Preço do trigo segue sendo fortemente pressionado com o conflito geopolítico envolvendo a Rússia e a Ucrânia. Lembrando que os dois países estão entre os maiores produtores do planeta.
Mais trimestres desafiadores para a M. Dias Branco a frente.
Mais trimestres desafiadores para a M. Dias Branco a frente.
Opinião e análise breve – Nu Holdings (Nubank) ($NUBR33, $NU) – 2021
O banco (pontuando que apesar de muitos dizerem que Nubank não é banco, a própria instituição assim se denomina em seus releases) mais polêmico do mercado financeiro divulgou seus resultados ontem pela noite – ainda com muito caminho a seguir e pontos a se provar, o crescimento da companhia é indiscutível.
Começando, vale mencionar que a leitura do resultado da companhia deve ser realizada sob a ótica de uma companhia de crescimento, sendo que o bottom line (a linha de lucro, principalmente) é o menos importante por agora. Aquela velha frase de quando só se tem um martelo, tudo vira prego – é imprescindível que a caixa de ferramentas do investidor ao realizar análises seja completa para evitar vieses. Ademais, atenção para o fato de que as informações financeiras estão em dólares.
A princípio, a base de clientes da companhia segue crescendo forte: em 2021 a instituição encerrou com 53.9 milhões de clientes, um crescimento de 61,9% em relação a 2020. Dessa base de clientes, 76,2% são clientes ativos – um crescimento de 10,4pp em relação a 2020. A mensuração de clientes ativos é simples: caso o cliente tenha gerado receita para a instituição nos últimos 30 dias, é contabilizado. Outro destaque para a instituição nesse ponto é desses 53.9 milhões, pouco mais da metade adotou o banco como conta bancária principal e 1.4 milhões de clientes são pequenas e Médias Empresas – o ponto de atenção aqui é em relação ao crescimento dessas empresas, que, ao passo que se expandem, tendem a utilizar outros bancos por conta do leque de serviços mais completo e abrangente, então espera-se maior rotatividade nesse nicho.
Ainda destrinchando os números em termos de clientes, a receita média mensal por cliente cresceu de US$3,5 para US$4,5 entre 2020 e 2021, reflexo principalmente da queda de custo médio (que caiu de US$1,2 para US$0,8) e retornou ao mesmo nível que estava em 2019.
A carteira de crédito da instituição cresceu 97% para US$6.5 bilhões, com uma inadimplência de 3,5% para crédito acima de 90 dias, acima da média dos grandes bancos (que trabalham com algo em torno de 2,5%) mas abaixo da média do mercado (atualmente nos 5,0%).
Na linha de receita da companhia, houve crescimento de 130% ano a ano, sendo o principal fator que impulsionou, a linha com receita de juros, pela expansão da carteira de crédito relacionada a empréstimos pessoais e cartões de crédito somada a alta dos juros do período (SELIC média subindo de 1,9%no 4T20 para 7,6% no 4T21). A receita com juros representa 61% da receita total da companhia, enquanto o resto é receita de tarifas e comissões, em especial tarifas de intercâmbio. O custo envolvido nessas operações teve uma alta de 55,7% para 56,8% da receita.
Ainda sobre custos, as despesas operacionais da companhia cresceram 122% para US$903 milhões, sendo a maior parte por conta do aumento da base de funcionários (ultrapassando os 6.000 colaboradores) e marketing.
Na linha final: o lucro. A companhia fechou 2021 com um prejuízo líquido de US$66.2 milhões, ante um prejuízo líquido de US$107.1 milhões em 2020.
De forma geral, não é preciso dizer que o banco está crescendo num ritmo exponencial em todos as linhas possíveis, afinal, estamos falando sobre um banco que saiu de uma base de 6 milhões para 54 milhões de clientes em 2 anos.
Como mencionado no começo do texto, a análise de uma empresa como o Nubank não recai sobre a linha de lucro – mas sobre as linhas que levarão a companhia a lucrar futuramente. Assim como qualquer outra companhia de crescimento (vide Mercado Livre e Tesla em tempos atuais ou Amazon em tempos mais antigos), analisar o lucro induz ao erro, porque nem sequer a gestão da companhia busca isso. É ganho de mercado e aumento de outros fatores que geram seu resultado.
O Nubank tem crescido fortemente ano a ano e feito um trabalho exemplar, mas narrativas românticas não justificam valuations elevados e ações caras. Mesmo com o atual crescimento, a companhia segue minúscula em relação aos grandes bancos.
O banco (pontuando que apesar de muitos dizerem que Nubank não é banco, a própria instituição assim se denomina em seus releases) mais polêmico do mercado financeiro divulgou seus resultados ontem pela noite – ainda com muito caminho a seguir e pontos a se provar, o crescimento da companhia é indiscutível.
Começando, vale mencionar que a leitura do resultado da companhia deve ser realizada sob a ótica de uma companhia de crescimento, sendo que o bottom line (a linha de lucro, principalmente) é o menos importante por agora. Aquela velha frase de quando só se tem um martelo, tudo vira prego – é imprescindível que a caixa de ferramentas do investidor ao realizar análises seja completa para evitar vieses. Ademais, atenção para o fato de que as informações financeiras estão em dólares.
A princípio, a base de clientes da companhia segue crescendo forte: em 2021 a instituição encerrou com 53.9 milhões de clientes, um crescimento de 61,9% em relação a 2020. Dessa base de clientes, 76,2% são clientes ativos – um crescimento de 10,4pp em relação a 2020. A mensuração de clientes ativos é simples: caso o cliente tenha gerado receita para a instituição nos últimos 30 dias, é contabilizado. Outro destaque para a instituição nesse ponto é desses 53.9 milhões, pouco mais da metade adotou o banco como conta bancária principal e 1.4 milhões de clientes são pequenas e Médias Empresas – o ponto de atenção aqui é em relação ao crescimento dessas empresas, que, ao passo que se expandem, tendem a utilizar outros bancos por conta do leque de serviços mais completo e abrangente, então espera-se maior rotatividade nesse nicho.
Ainda destrinchando os números em termos de clientes, a receita média mensal por cliente cresceu de US$3,5 para US$4,5 entre 2020 e 2021, reflexo principalmente da queda de custo médio (que caiu de US$1,2 para US$0,8) e retornou ao mesmo nível que estava em 2019.
A carteira de crédito da instituição cresceu 97% para US$6.5 bilhões, com uma inadimplência de 3,5% para crédito acima de 90 dias, acima da média dos grandes bancos (que trabalham com algo em torno de 2,5%) mas abaixo da média do mercado (atualmente nos 5,0%).
Na linha de receita da companhia, houve crescimento de 130% ano a ano, sendo o principal fator que impulsionou, a linha com receita de juros, pela expansão da carteira de crédito relacionada a empréstimos pessoais e cartões de crédito somada a alta dos juros do período (SELIC média subindo de 1,9%no 4T20 para 7,6% no 4T21). A receita com juros representa 61% da receita total da companhia, enquanto o resto é receita de tarifas e comissões, em especial tarifas de intercâmbio. O custo envolvido nessas operações teve uma alta de 55,7% para 56,8% da receita.
Ainda sobre custos, as despesas operacionais da companhia cresceram 122% para US$903 milhões, sendo a maior parte por conta do aumento da base de funcionários (ultrapassando os 6.000 colaboradores) e marketing.
Na linha final: o lucro. A companhia fechou 2021 com um prejuízo líquido de US$66.2 milhões, ante um prejuízo líquido de US$107.1 milhões em 2020.
De forma geral, não é preciso dizer que o banco está crescendo num ritmo exponencial em todos as linhas possíveis, afinal, estamos falando sobre um banco que saiu de uma base de 6 milhões para 54 milhões de clientes em 2 anos.
Como mencionado no começo do texto, a análise de uma empresa como o Nubank não recai sobre a linha de lucro – mas sobre as linhas que levarão a companhia a lucrar futuramente. Assim como qualquer outra companhia de crescimento (vide Mercado Livre e Tesla em tempos atuais ou Amazon em tempos mais antigos), analisar o lucro induz ao erro, porque nem sequer a gestão da companhia busca isso. É ganho de mercado e aumento de outros fatores que geram seu resultado.
O Nubank tem crescido fortemente ano a ano e feito um trabalho exemplar, mas narrativas românticas não justificam valuations elevados e ações caras. Mesmo com o atual crescimento, a companhia segue minúscula em relação aos grandes bancos.
A base de clientes do Nubank tem um tamanho aproximado de 63% da base de clientes do Itaú, mas sua receita ainda equivale a 4% da receita do bancão, e 3,2% da carteira de crédito – fora outros pontos que tornaria o texto extenso demais para mencionar.
As perguntas que o investidor do Nubank deve fazer a si mesmo ao analisar a companhia é: a base de clientes irá gerar uma receita suficiente para justificar o preço que estou pagando nas ações? A ofensiva digital dos grandes bancos em determinado ponto não causará uma desaceleração do crescimento do Nubank? A base de clientes realmente será fidedigna caso um banco concorrente ofereça melhores serviços e menores taxas? Hoje com o Nubank valendo mais do que os bancões brasileiros, qual lado está tendendo a um preço mais equivocado?
Enfim, seu crescimento é certo, seu lucro ainda não importa e sob a ótica de uma empresa de growth, é o crescimento da companhia que você deve analisar, sobretudo imaginando cenários que justifiquem o preço que você está pagando pela ação sem se romancismos. Esse viés é importante não só para quem investe na companhia, mas também para quem não investe, visto que o crescimento do Nubank é um fator de risco no resultado de qualquer companhia do setor bancário brasileiro.
O cerne por agora não é exatamente se ela vai crescer ou não, mas o quanto ela precisa realmente crescer pra justificar esse preço.
A título de curiosidade: a companhia gastou US$11.2 milhões no programa NuSócios com um total de 7.5 milhões de clientes inscritos.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT – em breve lançaremos novidades principalmente em relação a análises por lá.
Visite findocs.com.br e venha fazer parte da nossa plataforma!
As perguntas que o investidor do Nubank deve fazer a si mesmo ao analisar a companhia é: a base de clientes irá gerar uma receita suficiente para justificar o preço que estou pagando nas ações? A ofensiva digital dos grandes bancos em determinado ponto não causará uma desaceleração do crescimento do Nubank? A base de clientes realmente será fidedigna caso um banco concorrente ofereça melhores serviços e menores taxas? Hoje com o Nubank valendo mais do que os bancões brasileiros, qual lado está tendendo a um preço mais equivocado?
Enfim, seu crescimento é certo, seu lucro ainda não importa e sob a ótica de uma empresa de growth, é o crescimento da companhia que você deve analisar, sobretudo imaginando cenários que justifiquem o preço que você está pagando pela ação sem se romancismos. Esse viés é importante não só para quem investe na companhia, mas também para quem não investe, visto que o crescimento do Nubank é um fator de risco no resultado de qualquer companhia do setor bancário brasileiro.
O cerne por agora não é exatamente se ela vai crescer ou não, mas o quanto ela precisa realmente crescer pra justificar esse preço.
A título de curiosidade: a companhia gastou US$11.2 milhões no programa NuSócios com um total de 7.5 milhões de clientes inscritos.
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Movimento do mercado durante algumas guerras e como foi a reação após a invasão ocorrida.
No caso da guerra do Afeganistão, vale lembrar que a data coincidiu com o estouro da bolha da internet, causando uma crise que perdurou por anos.
Em razão dos eventos recentes e a mudança brusca de cenário, a aula de hoje na plataforma será referente a gestão da carteira num cenário de guerra considerando dados passados e decisões a serem tomadas.
Lembrando, a aula é as 19h e sempre fica gravada. Se você ainda não é um assinante, seja bem-vindo e venha conhecer o nosso conteúdo!
www.findocs.com.br
No caso da guerra do Afeganistão, vale lembrar que a data coincidiu com o estouro da bolha da internet, causando uma crise que perdurou por anos.
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Atenção
Em função da importância dos eventos recentes, a aula de hoje às 19h00 tratará exclusivamente sobre o conflito, em caráter emergencial.
Eu (Guilherme Salvador) e o Rodrigo Togneri daremos uma aula conjunta com a nossa percepção combinada: fundamentalista + quant.
A aula será mais extensa que o habitual e totalmente prática. Compartilharemos a nossa visão, uma análise econômica e as estratégias que adotamos para alocar capital nesse cenário, tanto com viés ofensivo quanto defensivo.
Ao vivo no INT às 19h00. Link na plataforma.
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A aula será mais extensa que o habitual e totalmente prática. Compartilharemos a nossa visão, uma análise econômica e as estratégias que adotamos para alocar capital nesse cenário, tanto com viés ofensivo quanto defensivo.
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Opinião e análise breve – Sanepar ($SAPR3, $SAPR4, $SAPR11) – 2021
Apesar de um forte período de estiagem e queda no volume consumido de água, a Sanepar entregou um ótimo resultado tanto em termos trimestrais quanto no fechamento anual. O ano de 2021 foi extremamente difícil por conta da crise hídrica, obrigando a companhia a realizar rodízios de fornecimento de água, visto que na mínima do período os reservatórios chegaram na casa dos 30% (sendo que em 2020, os reservatórios fecharam na casa dos 40%).
Passado 2021, o cenário dos reservatórios melhorou expressivamente, tendo em janeiro desse o rodízio de fornecimento de água sido suspenso após os reservatórios atingirem 80% da capacidade (e, atualmente, na casa dos 85%).
Dito isso, vamos para os números.
Entre 2020 e 2021, a companhia aumentou suas ligações de água em 2,3% (+74 mil ligações) e suas ligações de esgoto em 3,1% (+71 mil ligações). Apesar do crescimento, do lado negativo, houve queda do volume produzido de água, que caiu em 2% em relação a 2020 e 4% em relação a 2019, justamente refletindo as medidas de rodízio por conta dos níveis críticos que os reservatórios atingiram.
Refletindo o crescimento de ligações e o aumento de tarifas do período, mesmo com a queda no consumo por conta do rodízio a receita de água subiu 9,3% e a receita de esgoto subiu 7,4%, resultando num aumento de receita líquida total de 8,4% no ano num valor de R$5.2bi.
Os custos e despesas merecem destaque: a Sanepar apesar de controlada pelo Estado, possui um perfil de excelente gestão e controle de despesas similar a do Banco do Brasil.
Entre 2020 e 2021, a companhia teve um aumento de apenas 3% de suas despesas, sendo que o gasto com pessoal mesmo com reajuste salarial alto por conta da inflação do período teve uma queda de 11,3%, enquanto o destaque negativo vai para o aumento despesa com energia elétrica, que cresceu 23,7%, refletindo o aumento de custo de energia que a escassez hídrica provou com a bandeira preta.
Em relação as despesas financeiras, houve um aumento forte no ano de 44,1%, impulsionado principalmente por conta do aumento do IPCA do período e do pagamento de debêntures. Lembrando sempre que em tempos de juros alto, é importantíssimo analisar essa linha da empresa, visto que as dívidas se tornam bem mais caras.
Ainda que as despesas financeiras tenham subido forte, o endividamento segue saudável, com um índice de alavancagem de 1,4x dívida líquida/EBITDA e um aumento de 13% no ano, sendo que mais de 60% dessa dívida vence somente de 2027 para frente. Boa parte do crescimento dessa dívida foi resultado também da estratégia de investimentos da companhia, buscando contornar esse problema de escassez hídrica com a criação de novos reservatórios e malhas de ligações mais amplas – sendo o aumento de investimento em relação a 2020 de 36%, totalizando R$1.3 bilhão no ano.
Em linhas finais, a receita líquida da companhia cresceu 8% no ano e o lucro cresceu 18%, fechando 2021 em R$5.2 bilhões e R$1.17 bilhão, respectivamente.
Para 2021, com a melhora desse cenário de escassez hídrica e o ano começando com um nível de reservatórios extremamente saudável (85% atualmente contra menos de 40% em 2021 no mesmo período), considerando a expansão da companhia com um aumento significativo de ligações e um cenário sem rodízio, é esperado que o consumo de água atinja níveis recordes e os resultados acompanhem e cresçam significativamente – com provável ajuste de tarifa no período, também, visto que em 2020 e 2021 não houve repasse completo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Apesar de um forte período de estiagem e queda no volume consumido de água, a Sanepar entregou um ótimo resultado tanto em termos trimestrais quanto no fechamento anual. O ano de 2021 foi extremamente difícil por conta da crise hídrica, obrigando a companhia a realizar rodízios de fornecimento de água, visto que na mínima do período os reservatórios chegaram na casa dos 30% (sendo que em 2020, os reservatórios fecharam na casa dos 40%).
Passado 2021, o cenário dos reservatórios melhorou expressivamente, tendo em janeiro desse o rodízio de fornecimento de água sido suspenso após os reservatórios atingirem 80% da capacidade (e, atualmente, na casa dos 85%).
Dito isso, vamos para os números.
Entre 2020 e 2021, a companhia aumentou suas ligações de água em 2,3% (+74 mil ligações) e suas ligações de esgoto em 3,1% (+71 mil ligações). Apesar do crescimento, do lado negativo, houve queda do volume produzido de água, que caiu em 2% em relação a 2020 e 4% em relação a 2019, justamente refletindo as medidas de rodízio por conta dos níveis críticos que os reservatórios atingiram.
Refletindo o crescimento de ligações e o aumento de tarifas do período, mesmo com a queda no consumo por conta do rodízio a receita de água subiu 9,3% e a receita de esgoto subiu 7,4%, resultando num aumento de receita líquida total de 8,4% no ano num valor de R$5.2bi.
Os custos e despesas merecem destaque: a Sanepar apesar de controlada pelo Estado, possui um perfil de excelente gestão e controle de despesas similar a do Banco do Brasil.
Entre 2020 e 2021, a companhia teve um aumento de apenas 3% de suas despesas, sendo que o gasto com pessoal mesmo com reajuste salarial alto por conta da inflação do período teve uma queda de 11,3%, enquanto o destaque negativo vai para o aumento despesa com energia elétrica, que cresceu 23,7%, refletindo o aumento de custo de energia que a escassez hídrica provou com a bandeira preta.
Em relação as despesas financeiras, houve um aumento forte no ano de 44,1%, impulsionado principalmente por conta do aumento do IPCA do período e do pagamento de debêntures. Lembrando sempre que em tempos de juros alto, é importantíssimo analisar essa linha da empresa, visto que as dívidas se tornam bem mais caras.
Ainda que as despesas financeiras tenham subido forte, o endividamento segue saudável, com um índice de alavancagem de 1,4x dívida líquida/EBITDA e um aumento de 13% no ano, sendo que mais de 60% dessa dívida vence somente de 2027 para frente. Boa parte do crescimento dessa dívida foi resultado também da estratégia de investimentos da companhia, buscando contornar esse problema de escassez hídrica com a criação de novos reservatórios e malhas de ligações mais amplas – sendo o aumento de investimento em relação a 2020 de 36%, totalizando R$1.3 bilhão no ano.
Em linhas finais, a receita líquida da companhia cresceu 8% no ano e o lucro cresceu 18%, fechando 2021 em R$5.2 bilhões e R$1.17 bilhão, respectivamente.
Para 2021, com a melhora desse cenário de escassez hídrica e o ano começando com um nível de reservatórios extremamente saudável (85% atualmente contra menos de 40% em 2021 no mesmo período), considerando a expansão da companhia com um aumento significativo de ligações e um cenário sem rodízio, é esperado que o consumo de água atinja níveis recordes e os resultados acompanhem e cresçam significativamente – com provável ajuste de tarifa no período, também, visto que em 2020 e 2021 não houve repasse completo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Gráfico de cima, fluxo de investidor brasileiro via fundos de ações e multimercado.
Gráfico de baixo, fluxo de investidor estrangeiro.
O fluxo de de venda de ações por parte dos brasileiros segue forte desde outubro de 2021, enquanto pela direção oposta, o investidor estrangeiro segue comprando – não em vão o dólar tem caído tanto.
Gráfico de baixo, fluxo de investidor estrangeiro.
O fluxo de de venda de ações por parte dos brasileiros segue forte desde outubro de 2021, enquanto pela direção oposta, o investidor estrangeiro segue comprando – não em vão o dólar tem caído tanto.
Composição do índice de ações da bolsa da Rússia.
O índice é bem semelhante ao nosso – alta concentração em petróleo, bancos e mineradoras. Essa composição semelhante somada ao cenário terrível que se criou por lá, pode aumentar ainda mais o fluxo de capital estrangeiro para a nossa bolsa, que tem sido forte desde o começo do ano.
Em situações como a atual o maior refúgio de capital é o dólar e o ouro, ou seja, ativos que caracterizam proteção, mas como o Brasil é mercado emergente e tanto a China quanto a Rússia tem sido evitadas pelo investidor externo, nosso mercado como alternativa passa a ser mais cogitado.
O índice é bem semelhante ao nosso – alta concentração em petróleo, bancos e mineradoras. Essa composição semelhante somada ao cenário terrível que se criou por lá, pode aumentar ainda mais o fluxo de capital estrangeiro para a nossa bolsa, que tem sido forte desde o começo do ano.
Em situações como a atual o maior refúgio de capital é o dólar e o ouro, ou seja, ativos que caracterizam proteção, mas como o Brasil é mercado emergente e tanto a China quanto a Rússia tem sido evitadas pelo investidor externo, nosso mercado como alternativa passa a ser mais cogitado.
Gráfico da inflação americana (CPI) e respectivas guerras.
De forma geral, guerras tendem a ser inflacionárias, sendo um dos fatores principais a explosão no preço das commodities (exatamente o movimento que estamos vendo agora).
Para 2022 o esperado era um retorno da inflação a patamares mais saudáveis, mas essa expectativa está sendo cada vez mais deteriorada por conta da alta dos últimos dias. O que resta é um acordo que faça com que os preços arrefeçam e algumas sanções sejam revogadas.
Por um lado, o Brasil também é beneficiado em termos macro dado a influência que commodities tem nas contas públicas.
De forma geral, guerras tendem a ser inflacionárias, sendo um dos fatores principais a explosão no preço das commodities (exatamente o movimento que estamos vendo agora).
Para 2022 o esperado era um retorno da inflação a patamares mais saudáveis, mas essa expectativa está sendo cada vez mais deteriorada por conta da alta dos últimos dias. O que resta é um acordo que faça com que os preços arrefeçam e algumas sanções sejam revogadas.
Por um lado, o Brasil também é beneficiado em termos macro dado a influência que commodities tem nas contas públicas.
Opinião e análise breve – Ambev ($ABEV3, $ABEV) – 2021
Sendo uma das empresas mais tradicionais da bolsa brasileira, a Ambev divulgou seus resultados na semana passada. Com um ano excepcional atingindo recordes, o principal ponto negativo foi o crescimento de custos – problema que deve persistir ainda em 2022.
Em 2021 a companhia atingiu um recorde histórico de volume vendido – foram 180 milhões de hectolitros, superando o recorde de 2015, de 172 milhões de hectolitros. Esse volume é resultado principalmente da mudança de portfólio e expansão da companhia na América do Sul, Canadá e Caribe.
Esse aumento de volume em hectolitros (de 8,8% ano a ano) resultou num crescimento expressivo de 24,8% de receita comparado ao ano passado, atingindo um valor recorde de R$72.8 bilhões e um crescimento de receita líquida por hectolitro de 14,7%.
Sobre os custos, eis o destaque negativo do ano: houve crescimento de 31% no custo de produto vendido, refletindo o aumento do preço das commodities e a inflação do período, e um aumento de 24,3% de custos administrativos, refletindo reajustes salarias e alguns gastos não recorrentes proporcionados pela pandemia.
Esse crescimento de custos fez com que a margem EBITDA caísse de 37% em 2020 para 31,5% em 2021, mas ainda assim com toda essa pressão negativa forte, a companhia fechou 2021 com um lucro líquido de R$13.1 bilhões, representando um crescimento de 12% em relação a 2020 e caracterizando um lucro de recorde histórico para a companhia no período.
Outro ponto que merece destaque é o Zé Delivery: no quarto trimestre de 2021 o Zé Delivery realizou quase 20 milhões de entregas, o que expressa mais de 200 mil pedidos atendidos por dia. Para se ter ideia do crescimento, no ano de 2020 todo houve 26 milhões de entregas.
Para 2022, o grande desafio da Ambev vai ser conseguir alinhar seus preços em relação a essa pressão de custos. Até agora ela não teve problema, visto que mesmo aumentando o preço dos seus produtos, ela continua com forte marketshare e presença no mercado – vide o recorde de volume de venda em hectolitros, o que também descontrói parte da narrativa de pressão de concorrente que tem se criado em torno da companhia.
A companhia é prejudicada pela inflação, visto que menor disponibilidade de renda diminui o consumo de seus produtos e crescimento de preço das commodities aumenta seu CPV (assim como ocorre com a M. Dias Branco), então o ponto de atenção será em relação a isso nos próximos trimestres.
De qualquer forma, até então, com o cenário conturbado de 2021 e a pressão no período, por conta do seu tamanho agigantado no mercado, a companhia não teve grandes problemas (pelo contrário, atingiu recordes em diversas linhas), visto que essa pressão sobre margens por conta do crescimento de custos afeta todo o setor, principalmente as menores companhias que possuem menos poder de barganha ou capacidade produtiva. É aquela velha história de concentração de mercado – quanto mais alta fica a régua, mais difícil fica para os menores, e os grandes que atravessam e sobrevivem acabam ganhando maior parte do mercado e se fortalecendo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Sendo uma das empresas mais tradicionais da bolsa brasileira, a Ambev divulgou seus resultados na semana passada. Com um ano excepcional atingindo recordes, o principal ponto negativo foi o crescimento de custos – problema que deve persistir ainda em 2022.
Em 2021 a companhia atingiu um recorde histórico de volume vendido – foram 180 milhões de hectolitros, superando o recorde de 2015, de 172 milhões de hectolitros. Esse volume é resultado principalmente da mudança de portfólio e expansão da companhia na América do Sul, Canadá e Caribe.
Esse aumento de volume em hectolitros (de 8,8% ano a ano) resultou num crescimento expressivo de 24,8% de receita comparado ao ano passado, atingindo um valor recorde de R$72.8 bilhões e um crescimento de receita líquida por hectolitro de 14,7%.
Sobre os custos, eis o destaque negativo do ano: houve crescimento de 31% no custo de produto vendido, refletindo o aumento do preço das commodities e a inflação do período, e um aumento de 24,3% de custos administrativos, refletindo reajustes salarias e alguns gastos não recorrentes proporcionados pela pandemia.
Esse crescimento de custos fez com que a margem EBITDA caísse de 37% em 2020 para 31,5% em 2021, mas ainda assim com toda essa pressão negativa forte, a companhia fechou 2021 com um lucro líquido de R$13.1 bilhões, representando um crescimento de 12% em relação a 2020 e caracterizando um lucro de recorde histórico para a companhia no período.
Outro ponto que merece destaque é o Zé Delivery: no quarto trimestre de 2021 o Zé Delivery realizou quase 20 milhões de entregas, o que expressa mais de 200 mil pedidos atendidos por dia. Para se ter ideia do crescimento, no ano de 2020 todo houve 26 milhões de entregas.
Para 2022, o grande desafio da Ambev vai ser conseguir alinhar seus preços em relação a essa pressão de custos. Até agora ela não teve problema, visto que mesmo aumentando o preço dos seus produtos, ela continua com forte marketshare e presença no mercado – vide o recorde de volume de venda em hectolitros, o que também descontrói parte da narrativa de pressão de concorrente que tem se criado em torno da companhia.
A companhia é prejudicada pela inflação, visto que menor disponibilidade de renda diminui o consumo de seus produtos e crescimento de preço das commodities aumenta seu CPV (assim como ocorre com a M. Dias Branco), então o ponto de atenção será em relação a isso nos próximos trimestres.
De qualquer forma, até então, com o cenário conturbado de 2021 e a pressão no período, por conta do seu tamanho agigantado no mercado, a companhia não teve grandes problemas (pelo contrário, atingiu recordes em diversas linhas), visto que essa pressão sobre margens por conta do crescimento de custos afeta todo o setor, principalmente as menores companhias que possuem menos poder de barganha ou capacidade produtiva. É aquela velha história de concentração de mercado – quanto mais alta fica a régua, mais difícil fica para os menores, e os grandes que atravessam e sobrevivem acabam ganhando maior parte do mercado e se fortalecendo.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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O dinheiro de verdade é feito com o mercado fechado.
Num levantamento recente da Financial Times sobre o índice da bolsa americana (S&P500), foi constatado algo que sempre é reforçado pelos investidores de longo prazo, mas certo ceticismo ainda persevera entre os que ficam abalados com a volatilidade diária: a rentabilidade de verdade é atingida ficando comprado.
No gráfico há a linha de retorno acumulado de dois períodos:
1. Intraday (azul): é o retorno do índice comprando na abertura do mercado e vendendo no fechamento.
2 .Overnight (rosa): é o retorno do índice comprando no fechamento e vendendo na abertura.
Enquanto o mercado está fechado, novas notícias e fatos relevantes referentes as companhias ocorrem, fatos esses que são precificadas nos leilões (de fechamento ou abertura).
De forma resumida, o investidor que mantém seus investimentos mesmo após o fechamento, se beneficia de todos os movimentos do mercado – sejam eles enquanto o mercado está aberto ou fechado – e é importante lembrar que justamente enquanto o mercado está fechado que as principais notícias ocorrem – inclusive divulgação de resultados.
Num levantamento recente da Financial Times sobre o índice da bolsa americana (S&P500), foi constatado algo que sempre é reforçado pelos investidores de longo prazo, mas certo ceticismo ainda persevera entre os que ficam abalados com a volatilidade diária: a rentabilidade de verdade é atingida ficando comprado.
No gráfico há a linha de retorno acumulado de dois períodos:
1. Intraday (azul): é o retorno do índice comprando na abertura do mercado e vendendo no fechamento.
2 .Overnight (rosa): é o retorno do índice comprando no fechamento e vendendo na abertura.
Enquanto o mercado está fechado, novas notícias e fatos relevantes referentes as companhias ocorrem, fatos esses que são precificadas nos leilões (de fechamento ou abertura).
De forma resumida, o investidor que mantém seus investimentos mesmo após o fechamento, se beneficia de todos os movimentos do mercado – sejam eles enquanto o mercado está aberto ou fechado – e é importante lembrar que justamente enquanto o mercado está fechado que as principais notícias ocorrem – inclusive divulgação de resultados.