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A tara pela dolarização total do patrimônio quando o cenário parece piorar, vale a pena?

Antes de mais nada, entender o gráfico é crucial: na imagem acima você vê o gráfico do S&P500 de 1996 até então. Nele, uma linha traçada em cor vermelha para ilustrar algo que pouca gente sabe – de agosto de 2000 até fevereiro de 2013, o principal índice da bolsa americana deu ZERO de rentabilidade.

Foram 12 anos e 215 dias andando de lado, com um breve período de retomada de força pouco antes da crise do sub-prime, em 2008, e então, mais uma crise. Foram 12 anos, ou 151 meses, ou 4.598 dias. Todo esse tempo o melhor e maior mercado do planeta não deu NENHUMA rentabilidade.

Até que em 2013, superando essa máxima atingida em agosto de 2000 no auge da bolha da internet, o mercado entrou em um forte rally – saindo dos 1.500 pontos e subindo até os 4.820 pontos em 2021 – o que caracteriza uma rentabilidade de pouco mais de 220% em apenas 8 anos. Um número admirável.

Dito isso, retomamos a questão: dolarizar totalmente o patrimônio como muitos dizem por aí, faz sentido? Sob a nossa ótica, não.

Como já amplamente sabido, a economia funciona em ciclos. No mesmo tempo em que a bolsa americana deu zero de rentabilidade, a bolsa brasileira em dólares deu um pouco mais de 250%, sendo que se for considerar o topo do ciclo do período (2011) essa rentabilidade ultrapassa os 600%.

Ou seja, apesar de ser tentador dolarizar por completo o patrimônio enquanto tudo lá fora sobe e aqui o cenário parece ser um terror sem fim, esse movimento de ciclo é completamente normal. A última vez que tivemos algo do tipo foi na virada do milênio, sendo que hoje, com essa nova rotatividade do capital global indo para as economias emergentes por “exaustão” das economias desenvolvidas, a chance de ocorrer algo semelhante é alta.

De forma alguma isso é algum tipo de condenação a dolarização do patrimônio, pelo contrário: dolarizar o patrimônio é essencial. Estar exposto a moeda de uma economia desenvolvida e ter seu dinheiro alocado nas maiores empresas do planeta é uma ótima decisão a ser tomada, mas jamais deixe o seu lado emocional tomar conta e determinar suas decisões.

Não é difícil encontrar a grande horda de influenciadores que no final do ano passado cantavam o fim do Brasil, a dolarização total do patrimônio e coisas do tipo. Desde então, o dólar caiu de R$5,60 para R$5,00, a bolsa brasileira subiu pouco mais de 16% e a bolsa americana caiu 12%, marcando um dos piores inícios de ano da história do mercado acionário americano.

Pense nos ciclos. Compre ações de boas companhias. Analise fundamentos. Ignore ruídos pautados no emocional. Diversifique. Ao ser humano não foi dado o dom de ver o futuro, tão pouco é responsável ficar girando o seu patrimônio ignorando o funcionamento da economia e se desesperando com cada notícia de jornal.

Foque na sua estratégia e lembre-se que por quase 13 anos o melhor e maior mercado de ações do planeta não deu sequer um ponto de rentabilidade, e isso já aconteceu dezenas de vezes na história.
2022 reuniu um conjunto peculiar de riscos nos mercados globais. Paralelamente, temos a bolsa brasileira com número crescente de investidores.

As dificuldades são nítidas por parte de quem está iniciando a jornada.

Por conta disso, decidimos dedicar um debate inteiro no INT para sanar dúvidas referentes ao portfolio e a rotina de aporte de vocês.

Tema único. Teremos espaço para esclarecer dúvidas e discutir estratégias inteligentes para o momento atual.

Ao vivo hoje às 19h00. Não perca. Você já sabe que os debates são de altíssimo nível.

Exclusivo para assinantes do INT.

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Preço de energia elétrica, commodities e inflação.

Seguindo o mesmo ritmo do final de 2021, as chuvas continuaram fortes ainda no primeiro trimestre de 2022: nos últimos 6 meses todos os subsistemas de reservatórios do Brasil tiveram forte aumento de nível de água, sendo que o subsistema do sudeste/centro-oeste, principal e maior do país, teve um crescimento de volume de água de mais de 200% nos últimos 6 meses, chegando aos 60%.

É válido sempre lembrar que a principal forma de geração de energia do Brasil é a geração hidrelétrica – hoje aproximadamente 70% da nossa matriz de energia elétrica é formada de hidrelétricas, e face uma estiagem (vide a que ocorreu em 2020 e 2021), os reservatórios secam, as usinas tem de parar de operar e consequentemente há o risco de apagão, sendo o aumento do preço da energia necessário para arcar com os custos das formas de geração alternativas (e mais caras) como as termelétricas.

Como os reservatórios hoje estão em níveis mais confortáveis (o próprio subsistema do SU/CO atingiu um patamar a qual não chegava desde 2013), ainda em abril ou maio o governo deve anunciar a revogação da bandeira tarifária atual (bandeira de escassez hídrica), barateando significativamente o preço da energia elétrica e impactando positivamente a inflação do período. É quase certo que a bandeira verde seja anunciada – bandeira essa que significa zero custo adicional no gasto de energia (sendo que a utilizada hoje implica em um acréscimo de R$0,142 a cada kWh consumido.


Ainda sobre inflação, após duas semanas extremamente turbulentas no mercado de commodities fazendo o preço do petróleo atingir níveis alarmantes com demais commodities alimentícias seguindo, já faz alguns dias que os preços tem caído bem na esperança de algum acordo entre a Rússia e a Ucrânia entre outros pontos que façam com que a oferta no mercado global dê uma melhorada.

Em termo de cenário interno o país tem tudo o que precisa para a inflação não desandar tanto quanto desandou em 2021 – tanto em fator de custo de energia quanto em relação as medidas do governo federal cortando alguns impostos (vide IPI) que podem causar queda de até 1% na inflação do ano, mas independente de quão bem for o cenário interno, nada segura uma alta de commodities expressiva como a que estava ocorrendo até semana passada.

A título de curiosidade, desde a máxima, o barril de petróleo já caiu 23% (caindo 7% hoje) e o trigo caiu aproximadamente 18% (subindo 1% hoje) tendo sido as duas commodities mais impactadas pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Lembrando que em nossa plataforma possuímos mais de 160h de conteúdo ensinando como investir e se proteger desse cenário de alta inflação – tão importante quanto ganhar dinheiro, é saber também o proteger!

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Barril de petróleo caindo mais um dia seguido, hoje na casa dos 7% negativo. A última semana já foi o suficiente para zerar toda a alta que ocorreu desde o começo do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e esse movimento tem algumas razões.

O primeiro ponto é uma possível saída diplomática em breve entre a Rússia e a Ucrânia que pode gerar um efeito positivo na cadeia de oferta do bem. Apesar do tema estar completamente confuso e cheio de boatos em todos os veículos de notícias, é sabido que as relações entre o presidente Putin e o presidente Zelensky tem se “aproximado”, com as conversas deixando de ocorrer somente via terceiros.

O segundo ponto é a retomada do interesse dos EUA por uma negociação com a Venezuela: desde o dia 5 de março foram vistas comitivas norte-americanas indo até a Venezuela para tratar a volta da importação do petróleo venezuelano pelos EUA. A Venezuela atualmente possui a maior reserva de barris de petróleo do planeta, mas o país sofre embargo econômico há anos. Como tentativa de resolução dessa pressão de preço do barril, o presidente Biden retomou relações com o Maduro. Ainda assim, vale lembrar que a Venezuela é forte aliada da Rússia e essa tratativa não é uma certeza.

O terceiro e último ponto – e provável mais importante – é um novo boom de surto de CoVid-19 na China. Essa semana o país relatou novos surtos do vírus em regiões que são vitais para a atividade econômica chinesa. Shenzen é um exemplo: com a sua política de zero tolerância, a China colocou a cidade inteira em lockdown. Esses lockdowns causam mais efeitos negativos na cadeia logística global e o grande temor de um período de recessão por atraso de entrega de bens e afins. Ou seja, um cenário semelhante ao que vivemos em 2020, onde paralisações espremeram o preço das commodities por queda de demanda forçada. Esse é também o principal motivo da queda das ações chinesas ontem e hoje.

Ademais, apesar da forte queda do preço do barril de petróleo e tanto estar se falando sobre uma possível queda do preço pela Petrobras nos próximos dias, acreditamos ser improvável uma correção do tipo em uma escala tão grande quanto foi o aumento, visto que o preço dos combustíveis ainda estavam fortemente defasados (mesmo com a última alta a gasolina ainda estava precisando subir quase 20% para honrar a política de repasse de preço) e a Petrobras teve a tempestade perfeita para aumentar o preço no período.

Lembrando que esse movimento de queda de commodities é estrutural e não está ocorrendo somente com o preço do petróleo –como citamos ontem, caso o cenário de commodities estabilize, somado o nosso cenário interno, a inflação pode surpreender positivamente.
O cenário na captação dos fundos de investimento continua nebuloso: desde setembro os investidores locais seguem sacando o capital dos fundos de ações e multimercado, enquanto os fundos de renda fixa seguem o caminho contrário, explodindo em captação mês a mês.

Desde agosto, fundos multimercado e de ações já comam quase R$88 bilhões de resgates.

Ilustrando, como sempre, o movimento contrário do que o investidor deve fazer, vendendo na baixa do ciclo com provável prejuízo.

Lembre-se: por mais paradoxal que seja, é justamente em momentos em que as cotações das ações estão mais deprimidas que o risco tende a ser menor, visto que o desconto sobre o preço é provavelmente maior.

Obviamente que para realizar um investimento, a queda da cotação em si não significa nada e os fundamentos da companhia é que importam, e é isso que ensinamos em nossa plataforma.

Lembre-se sempre dos ciclos. Assim como as ações não seguirão sempre com o preço lá em baixo, a taxa de juros também não seguirá para sempre lá em cima.

Diversifique e lembre-se SEMPRE dos ciclos. Não panique. Não é a primeira nem será a última vez que o mercado chacoalha.


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Para deixar registrado: entre os maiores estrategistas do mercado financeiro, absolutamente nenhum aposta numa fechamento de ano no vermelho considerando compra no atual preço.
Ou seja, apesar de todo espaço negativo e desafiador, até mesmo os mais pessimistas estão otimistas.

Isso não é recomendação ou referência, mas um registro para averiguar em breve, lembrando que na imagem estão as mais conceituadas instituições financeiras do globo.

O mais otimista aposta numa alta de 22,3%, enquanto o mais pessimista, numa alta de 1%.
Opinião e análise breve – Fleury ($FLRY3) – 2021

Com um quatro trimestre em 2020 cheio de não recorrentes, quem analisa somente a linha de lucro da empresa, tem uma impressão ruim. E aqui, como sempre, reforçamos: análise de linha de lucro é fraca e não deve ser feita isoladamente.

Vamos contextualizar. No quarto trimestre de 2020, a Fleury passou por um momento atípico do seu negócio: três fatores a beneficiaram fortemente. O primeiro foi a explosão de testes de CoVid-19: no 4T20, 11,1% da receita da companhia veio de testes, ou seja, a companhia se beneficiou fortemente no período com esse fator. Hoje essa receita representa apenas 5,7%, e a tendência no médio prazo é que ela vá a quase zero.

O segundo ponto foi a redução de salário por redução de jornada de trabalho de diversos segmentos da empresa, que chegaram ao corte de 25% com gastos do tipo.

O terceiro ponto foi uma demanda represada por exames eletivos que não puderam ser feitos durante o período de lockdown. Ou seja, diversas pessoas que tinham exames para realizar em determinado período, tiveram de fazer no final de 2020, potencializando ainda mais a receita da Fleury no momento.

Sendo assim, em termos mais simples, no 4T20 a Fleury teve um lucro altíssimo de R$140 milhões, bem acima da média e completamente atípico. Uma conjunção de fatores no ano retrasado fez com que ela ganhasse muito dinheiro, e como consequência, comparando com o 4T21, sua base de comparação é injusta.

Ademais, toda essa explicação foi só para esclarecer algo que provavelmente vocês não verão sendo dito por aí com tanta transparência: a queda de lucro entre os trimestres é explicada por fatores não recorrentes, e comparado com 2019, o crescimento foi forte (+27%).

Serve como exemplo de como a leitura unicamente da linha de lucro pode enganar completamente o investidor e a análise mais minuciosa dos números deve sempre ser feita.

Enfim, vamos falar sobre o resultado do consolidado de 2021.

A começar falando pela receita, em 2021 a Fleury atingiu um recorde histórico de R$3.9 bilhões de receita líquida, um valor incrível e 34% maior do que 2020. Esse número reflete dois pontos principais: um crescimento forte das suas novas linhas de serviços (novos elos e plataforma digital) e do seu plano de aquisições. Em 2021 a companhia fez 6 grandes aquisições totalizando quase R$900 milhões (3 do segmento diagnóstico, 1 do segmento de ortopedia, 1 do segmento de infusão e 1 do segmento de oftalmologia).

Com isso a companhia deu um salto significativo de 266 para 310 unidades de atendimento comparando ano a ano, sendo a marca mãe (Fleury) a que mais cresceu, o que é excelente, por ser justamente a mais forte e representativa em termos financeiros. Em termos regionais, todas as unidades demonstraram crescimento de volume e receita de exames, com exceção do RJ que no quatro trimestre de 2021 teve uma queda de 8,6% mas a companhia não entrou em maiores detalhes explicando a razão. Ainda assim, no ano o crescimento foi de 21% no RJ e 25% no consolidado, mas vale como ponto de atenção para o próximo trimestre.

O “Novos Elos”, para quem ainda não sabe, é uma iniciativa da Fleury de se expandir em segmentos que ainda não é presente e tem alto potencial de crescimento. Infusão, ortopedia, fertilidade, oftalmologia entre outros nichos são alguns que ela está entrando. Essa linha de receita da companhia tem crescido por meio de aquisições e investimento próprio e dado certo, representando hoje R$200 milhões dos R$3.9 bilhões da receita da companhia e com alto potencial de crescimento.

No ano os custos subiram de R$2.1 bilhões para R$2.7 bilhões, mas mesmo com esse aumento, a receita teve crescimento ainda maior, e com isso os custos passaram a representar 70% da receita líquida, antes 72% em 2020. Vale lembrar também que esse ano houve gasto com incidente cibernético, maior inflação (aumentando os custos com materiais) e correções salariais, e ainda assim a redução ante a receita ocorreu.
Sobre o endividamento, mesmo com todas as aquisições e investimentos em expansão, ela segue controlada: considerando os arrendamentos a alavancagem é de 2x o EBITDA, sendo que desconsiderando, é de 1,3x o EBITDA, pontuando que a dívida líquida subiu de R$900 milhões em 2020 para R$1.4 bilhão em 2021. Aqui vale um ponto de atenção em análise: empresas que crescem via aquisição merecem ainda mais carinho para analisar a dívida, principalmente em tempos de alta de juros. Uma gestão ruim pode destruir valor e levar a companhia a bancarrota com um plano de aquisição mal desenhado. Não é o caso da Fleury, pelo contrário, até o momento a companhia mostrou sucesso no plano de aquisição e no endividamento.

Concluindo, em 2021 a companhia fechou com um lucro de R$351 milhões, uma receita de R$3.9 bilhões e uma geração de caixa de R$1 bilhão, apresentando crescimento de todas as suas verticais de serviços e atingindo recorte histórico em todas as linhas. No entanto, lembre-se: analise sempre com atenção o desenrolar das aquisições da companhia. Ela está maravilhosa hoje, mas cabe ao investidor não ter viés e reconhecer caso algo desande.

Um bônus para quem gosta: no dia 04/04 a companhia irá pagar R$0,70 por ação em dividendos.


Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Debate de hoje no INT

M Dias Branco, Fleury e dúvidas sobre portfolios.

Teremos espaço para vocês esclarecerem dúvidas sobre a montagem de portfolio, balanceamento e gestão de riscos.

Participe ao vivo. Debates não ficam gravados.

Ao vivo às 19h00.

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Opinião e análise breve – Lojas Renner ($LREN3) – 2021

Antes de começar a falar sobre os resultados de 2021 das Lojas Renner, é importante pontuar algumas questões para compreender a sua atual situação em relação ao cenário econômico.

Há alguns anos a Renner é líder de mercado no setor de vestuário do país e um comparativo entre seu volume de vendas e o índice PMC do Vestuário do IBGE ilustra isso, com a companhia sempre desempenhando bem acima da média de vendas do indicador. Mesmo com essa liderança de mercado, havia um ponto a qual a companhia não possuía bom desenvolvimento quando a crise de 2020 chegou: seu segmento digital.

Como todos sabemos, 2020 foi um ano atípico globalmente com as medidas de contenção de CoVid-19, períodos de lockdown e afins. O cenário que presenciamos com a economia sendo praticamente tirada da tomada, foi algo que nunca antes havia ocorrido na história. Com isso, a Renner até então com mais de 95% de suas vendas concentradas em lojas físicas e em shoppings, foi uma das varejistas de moda que mais sofreu com essas medidas.

Ao mesmo tempo que seu segmento digital ainda era novo e representava parte insignificante do resultado da companhia (4% em 2019), a companhia dependia completamente das suas operações físicas em um dos ambientes que mais sofreram na pandemia, que foi o setor de shoppings centers. Foi o surgimento da tempestade perfeita para prejudicar a companhia.

Com isso, 2020 e 2021 foram anos importantes para a companhia. Foram 24 meses em que a gestão percebeu esse ponto fraco e passou a fazer um “turnaround” no seu segmento digital.

Aqui, algo interessante a citar: em 2019 a Renner junto da Kinea investiu R$1.2 bilhões em um centro de distribuição de 163 mil metros quadrados para acelerar seu segmento digital. Esse CD é o maior da América Latina, possui tecnologia e automação de alto nível, entrou em operação esse ano e está no fundo imobiliário KNRI11.

Sendo assim, vale o contexto – que era pra ser breve, mas acabou sendo um pouco alongado – de que a Renner até 2019 era bem fraca no segmento digital, mas os últimos 2 anos foram imprescindíveis no desenvolvimento desse segmento com investimentos bilionários.

Enfim, vamos ao resultado de 2021.

Como falamos bastante sobre o digital, nada mais justo do que falar a evolução nesse sentido. A penetração de vendas digitais da companhia segue subindo, refletindo os esforços de digitalização dos últimos meses. De 4,2% em 2019, subiu para 9,7% em 2021 e 13,5% em 2021. Ou seja, 13,5% da receita da Renner foi gerada pelos canais digitais em 2021, com um bônus positivo: ainda que todos os custos tenham subido forte no ano, houve redução de 18,4% de custo de custo por entrega, refletindo maior eficiência na malha logística (vide o centro de distribuição que citamos). O marketplace da companhia também teve forte expansão, mais do que dobrado o número de vendedores no período.

A receita atingiu um recorde histórico, passando os números de 2019 e de 2020. Foi atingido os R$10.6 bilhões, com crescimento em todas as suas marcas (Renner, Camicado, Youcom, Realize e Repassa).

Do outro lado da balança, no ano a companhia teve uma alta expressiva de despesas em relação a 2020 subindo 35%, explicado por alguns fatores não recorrentes (2020 com algum tempo de lojas fechadas houve cortes de salários entre outros custos existentes), maior despesa com a sua expansão digital e também a inflação, que tem impactado toda a cadeia produtiva independente do setor. Ainda que a despesa tenha crescido, ela representou 36% da receita líquida, enquanto no período anterior representou 38%. Outro ponto que pressionou muito o aumento de despesa no ano, foi um montante de R$150 milhões do programa de participação de lucro aos funcionários da companhia, que acabou sendo maior do que o esperado pois a companhia projetava menos vendas do que o realizado em 2021.
Sob nossa visão, esse é o maior ponto de atenção da companhia. Como mencionado no começo da análise, a Renner entrou na pandemia muito atrás em relação aos seus concorrentes em termos de digitalização. Em 2020 – e principalmente 2021, todo esse esforço que ela está empregando hoje para correr atrás da digitalização bateu forte nas despesas do ano.

Sobre sua carteira de crédito, não há muito o que comentar. Houve forte crescimento ano a ano enquanto a inadimplência seguiu na média.

Em termos de investimentos, em 2020 foram R$544 investidos na companhia, enquanto em 2021 foi R$1.1 bilhão – ilustrando exatamente o que dissemos sobre digitalização. A maior parte desse investimento foi em tecnologia e centros de distribuição (75%) enquanto uma parte foi em novas lojas (+20 Renner, +6 Camicado e +4 YouCom).

Na linha final do lucro, a companhia fechou o ano com R$633 milhões, quase 40% abaixo de 2019, refletindo principalmente todos os pontos que citamos de necessidade de gastos para digitalização de seus serviços, lembrando que o 1T21 houve outro período de isolamento prejudicando fortemente a companhia e levando a um trimestre perdido.

O resultado do ano não foi espetacular – longe disso, mas também não foi ruim. Infelizmente a companhia entrou na fase da digitalização tardiamente e a necessidade de gastos multibilionários para essa adaptação foi inevitável. Em 2021 foram bilhões em tecnologia, centros de distribuição e marketing.

2022 será mais um ano desafiador por conta do aperto do orçamento das famílias que a inflação tem causado e maior CPV esperado pela alta de algumas commodities, mas aqui vai o maior ponto de atenção, que é identificar os resultados que esses investimentos trarão daqui para frente. 2020 e 2021 houve pandemia, mas 2022 não há mais essa justificativa e o foco de atenção é referente ao retorno da digitalização da companhia.

Outro ponto que incomoda um pouco foi o follow-on realizado no meio de 2021, que até então não houve um movimento tão grande da companhia para justificar os R$4 bilhões levantados (sendo que desse montante, R$1.3 bilhão foi voltado para tecnologia e CDs). Esperamos que nesse ano esse dinheiro seja utilizado para algo que agregue mais.

Ademais, como citado, não foi espetacular, mas longe de ser ruim. A sua posição de líder de mercado segue firme e com crescimento e apesar dessas novas lojas de aplicativos (como a Shein) serem uma ameaça aos resultados da companhia, vale lembrar que a proposta da Renner é um diferente.

Falta de experiência, tempo de entrega e problema logístico (como devolução) são pontos a serem considerados numa concorrência direta desses concorrentes chineses, e é justamente esses pontos que as grandes varejistas de moda mais exploram ao se expandirem. Ainda assim, independente do quanto você goste de uma companhia, jamais menospreze alguma concorrência – dinheiro não tem viés e o único a perder é o próprio investidor.

Para 2022, apesar de todos desafios, esperamos frutos de todos os investimentos dos últimos 24 meses e um ano mais forte sem fechamento de lojas por conta da pandemia.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Gráfico de preço da libra do urânio desde 1968.

O urânio já passou por dois grandes ciclos nesse meio tempo: o primeiro em 1974, durando aproximadamente 4 anos e o segundo em 2004, durando também algo em torno de 4 anos – com alguns repiques ao longo do trajeto.

No gráfico está o preço da libra e os respectivos ocorridos principais que influenciaram no mercado em cada época.

Desde 2018 o urânio voltou a tomar um viés de alta, sendo que até então centenas de fatores passaram a reforçar a tese que leva a acreditar que haverá mais um forte ciclo no mercado em breve, talvez excedendo até mesmo a alta atingida em 2004.

Desabastecimento no setor, baixo número de companhias envolvidas na produção, alta regulação que dificulta novos entrantes, fatores políticos, metas de descarbonização, escassez de energia e agora até mesmo o conflito geopolítico entre a Ucrânia e a Rússia são alguns dos pontos que forçam o preço do urânio para cima.

Em resumo: não há outro caminho para a humanidade atingir seus objetivos de energia limpa sem que a energia nuclear seja adotada em larga escala.

Hoje existe uma forma bem simples do investidor se expor a essa tese e ter a chance de ganhar dinheiro com um ciclo que ocorre em longos espaços de tempo. Seja investindo diretamente em empresas do setor caso o investidor tenha maior interesse ou tempo disponível, ou até mesmo via ETF, caso o investidor queira se expor por menor risco e sem dedicar tanto tempo ao stock picking.

O preço do urânio mal começou a andar e ainda há muito espaço para valorizar, fazendo com que as empresas mais do que quintupliquem seu valor de mercado, assim como o investimento feito.

Em nossa plataforma de assinantes, disponibilizamos um relatório educacional com 140 páginas que prepara o investidor do zero a conhecer e investir na tese. Tudo o que o investidor precisa saber sobre um dos cases de investimento mais assimétricos da década.

Se você ainda não leu – não demore. Em breve você verá a energia nuclear se tornando cada vez mais popular e estar se posicionado antes da maioria será uma gigantesca vantagem.

Para baixar, acesse a nossa plataforma em www.findocs.com.br e cadastre-se. Você tem uma semana de testes sem cobrança com acesso a todo nosso conteúdo!

Se você já estiver posicionado e investido na tese, conta aí pra gente!
Opinião e análise breve – M. Dias Branco ($MDIA3) – 2021

Com um ano extremamente desafiador e um quarto trimestre igualmente difícil, a M. Dias Branco fechou o ano de 2021 com um resultado ruim em termos de lucro, mas completamente compreensível pelo cenário.

Antes de falar sobre os resultados, é importante explicar a atual situação que a companhia e o setor que ela está inserida se encontra.

A M. Dias Branco é uma companhia que depende completamente do preço de dois insumos: trigo e óleo. Simples assim. Sendo uma companhia que vende massas e biscoitos, o seu maior custo está atrelado ao preço desses dois bens. Nesse sentido, 2021 foi um ano terrível: no caso do trigo, chegando a um pico de aumento de quase 30% de preço no período, o dólar também pressionou muito o custo da companhia com a sua volatilidade, que apesar de ter fechado 2021 estável, chegou a atingir picos de quase R$6,00.

Com isso, no ano, houve um cenário de duplo fator onde os insumos da companhia tiveram um encarecimento forte. E não é a primeira vez que isso acontece.

O mesmo cenário que estamos vendo hoje, ocorreu também em 2007, de forma quase que idêntica: crise, boom no preço das commodities, disparada do preço do trigo mais que dobrando e a companhia tendo seus resultados fortemente pressionados por aumento de custo de matéria-prima.

E esse foi o maior desafio que a companhia enfrentou no ano. E agora vamos aos números.

Um ponto que todo investidor ama ao analisar a companhia, é sua participação de mercado. A M. Dias Branco é líder nacional no mercado de massas (30,5%) e biscoitos (32,0%). No entanto, em relação a 2020, houve que da 1,6pp e 3,5pp, respectivamente. Essa queda é refletida por um fator principal: o aumento de preço dos seus produtos para fazer jus as margens. Embora tenha caído no ano, foi o segundo trimestre consecutivo de crescimento, sendo que no 2T21 a companhia atingiu os patamares mais baixos de participação.

Caso a estratégia da gestão dê certo, a tendência para os próximos trimestres é de crescimento e recuperação de domínio, visto que não só a M. Dias Branco, mas todas as empresas do setor precisam subir seus preços para enfrentar esse aumento de custos de matéria-prima, e é justamente por isso que esse indicador deve ser analisado em um espaço de tempo mais alongado – as companhias aumentam seus preços em momentos diferentes.

A receita líquida da companhia atingiu os R$7.8 bilhões, um crescimento de 8,3% em relação a 2020, mas o volume de venda caiu de 1980 toneladas para 1702 toneladas. Aqui vale pontuar que em 2020 houve um longo período de isolamento social, restaurantes fechados entre outros fatores que impulsionaram muito as vendas da companhia, o que foi um efeito não recorrente para o período. Ademais, mesmo vendendo menos, a companhia conseguiu aumentar sua receita por conta do aumento de preço médio de seus produtos, que subiu 26% no período, de R$3,7 para R$4,6 o kg, refletindo o poder de preço da marca.

Sobre as despesas administrativas, a companhia tem mostrado forte responsabilidade: desde 2019 o número vem em queda e atualmente está no menor patamar já registrado, representando 21% da receita (contra 24,3% da receita em 2020 e 25,7% da receita em 2019).

Sobre o custo dos produtos vendidos, eis a pedra no sapato da companhia. Em 2021 houve crescimento de 14,9% em relação a 2020, passando a representar 78% da receita líquida (contra 72% em 2020). O custo médio do trigo subiu 31,5%, o do óleo subiu 61,4% e o do açúcar subiu 35,0%. Ou seja, fica completamente perceptível em como esse aumento no preço das commodities é algo problemático para a M. Dias Branco, visto que a empresa é uma tomadora de preço.