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Na aula de hoje teremos um roteiro completo de preenchimento da declaração de IR para ativos brasileiros.

Novamente, com participação do Elcio Ghioto. Participe ao vivo para tirar as suas dúvidas.

Ao vivo no INT às 19h00. Link já na plataforma.

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Principais produtos que tanto a Rússia quanto a Ucrânia exportam pro mundo.

Percebe-se que alguns itens são de extrema importância para a cadeia produtiva global: o paládio na produção de carros, o neon na produção de semicondutores que já é um bicho extremamente pressionado desde o começo da pandemia, o gás natural que alimenta parte expressiva da energia da europa, o trigo que alimenta praticamente a África inteira e parte relevante do planeta...

Como já mencionamos, essas sanções dadas a Rússia ainda causam grande ceticismo por conta das consequências que elas geram. Diferente do Irã, que possui milhares de sanções mas poucos relevância na economia global, a Rússia é um player importante em diversos mercados como pais exportador (vide fertilizantes) e Putin tem usado isso como moeda de influência, inclusive obrigando aos países menos amigáveis a importar seus produtos por rublos. Esse movimento de obrigação de uso do rublo já praticamente apagou toda a queda da moeda desde o começo da invasão da Ucrânia.

Indo um pouco além, recentemente a Alemanha anunciou um plano de racionamento de gás natural, refletindo as sanções impostas pela guerra. Um corte desse produto para o país pode ser algo catastrófico, apesar do Putin ainda não ter sinalizado intenção de corte de fornecimento.

Esse cenário externo também conversa com o nosso cenário. Apesar dos obstáculos por aqui, nosso país em termos inflacionários e econômicos está em melhor posição que a maior parte da Europa, o que reforça boa parte da vinda do capital para o nosso mercado e a queda do dólar - diferente do que alguns dizem ser somente referente a nossa taxa de juros.

Dados dessa semana apontaram uma inflação de 10% na Espanha, 7,6% na Alemanha e 7,0% na Itália. Esses números foram vistos pela última vez somente na década de 80, e isso ilustra o tamanho do problema que a Europa está enfrentando no momento.

Em síntese, como dito, o cenário brasileiro não é um céu de brigadeiro, mas em termos de conjuntura está substancialmente melhor do que esses países. A queda expressiva do dólar nas últimas semanas somada a queda de algumas commodities apontam para uma inflação de viés mais positivo para os próximos meses.
Enquanto isso, inflação em alguns países europeus, EUA e China. Lembrando que a taxa de juros na Europa segue zerada.
O dólar está caindo, e o motivo vai bem além do que a maioria diz por aí.

Março foi marcado por uma forte queda do preço do dólar – abrindo o mês em R$5,16, a cotação caiu vertiginosamente, fechando o mês nos R$4,74. No período a queda foi de 7%, enquanto no acumulado desde o começo do ano, a queda já é de quase 15% - e existe explicação pra tudo isso. Uma explicação que vai bem além da simples afirmação que fazem por aí, alegando que a única razão é a alta da SELIC.

O primeiro grande ponto é: ciclo.

A economia global segue ciclos. Hoje o mundo está passando por uma rotação de capital onde os investidores estão reduzindo suas posições de risco e aumentando suas posições mais conservadoras. Nessa rotação, as commodities se beneficiam e ficam mais caras – e com isso, consequentemente, o Brasil se beneficia, visto que o país é um dos maiores produtores de commodities do planeta.

Esse cenário originado causa duas consequências: a primeira é que muito investidor estrangeiro investe em companhias de commodities aqui do Brasil, visto que elas lucram mais por estarem na alta do ciclo. Ou seja, uma enxurrada de dólares entra em nossa economia sendo o dinheiro de investidores externos. Essa é uma força que por si só já pressiona a cotação do dólar para baixo.

A segunda consequência é o fato de que commodities mais caras beneficiam as contas públicas do nosso país. Para se ter ideia, em 2021 a Petrobras foi responsável por quase 10% do PIB do Brasil. Foi responsável também por mais de R$150 bilhões de receita do governo federal. Sozinha ela gerou bilhões de reais aos cofres públicos.

Esse boom das commodities impulsionam a economia do país e gera um cenário de superávit para as contas públicas. Ilustrando um pouco: em 2020, ano que entramos na pandemia, economistas projetavam uma dívida pública de 90% do PIB em 2021 e 95% do PIB para 2022. Nada disso ocorreu.

Em 2022 a nossa dívida pública caiu de 89% do PIB para 82% do PIB. Houve forte redução da dívida e expressiva melhora do cenário fiscal do país. E em 2022, com as commodities ainda em alta, isso segue. Essa melhora de cenário torna o Brasil ainda mais convidativo para o investidor externo, dada a conjuntura de menor risco em termos macroeconômicos.

Ou seja, mais dólares entrando no país diretamente paga ganhar com empresas de comodities e mais dólares entrando no país diretamente porque o cenário fiscal melhorou.

O segundo ponto é: o Brasil se tornou a estrela dos países emergentes.

Até o ano passado, dois países eram mais atrativos que o Brasil no cenário de investimento em países emergentes: China e Rússia.

A Rússia deixou de ser opção para o investidor externo por motivos óbvios: sanções, possível catástrofe econômica como derivada dessas sanções, conflitos políticos entre outros motivos. Em fevereiro desse ano o país foi completamente riscado da lista de investimentos dos investidores globais.

A China, por sua vez, não deixou de fato de ser atrativa, mas alguns fatores aumentaram os riscos e acabaram forçando redução de exposição ao país para os investidores globais. Desde o começo de 2021 o Partido Comunista Chinês tem tomado medidas intervencionistas na economia do país. Medidas que impactaram dezenas de setores, entre eles, o setor de tecnologia, sendo o principal setor do país e o preferido dos investidores.

Como essas medidas intervencionistas não conversam com o tipo de risco que investidores toleram, a China passou a ser menos preferida na hora de investir.

Sendo assim, o forte fluxo de investimentos que tinha como destino a China e a Rússia, passaram então a vir para o Brasil. Com bilhões e bilhões de dólares entrando em nosso país que outrora tinha como destino países que não aqui.

O terceiro e último ponto, e não menos importante: a nossa taxa de juros.

Sim. Um juros real alto atrai uma quantidade massiva de dinheiro para o país. Isso é inegável, e é justamente o que está acontecendo.
Hoje o Brasil tem a segunda taxa de juros real mais alta do planeta, atrás somente da Rússia. Isso é um prato cheio para investidores externos que buscam rentabilizar com segurança.

A questão é que nosso juros real está alto desde outubro, sendo que essa apreciação da nossa moeda começou a ocorrer agora, em janeiro desse ano.

Negar que isso corrobora com a apreciação da nossa moeda seria uma grande desonestidade, mas dizer que é somente por isso, seria desonestidade tanto quanto.

Como mencionado, hoje o cenário propicia uma conjunção de fatores que apreciam a nossa moeda. Por incrível que pareça dizer isso, nossa economia está indo bem melhor do que que a maior parte dos países mundo afora, com fiscal melhorando, desemprego caindo, atividade econômica retomando e inflação em termos relativos bem melhor do que no resto dos países por aí (vide a Europa, que como citamos, está com a inflação quase fora de controle em máxima histórica e com um futuro perverso a frente caso a Rússia corte seu fornecimento de gás natural ao país).

Sobre os pontos positivos, há vários.

Essa queda do dólar tem como principal influência a possibilidade de um cenário inflacionário mais tranquilo pros próximos meses. Ao mesmo tempo que as commodities estão com o preço alto, caso o dólar continue em patamar baixo, o país pode se beneficiar dessa alta de preços pela ótica das contas públicas com uma inflação reduzida – o que seria o melhor dos dois mundos. Ainda assim, é cedo para afirmar, mas hoje o que ocorre é justamente o que seria ideal ocorrer também em 2021: preço alto das commodities com redução do preço do dólar.

No mais, sempre repetimos isso, e seguiremos repetindo: diversifique seu patrimônio.

No final de 2021, diversos investidores foram tentados a dolarizar 100% do patrimônio com alguns influenciadores mostrando apenas um lado da moeda e ignorando completamente o potencial dos ciclos econômicos que a economia global passa. Assim como o Brasil passou a última década com uma rentabilidade baixa no mercado acionário, entre 2000 e 2013 os EUA também passaram todo o período sem sequer dar 1% de rentabilidade – e pouca gente sabe que o melhor mercado do mundo passou mais de 10 anos sem gerar rentabilidade.
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Fundos imobiliários descontados e o que significa um P/VP baixo

Desde o começo de 2020, o segmento de fundos imobiliários ainda não conseguiu recuperar suas perdas. Com temores sobre alta vacância em alguns segmentos refletindo o “novo normal” do home office, uma taxa de juros longa altíssima refletindo temores sobre o destino econômico do Brasil entre outros fatores menores, alguns setores seguem extremamente desvalorizados face aos seus respectivos valores patrimoniais.

O gráfico acima ilustra essa relação.

Segundo levantamento da gestão do fundo BCFF11, com exceção dos fundos de CRIs, os demais segmentos da indústria seguem com descontos em relação aos seus valores patrimoniais. No caso, os fundos de lajes corporativas se destacam, com um desconto de 24% sobre o patrimônio com um dividend yield de 7,9% ao ano, seguido do segmento de shoppings, com um desconto de 21% e um yield de 8,6%.

Junto com esses dados, a questão sempre é levantada: até que ponto o P/VP é confiável para indicar que um ativo realmente está barato? A princípio – não é algo 100%. Longe de ser. Mas é algo a ser considerado e explorado na análise.

O valor patrimonial de um fundo é reavaliado anualmente, sendo que ao decorrer desse ano, a gestão tem plena liberdade para tomar medidas que possam alterar esses números significativamente. Ou seja, analisar friamente o percentual de desconto e concluir que esse desconto de fato existe no fundo, não é correto.

A questão é que essas reavaliações patrimoniais que ocorrem anualmente normalmente não causam uma variação muito brusca do valor patrimonial, e dificilmente um gestor vai movimentar os ativos do fundo a ponto de alterar tanto esse valor.

Já para fundos de papel, a análise é um pouco diferente.

Como esses fundos já refletem o preço dos ativos de forma clara por se tratar de títulos de dívida, se ancorar no P/VP é mais seguro. Por isso cabe a indicação de sempre: evitar comprar um fundo de CRIs que negocie a um P/VP acima dos 1,06x, a não ser que a qualidade dos ativos, remuneração e afins justifique.

Em síntese, o P/VP não é um indicador 100% confiável e nem deve ser usado isoladamente para a tomada de decisão, mas é uma evidência de possível oportunidade no ativo. Se encontrar um fundo com o P/VP baixo e indicando desconto, estude-o e disseque os números para compreender a razão exata desse desconto. Se nenhuma falcatrua for evidenciada, é bem provável que haja de fato uma oportunidade ali.

Hoje o segmento de lajes corporativas ilustra isso: diversos fundos com imóveis de máxima qualidade e extremamente bem localizados, com taxas de vacância dentro da normalidade do ciclo imobiliário e com viés de queda, estão negociando com grandes descontos face ao valor patrimonial.

Descontos que, em uma melhora do ciclo e o retorno das cotas ao preço justo, resultarão em uma rentabilidade forte ao investidor que tiver maior paciência, fora o pagamento de dividendos completamente livro de impostos. Lembre-se: fundo imobiliário não é só pagamento de provento e não deve ser comparado com a SELIC.

Em nossa plataforma possuímos diversas aulas sobre fundos imobiliários, além de adicionar novos materiais semanalmente.

E você, tem aproveitado o momento para a compra de FIIs ou tem preferido comprar outros ativos?
Se você está comparando a rentabilidade da sua carteira com o IBOV, você está fazendo errado.

Certamente você já se pegou comparando a rentabilidade da sua carteira com o índice da bolsa brasileira. Não uma, nem duas vezes, mas provavelmente várias vezes.

Com temas relacionados a investimentos sendo cada vez mais abordados nas redes sociais, mencionar rentabilidade acima de algum índice ou sobre determinado período de tempo virou quase um trófeu – uma forma de ostentar conhecimento. E nada disso faz sentido.

Na imagem, o gráfico da esquerda mostra quais foram os principais setores que moveram o índice da bolsa brasileira (Ibovespa) no ano.

O setor de mineração foi o que mais puxou. Da alta de 15 mil pontos no ano, sozinho esse setor foi responsável por quase 5 mil pontos – isso é, o setor de mineração e metais (que contempla empresa como a Vale, CSN, Gerdau, Usiminas entre outras gigantes) foi responsável por 33% da alta do índice no ano.

Seguido do setor de mineração, o que mais puxou o índice foi o setor bancário, com gigantes como o Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e B3, responsável por quase 4 mil pontos, ou seja, 26% da alta do índice no ano.

Indo um pouco além, o gráfico da direita mostra os ativos que mais contribuíram de forma isolada. A Vale, no caso, foi responsável por 4.5 mil pontos dos 15 mil que a bolsa cresceu esse ano. Você não leu errado: a Vale, sozinha, foi responsável por quase um terço da alta da bolsa brasileira no ano. Uma única empresa moveu a bolsa do país para cima com tamanha força.

E agora, retornamos ao título da chama: se você está comparando a rentabilidade da sua carteira com o IBOV, você está fazendo errado.

O motivo é simples: o índice da nossa bolsa é péssimo. Concentrado. Não é uma boa referência, ainda mais em períodos de tempo menos alongados.

O índice Ibovespa tem uma altíssima concentração em commodities. Commodities por sua vez, são cíclicas. O gráfico da Vale é uma verdadeira montanha russa – em tempos de alta do minério de ferro como o atual momento que estamos vivendo, a empresa se torna uma empresa, o preço de suas ações explode e o índice da nossa bolsa vai junto. O mesmo se aplica a absolutamente qualquer outra empresa de commodity, como a própria Petrobras, que também tem uma boa concentração no índice da bolsa.

Se a sua estratégia de investimento não contempla investimento em commodities por questão de preferência ou risco, dificilmente você conseguirá bater o índice com folga. É pura questão matemática e de concentração do indicador. E não há nada errado com isso.

O mesmo serve para períodos de bull market: você provavelmente lembra quando em 2020, no ápice do bull market com os juros nos 2%, muitos investidores com pouco tempo de bolsa se achavam geniais por baterem o índice com folga, com algumas ações disparando para mais de 500% de rentabilidade porque as commodities estavam em baixa e o apetite de risco dos investidores fazia as small caps explodirem de preço. Tudo se resume aos ciclos.

Dezenas de gestores renomados do mercado não batem o índice no curto prazo. Dezenas de gestores renomados do mercado passaram até mais de 5 anos sem bater o índice. Isso faz parte.

O índice é apenas uma referência, e sua análise sobre a sua rentabilidade tem que ir bem além, considerando o risco da sua carteira, o foco da sua estratégia (é uma carteira mais voltada a valorização? A remuneração?) e o que você realmente busca com seus investimentos.

A intenção dessa mensagem é clara: investidores ainda novos no mercado tendem a ficar seduzidos pela rentabilidade que identificam por aí, mas ignoram completamente os fatores que consolidam esses números.

Se você não está batendo o índice, pouco importa. Dificilmente você o fará no curto prazo, ainda mais sem investir em commodities. Se você está batendo o índice, também pouco importa. Os fundamentos se consolidam ao decorrer do tempo, e toda volatilidade de curto prazo não implicará em absolutamente nenhum fator importante se não aleatoriedade e especulação que ainda não refletem os resultados das companhias.
Não faça parte da manada.

Sem dúvidas, falar é fácil – fazer é que é difícil. Quando o mercado está desabando, há sangue nas ruas e os noticiários explodem em manchetes de que um cenário apocalíptico se desenha, é necessário um grau de frieza tremendo para não ser tomado pelo emocional.

Até o final de 2021, era isso que líamos nos noticiários. Alguns influencers de finanças defendiam a completa dolarização do patrimônio, ignorando a estilingada do dólar e o fato de que a bolsa americana estava na máxima, ameaçando uma correção por conta do fluxo.

A SELIC subindo em ritmo acelerado também seduz. Ignorando o longo prazo, muitos ficam tentados a vender ativos de renda variável no prejuízo para levar para a renda fixa, mesmo sabendo que cotação segue lucro e é questão de tempo até que as companhias se acomodem em seus preços justos.

Sendo assim, com toda essa conjuntura fúnebre, os investidores de fundos multimercado realizaram resgates em níveis recordes. Desde setembro do ano passado, mais de R$130 bilhões foram resgatados dessa categoria de fundos.

Enquanto isso, no primeiro trimestre de 2022, os fundos multimercados registraram um dos melhores trimestres da história, rendendo o dobro do CDI no período – lembrando aqui que fundos multimercado possuem tanto ativos de renda variável quanto renda fixa.

E R$130 bilhões perderam essa alta, com boa parte do dinheiro tendo sido resgatado no prejuízo.

Sucesso nos investimentos é questão de consistência. Não seja a manada.
Alimentos mais caros, motivos e como isso afeta a bolsa de valores

E pouco mais de um mês após o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, as consequências de segunda instância começam a aparecer.

Considerando o índice de preço de alimentos da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations, o braço da ONU relacionado a área de alimentação e agricultura), o mês de março de 2022 registrou uma alta histórica nunca antes registrada no preço dos alimentos: 12,6% em apenas um mês.

Desde março de 2020 o índice vem subindo, resultante da quebra da cadeia de logística que a pandemia causou, mas em fevereiro desse ano, apesar do final de 2021 até o começo de 2022 ter demonstrado um princípio de desaceleração, os preços voltaram a subir forte.

Apesar de aparentar simplificação excessiva, não é: o principal fator para esse movimento tem sido o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Do lado da Rússia, as potências tem dados sanções cada vez mais severas ao país, visando enfraquecer a economia russa e de alguma forma pressionar Putin a dar um fim a guerra, ignorando o fato de que essas sanções também causam problemas econômicos não só a Rússia, mas também aos países que dependem dos produtos que ela exporta – em especial fertilizantes, trigo e petróleo. O encarecimento de fertilizantes e petróleo expressa encarecimento direto de qualquer alimento.

Do lado da Ucrânia, o conflito tem atrasado e até mesmo impedido a colheita do país, e assim como a Rússia, a Ucrânia também desempenha um papel importante na exportação de alimentos global, especialmente do trigo.

Para o Brasil, esse efeito ocorre em menor proporção, dada a nossa posição de país neutro, a apreciação do nosso câmbio e um mercado interno pujante na produção alimentícia. Ainda assim, as consequências não são negligenciáveis e já são percebidas, principalmente para as classes sociais de menor renda.

Em cenários de alta inflação no preço de bens necessários (como é o caso de alimentos, que é um tipo de produto que não se pode abrir mão do consumo), é natural que companhias de bens mais supérfluos sofram na bolsa de valores. A razão é simples.

O orçamento de uma família é limitado. As despesas com alimentação apesar de ser ajustáveis, não variam muito. Há um mínimo a ser consumido. Quanto mais o preço dos alimentos sobe, menos a família tem livre do seu orçamento para gastar com produtos de menor necessidade. Uma família com renda de R$5.000 que gastava R$2.000 com alimentação num mês, hoje pode estar gastando R$3.000, e isso caracteriza uma perda de R$1.000 livre de consumo para outros setores da economia.

Os mesmos R$1.000 que poderiam ir para comprar eletrodomésticos, viagens ou roupas, foi para o setor de alimentos. Então caso você tenha posições compradas em setor de consumo cíclico, lembre-se que os resultados em momentos de crise podem piorar, da mesma forma que em momentos de bonança, performam melhor do que a maioria dos outros setores.

A pressão sobre as margens das companhias que produzem alimentos também vale ser mencionada. Tomadoras de preços levam tempo para repassar completamente as margens, sendo que só as produtoras de commodities tendem a se beneficiar completamente desse movimento.
Se o brasileiro está vendendo ações para investir em renda fixa, significa que há alguém comprando.

Como mencionamos recentemente, o mercado costuma agir em efeito manada. Quando os juros caem e a renda variável começa a subir, o investidor médio tira seu dinheiro da renda fixa e vai para o mercado de renda variável. Quando os juros sobem e a renda variável começa a cair, o investidor médio tira seu dinheiro das ações e dos fundos imobiliários – mesmo que em prejuízo – e volta para a renda fixa. Nunca dando o tempo necessário para seu dinheiro realmente render, ilustrando perfeitamente aquela frase do Buffett, onde ele diz que o mercado é uma máquina de transferir dinheiro dos impacientes para os pacientes.

Pegando os números isolados para ilustrar isso, fica mais fácil de compreender.

Em 2019, época que a bolsa atingiu níveis altíssimos com diversos ativos extremamente valorizados em termos de indicadores, o investidor interno estava com 45,2% de participação no mercado, enquanto o investidor externo, 54,8%. E então, em 2020, o investidor interno passou a aumentar suas posições, crescendo até 53,5% do mercado – momento em que o investidor externo estava diminuindo cada vez mais sua posição.

Até que em setembro de 2021, com as sucessivas altas da SELIC, o investidor interno passou a vender cada vez mais suas posições, reduzindo a participação de mercado para 50,5% atualmente, enquanto o investidor externo atingiu os 49,5% - crescendo 3% em comparação ao período passado.

O curioso é que justamente nesse meio tempo que diversos ativos se encontraram (e ainda se encontram) com preços extremamente interessantes, com algumas empresas em situação até melhor do que em 2019 e ao mesmo tempo com preços das ações bem menores, diversos investidores abriram mão de continuar investindo, enquanto os gringos tomam cada vez mais espaço e compram cada vez mais ações baratas.

A máxima sempre vale ser dita: invista independente do cenário, diversifique, e aproveite as oportunidades. Não tente acertar fundo, não tente prever topo – veja o mercado de ações como um mercado para o longo prazo, e você certamente não se arrependerá. Em nossa plataforma, já explicamos isso diversas vezes, e dezenas de aulas estão disponíveis para você identificar as melhores empresas para investir.

Seja um analista de empresas, e não um analista de cotações. Sem dúvidas, é difícil digerir os preços de tela das ações as vezes, principalmente quando eles demonstram tamanha oportunidade – mas é a sua tese de investimento e seu conhecimento sobre a companhia que vão te assegurar no momento que você compra o ativo. Conhecendo a empresa, não há o que temer.

E você: tem aproveitado para comprar ações nos últimos meses?
Gráfico de retorno das commodities (índice CRB) e respectivos grandes eventos ocorridos em cada puxada.

Perceba que sempre que há forte aumento de preços, posteriormente a uma forte correção e queda de preços. Isso ocorre porque boom de preço das commodities quase sempre leva a uma desaceleração posterior.

Pegando o preço do petróleo como exemplo: de início, o boom ocorre, o petróleo se valoriza violentamente e países que exportam o bem (vide Brasil) se beneficiam. Como essa alta do petróleo eleva o preço dos combustíveis, uma piora no cenário inflacionário ocorre, que por sua vez, leva a uma queda no orçamento das famílias e uma pressão para aumentar a taxa de juros. Ambos fatores culminam em desaceleração econômica, forçando o preço das commodities para baixo.

Hoje o índice demonstra o maior retorno já registrado desde 1915 em termos anualizados, 122%, mais até mesmo do que no grande conflito de Yom Kippur, que levou o petróleo a mais do que triplicar o preço do barril. Os números estão ajustados pela inflação.

É só um lembrete sobre algo que deve sempre ser mencionado: commodities seguem ciclos, empresas tendem a parecer baratas no final do ciclo e caras no começo.

Se você deseja investir em commodities, tenha em mente essa ciclicidade e leve sempre em conta essa forma com que os números trabalham em cada cenário. Veja mais do que o preço de tela – veja também como os ciclos tendem a reagir. A história não costuma se repetir, mas rima.
Tabela de rentabilidade anual por classe de ativos.

Algo recorrente, mas que nunca é exagero de ressaltar: diversifique. O mercado é projetável até certo ponto, mas nunca previsível – e sempre surpreende.