numa queda do lucro bruto de 17%. Margens sendo comprimidas em tempos de alta inflacionária, algo visto com frequência nos últimos balanços.

Ainda sobre custos, a gestão mencionou uma queda principalmente pelo preço da resina, que somada à queda do dólar, pode resultar em melhora de margens no próximo trimestre.

O resultado financeiro é algo obrigatório na análise da Grendene, e o motivo é simples: a companhia tem uma quantidade cavalar em caixa. Quase R$2 bilhões. Essa sempre foi uma característica importante da companhia (e ela não se desfaz do caixa por fatores legais, visto que é uma de suas condições para ter as isenções fiscais) porque gera um lucro alto, principalmente em tempos que a SELIC está elevada.

No período a Grendene gerou R$88.8 milhões em resultado financeiro líquido, sendo que R$42 milhões vieram da renda fixa e R$51 milhões vieram da renda variável. O líquido, como citado foi de R$88.8 milhões e representou uma alta de 108% numa comparação entre os mesmos períodos.

Seu lucro, por sua vez, foi de R$125 milhões, com uma queda de 3% em comparação ao mesmo período, e como já dito, o resultado financeiro foi o principal fator que salvou, o lucro, por assim dizer.

Em resumo, o resultado da Grendene não foi bom.

A companhia possui excelente fundamentos: zero dívida, um caixa gigante, marcas relativamente fortes, décadas de mercado entre outros pontos, mas alguns problemas tem incomodado.
Sua receita não sai do lugar há alguns anos (e, sendo justo, parte disso é por conta da sucessão de crises que o Brasil tem passado, sendo o seu setor de atuação extremamente sensível), a quantidade de pares vendidos também estagnou, a companhia não tem demonstrado muito movimento para crescer no e-commerce (hoje apenas 3,7% da receita da companhia vem de suas operações digitais – a Renner passou por algo semelhante mas nos últimos 2 anos realizou uma verdadeira revolução em seu business, saindo dos quase 0% de venda no digital para quase 17%) e a companhia possui limitação de uso de caixa por conta das isenções fiscais.

Seu caixa é seu grande salvador em meio aos períodos de turbulência no mercado, e isso é ótimo – como visto, R$90 milhões de resultado financeiro salvaram as linhas finais do balanço, mas em relação a isso, o investidor também deve questionar: “até que ponto uma companhia que vende sapatos deve gerar tanto resultado com seu caixa?”.

Por conta de suas isenções fiscais, seu caixa possui algumas limitações em relação ao uso, um plano de aquisições se torna algo um pouco mais complexo do que parece.

No mais, a atenção sobre a companhia vale ser ressaltada. Isso não é uma chamada referente a perda de fundamentos ou algo do tipo, pelo contrário, seus números são redondos, mas em uma reversão de cenário macroeconômico que beneficie os setores de consumo cíclico, é importante que o investidor que tenha ações da Grendene monitore principalmente os pontos que citamos aqui: número de pares vendidos, margens e crescimento no e-commerce. É praticamente impossível que a companhia desempenhe bem em um cenário tão adverso, mas é de suma importância que esse monitoramento exista – análise vai bem além da simples visualização da linha de lucro.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Vezes comparada com a Raia Drogasil, a Pague Menos possui outro “foco”, por assim dizer.

Seu resultado do primeiro trimestre de 2022 pode ser definido como “expansão”, e não em vão, o lucro veio mais baixo. Com o plano de expansão, riscos aparecem, e é quanto a isso que o investidor deve estar atento.

Enquanto a Raia Drogasil possui um foco no sudeste do país com um público alvo mais centrado na classe B+, a Pague Menos opera majoritariamente no Norte e Nordeste com a classe B-, ou seja, em termos de comparação, é sempre bom lembrar dessa diferença entre ambas (e isso não exclui o fato de que ambas buscam atacar as regiões de cada uma por um ganho de mercado). Vamos aos números.

No primeiro trimestre de 2022 a companhia seguiu com o seu plano de expansão, com a abertura de 10 novas farmácias no país, resultando num crescimento de 10,5% na receita. Como mencionado, o foco da Pague Menos é no Norte e Nordeste do país, em específico no interior, região que representou 70% da abertura das lojas no período.

Ao mesmo tempo que houve essas aberturas na região Norte e Nordeste, a companhia fechou 6 farmácias na região Sudeste. Ilustrando: 72% das lojas da Pague Menos estão no Norte e Nordeste do país.

Ainda que tenha ocorrido expansão e abertura de novas farmácias, o market share da companhia caiu 0,2pp, de 5,2% para 5,0% em amplitude nacional em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Na região Nordeste, área que a empresa é líder, a retração foi de 18,4% para 17,0% de market share em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, um ponto de atenção na análise para os próximos trimestres, visto que um plano de expansão onde a retração de market share ocorre, é algo a ser questionado.

Um ponto positivo no período foi o crescimento das vendas digitais (crescimento de 6% para 9% contra o 1T21) e a venda de marcas próprias, com um crescimento de 16% contra o 1T21. Venda de marca própria costuma ter maior margem e vantagens financeiras/logísticas, sendo que uma expansão da linha é algo positivo para a companhia.

Outro ponto a se destacar foi a expansão da Clinic Farma, o Hub de Saúde da Pague Menos com serviços médicos, abrangendo desde de acompanhamento de saúde (diabetes, colesterol, hipertensão e afins) a serviços de vacinação, avaliação corporal e revisão de medicação.

Esse nicho atingiu 837 mil atendimentos no 1T22, crescimento de 21% comparado ao 1T21 e representando uma diversificação de receita interessante pra rede.

O endividamento cresceu para 66% ano contra ano, mas a alavancagem segue saudável, com 0,9x de dívida líquida sobre o EBITDA, justificado principalmente pelo plano de expansão.

Sobre as linhas finais: houve recuo de 47% do lucro líquido, sendo que as margens foram pressionadas principalmente pelas ações promocionais da Clinic Farma (que mencionamos seu crescimento acima), pela inflação do período (por mais que haja repasse de preço, a compressão de margem é inevitável) e uma mudança de mix nos produtos. Em estratégias de expansão, faz parte sacrificar a linha de lucro, mas cabe ao investidor estudar se o custo realmente vale a pena. No caso da Pague Menos, não achamos que o crescimento tenha sido ruim, mas o resultado também não é excelente, ainda mais em um cenário que implica em perda de market share, como o que ocorreu.

Em síntese, se você é investidor de Raia Drogasil ou Pague Menos, a comparação entre ambas é relevante, mas merece seus cuidados. Como destacamos, são companhias do varejo farmacêutico com públicos diferentes, mas isso também não muda o fato de que em algum momento a ofensiva afetará o mercado uma da outra.

Uma empresa tão recente na bolsa merece seus cuidados na hora de analisar sem envolver paixão pelos números, mas principalmente pelo qualitativo. Com a recente aquisição da Extrafarma, a Pague Menos se tornou a segunda maior varejista farmacêutica do país, atrás somente da Raia Drogasil – e a ambição pelo primeiro lugar demanda um plano de expansão que pode sair caro caso não seja bem controlado.
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Opinião e análise breve – Raia Drogasil ($RADL3) – 1T/2022

Figurinha repetida nas análises por aqui: a Raia Drogasil, assim como a maioria das empresas e também como provavelmente citaremos nas próximas análises a serem feitas de outras companhias, sofreu impacto significativo da inflação no primeiro trimestre do ano. Mesmo com uma alta expressiva da sua receita, as margens vieram mais apertadas. Explicaremos mais abaixo – vamos começar.

A Raia Drogasil é famosa pelo seu plano de expansão – quem mora no Sudeste, certamente já viu várias por aí. A companhia tem um plano ambicioso de expansão em território nacional, e para 2022 espera abrir 260 novas farmácias. No primeiro trimestre de 2022, foram abertas 52 novas farmácias, e a expansão foi um pouco além, sua cobertura de municípios pulo de 418 para 501 em comparação ao mesmo trimestre do ano passado.

Essa expansão física resultou num aumento de market share nacional de 0,1pp, fazendo com que a companhia atingisse 14% de market share, e todas as regiões tiveram aumento de participação, com exceção do Nordeste, com uma queda de 0,2pp (de 9,9% para 9,7%).

A expansão da companhia não tem ocorrido somente em ambiente físico, mas também no digital: a Raia Drogasil atingiu uma penetração de 10% da receita provinda de canais digitais, um aumento de 2,3pp em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Um ponto interessante a citar é o seu programa de Compre & Retire, que representou metade das vendas digitais e se alinha bem ao interesse do consumidor em pesquisa de preço com velocidade de compra do produto.

Tratando sobre a receita: houve um crescimento forte comparado ao mesmo trimestre do ano passado com um aumento de 16,6% para R$6.9 bilhões (a título de curiosidade, a Raia Drogasil teve essa receita no ano inteiro de 2013), e desconsiderando o não recorrente de testes de Covid do primeiro trimestre de 2021, o crescimento de receita seria de 17,8%, mas como mencionado no começo da análise, a inflação pesou forte no trimestre.

Com a escalada da inflação no período pesando no preço dos remédios e nas despesas administrativas, a margem EBITDA da companhia caiu de 7,0% para 5,6%. Como a própria gestão cita no release, preços de remédios possuem controle pela CMED, e é esperado para o próximo trimestre que essa inflação já seja corrigida, normalizando as margens da companhia. Ou seja, assim como você deve esperar aumento de preços dos remédios, espere também recomposição de margens da Raia Drogasil.

Quanto ao endividamento, sem grandes novidades. A companhia dobrou sua dívida líquida no período (de R$0.8 bi para R$1.7 bi) mas a alavancagem ainda é baixíssima, de apenas 1x DL/EBITDA, sendo que 75% dessa dívida é de longo prazo.

As considerações finais são as mesmas coisas que citamos ao longo da análise breve aqui feita: inflação.

A melhor forma de se proteger da inflação, é investindo em ações. Isso é inegável, e mais de 100 anos de estudos comprovam a afirmação. O que muita gente confunde é a velocidade que isso ocorre. O repasse de preço pelas companhias não ocorre num passe de mágica. Como no caso da própria Raia Drogasil, eles dependem de permissão da CMED – e uma vez que o preço do remédio sobe, simplesmente não existe outra alternativa se não o consumidor aceitar esse preço. Farmacêuticas bem tocadas são poderosas para proteger o investidor da inflação por esse fator.

A própria gestão citou uma espera de recomposição de margem já no próximo trimestre, mas caso a inflação siga em alta, essa recomposição sofrerá um atraso. E esse é um conceito que você deve levar não só para a Raia Drogasil, mas para qualquer outra companhia com poder de repasse de preço. Tenha paciência.

No mais, a expansão da companhia no trimestre foi excelente, seguindo com sucesso na penetração digital e na abertura de farmácias, mas as margens amassadas pelo fator macroeconômico acabaram prejudicando o resultado final. Esperamos recomposição das margens nos próximos trimestre e uma melhora na bottom line.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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