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Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3, $EGIEY) – 2021

Antes de mais nada: não se assuste com a queda de lucro divulgada nas manchetes dos sites de notícias por aí.

O ano de 2021 foi desafiador para diversas companhias do setor elétrico – principalmente para aquelas com maior exposição a geração de energia hidroelétrica, que é o caso da Engie, afinal, passamos por um grave período de estiagem que forçou o país a religar centenas de usinas termoelétricas já que o reservatório de algumas usinas atingiram níveis críticos e quase inoperáveis. Ainda assim, na nossa leitura, o resultado da Engie foi bom.

Começando pelo lucro líquido da companhia, já para esclarecer a queda de 44% noticiada pela mídia: em 2021 a Engie realizou a alteração do seu quadro de ativos, entre eles, a venda da Usina Termelétrica Pampa Sul e do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, isso causou um impairment de R$1.2 bilhões no balanço da companhia, ou seja, um registro contábil.

O lucro líquido ajustado da companhia desconsiderando esses dois fatores não recorrentes foi de R$2.4 bilhões, o que se traduz em uma queda de 11,8% em relação a 2021 – uma queda bem menor do que a expressada considerando os fatores não recorrentes.

Essa queda de lucro no ano ocorreu principalmente por dois fatores: o primeiro foi a estiagem, que afetou alguns fatores referentes a risco hidrológico, custo com térmica, preço de energia e afins, e o principal – a inflação.

Hoje 66% da dívida da Engie (que cresceu 23,5% em 2021 pra R$20.5 bilhões) está atrelada ao IPCA, isso significa que no curto prazo, os contratos corrigidos implicarão em maior custo financeiro, que foi justamente o que mais impactou negativamente a companhia no período: entre 2020 e 2021, houve um aumento de R$802 milhões de gastos com correção monetária e R$203 milhões com juros, somando R$2.18 bilhões gastos a mais somente com dívida, resultando numa despesa financeira 57% maior do que em 2020.

Apesar desse impacto, a alavancagem da companhia segue saudável (2,0x EBITDA com queda de 0,2pp em relação a 2020) e somente 17% dessa dívida é de curto prazo.

Aqui vale pontuar duas coisas: o primeiro é que é natural que elétricas sejam mais alavancadas. Isso ocorre por conta da sua previsibilidade de resultados – como é fácil de estimar os resultados futuros da companhia, a gestão aproveita a situação para se alavancar e melhorar os resultados. E é justamente o que a Engie tem feito.

A maior parte dessa dívida tem sido dedicada para o investimento em novos projetos, honrando o plano de expansão da companhia que tem feito sua transição de matriz de energia completa para fontes renováveis e transmissão de energia – o que é ótimo, visto que torna os resultados da companhia ainda mais consistentes e, de forma geral, assim que os projetos são finalizados, tanto a receita quanto o lucro da companhia crescerá.

Em 2021, como já citado, duas termelétricas da companhia foram vendidas, o que fez com que a companhia passasse a ter 97% da sua capacidade de geração de energia instalada em energias renováveis. Além disso, em 2021 a companhia investiu R$3.1 bilhões em novos projetos – com foco em transmissão de energia – e recentemente fez a aquisição de dois novos parques solares. Hoje ela tem em torno de 2,1GW de capacidade instalada em estudo de expansão, o que representaria aproximadamente 20% de crescimento sobre a capacidade instalada da companhia.

Desses 2,1GW, 779MW são de energia eólica e 1,3GW são de energia solar.

Em suma, apesar de a princípio a alavancagem da companhia preocupar – ainda mais quando as manchetes noticiam uma queda tão forte de lucro, uma análise mais apurada mostra que ler somente manchetes pode induzir a erros sérios.

A crise hídrica foi um forte problema no setor e ela, por sua vez, levou a outro problema, que foi o agravamento da inflação que acabou impactando negativamente os contratos de dívida da Engie. Ambos fatores não devem se repetir em mesma intensidade em 2022 e os próprios contratos de venda de energia da Engie tendem a equilibrar esse fator de custo de alavancagem.
Para 2022, com esse remanejamento da matriz de geração de energia da companhia e a conclusão de diversos projetos que estão em andamento (alguns estão para terminar ainda no primeiro trimestre, enquanto outros até o final do ano), é provável que os resultados venham bem mais fortes e a companhia siga batendo recorte de receita e talvez até mesmo de lucro, principalmente considerando que o cenário hídrico melhorou significativamente e a inflação tende a um arrefecimento, o que por si só já reduz o quadro de custos da companhia. Aquisições – vide os últimos dois complexos solares que a companhia adquiriu – também incrementam os resultados positivamente.

Enfim, a Engie está na vanguarda da geração de energia que ilustra o futuro – as fontes renováveis, e a companhia tem se inclinado cada vez mais na diversificação de sua receita se expandindo no mercado de transmissão. O principal ponto de atenção que o investidor deve se ater na análise da companhia é sobre seu endividamento, que até então, está distante de quaisquer problemas e segue saudável. Lembrando sempre que o endividamento tem que se analisado também sob a ótica dos futuros projetos com potencial de geração de resultado na companhia.

No mais, sem grandes surpresas tratando sobre a maior geradora de energia privada do país num dos setores mais tranquilos de se investir.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.

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Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3, $WEGZY) – 2021

Como esperado, mais um ano se passou e a WEG teve um crescimento fortíssimo – em termos anualizados, a receita cresceu expressivamente, o lucro cresceu expressivamente, a expansão geográfica segue e o encanto que os investidores de longo prazo possuem pela companhia é explicado pela qualidade dos resultados, mas uma principal questão deve ser pontuada: os custos.

Começando pela receita: a companhia atingiu mais um recorde histórico, atingido os R$23.5 bilhões (+35% no ano) e crescendo consistentemente desde 2016. Essa receita no ano foi impulsionada tanto pelo mercado interno, que teve uma atividade industrial acima das expectativas das projeções econômicas, quanto pelo mercado externo, que também teve uma forte retomada ao passo que as econômicas retomam suas atividades de forma normalizada.

Houve forte aumento na venda de itens relacionados a geração de energia – principalmente solar – e aqui vale destacar um ponto que muitos não sabem: a WEG é um forte player nesse segmento, produzindo tanto aerogeradores para o segmento de energia eólica quanto centrais de distribuição de energia solar. Esse segmento representou 36,5% da receita da companhia em 2021 e tem sido uma linha importante em seu crescimento, dada a expansão da energia renovável.

Ademais, as quatro linhas de receitas da companhia cresceram bem, com um crescimento de 40% no mercado interno e 30% no mercado externo. Vale pontuar que esse crescimento de receita no mercado externo é resultado a expansão que a companhia tem realizado, investindo em novas fábricas na Europa, China, Índia e México, principalmente.

Apesar da alta relevante de resultados do mercado externo, apesar de volátil, o dólar em 2021 não teve grandes alterações, o que reforça ainda mais que o aumento de receita da companhia no mercado externo não é somente por conta de valorização cambial.

O principal ponto negativo e que merece maior atenção na análise é a linha de custos.

Apesar de já batido dizer isso, a inflação em 2021 foi altíssima e impactou todas as companhias. E quando dizemos que ela foi altíssima, não nos referimos somente ao Brasil, mas a economia global.

Os custos dos produtos vendidos no 4T21 subiu acima mais que a receita, ficando 7,7% maior que no 3T21. Isso tem ocorrido principalmente por conta da inflação do cobre e inflação do aço, que são dois insumos essenciais para a companhia. Para ter melhor ideia sobre o cenário: o preço da libra do cobre subiu 125% do início de 2020 até então e 35% do início de 2021 até então. São pressões de custos que passam despercebidos por estarem inseridos na base da cadeia produtiva da indústria e que existem.
Essa inflação e aumento de custos tem causado forte pressão na margem do operacional da companhia (-1,2pp em relação ao trimestre anterior), mas por conta da eficiência da gestão e um mix de produtos diferenciado (como citado, maior participação no setor de energia, também), no ano a margem operacional subiu 1.2pp, para 19%. A margem líquida também subiu forte no ano, de 13,4% para 15,2%.

O lucro líquido, por sua vez, também cresceu de forma expressiva (+53% no ano) e atingiu os R$3.6 bilhões.

Como mencionado, a WEG é uma empresa do setor industrial e os principais pontos de atenção nas análises é em relação aos seus custos, que tem sido um grande desafio para a companhia, embora ela tenha lidado muito bem graças a boa gestão, e ao câmbio, visto que praticamente metade da sua receita vem do mercado externo.

Seu resultado anual foi excelente, como já esperado, e o lado negativo fica em relação a pressão sobre as margens da companhia.

Para 2022, graças aos seus projetos de expansão no exterior com a criação de mais parques fabris ao redor do mundo conquistando mais mercado fora do Brasil, é quase certo que os resultados reportados sigam crescendo como um relógio, mas com a atual queda do dólar (-7,2% no ano) é esperado uma desaceleração da companhia já no primeiro trimestre de 2022, visto que isso reduz a receita vinda do mercado externo.
Em tempo: as linhas de receita e lucro importam, mas nunca se esqueça de analisar também as de custos e despesas. Num cenário de inflação, é normal que a receita cresça, e mais importante que isso, é as margens da companhia continuarem saudáveis. E a WEG tem realizado esse trabalho com excelência, entregando aumentos de margens mesmo em uma conjuntura adversa.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve analise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.

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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3, $BDORY) – 2021

Com um resultado surpreendente que agradou em praticamente todas as linhas, o Banco do Brasil deu mostrou solidez ao decorrer de 2021.

A princípio, uma máxima sempre é repetida no mundo dos investimentos: se a empresa é estatal, evite de investir – e se o fizer, cobre um bom desconto para ter uma margem de segurança na operação. E isso explica o atual preço do Banco do Brasil em relação aos seus resultados.

O ano de 2021 foi excelente para o banco em praticamente todas as linhas, com uma solidez de gestão tão boa quanto a do Itaú.

Tratando sobre a receita do banco, um recorde histórico foi atingido mesmo com a pressão dos concorrentes digitais e demais fintechs. A instituição atingiu uma receita de intermediação financeira de R$130 bilhões em 2021, com uma alta de 5% de margem financeira, o que demonstra eficiência nos créditos concedidos. Entre os principais destaques da receita, a linha de serviços vale ser mencionada, com uma alta de 2,6% no ano (sempre citamos essa linha pois sua alteração pode evidenciar maior pressão das fintechs), com uma alta de 8,8% na receita de gestão de fundos de investimentos – o que é ótimo, visto que os fundos do banco são utilizados por diversas instituições públicas e representa a maior linha de receita da categoria de serviços – e o destaque negativo vai para a queda na receita de serviços de contas correntes, caindo 17,2% no ano – uma forte queda que deve ser explicada em parte por conta da maior disseminação do uso do Pix. De qualquer forma, no consolidado da linha de serviços, houve crescimento.

Falando sobre receita, é importante citar também as despesas: a gestão do banco tem sido muito eficiente em seu controle. Em 2021 houve tanto fechamento de agências quanto diminuição no quadro de funcionários, além da digitalização de vários serviços. No ano houve uma alta de apenas 1,4% na despesa, ou seja, um crescimento insignificante face ao crescimento da receita. Esse controle de despesas unido ao crescimento de receita do banco fez com que a instituição atingisse 35,6% de índice de eficiência no ano – o melhor índice entre os grandes bancos do país. Lembrando que o índice de eficiência indica o quanto o banco está gastando para gerar a sua receita. Quanto menor, melhor, e o Banco do Brasil tem diminuído consistentemente esse número nos últimos trimestres.

Falando sobre eficiência, é importante citar também a carteira de crédito, que é a cereja do bolo do Banco do Brasil.

A carteira de crédito da instituição cresceu 17,8% no ano, atingindo os R$875 bilhões. A maior vantagem do Banco do Brasil é que ele é o banco com maior concentração em crédito de agronegócio do país. 62% do agro brasileiro é financiado pela companhia, e o agronegócio possui uma altíssima qualidade de crédito. No ano, o maior crescimento foi na carteira do agronegócio, crescendo 34,3% e representando 32% da carteira.

A qualidade da carteira, por sua vez, é evidenciada quando olhamos para a inadimplência: em comparação a 2021 a inadimplência da carteira de crédito do Banco do Brasil foi de 1,75%, uma queda de 0,25pp em relação a 2020 e o registro de menor inadimplência entre os grandes bancos brasileiros.

Sobre alavancagem, o Índice de Basileia do banco caiu 2,1pp, de 17,2% para 15,1%. O índice de Basileia, em termos simples, significa o quanto o banco está alavancado e usando capital de terceiros para emprestar seu dinheiro. Quanto maior, melhor, e no caso do Banco do Brasil, esse número vem caindo consistentemente. É um ponto de atenção para o investidor, mas longe de grandes preocupações, visto que esse índice é monitorado pelo Banco Central do Brasil e 15% ainda é um número extremamente saudável. A preocupação começa a fazer sentido quando ele atravessa a linha dos 10% e segue caindo.
Entre outros pontos: o banco tem investido forte em tecnologia (média de R$4 bilhões investidos por ano desde 2013) e hoje 93% das transações realizadas são feitas digitalmente. Pro guidance de 2022, o banco segue projetando forte crescimento de todas as linhas.

Enfim, os resultados do Banco do Brasil foram excelentes. É, sem dúvidas, o patinho feito do mercado por conta do sócio (Estado), mas até então, a gestão tem tocado a companhia com maestria, e os resultados consolidados de 2021 mostram isso de forma inquestionável.

Como já mencionado: a principal razão do desconto do banco face aos pares é o seu sócio. O mercado hoje precifica um risco de intervenção na gestão do banco em uma possível guinada populista por parte de algum governo que tome posse futuramente. Esse risco é embutido no preço como consequência a companhia fica mais barata, porque é o desconto que os investidores cobram para investir.

Em nossa leitura, sinceramente, achamos pouco provável um ataque a gestão do banco a ponto de destruí-lo. O Banco do Brasil é um titã que já resistiu a dezenas de problemas e a importância de sua solidez é sabida por qualquer pessoa da alta hierarquia econômica do pais – a desestabilização não é algo que interessante sob nenhuma ótica.

Pra 2022, como o guidance aponta, é bem provável que o crescimento siga forte, ainda mais com a SELIC no atual patamar com uma carteira de crédito tão boa quanto a da instituição. No mais, se você deseja investir ou já investe no banco, não se esqueça: os resultados são ótimos, mas todo risco deve ser mensurado. Por mais que o risco de uma gestão populista não seja significativo hoje, o cenário muda diariamente, e o tamanho da sua posição no ativo é que irá mensurar esse risco.

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Opinião e análise breve – EDP Energias do Brasil ($ENBR3, $XENBR.A) – 2021

Sem grandes surpresas, mais um ano marcado por forte crescimento e linhas de resultado sólidos.

Como já sabido, o setor de energia elétrica passou por dois fortes transtornos em 2021: a crise hídrica, afetando seriamente a cadeia de produção de energia elétrica visto que 70% da energia gerada no Brasil é da matriz hidrelétrica, e a inflação, que fechou o ano pouco acima dos 10%, com alguns custos subindo mais de 50% no período. E nenhum dos dois obstáculos foi suficiente para brecar os resultados da EDP.

A começar pela receita: a companhia entregou um crescimento de 20,2% em sua receita de geração de energia hidrelétrica, 33,9% de aumento em geração térmica, 37,4% de aumento na receita de distribuição de energia e 65,6% de aumento na receita de geração de transmissão – como percebido, a EDP tem sua receita diversificada, trabalhando praticamente em todas as pontas do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição). No consolidado houve crescimento de 26,2% da receita.

Já na linha de lucro, por sua vez, houve uma queda de 5,5% no segmento de geração hidrelétrica e uma queda de 16,4% na geração térmica, explicados pelo forte período de estiagem que pressionou os custos entre outras linhas contábeis, mas em contrapartida, houve um aumento de lucro forte tanto na distribuição de energia (+37,4%) e na transmissão de energia (+65,6%). Sendo assim, no ano, a EDP fechou com um crescimento de lucro de 43,2%, mesmo com a pressão negativa sobre seu segmento de geração, demonstrando êxito no mix de receita da companhia.

As linhas de despesas também merecem ser pontuadas: as despesas gerenciáveis tiveram um leve aumento de 5,7% no ano, o que significa um valor baixo considerando o aumento de receita da companhia, e esse crescimento é explicado principalmente pela expansão que a companhia tem feito, aumentando a quantidade de funcionários e reajustando os salários com aumentos que acompanhem a inflação.

Nas despesas financeiras, vale sempre o alerta quando tratamos sobre elétricas, visto que elas são fortemente alavancadas e o custo da dívida deve ser sempre monitorado.

Em 2021 houve um aumento significativo de 30,7% das despesas financeiras da companhia, reflexo do aumento da inflação e da SELIC – hoje 32% da dívida está atrelada ao IPCA e 60% da dívida está atrelada ao CDI, ou seja, face ao crescimento da inflação e da SELIC, seu custo de dívida sobe.

Ainda que o endividamento tenho crescido 17,4% no ano, a dívida ainda é bem saudável e não é motivo de preocupação. O atual caixa que a companhia possui arca com as dívidas até 2024, sendo que seu grau de alavancagem está baixo (1,7x EBITDA) e caiu entre 2020 e 2021.

Em relação aos seus investimentos, a companhia investiu R$4 bilhões em 2021 (+28% em relação a 2020), aumentando os investimentos na área de geração de energia solar, principalmente.

No mais, sem grandes surpresas no resultado da empresa. A EDP tem uma excelente gestão e tem seguido seu guidance a linha. Para 2022, a companhia seguirá reciclando seu portfólio e vendendo suas hidrelétricas focando a mudança na matriz de geração de energia (o que é positivo) e reajustes tarifários previstos para esse ano também beneficiarão o resultado da empresa e aponta mais um ano de números fortes.

E uma informação bônus, que talvez alegre alguns investidores: a companhia acenou um possível dividendo de R$1,39 por ação para ser deliberado no dia 05/04/2022. Ou seja, a EDP caracteriza aquela empresa que cresce de forma sólida enquanto remunera bem o acionista.

Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.

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Performance da bolsa americana (S&P500) após cada grande evento geopolítico.
Debate de hoje no INT

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Daremos instruções importantes, especialmente para quem começou a investir no exterior durante a alta histórica dos últimos anos.

Participe ao vivo. Debates não ficam gravados.

Ao vivo às 19h00. Link na plataforma.

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Opinião e análise breve – Taesa ($TAEE3, $TAEE4, $TAEE11) – 2021
Antes de mais nada, gostaríamos de deixar claro que ao analisar transmissoras de energia, preferimos olhar sempre para o resultado regulatório, visto que ele reflete melhor a geração de caixa da companhia. Há inclusive um documento elaborado pela própria Taesa explicando a diferença entre o IFRS e o regulatório elucidando a razão do regulatório ser mais adequado. O link estará no final do texto, caso interesse a leitura.

Assim como 2020, 2021 também foi um bom ano para a Taesa de forma geral, apesar do lucro líquido ter sido ruim – a qual explicaremos mais a frente.

No ano, a receita líquida cresceu 20,5%, impulsionada principalmente pela correção dos contratos indexados a inflação (IPCA e IGP-M, que atingiram valores altíssimos no período), sendo que no último trimestre houve o início das operações das linhas de transmissão Janaúba, que complementa R$213 milhões de RAP ao ano ao resultado.

Ainda sobre linhas de transmissão, em 2022 quatro delas terão redução de 50% da RAP por já atingirem o décimo sexto ano em funcionamento, sendo que duas dessas quatro terão essa redução depois de outro. Haverá redução da RAP por esse lado, mas de qualquer forma as quatro linhas não representam tamanho relevante no total da companhia e terão novas linhas em funcionamento no período.

Em custos e despesas, houve um crescimento de 9,2%, sendo a principal razão o aumento salarial e demais gratificações aos funcionários (o reajuste salarial foi de 8,06%) e parte pelo aumento do custo de serviços de terceiros, que de certa forma também está atrelada a aumento de reajuste salarial. Lembrando que esses reajustes são realizados sempre com base na inflação do ano.

O resultado financeiro é um ponto de atenção: assim como qualquer outra empresa do setor elétrico, a Taesa opera com uma alavancagem elevada – sendo uma das mais alavancadas do setor, com uma relação de dívida líquida/ebitda de 4,1x (ante 4,3x em 2020). É importante que o investidor sempre monitore essa métrica. Acima de 3,0x já é um número relativamente elevado e que deve ser analisado nas minúcias para ver se a alavancagem realmente está saudável.

Como a Taesa tem resultados extremamente previsíveis e sólidos, essa alavancagem não é problema, mas isso não exclui a atenção que o investidor deve dar a ela. Hoje 85% da dívida da companhia é de longo prazo (vencerá entre 2026 e 2044) sendo 62,3% atrelada ao IPCA e 23,3% atrelada ao CDI. Sendo assim, em 2021 o resultado financeiro pressionou fortemente a companhia: houve um aumento de 70,8% de gasto com dívida no ano por conta do aumento da inflação.
Como dito, se você investe em elétrica, sempre veja o endividamento. O mesmo fator que beneficia algumas companhias (inflação), também pode prejudica-la, é por isso que a divida deve ser muito bem tomada e a alavancagem deve gerar resultados superiores ao custo da dívida.

A Taesa até então tem realizado um trabalho excelente nesse sentido e não enquadra problemas relacionados.

Por fim, o lucro no ano foi 19% menor. A razão está explicada acima: pressão do resultado financeiro. A dívida do período bateu forte com essa alta elevação da SELIC e do IPCA acima de 10% no período, pressionando as linhas de resultado finais da companhia.

Para 2022, a inflação não deve se repetir elevada e os fatores negativos do período não devem ocorrer novamente. Novas linhas de transmissão devem entrar em operação para incrementar a receita anual permitida e as margens – principalmente relacionadas ao endividamento – devem melhorar.

No mais, empresas do setor de energia sempre são bem simples de analisar. No caso da Taesa, é importante que o investidor sempre veja pelo regulatório, e não pelo resultado IFRS, isso permite melhor compreensão dos números divulgados relacionados a geração de caixa da companhia.

Para 2022, a companhia já garantiu um pagamento de R$2,32 por unit (TAEE11) que serão pagos até dia 31/12/2022. É provável que mais pagamentos sejam anunciados até o final do ano.
Documento sobre leitura IFRS e regulatório: https://ri.taesa.com.br/wp-content/uploads/importer-old-site/nota-tecnica-ifrs-x-regulatorio-vfinal_4399_899_22982.pdf

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Atual situação dos reservatórios das hidrelétricas mediante esse período chuvoso inesperado que tem ocorrido.

Até o momento, os reservatórios já atingiram 60% da capacidade, bem acima dos números registrados em 2020 e 2021.

Como mostra o gráfico, ainda há um praticamente um mês de período chuvoso para seguir preenchendo os reservatórios, para então entrarmos em mais um período seco, que perdura até o final do outubro.

Considerando esses números positivos e o já anunciado fim da atual bandeira de escassez hídrica em abril, resta saber qual será a bandeira tarifária a ser adotada. Lembrando que tanto o preço da energia elétrica quanto o preço dos combustíveis são os dois principais determinantes da inflação do país – num cenário onde a energia fique mais barata e os combustíveis pelo menos estabilizem (visto que é improvável uma queda significativa com o atual cenário externo), a chance de um IPCA melhor do que as expectativas no ano é alta.
Preço do trigo segue sendo fortemente pressionado com o conflito geopolítico envolvendo a Rússia e a Ucrânia. Lembrando que os dois países estão entre os maiores produtores do planeta.

Mais trimestres desafiadores para a M. Dias Branco a frente.