Se o brasileiro está vendendo ações para investir em renda fixa, significa que há alguém comprando.
Como mencionamos recentemente, o mercado costuma agir em efeito manada. Quando os juros caem e a renda variável começa a subir, o investidor médio tira seu dinheiro da renda fixa e vai para o mercado de renda variável. Quando os juros sobem e a renda variável começa a cair, o investidor médio tira seu dinheiro das ações e dos fundos imobiliários – mesmo que em prejuízo – e volta para a renda fixa. Nunca dando o tempo necessário para seu dinheiro realmente render, ilustrando perfeitamente aquela frase do Buffett, onde ele diz que o mercado é uma máquina de transferir dinheiro dos impacientes para os pacientes.
Pegando os números isolados para ilustrar isso, fica mais fácil de compreender.
Em 2019, época que a bolsa atingiu níveis altíssimos com diversos ativos extremamente valorizados em termos de indicadores, o investidor interno estava com 45,2% de participação no mercado, enquanto o investidor externo, 54,8%. E então, em 2020, o investidor interno passou a aumentar suas posições, crescendo até 53,5% do mercado – momento em que o investidor externo estava diminuindo cada vez mais sua posição.
Até que em setembro de 2021, com as sucessivas altas da SELIC, o investidor interno passou a vender cada vez mais suas posições, reduzindo a participação de mercado para 50,5% atualmente, enquanto o investidor externo atingiu os 49,5% - crescendo 3% em comparação ao período passado.
O curioso é que justamente nesse meio tempo que diversos ativos se encontraram (e ainda se encontram) com preços extremamente interessantes, com algumas empresas em situação até melhor do que em 2019 e ao mesmo tempo com preços das ações bem menores, diversos investidores abriram mão de continuar investindo, enquanto os gringos tomam cada vez mais espaço e compram cada vez mais ações baratas.
A máxima sempre vale ser dita: invista independente do cenário, diversifique, e aproveite as oportunidades. Não tente acertar fundo, não tente prever topo – veja o mercado de ações como um mercado para o longo prazo, e você certamente não se arrependerá. Em nossa plataforma, já explicamos isso diversas vezes, e dezenas de aulas estão disponíveis para você identificar as melhores empresas para investir.
Seja um analista de empresas, e não um analista de cotações. Sem dúvidas, é difícil digerir os preços de tela das ações as vezes, principalmente quando eles demonstram tamanha oportunidade – mas é a sua tese de investimento e seu conhecimento sobre a companhia que vão te assegurar no momento que você compra o ativo. Conhecendo a empresa, não há o que temer.
E você: tem aproveitado para comprar ações nos últimos meses?
Como mencionamos recentemente, o mercado costuma agir em efeito manada. Quando os juros caem e a renda variável começa a subir, o investidor médio tira seu dinheiro da renda fixa e vai para o mercado de renda variável. Quando os juros sobem e a renda variável começa a cair, o investidor médio tira seu dinheiro das ações e dos fundos imobiliários – mesmo que em prejuízo – e volta para a renda fixa. Nunca dando o tempo necessário para seu dinheiro realmente render, ilustrando perfeitamente aquela frase do Buffett, onde ele diz que o mercado é uma máquina de transferir dinheiro dos impacientes para os pacientes.
Pegando os números isolados para ilustrar isso, fica mais fácil de compreender.
Em 2019, época que a bolsa atingiu níveis altíssimos com diversos ativos extremamente valorizados em termos de indicadores, o investidor interno estava com 45,2% de participação no mercado, enquanto o investidor externo, 54,8%. E então, em 2020, o investidor interno passou a aumentar suas posições, crescendo até 53,5% do mercado – momento em que o investidor externo estava diminuindo cada vez mais sua posição.
Até que em setembro de 2021, com as sucessivas altas da SELIC, o investidor interno passou a vender cada vez mais suas posições, reduzindo a participação de mercado para 50,5% atualmente, enquanto o investidor externo atingiu os 49,5% - crescendo 3% em comparação ao período passado.
O curioso é que justamente nesse meio tempo que diversos ativos se encontraram (e ainda se encontram) com preços extremamente interessantes, com algumas empresas em situação até melhor do que em 2019 e ao mesmo tempo com preços das ações bem menores, diversos investidores abriram mão de continuar investindo, enquanto os gringos tomam cada vez mais espaço e compram cada vez mais ações baratas.
A máxima sempre vale ser dita: invista independente do cenário, diversifique, e aproveite as oportunidades. Não tente acertar fundo, não tente prever topo – veja o mercado de ações como um mercado para o longo prazo, e você certamente não se arrependerá. Em nossa plataforma, já explicamos isso diversas vezes, e dezenas de aulas estão disponíveis para você identificar as melhores empresas para investir.
Seja um analista de empresas, e não um analista de cotações. Sem dúvidas, é difícil digerir os preços de tela das ações as vezes, principalmente quando eles demonstram tamanha oportunidade – mas é a sua tese de investimento e seu conhecimento sobre a companhia que vão te assegurar no momento que você compra o ativo. Conhecendo a empresa, não há o que temer.
E você: tem aproveitado para comprar ações nos últimos meses?
Gráfico de retorno das commodities (índice CRB) e respectivos grandes eventos ocorridos em cada puxada.
Perceba que sempre que há forte aumento de preços, posteriormente a uma forte correção e queda de preços. Isso ocorre porque boom de preço das commodities quase sempre leva a uma desaceleração posterior.
Pegando o preço do petróleo como exemplo: de início, o boom ocorre, o petróleo se valoriza violentamente e países que exportam o bem (vide Brasil) se beneficiam. Como essa alta do petróleo eleva o preço dos combustíveis, uma piora no cenário inflacionário ocorre, que por sua vez, leva a uma queda no orçamento das famílias e uma pressão para aumentar a taxa de juros. Ambos fatores culminam em desaceleração econômica, forçando o preço das commodities para baixo.
Hoje o índice demonstra o maior retorno já registrado desde 1915 em termos anualizados, 122%, mais até mesmo do que no grande conflito de Yom Kippur, que levou o petróleo a mais do que triplicar o preço do barril. Os números estão ajustados pela inflação.
É só um lembrete sobre algo que deve sempre ser mencionado: commodities seguem ciclos, empresas tendem a parecer baratas no final do ciclo e caras no começo.
Se você deseja investir em commodities, tenha em mente essa ciclicidade e leve sempre em conta essa forma com que os números trabalham em cada cenário. Veja mais do que o preço de tela – veja também como os ciclos tendem a reagir. A história não costuma se repetir, mas rima.
Perceba que sempre que há forte aumento de preços, posteriormente a uma forte correção e queda de preços. Isso ocorre porque boom de preço das commodities quase sempre leva a uma desaceleração posterior.
Pegando o preço do petróleo como exemplo: de início, o boom ocorre, o petróleo se valoriza violentamente e países que exportam o bem (vide Brasil) se beneficiam. Como essa alta do petróleo eleva o preço dos combustíveis, uma piora no cenário inflacionário ocorre, que por sua vez, leva a uma queda no orçamento das famílias e uma pressão para aumentar a taxa de juros. Ambos fatores culminam em desaceleração econômica, forçando o preço das commodities para baixo.
Hoje o índice demonstra o maior retorno já registrado desde 1915 em termos anualizados, 122%, mais até mesmo do que no grande conflito de Yom Kippur, que levou o petróleo a mais do que triplicar o preço do barril. Os números estão ajustados pela inflação.
É só um lembrete sobre algo que deve sempre ser mencionado: commodities seguem ciclos, empresas tendem a parecer baratas no final do ciclo e caras no começo.
Se você deseja investir em commodities, tenha em mente essa ciclicidade e leve sempre em conta essa forma com que os números trabalham em cada cenário. Veja mais do que o preço de tela – veja também como os ciclos tendem a reagir. A história não costuma se repetir, mas rima.
Tabela de rentabilidade anual por classe de ativos.
Algo recorrente, mas que nunca é exagero de ressaltar: diversifique. O mercado é projetável até certo ponto, mas nunca previsível – e sempre surpreende.
Algo recorrente, mas que nunca é exagero de ressaltar: diversifique. O mercado é projetável até certo ponto, mas nunca previsível – e sempre surpreende.
Prévia operacional de algumas incorporadoras para o 1T22.
Apesar das adversidades econômicas, os números seguem positivos com alguns consideravelmente fortes, vide recordes atingidos.
Lembrar sempre que incorporadoras são completamente afetadas por aumentos de juros e respectivos ciclos imobiliários, sendo que uma turbulência no setor é normal e ainda assim existam companhias excelentes operando nesse segmento do país.
Fonte: Felipe Sousa/GRI Club.
Apesar das adversidades econômicas, os números seguem positivos com alguns consideravelmente fortes, vide recordes atingidos.
Lembrar sempre que incorporadoras são completamente afetadas por aumentos de juros e respectivos ciclos imobiliários, sendo que uma turbulência no setor é normal e ainda assim existam companhias excelentes operando nesse segmento do país.
Fonte: Felipe Sousa/GRI Club.
Performance dos setores da bolsa americana – no geral, setores mais defensivos performaram bem acima do índice S&P500, indicando a alteração de ciclo e maior cautela do mercado em relação aos movimentos do FED.
O “pequeno” problema chinês que pode atormentar a economia do planeta inteiro
Antes de explicar, vamos contextualizar.
As últimas semanas tem sido problemática para a China. O país tem sofrido uma alta intensa dos casos de Covid. Tudo o que não sofreram nos últimos 2 anos, aparentemente estão sofrendo agora. Apesar dos números serem extremamente baixos em termos comparativos com demais países mundo afora (máxima de novos casos de Covid foi de 52.000 no dia 15/04), os casos reportados estão crescendo aceleradamente.
Por lá, o Partido Comunista Chinês é rígido – política de Covid zero. Se houver princípio de disseminação do vírus, lockdowns rígidos são feitos e força bruta e utilizada para frear a população, cerceando a liberdade e proibindo a saída de casa independente da necessidade (e aqui, nos abstemos de maiores explicações, dado o teor espinho do tema e sugerimos pesquisas de relatos de residentes do país).
Essa política de Covid zero gera consequências obvias: desaceleração econômica é a principal, afinal, com a diminuição de circulação da população, há menor produção e também menor consumo. Mas as duas imagens acima vão um pouco além.
No primeiro gráfico, é observado o número de navios cargueiros estacionados no porto de Xangai, principal polo econômico da China. Esses navios estão extremamente abastecidos de bens que circulam não só a economia chinesa, mas também a economia global. Em síntese, se há mais navios estacionados, há menor disponibilidade de produtos, o que implica em alta de preços e possível escassez. Perceba que em março desse ano (linha vermelha) a quantidade de navios estacionados explodiu de forma nunca antes vista, refletindo as medidas de isolamento impostas pelo Partido Comunista Chinês. Em comparação com os outros anos, o número fica ainda mais assustador.
A segunda imagem, a ilustração do que está ocorrendo. A quantidade absurda de navios parados próximos ao porto esperando aval para serem desabastecidos.
O objetivo desse texto é simples: mostrar como um mínimo problema pode desencadear consequências globais gigantes lá na frente. Basta um único problema no porto mais importante do planeta para que a cadeia logística global seja atormentada. E é o que está havendo.
Não há nenhuma certeza de uma piora do cenário inflacionário, pois ao mesmo tempo que esses portos estão parados, o consumo e a produção também caem, pressionando os preços pra baixos, mas serve a aprendizagem sobre esse indicador logístico.
Economia é uma ciência abrangente, e dificilmente encontramos respostas simples para problemas tão complexos na macroeconomia. Em um mundo globalizado como o que vivemos hoje, há interferência de todos os lados.
Antes de explicar, vamos contextualizar.
As últimas semanas tem sido problemática para a China. O país tem sofrido uma alta intensa dos casos de Covid. Tudo o que não sofreram nos últimos 2 anos, aparentemente estão sofrendo agora. Apesar dos números serem extremamente baixos em termos comparativos com demais países mundo afora (máxima de novos casos de Covid foi de 52.000 no dia 15/04), os casos reportados estão crescendo aceleradamente.
Por lá, o Partido Comunista Chinês é rígido – política de Covid zero. Se houver princípio de disseminação do vírus, lockdowns rígidos são feitos e força bruta e utilizada para frear a população, cerceando a liberdade e proibindo a saída de casa independente da necessidade (e aqui, nos abstemos de maiores explicações, dado o teor espinho do tema e sugerimos pesquisas de relatos de residentes do país).
Essa política de Covid zero gera consequências obvias: desaceleração econômica é a principal, afinal, com a diminuição de circulação da população, há menor produção e também menor consumo. Mas as duas imagens acima vão um pouco além.
No primeiro gráfico, é observado o número de navios cargueiros estacionados no porto de Xangai, principal polo econômico da China. Esses navios estão extremamente abastecidos de bens que circulam não só a economia chinesa, mas também a economia global. Em síntese, se há mais navios estacionados, há menor disponibilidade de produtos, o que implica em alta de preços e possível escassez. Perceba que em março desse ano (linha vermelha) a quantidade de navios estacionados explodiu de forma nunca antes vista, refletindo as medidas de isolamento impostas pelo Partido Comunista Chinês. Em comparação com os outros anos, o número fica ainda mais assustador.
A segunda imagem, a ilustração do que está ocorrendo. A quantidade absurda de navios parados próximos ao porto esperando aval para serem desabastecidos.
O objetivo desse texto é simples: mostrar como um mínimo problema pode desencadear consequências globais gigantes lá na frente. Basta um único problema no porto mais importante do planeta para que a cadeia logística global seja atormentada. E é o que está havendo.
Não há nenhuma certeza de uma piora do cenário inflacionário, pois ao mesmo tempo que esses portos estão parados, o consumo e a produção também caem, pressionando os preços pra baixos, mas serve a aprendizagem sobre esse indicador logístico.
Economia é uma ciência abrangente, e dificilmente encontramos respostas simples para problemas tão complexos na macroeconomia. Em um mundo globalizado como o que vivemos hoje, há interferência de todos os lados.
Netflix: uma análise de sua queda de assinantes além do ponto de vista político.
Todos nós possuímos posições políticas. É inevitável. Nossas convicções e nossos pontos de vistas nem sempre se alinham ao que é praticado por determinada pessoa ou empresa, e ao se deparar com algo que contrapõe nossas crenças, é natural que algum viés emocional se imponha.
Alvo de críticas por conta de parte de seu conteúdo recente, muitos estão dizendo que a Netflix perdeu parte de seus assinantes por isso – afinal, o boicote é a forma mais poderosa de manifestação contra uma empresa. Para fazê-la quebrar, basta parar de consumir os seus produtos, e muita gente tem cancelado o serviço por fator político.
No último trimestre, pela primeira vez na história, a Netflix reportou uma queda na sua quantidade de assinantes. Foi uma redução de 200 mil assinantes no trimestre, enquanto a projeção do mercado era de aproximadamente 2.2 milhões.
Nesse texto, não queremos polemizar, não queremos tomar lado político e não vamos entrar em detalhes sobre o seu conteúdo. Como profissionais e analistas, cabe a nós ler os documentos, dissecar os números e buscar compreender a razão do movimento ocorrido.
Se você investe na Netflix, tem pretensão de investir ou quer ao menos compreender a queda da base de assinantes, esse texto é para você.
Como mencionado: no último trimestre, a Netflix pela primeira vez na história reportou uma queda na quantidade de assinantes: uma queda pequena, mas que significa muito. Sob o nosso ponto de vista, existem 4 grandes motivos para isso.
O primeiro motivo: concorrência. Durante anos a Netflix atuou sozinha no mercado de streaming. Não havia concorrência à altura. Foram anos assim. Crescendo, sozinha, sendo a líder do mercado, se aproveitando de um mar de consumidores sedentos pelo serviço confortável do streaming de filmes e séries. Hoje não é mais assim.
Para se ter ideia, atualmente existem mais de 200 serviços de streaming em vídeo, sendo os “big five” os que competem diretamente com a Amazon Prime Video, Hulu, Disney+, and HBO Max. Além desses gigantes, existem também os serviços regionais, como a Globoplay aqui no Brasil.
Todos esses players são concorrentes diretos da companhia com um alto potencial de minar sua base de clientes. Muita gente assina mais de um serviço de streaming, mas nem todos. Enquanto a Netflix possui os planos mais caros do mercado, as empresas concorrentes tem disponibilizado planos mais baratos e com catálogos extensos.
Ou seja, ela não surfa mais sozinha nesse mercado. A concorrência tem se tornado cada vez maior – e não podemos menosprezar também o poder da pirataria nesse ponto.
O segundo motivo: Rússia. Sim, a Rússia. Segundo a própria Netflix, as sanções dadas à Rússia acabaram forçando a companhia a terminar seu serviço no país, sendo que 700 mil assinantes foram cancelados. Ou seja, uma redução de 700 mil assinaturas da base de uma só vez, além da perda do potencial de novos assinantes na região. É algo a considerar que é extremamente relevante e poucos tem mencionado.
O terceiro motivo: inflação. Aqui a lógica é simples: com o aumento da inflação, mais dinheiro é gasto com bens necessários e menos dinheiro sobra para gastar com bens supérfluos. A Netflix, por sua vez, sendo o serviço de streaming mais caro e um serviço longe de ser necessário, é repensado no orçamento das pessoas, afinal, nem todos estão dispostos a gastar R$56 por mês por um serviço que usa vez ou outra.
É o mesmo racional sobre o consumo no varejo que citamos aqui outro dia. Consumo secundário tende a sofrer em cenário inflacionário. Nos EUA esse impacto é reduzido, mas em países emergentes, é maior. Como a Netflix tem uma quantidade altíssima de assinantes em países emergentes, é um ponto a se considerar.
Todos nós possuímos posições políticas. É inevitável. Nossas convicções e nossos pontos de vistas nem sempre se alinham ao que é praticado por determinada pessoa ou empresa, e ao se deparar com algo que contrapõe nossas crenças, é natural que algum viés emocional se imponha.
Alvo de críticas por conta de parte de seu conteúdo recente, muitos estão dizendo que a Netflix perdeu parte de seus assinantes por isso – afinal, o boicote é a forma mais poderosa de manifestação contra uma empresa. Para fazê-la quebrar, basta parar de consumir os seus produtos, e muita gente tem cancelado o serviço por fator político.
No último trimestre, pela primeira vez na história, a Netflix reportou uma queda na sua quantidade de assinantes. Foi uma redução de 200 mil assinantes no trimestre, enquanto a projeção do mercado era de aproximadamente 2.2 milhões.
Nesse texto, não queremos polemizar, não queremos tomar lado político e não vamos entrar em detalhes sobre o seu conteúdo. Como profissionais e analistas, cabe a nós ler os documentos, dissecar os números e buscar compreender a razão do movimento ocorrido.
Se você investe na Netflix, tem pretensão de investir ou quer ao menos compreender a queda da base de assinantes, esse texto é para você.
Como mencionado: no último trimestre, a Netflix pela primeira vez na história reportou uma queda na quantidade de assinantes: uma queda pequena, mas que significa muito. Sob o nosso ponto de vista, existem 4 grandes motivos para isso.
O primeiro motivo: concorrência. Durante anos a Netflix atuou sozinha no mercado de streaming. Não havia concorrência à altura. Foram anos assim. Crescendo, sozinha, sendo a líder do mercado, se aproveitando de um mar de consumidores sedentos pelo serviço confortável do streaming de filmes e séries. Hoje não é mais assim.
Para se ter ideia, atualmente existem mais de 200 serviços de streaming em vídeo, sendo os “big five” os que competem diretamente com a Amazon Prime Video, Hulu, Disney+, and HBO Max. Além desses gigantes, existem também os serviços regionais, como a Globoplay aqui no Brasil.
Todos esses players são concorrentes diretos da companhia com um alto potencial de minar sua base de clientes. Muita gente assina mais de um serviço de streaming, mas nem todos. Enquanto a Netflix possui os planos mais caros do mercado, as empresas concorrentes tem disponibilizado planos mais baratos e com catálogos extensos.
Ou seja, ela não surfa mais sozinha nesse mercado. A concorrência tem se tornado cada vez maior – e não podemos menosprezar também o poder da pirataria nesse ponto.
O segundo motivo: Rússia. Sim, a Rússia. Segundo a própria Netflix, as sanções dadas à Rússia acabaram forçando a companhia a terminar seu serviço no país, sendo que 700 mil assinantes foram cancelados. Ou seja, uma redução de 700 mil assinaturas da base de uma só vez, além da perda do potencial de novos assinantes na região. É algo a considerar que é extremamente relevante e poucos tem mencionado.
O terceiro motivo: inflação. Aqui a lógica é simples: com o aumento da inflação, mais dinheiro é gasto com bens necessários e menos dinheiro sobra para gastar com bens supérfluos. A Netflix, por sua vez, sendo o serviço de streaming mais caro e um serviço longe de ser necessário, é repensado no orçamento das pessoas, afinal, nem todos estão dispostos a gastar R$56 por mês por um serviço que usa vez ou outra.
É o mesmo racional sobre o consumo no varejo que citamos aqui outro dia. Consumo secundário tende a sofrer em cenário inflacionário. Nos EUA esse impacto é reduzido, mas em países emergentes, é maior. Como a Netflix tem uma quantidade altíssima de assinantes em países emergentes, é um ponto a se considerar.
O quarto motivo: a pandemia. O isolamento social praticado em 2020 e 2021 colocou todos em casa por força maior. Com isso, opções de lazer que antes eram recorrentes – como aquela ida ao cinema ou uma viagem bate e volta de final de semana – deixaram de ser opção. Com todos dentro de casa, novas opções surgiram: filmes e jogos foram os maiores beneficiados.
Milhões de pessoas compraram videogames, computadores gamers, assinaram serviços de streaming de filmes e séries entre outras coisas.
Com a volta a normalidade, muita gente repensa essas assinaturas, afinal, nem todos continuarão usando e o uso foi apenas passageiro pela falta de opções do momento. Repensando essas assinaturas, a mesma força que causou um boom de novos assinantes, também causa um boom de cancelamentos. Certamente muita gente seguirá assinando pois no serviço identificou algo excelente para complementar as opções de lazer, mas não é o caso de todo mundo.
Veja: quatro pontos puramente econômicos baseados nos relatórios da companhia.
Estamos dizendo que política não influencia nos resultados da empresa? Mas é claro que não! Certamente influencia. Certamente existem milhares de pessoas que cancelaram os serviços da Netflix por conta disso. É por isso que empresas evitam tanto de entrar em temas políticos: num mundo polarizado como o que vivemos, um mínimo deslize pode causar uma reação em cadeia que impacta fortemente uma companhia, as vezes até mesmo de forma que não haja solução para resolver.
Nosso intuito aqui foi um só: abrir o escopo de análise quando a busca é compreender os números de uma companhia. Você pode ter suas convicções, seus pontos de vista e tudo mais, mas lembre-se que o mercado pensa unicamente em dinheiro, e o único que tem a perder com viés, é você. Conhecer os fundamentos da companhia é imprescindível para tomar decisões acerca de seus investimentos.
Finalizando: a Netflix está perdendo seus fundamentos? Não. Ainda é cedo pra dizer isso, e até mesmo exagerado.
Esses números são péssimos, sem dúvidas, e acendem um alerta de preocupação sobre o seu ritmo de crescimento, mas um trimestre isolado não dita absolutamente coisa alguma sobre uma companhia, ainda mais quando a base comparativa é cheia de não recorrentes.
Entenda a Netflix como uma líder de mercado, mas também compreenda que o mercado que ela está inserida, não tem barreiras. Concorrência e demais riscos devem ser levados em conta e nunca menosprezados, ainda mais se tratando de um serviço que atua globalmente.
Lembre-se: em nossa plataforma ensinamos tudo isso, a realizar análises minuciosas e investir seu dinheiro com todo o preparo que você precisa. São mais de 200h de aulas, textos, artigos, relatórios, debates e comunidade de assinantes com conteúdo novo sendo adicionado semanalmente!
www.findocs.com.br
Milhões de pessoas compraram videogames, computadores gamers, assinaram serviços de streaming de filmes e séries entre outras coisas.
Com a volta a normalidade, muita gente repensa essas assinaturas, afinal, nem todos continuarão usando e o uso foi apenas passageiro pela falta de opções do momento. Repensando essas assinaturas, a mesma força que causou um boom de novos assinantes, também causa um boom de cancelamentos. Certamente muita gente seguirá assinando pois no serviço identificou algo excelente para complementar as opções de lazer, mas não é o caso de todo mundo.
Veja: quatro pontos puramente econômicos baseados nos relatórios da companhia.
Estamos dizendo que política não influencia nos resultados da empresa? Mas é claro que não! Certamente influencia. Certamente existem milhares de pessoas que cancelaram os serviços da Netflix por conta disso. É por isso que empresas evitam tanto de entrar em temas políticos: num mundo polarizado como o que vivemos, um mínimo deslize pode causar uma reação em cadeia que impacta fortemente uma companhia, as vezes até mesmo de forma que não haja solução para resolver.
Nosso intuito aqui foi um só: abrir o escopo de análise quando a busca é compreender os números de uma companhia. Você pode ter suas convicções, seus pontos de vista e tudo mais, mas lembre-se que o mercado pensa unicamente em dinheiro, e o único que tem a perder com viés, é você. Conhecer os fundamentos da companhia é imprescindível para tomar decisões acerca de seus investimentos.
Finalizando: a Netflix está perdendo seus fundamentos? Não. Ainda é cedo pra dizer isso, e até mesmo exagerado.
Esses números são péssimos, sem dúvidas, e acendem um alerta de preocupação sobre o seu ritmo de crescimento, mas um trimestre isolado não dita absolutamente coisa alguma sobre uma companhia, ainda mais quando a base comparativa é cheia de não recorrentes.
Entenda a Netflix como uma líder de mercado, mas também compreenda que o mercado que ela está inserida, não tem barreiras. Concorrência e demais riscos devem ser levados em conta e nunca menosprezados, ainda mais se tratando de um serviço que atua globalmente.
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FIIS de shoppings e a volta à normalidade
A pandemia foi uma verdadeira bomba nos investimentos em fundos imobiliários: em questão de pouco tempo, milhares de fundos sofreram com o isolamento social, deixando de receber os aluguéis de seus imóveis ou tendo de adiar o recebimento para datas longínquas.
Entre os que mais sofreram com isso, o segmento de escritórios sempre é abordado, mas pouco se fala sobre o segmento de shoppings.
Esse segmento sempre foi um dos preferidos dos investidores de FIIs – e com razão. Caracterizando resiliência e sendo um símbolo de resistência à crises, até mesmo a crise de 2016 que foi uma das piores do país nos últimos 100 anos foi capaz de impactar negativamente a maioria dos fundos, com os resultados continuando fortes e crescentes na época.
Até que a pandemia chegou e fez muita gente desacreditar.
Com os shoppings fechados e o crescimento em ritmo acelerado do e-commerce, as teses surgiam com viés cada vez mais negativo: alguns até mesmo apostam que as compras on-line farão com que os shoppings deixem de existir. Esse cenário nebuloso e cinzento fez com que as cotas dos fundos caíssem violentamente, assim como seus rendimentos – afinal, com as portas fechadas, os lojistas não teriam renda e capacidade de pagar o aluguel.
Hoje, pouco mais de 2 anos depois do início da pandemia e um cenário mais claro, as análises se tornam mais fáceis.
Com a retirada de restrição de horário de funcionamento ao redor do país e a volta à normalidade, os shoppings voltaram a ser frequentados, as lojas voltaram a vender e a renda desses imóveis voltou a subir.
Como o gráfico mostra: aos poucos a distribuição de rendimentos do setor retoma os patamares que tínhamos há 2 anos. Um processo lento, mas que tem ocorrido. Ainda longe do suficiente, afinal, esses rendimentos além de atingir os patamares de 2019, também tem de subir para compensar a inflação dos últimos 2 anos, mas como dito, os números tem crescido, assim como a receita da maioria dos shoppings e o fluxo de pessoas também normalizado.
Sobre o e-commerce e a tese de fim dos shoppings – nós discordamos da relação entre ambos.
O crescimento das vendas on-line é uma certeza, algo inevitável. Mas acreditamos que seja um erro a comparação direta entre ambos, não há simetria. Shoppings no Brasil não são somente locais de compras, mas ambientes que vendem também experiência. Um local de passeio, segurança, climatização, que une ambiente para alimentação, cinema e afins. Em um país onde a violência é elevada, essa experiência de segurança é algo que deve ser considerado.
Acreditamos que shoppings bem localizados e com um bom portfólio de lojas, seguirão existindo, crescerão e triunfarão, com a normalização completa do fluxo de pessoas, das vendas e dos rendimentos, inclusive corrigidos pela inflação ao decorrer dos anos.
O que houve em 2020 não era esperado de nenhuma forma, e sem dúvidas o setor de shoppings foi um dos mais impactados no cenário econômico – foram quase 2 anos de portas fechadas. E no longo prazo, para os bons fundos, isso será apenas um soluço.
A pandemia foi uma verdadeira bomba nos investimentos em fundos imobiliários: em questão de pouco tempo, milhares de fundos sofreram com o isolamento social, deixando de receber os aluguéis de seus imóveis ou tendo de adiar o recebimento para datas longínquas.
Entre os que mais sofreram com isso, o segmento de escritórios sempre é abordado, mas pouco se fala sobre o segmento de shoppings.
Esse segmento sempre foi um dos preferidos dos investidores de FIIs – e com razão. Caracterizando resiliência e sendo um símbolo de resistência à crises, até mesmo a crise de 2016 que foi uma das piores do país nos últimos 100 anos foi capaz de impactar negativamente a maioria dos fundos, com os resultados continuando fortes e crescentes na época.
Até que a pandemia chegou e fez muita gente desacreditar.
Com os shoppings fechados e o crescimento em ritmo acelerado do e-commerce, as teses surgiam com viés cada vez mais negativo: alguns até mesmo apostam que as compras on-line farão com que os shoppings deixem de existir. Esse cenário nebuloso e cinzento fez com que as cotas dos fundos caíssem violentamente, assim como seus rendimentos – afinal, com as portas fechadas, os lojistas não teriam renda e capacidade de pagar o aluguel.
Hoje, pouco mais de 2 anos depois do início da pandemia e um cenário mais claro, as análises se tornam mais fáceis.
Com a retirada de restrição de horário de funcionamento ao redor do país e a volta à normalidade, os shoppings voltaram a ser frequentados, as lojas voltaram a vender e a renda desses imóveis voltou a subir.
Como o gráfico mostra: aos poucos a distribuição de rendimentos do setor retoma os patamares que tínhamos há 2 anos. Um processo lento, mas que tem ocorrido. Ainda longe do suficiente, afinal, esses rendimentos além de atingir os patamares de 2019, também tem de subir para compensar a inflação dos últimos 2 anos, mas como dito, os números tem crescido, assim como a receita da maioria dos shoppings e o fluxo de pessoas também normalizado.
Sobre o e-commerce e a tese de fim dos shoppings – nós discordamos da relação entre ambos.
O crescimento das vendas on-line é uma certeza, algo inevitável. Mas acreditamos que seja um erro a comparação direta entre ambos, não há simetria. Shoppings no Brasil não são somente locais de compras, mas ambientes que vendem também experiência. Um local de passeio, segurança, climatização, que une ambiente para alimentação, cinema e afins. Em um país onde a violência é elevada, essa experiência de segurança é algo que deve ser considerado.
Acreditamos que shoppings bem localizados e com um bom portfólio de lojas, seguirão existindo, crescerão e triunfarão, com a normalização completa do fluxo de pessoas, das vendas e dos rendimentos, inclusive corrigidos pela inflação ao decorrer dos anos.
O que houve em 2020 não era esperado de nenhuma forma, e sem dúvidas o setor de shoppings foi um dos mais impactados no cenário econômico – foram quase 2 anos de portas fechadas. E no longo prazo, para os bons fundos, isso será apenas um soluço.
Sobre o Ciclo das Commodities
A China é uma gigante – isso é de conhecimento geral. O que nem todos sabem, é que o país é o grande motor responsável pelo preço das commodities devido seu altíssimo consumo a ponto de ser uma determinante nesse sentido.
Não era de se esperar menos, afinal, estamos falando da segunda maior economia do planeta que comporta 28% da população global – ou 1.4 bilhões de pessoas, para ser mais claro.
Para se ter ideia, entre 2011 e 2013, a China usou mais cimento do que os EUA em um século inteiro (1901-2000). Não, você não leu errado: em 3 anos a China usou mais cimento do que a maior potência econômica do planeta no século 20 inteiro.
O gráfico é uma ilustração disso. Na linha roxa, trata-se do crescimento anual de importações da China, enquanto a linha azul, o preço das commodities globalmente.
Percebe-se que a correlação entre ambas é altíssima. Hoje o preço das commodities está completamente descolado do nível de importações, o que sugere que em algum momento essas linhas voltarão a se encontrar – seja por queda do preço das commodities, ou aumento das importações chinesas.
Vale lembrar que a China está passando por um momento delicado da pandemia, com lockdowns e uma onda de contaminação de Covid que tem forçado isolamentos extremamente restritivos – o que é uma forte pressão negativa sobre o preço das commodities, então não se espante caso você tenha commodities em carteira e veja empresas do segmento com maior oscilação nos próximos dias.
A China é uma gigante – isso é de conhecimento geral. O que nem todos sabem, é que o país é o grande motor responsável pelo preço das commodities devido seu altíssimo consumo a ponto de ser uma determinante nesse sentido.
Não era de se esperar menos, afinal, estamos falando da segunda maior economia do planeta que comporta 28% da população global – ou 1.4 bilhões de pessoas, para ser mais claro.
Para se ter ideia, entre 2011 e 2013, a China usou mais cimento do que os EUA em um século inteiro (1901-2000). Não, você não leu errado: em 3 anos a China usou mais cimento do que a maior potência econômica do planeta no século 20 inteiro.
O gráfico é uma ilustração disso. Na linha roxa, trata-se do crescimento anual de importações da China, enquanto a linha azul, o preço das commodities globalmente.
Percebe-se que a correlação entre ambas é altíssima. Hoje o preço das commodities está completamente descolado do nível de importações, o que sugere que em algum momento essas linhas voltarão a se encontrar – seja por queda do preço das commodities, ou aumento das importações chinesas.
Vale lembrar que a China está passando por um momento delicado da pandemia, com lockdowns e uma onda de contaminação de Covid que tem forçado isolamentos extremamente restritivos – o que é uma forte pressão negativa sobre o preço das commodities, então não se espante caso você tenha commodities em carteira e veja empresas do segmento com maior oscilação nos próximos dias.