Opinião e análise breve – Bradesco ($BBDC3, $BBDC4, $BBD) – 2021
O terceiro maior banco da américa latina divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2021 e respectivo fechamento anual ontem pela noite – entre a queda do lucro em relação ao trimestre passado e o recorde de lucro histórico da companhia no anualizado, alguns pontos merecem atenção.
Os principais pontos serão citados aqui, com algumas métricas sendo comparadas aos números de 2019 (visto que em 2020 houve forte distorção de diversas linhas por conta da pandemia), e lembrando, de forma resumida, visto que releases de bancos possuem centenas de informações para apurar.
No ano, a companhia conseguiu atingir um recorde histórico em sua linha de receita de intermediação financeira mesmo com a forte pressão negativa da linha de seguros, que foi impactada por conta da sinistralidade na área de saúde. O destaque vai a sua linha de cartões e volume transacionado, que mesmo com a concorrência cada vez mais acirrada dos bancos digitais, fechou 2021 com uma alta de 11,5%. A linha de receita com serviços de conta corrente, por incrível que pareça, também segue subindo, assim como a sua base de correntistas, que saiu dos 36 milhões para os 40 milhões. Ou seja, até o momento, apesar da pressão cada vez maior das fintechs e dos bancos digitais, o Bradesco segue crescendo em uma das linhas que mais tem sido atacada.
Parte desse êxito de crescimento tem se consolidado por conta do seu banco digital: o banco Next. Em 2021 o Next atingiu o marco de 10 milhões de correntistas (+170% em relação a 2020) se aproximando do tamanho do Banco Inter, sendo que desses 10 milhões, 78% nunca utilizam o Bradesco – ou seja, adotaram o uso do banco digital da companhia sem qualquer relação prévia com o bancão, o que expressa o fato de que o crescimento tem sido orgânico sem custas a base de clientes do próprio bradesco. Para ter melhor dimensão da relevância do digital no banco: 98% das transações foram feitas dessa forma e quase R$35 bilhões de crédito foram concedidos dessa forma – o que é maior do que a carteira de crédito inteira do Nubank.
Ainda sobre as receitas de serviços, o destaque negativo fica sob a receita envolvendo fundos de investimentos, com uma queda de 14%, refletindo o ataque que as gestoras independentes tem feito ao mercado tradicional, enquanto por outro lado, houve forte aumento de receita com custódia e corretagem (+23%) ocasionada também pelo crescimento da Ágora, que em 2021 ganhou 198 mil novos clientes e atingiu a posição de terceira maior corretora de pessoas físicas do Brasil. Ou seja, na área de fundos de investimento o Bradesco tem perdido cada vez mais espaço.
Sobre a margem financeira (diferença entre o juro cobrado e os juros pago), houve uma melhora expressiva, com um crescimento de 9% em relação a 2019, sendo que a margem com clientes cresceu em 12,1% atingindo uma máxima histórica - lembrando que emprestar dinheiro é o principal business de um banco, e essa linha é de extrema importância.
A PDD, por sua vez, teve um aumento relevante no quatro trimestre de 2021, mas no fechamento anual, tem retornado ao patamar de normalização. Esse aumento no quatro trimestre de 2021 reflete maior cuidado do banco com um possível aumento de inadimplência, visto que a SELIC saiu dos 2% e provavelmente atingirá seu pico próximo aos 12%. Ou seja, dívidas mais penosas e maior risco de calotes.
As despesas no quarto trimestre de 2021 tiveram um crescimento significativo impulsionadas pela celebração do dissídio do ano (+10,97%, refletindo a inflação alta do ano) entre outros acordos de demissão, mas estável em relação a 2019, refletindo a mudança estrutural do banco com o fechamento de 1.537 agências e mudança estrutural de cortes de custos se inclinando a digitalização de parte de seus serviços.
O terceiro maior banco da américa latina divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2021 e respectivo fechamento anual ontem pela noite – entre a queda do lucro em relação ao trimestre passado e o recorde de lucro histórico da companhia no anualizado, alguns pontos merecem atenção.
Os principais pontos serão citados aqui, com algumas métricas sendo comparadas aos números de 2019 (visto que em 2020 houve forte distorção de diversas linhas por conta da pandemia), e lembrando, de forma resumida, visto que releases de bancos possuem centenas de informações para apurar.
No ano, a companhia conseguiu atingir um recorde histórico em sua linha de receita de intermediação financeira mesmo com a forte pressão negativa da linha de seguros, que foi impactada por conta da sinistralidade na área de saúde. O destaque vai a sua linha de cartões e volume transacionado, que mesmo com a concorrência cada vez mais acirrada dos bancos digitais, fechou 2021 com uma alta de 11,5%. A linha de receita com serviços de conta corrente, por incrível que pareça, também segue subindo, assim como a sua base de correntistas, que saiu dos 36 milhões para os 40 milhões. Ou seja, até o momento, apesar da pressão cada vez maior das fintechs e dos bancos digitais, o Bradesco segue crescendo em uma das linhas que mais tem sido atacada.
Parte desse êxito de crescimento tem se consolidado por conta do seu banco digital: o banco Next. Em 2021 o Next atingiu o marco de 10 milhões de correntistas (+170% em relação a 2020) se aproximando do tamanho do Banco Inter, sendo que desses 10 milhões, 78% nunca utilizam o Bradesco – ou seja, adotaram o uso do banco digital da companhia sem qualquer relação prévia com o bancão, o que expressa o fato de que o crescimento tem sido orgânico sem custas a base de clientes do próprio bradesco. Para ter melhor dimensão da relevância do digital no banco: 98% das transações foram feitas dessa forma e quase R$35 bilhões de crédito foram concedidos dessa forma – o que é maior do que a carteira de crédito inteira do Nubank.
Ainda sobre as receitas de serviços, o destaque negativo fica sob a receita envolvendo fundos de investimentos, com uma queda de 14%, refletindo o ataque que as gestoras independentes tem feito ao mercado tradicional, enquanto por outro lado, houve forte aumento de receita com custódia e corretagem (+23%) ocasionada também pelo crescimento da Ágora, que em 2021 ganhou 198 mil novos clientes e atingiu a posição de terceira maior corretora de pessoas físicas do Brasil. Ou seja, na área de fundos de investimento o Bradesco tem perdido cada vez mais espaço.
Sobre a margem financeira (diferença entre o juro cobrado e os juros pago), houve uma melhora expressiva, com um crescimento de 9% em relação a 2019, sendo que a margem com clientes cresceu em 12,1% atingindo uma máxima histórica - lembrando que emprestar dinheiro é o principal business de um banco, e essa linha é de extrema importância.
A PDD, por sua vez, teve um aumento relevante no quatro trimestre de 2021, mas no fechamento anual, tem retornado ao patamar de normalização. Esse aumento no quatro trimestre de 2021 reflete maior cuidado do banco com um possível aumento de inadimplência, visto que a SELIC saiu dos 2% e provavelmente atingirá seu pico próximo aos 12%. Ou seja, dívidas mais penosas e maior risco de calotes.
As despesas no quarto trimestre de 2021 tiveram um crescimento significativo impulsionadas pela celebração do dissídio do ano (+10,97%, refletindo a inflação alta do ano) entre outros acordos de demissão, mas estável em relação a 2019, refletindo a mudança estrutural do banco com o fechamento de 1.537 agências e mudança estrutural de cortes de custos se inclinando a digitalização de parte de seus serviços.
A carteira de crédito, por sua vez, ultrapassou os R$800 bilhões com um aumento de 18,3% em relação a 2020 impulsionada principalmente por crédito concedido a pessoas físicas (+23,2%) e empresas pequenas e médias (+24,5%). No fechamento de 2021, 89,9% do crédito que o banco concedeu estava concentrado em devedores com bom rating (sendo 53% A+), o que fica evidente quando analisamos a inadimplência, que em relação 2020 teve um aumento de 0,5pp mas uma queda de 0,8pp em relação a 2019.
Nas linhas finais do resultado, o lucro: em relação ao trimestre passado, a companhia registrou uma queda de 2,8% e uma alta de 34,7% em relação a 2020. Como comparar com 2020 fica completamente distorcido por conta da altíssima PDD que os bancos estimaram no período, a comparação mais justa é com 2019 – período que não houve fator não recorrente de PDD – e dessa forma, em 2021 o banco registrou um recorde histórico de lucro com R$26.2 bilhões, o que significa um ligeiro aumento de 1,6%.
Em termos mais simples, apesar do recorde de todas as linhas de serviços, a forte expansão de seus números e o recorde histórico de lucro, no fechamento de lucro anual não houve crescimento relevante e queda de eficiência em relação aos anos passados.
Os ataques das instituições concorrentes e digitais tem apertado e desacelerado algumas linhas de crescimento (mas não causado a retração), mas o principal desafio para os bancos em 2021 foi a SELIC. Como já sabido, quase 7 meses do ano o país passou com uma taxa de juros extremamente baixa e que foi reduzida a esses patamares quase que em uma só porrada. A principal fonte de dinheiro de um banco é simples de entender: emprestar dinheiro. Se os juros estão no chão, o resultado segue.
Como notado, a expansão da carteira de crédito do Bradesco foi forte em 2021 e isso somado ao aumento de juros dos próximos meses, caso a inadimplência seja controlada – o que é mais provável que ocorra dada a qualidade da carteira da instituição, beneficiará fortemente o resultado do banco, além da normalização da sua linha de seguros de saúde e vida que foi fortemente impactada de forma negativa em 2022 por conta da pandemia, causando prejuízo em boa parte do ano. Lembrando que o Bradesco é um player relevante nessa área de atuação.
No mais: manter sempre no radar o ataque das fintechs e demais instituições nas linhas de receita dos grandes bancos é o mais inteligente a se fazer na análise, pois apesar de não tão relevante, essa pressão existe.
O cenário bancário brasileiro tem mudado violentamente nos últimos anos com a descentralização dos serviços e isso é algo que não pode ser negligenciado, mas lembrando sempre que o principal negócio de um banco é emprestar dinheiro – e quanto a isso, 2021 foi um excelente ano para o Bradesco, sendo 2022 um ano em que os frutos dessa expansão se mostrarão de fato.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve analise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.
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Nas linhas finais do resultado, o lucro: em relação ao trimestre passado, a companhia registrou uma queda de 2,8% e uma alta de 34,7% em relação a 2020. Como comparar com 2020 fica completamente distorcido por conta da altíssima PDD que os bancos estimaram no período, a comparação mais justa é com 2019 – período que não houve fator não recorrente de PDD – e dessa forma, em 2021 o banco registrou um recorde histórico de lucro com R$26.2 bilhões, o que significa um ligeiro aumento de 1,6%.
Em termos mais simples, apesar do recorde de todas as linhas de serviços, a forte expansão de seus números e o recorde histórico de lucro, no fechamento de lucro anual não houve crescimento relevante e queda de eficiência em relação aos anos passados.
Os ataques das instituições concorrentes e digitais tem apertado e desacelerado algumas linhas de crescimento (mas não causado a retração), mas o principal desafio para os bancos em 2021 foi a SELIC. Como já sabido, quase 7 meses do ano o país passou com uma taxa de juros extremamente baixa e que foi reduzida a esses patamares quase que em uma só porrada. A principal fonte de dinheiro de um banco é simples de entender: emprestar dinheiro. Se os juros estão no chão, o resultado segue.
Como notado, a expansão da carteira de crédito do Bradesco foi forte em 2021 e isso somado ao aumento de juros dos próximos meses, caso a inadimplência seja controlada – o que é mais provável que ocorra dada a qualidade da carteira da instituição, beneficiará fortemente o resultado do banco, além da normalização da sua linha de seguros de saúde e vida que foi fortemente impactada de forma negativa em 2022 por conta da pandemia, causando prejuízo em boa parte do ano. Lembrando que o Bradesco é um player relevante nessa área de atuação.
No mais: manter sempre no radar o ataque das fintechs e demais instituições nas linhas de receita dos grandes bancos é o mais inteligente a se fazer na análise, pois apesar de não tão relevante, essa pressão existe.
O cenário bancário brasileiro tem mudado violentamente nos últimos anos com a descentralização dos serviços e isso é algo que não pode ser negligenciado, mas lembrando sempre que o principal negócio de um banco é emprestar dinheiro – e quanto a isso, 2021 foi um excelente ano para o Bradesco, sendo 2022 um ano em que os frutos dessa expansão se mostrarão de fato.
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Você conhece os riscos da Taesa? Está seguro para seguir comprando o ativo?
Iniciamos no ano passado um Master Class sobre dividendos. Nele, detalhamos todo o processo de análise para montagem de portfolio: desde os aspectos fundamentalistas até a modelagem financeira com DDM.
Nas próximas duas semanas, darei duas aulas no INT com uma análise completa sobre Taesa.
A empresa é badalada. Queridinha de quem está nos primeiros passos. Obviamente, está também atolada de eventos não recorrentes no resultado.
Trataremos isso, o endividamento e os demais aspectos que fundamentam decisões inteligentes sobre esse negócio.
Análise real, prática e dentro dos demonstrativos da companhia.
Ao vivo hoje no INT às 19h00. Link já na plataforma.
www.findocs.com.br
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Opinião e análise breve – Itaú ($ITUB3, $ITUB4, $ITUB) – 2021
Fazendo jus a sua posição de maior banco do país, o Itaú entregou resultados bons, mesmo face a adversidade do cenário macroeconômico, atingindo um recorde histórico de lucro anual somando R$26.9 bilhões.
Começando pelas receitas, houve crescimento de 11% na receita de intermediação financeira, se aproximando dos R$196 bilhões, enquanto a despesa teve um ligeiro aumento de apenas 1%, o que demonstra eficiência nas operações. Entre os destaques ainda na linha de receita, vale mencionar o crescimento forte na área de cartões (+12%) e tarifas e serviços (+7%), duas linhas que valem atenção extra na análise por fazerem parte de segmentos que são atacados diretamente pelas fintechs. Mesmo com essa pressão, o banco continua se expandindo; aqui é importante lembrar que o Brasil ainda possui milhões de desbancarizados e ainda existe um enorme mercado potencialmente inexplorado para as instituições abraçarem.
Na ponta negativa das receitas, assim como ocorreu com o Bradesco, a parte de gestão de fundos registrou uma queda de 1,1%, provável reflexo do avanço das corretoras independentes. Hoje essa receita representa um percentual baixo da receita do banco, sendo menos de 2%, mas já fica evidente como as instituições concorrentes tem ganhado na corrida.
A margem financeira do banco (diferença entre o que ele empresta e o que ele recebe) também cresceu muito (+12,1%) refletindo já parte do aumento da SELIC e não só, visto que a margem também aumento em suas unidades fora do Brasil (Argentina, Chile e afins) – no consolidado, o spread subiu 0,8pp, apontando eficiência na operação de crédito do banco.
A carteira de crédito cresceu violentamente ano a ano em quase R$180 bilhões e ultrapassou a marca histórica do R$1 trilhão, se consolidando como maior banco da américa latina em termo de crédito. O principal aumento foi na linha de pessoas físicas – em específico, no setor imobiliário – e houve leve melhora de perfil dos devedores, sendo que 88% destes são de rating de crédito bom.
Ainda sobre a carteira de crédito, a inadimplência caiu forte em relação ao trimestre anterior, mas teve leve aumento de 0,1pp no ano. Essa linha merece atenção nas próximas análises, pois como já citamos, com a subida da SELIC o custo da dívida vai subir para muita gente e nem todos terão capacidade de pagar, o que tem potencial de elevação forte de inadimplência, visto que as famílias nunca estiveram tão endividadas quanto estão agora. De qualquer forma, o perfil da carteira do Itaú reforça que esse risco é minimizado por dois fatores – tanto uma PDD conservadora (de mais de R$50 bilhões e que foi aumentada significativa no último trimestre) quanto o perfil da carteira, que é composta majoritariamente por devedores de rating mais alto, ou seja, há maior segurança e menor risco de calote.
Em relação as despesas, além da PDD aumentada no trimestre como já citado para fazer face ao risco de inadimplência dos próximos meses, houve um aumento de 7% na despesa com pessoal, impulsionada por conta do acordo de aumento salarial de 11% para bancários que foi celebrado no mês de setembro de 2021 e a contratação de mais de 3.000 novos funcionários na área de tecnologia do banco entre outros profissionais da área de mercado (AAIs) para competir no mercado que a XP e o BTG mais participam.
O investimento em novas cabeças da área tech faz completo sentido para o momento em que vivemos, considerando que a tendência para o digital tem sido cada vez maior. O Iti fechou 2021 com 14.6 milhões de clientes, o que significa que o banco digital do Itaú é maior do que o próprio banco Inter. Outro ponto interessante é o fato de que o Itaú hoje é a companhia com a maior quantidade de cientistas de dados do país.
Apesar desse aumento forte de 7% na despesa com pessoal, o controle nas despesas administrativas se mostrou bom, o que resultou num aumento de espessa total de 2021 de apenas 2%.
Fazendo jus a sua posição de maior banco do país, o Itaú entregou resultados bons, mesmo face a adversidade do cenário macroeconômico, atingindo um recorde histórico de lucro anual somando R$26.9 bilhões.
Começando pelas receitas, houve crescimento de 11% na receita de intermediação financeira, se aproximando dos R$196 bilhões, enquanto a despesa teve um ligeiro aumento de apenas 1%, o que demonstra eficiência nas operações. Entre os destaques ainda na linha de receita, vale mencionar o crescimento forte na área de cartões (+12%) e tarifas e serviços (+7%), duas linhas que valem atenção extra na análise por fazerem parte de segmentos que são atacados diretamente pelas fintechs. Mesmo com essa pressão, o banco continua se expandindo; aqui é importante lembrar que o Brasil ainda possui milhões de desbancarizados e ainda existe um enorme mercado potencialmente inexplorado para as instituições abraçarem.
Na ponta negativa das receitas, assim como ocorreu com o Bradesco, a parte de gestão de fundos registrou uma queda de 1,1%, provável reflexo do avanço das corretoras independentes. Hoje essa receita representa um percentual baixo da receita do banco, sendo menos de 2%, mas já fica evidente como as instituições concorrentes tem ganhado na corrida.
A margem financeira do banco (diferença entre o que ele empresta e o que ele recebe) também cresceu muito (+12,1%) refletindo já parte do aumento da SELIC e não só, visto que a margem também aumento em suas unidades fora do Brasil (Argentina, Chile e afins) – no consolidado, o spread subiu 0,8pp, apontando eficiência na operação de crédito do banco.
A carteira de crédito cresceu violentamente ano a ano em quase R$180 bilhões e ultrapassou a marca histórica do R$1 trilhão, se consolidando como maior banco da américa latina em termo de crédito. O principal aumento foi na linha de pessoas físicas – em específico, no setor imobiliário – e houve leve melhora de perfil dos devedores, sendo que 88% destes são de rating de crédito bom.
Ainda sobre a carteira de crédito, a inadimplência caiu forte em relação ao trimestre anterior, mas teve leve aumento de 0,1pp no ano. Essa linha merece atenção nas próximas análises, pois como já citamos, com a subida da SELIC o custo da dívida vai subir para muita gente e nem todos terão capacidade de pagar, o que tem potencial de elevação forte de inadimplência, visto que as famílias nunca estiveram tão endividadas quanto estão agora. De qualquer forma, o perfil da carteira do Itaú reforça que esse risco é minimizado por dois fatores – tanto uma PDD conservadora (de mais de R$50 bilhões e que foi aumentada significativa no último trimestre) quanto o perfil da carteira, que é composta majoritariamente por devedores de rating mais alto, ou seja, há maior segurança e menor risco de calote.
Em relação as despesas, além da PDD aumentada no trimestre como já citado para fazer face ao risco de inadimplência dos próximos meses, houve um aumento de 7% na despesa com pessoal, impulsionada por conta do acordo de aumento salarial de 11% para bancários que foi celebrado no mês de setembro de 2021 e a contratação de mais de 3.000 novos funcionários na área de tecnologia do banco entre outros profissionais da área de mercado (AAIs) para competir no mercado que a XP e o BTG mais participam.
O investimento em novas cabeças da área tech faz completo sentido para o momento em que vivemos, considerando que a tendência para o digital tem sido cada vez maior. O Iti fechou 2021 com 14.6 milhões de clientes, o que significa que o banco digital do Itaú é maior do que o próprio banco Inter. Outro ponto interessante é o fato de que o Itaú hoje é a companhia com a maior quantidade de cientistas de dados do país.
Apesar desse aumento forte de 7% na despesa com pessoal, o controle nas despesas administrativas se mostrou bom, o que resultou num aumento de espessa total de 2021 de apenas 2%.
O índice de eficiência do banco também teve forte melhora, caindo de 47% para 40% - esse indicador, no caso, quanto menor, melhor, em termos simples, ele representa o custo do banco pra gerar receita, ou seja, se o número cai, significa que sua eficiência aumentou.
No mais, a análise do Itaú é semelhante a que foi realizada com o Bradesco. Fatores como a alta de SELIC nos próximos meses unida a essa expansão forte da carteira de crédito e expansão do digital criam o potencial de 2022 marcar mais um recorde de lucro com patamar acima dos R$28 bilhões pro banco. Muito se fala sobre as fintechs e a pressão na linha de serviços – que realmente tem acontecido, e isso não é negligenciável – mas até então, o mercado segue sendo fortemente abocanhado pelas grandes instituições, que possuem poder de barganha forte em termos de benefícios aos clientes. Não em vão o lucro recorrente e o retorno sobre capital do banco vieram bem acima das expectativas e supreenderam – inclusive com o ROE retornando ao patamar dos 20%.
Foque nos fundamentos da companhia, bancos possuem receita relevante com serviços, seguros e afins, mas seu principal business é emprestar dinheiro. Até então, não só em emprestar dinheiro a expansão tem ocorrido, mas em praticamente todas os segmentos que o banco atua, inclusive em aumento de base de clientes – resultados retornando a normalidade pré-pandemia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve analise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.
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No mais, a análise do Itaú é semelhante a que foi realizada com o Bradesco. Fatores como a alta de SELIC nos próximos meses unida a essa expansão forte da carteira de crédito e expansão do digital criam o potencial de 2022 marcar mais um recorde de lucro com patamar acima dos R$28 bilhões pro banco. Muito se fala sobre as fintechs e a pressão na linha de serviços – que realmente tem acontecido, e isso não é negligenciável – mas até então, o mercado segue sendo fortemente abocanhado pelas grandes instituições, que possuem poder de barganha forte em termos de benefícios aos clientes. Não em vão o lucro recorrente e o retorno sobre capital do banco vieram bem acima das expectativas e supreenderam – inclusive com o ROE retornando ao patamar dos 20%.
Foque nos fundamentos da companhia, bancos possuem receita relevante com serviços, seguros e afins, mas seu principal business é emprestar dinheiro. Até então, não só em emprestar dinheiro a expansão tem ocorrido, mas em praticamente todas os segmentos que o banco atua, inclusive em aumento de base de clientes – resultados retornando a normalidade pré-pandemia.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve analise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.
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No debate de hoje:
M Dias Branco: risco ou oportunidade?
Teremos uma discussão para esclarecer a situação do negócio, tendo em vista o movimento massivo de vendas recentes, inclusive por parte de researches;
Conflito Rússia x Ucrânia
Como isso afeta o seu portfolio e como você pode se proteger caso o pior aconteça?
Como sempre, teremos espaço para discussões mais abrangentes e para tirar as dúvidas de vocês.
Participe ao vivo. Debates não ficam gravados.
Ao vivo às 19h00. Exclusivo para assinantes do INT.
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M Dias Branco: risco ou oportunidade?
Teremos uma discussão para esclarecer a situação do negócio, tendo em vista o movimento massivo de vendas recentes, inclusive por parte de researches;
Conflito Rússia x Ucrânia
Como isso afeta o seu portfolio e como você pode se proteger caso o pior aconteça?
Como sempre, teremos espaço para discussões mais abrangentes e para tirar as dúvidas de vocês.
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Alta de juros no FED vai machucar o mercado acionário brasileiro? Não necessariamente.
Nessa tabela elaborada pelo Bank of America, detalhado como a bolsa do nosso país reagiu dentro de cada janela de tempo antes e depois das elevações do juros nos EUA.
Lembre-se: time in the market > timing the market.
Nessa tabela elaborada pelo Bank of America, detalhado como a bolsa do nosso país reagiu dentro de cada janela de tempo antes e depois das elevações do juros nos EUA.
Lembre-se: time in the market > timing the market.
Opinião e análise breve – Engie ($EGIE3, $EGIEY) – 2021
Antes de mais nada: não se assuste com a queda de lucro divulgada nas manchetes dos sites de notícias por aí.
O ano de 2021 foi desafiador para diversas companhias do setor elétrico – principalmente para aquelas com maior exposição a geração de energia hidroelétrica, que é o caso da Engie, afinal, passamos por um grave período de estiagem que forçou o país a religar centenas de usinas termoelétricas já que o reservatório de algumas usinas atingiram níveis críticos e quase inoperáveis. Ainda assim, na nossa leitura, o resultado da Engie foi bom.
Começando pelo lucro líquido da companhia, já para esclarecer a queda de 44% noticiada pela mídia: em 2021 a Engie realizou a alteração do seu quadro de ativos, entre eles, a venda da Usina Termelétrica Pampa Sul e do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, isso causou um impairment de R$1.2 bilhões no balanço da companhia, ou seja, um registro contábil.
O lucro líquido ajustado da companhia desconsiderando esses dois fatores não recorrentes foi de R$2.4 bilhões, o que se traduz em uma queda de 11,8% em relação a 2021 – uma queda bem menor do que a expressada considerando os fatores não recorrentes.
Essa queda de lucro no ano ocorreu principalmente por dois fatores: o primeiro foi a estiagem, que afetou alguns fatores referentes a risco hidrológico, custo com térmica, preço de energia e afins, e o principal – a inflação.
Hoje 66% da dívida da Engie (que cresceu 23,5% em 2021 pra R$20.5 bilhões) está atrelada ao IPCA, isso significa que no curto prazo, os contratos corrigidos implicarão em maior custo financeiro, que foi justamente o que mais impactou negativamente a companhia no período: entre 2020 e 2021, houve um aumento de R$802 milhões de gastos com correção monetária e R$203 milhões com juros, somando R$2.18 bilhões gastos a mais somente com dívida, resultando numa despesa financeira 57% maior do que em 2020.
Apesar desse impacto, a alavancagem da companhia segue saudável (2,0x EBITDA com queda de 0,2pp em relação a 2020) e somente 17% dessa dívida é de curto prazo.
Aqui vale pontuar duas coisas: o primeiro é que é natural que elétricas sejam mais alavancadas. Isso ocorre por conta da sua previsibilidade de resultados – como é fácil de estimar os resultados futuros da companhia, a gestão aproveita a situação para se alavancar e melhorar os resultados. E é justamente o que a Engie tem feito.
A maior parte dessa dívida tem sido dedicada para o investimento em novos projetos, honrando o plano de expansão da companhia que tem feito sua transição de matriz de energia completa para fontes renováveis e transmissão de energia – o que é ótimo, visto que torna os resultados da companhia ainda mais consistentes e, de forma geral, assim que os projetos são finalizados, tanto a receita quanto o lucro da companhia crescerá.
Em 2021, como já citado, duas termelétricas da companhia foram vendidas, o que fez com que a companhia passasse a ter 97% da sua capacidade de geração de energia instalada em energias renováveis. Além disso, em 2021 a companhia investiu R$3.1 bilhões em novos projetos – com foco em transmissão de energia – e recentemente fez a aquisição de dois novos parques solares. Hoje ela tem em torno de 2,1GW de capacidade instalada em estudo de expansão, o que representaria aproximadamente 20% de crescimento sobre a capacidade instalada da companhia.
Desses 2,1GW, 779MW são de energia eólica e 1,3GW são de energia solar.
Em suma, apesar de a princípio a alavancagem da companhia preocupar – ainda mais quando as manchetes noticiam uma queda tão forte de lucro, uma análise mais apurada mostra que ler somente manchetes pode induzir a erros sérios.
A crise hídrica foi um forte problema no setor e ela, por sua vez, levou a outro problema, que foi o agravamento da inflação que acabou impactando negativamente os contratos de dívida da Engie. Ambos fatores não devem se repetir em mesma intensidade em 2022 e os próprios contratos de venda de energia da Engie tendem a equilibrar esse fator de custo de alavancagem.
Antes de mais nada: não se assuste com a queda de lucro divulgada nas manchetes dos sites de notícias por aí.
O ano de 2021 foi desafiador para diversas companhias do setor elétrico – principalmente para aquelas com maior exposição a geração de energia hidroelétrica, que é o caso da Engie, afinal, passamos por um grave período de estiagem que forçou o país a religar centenas de usinas termoelétricas já que o reservatório de algumas usinas atingiram níveis críticos e quase inoperáveis. Ainda assim, na nossa leitura, o resultado da Engie foi bom.
Começando pelo lucro líquido da companhia, já para esclarecer a queda de 44% noticiada pela mídia: em 2021 a Engie realizou a alteração do seu quadro de ativos, entre eles, a venda da Usina Termelétrica Pampa Sul e do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, isso causou um impairment de R$1.2 bilhões no balanço da companhia, ou seja, um registro contábil.
O lucro líquido ajustado da companhia desconsiderando esses dois fatores não recorrentes foi de R$2.4 bilhões, o que se traduz em uma queda de 11,8% em relação a 2021 – uma queda bem menor do que a expressada considerando os fatores não recorrentes.
Essa queda de lucro no ano ocorreu principalmente por dois fatores: o primeiro foi a estiagem, que afetou alguns fatores referentes a risco hidrológico, custo com térmica, preço de energia e afins, e o principal – a inflação.
Hoje 66% da dívida da Engie (que cresceu 23,5% em 2021 pra R$20.5 bilhões) está atrelada ao IPCA, isso significa que no curto prazo, os contratos corrigidos implicarão em maior custo financeiro, que foi justamente o que mais impactou negativamente a companhia no período: entre 2020 e 2021, houve um aumento de R$802 milhões de gastos com correção monetária e R$203 milhões com juros, somando R$2.18 bilhões gastos a mais somente com dívida, resultando numa despesa financeira 57% maior do que em 2020.
Apesar desse impacto, a alavancagem da companhia segue saudável (2,0x EBITDA com queda de 0,2pp em relação a 2020) e somente 17% dessa dívida é de curto prazo.
Aqui vale pontuar duas coisas: o primeiro é que é natural que elétricas sejam mais alavancadas. Isso ocorre por conta da sua previsibilidade de resultados – como é fácil de estimar os resultados futuros da companhia, a gestão aproveita a situação para se alavancar e melhorar os resultados. E é justamente o que a Engie tem feito.
A maior parte dessa dívida tem sido dedicada para o investimento em novos projetos, honrando o plano de expansão da companhia que tem feito sua transição de matriz de energia completa para fontes renováveis e transmissão de energia – o que é ótimo, visto que torna os resultados da companhia ainda mais consistentes e, de forma geral, assim que os projetos são finalizados, tanto a receita quanto o lucro da companhia crescerá.
Em 2021, como já citado, duas termelétricas da companhia foram vendidas, o que fez com que a companhia passasse a ter 97% da sua capacidade de geração de energia instalada em energias renováveis. Além disso, em 2021 a companhia investiu R$3.1 bilhões em novos projetos – com foco em transmissão de energia – e recentemente fez a aquisição de dois novos parques solares. Hoje ela tem em torno de 2,1GW de capacidade instalada em estudo de expansão, o que representaria aproximadamente 20% de crescimento sobre a capacidade instalada da companhia.
Desses 2,1GW, 779MW são de energia eólica e 1,3GW são de energia solar.
Em suma, apesar de a princípio a alavancagem da companhia preocupar – ainda mais quando as manchetes noticiam uma queda tão forte de lucro, uma análise mais apurada mostra que ler somente manchetes pode induzir a erros sérios.
A crise hídrica foi um forte problema no setor e ela, por sua vez, levou a outro problema, que foi o agravamento da inflação que acabou impactando negativamente os contratos de dívida da Engie. Ambos fatores não devem se repetir em mesma intensidade em 2022 e os próprios contratos de venda de energia da Engie tendem a equilibrar esse fator de custo de alavancagem.
Para 2022, com esse remanejamento da matriz de geração de energia da companhia e a conclusão de diversos projetos que estão em andamento (alguns estão para terminar ainda no primeiro trimestre, enquanto outros até o final do ano), é provável que os resultados venham bem mais fortes e a companhia siga batendo recorte de receita e talvez até mesmo de lucro, principalmente considerando que o cenário hídrico melhorou significativamente e a inflação tende a um arrefecimento, o que por si só já reduz o quadro de custos da companhia. Aquisições – vide os últimos dois complexos solares que a companhia adquiriu – também incrementam os resultados positivamente.
Enfim, a Engie está na vanguarda da geração de energia que ilustra o futuro – as fontes renováveis, e a companhia tem se inclinado cada vez mais na diversificação de sua receita se expandindo no mercado de transmissão. O principal ponto de atenção que o investidor deve se ater na análise da companhia é sobre seu endividamento, que até então, está distante de quaisquer problemas e segue saudável. Lembrando sempre que o endividamento tem que se analisado também sob a ótica dos futuros projetos com potencial de geração de resultado na companhia.
No mais, sem grandes surpresas tratando sobre a maior geradora de energia privada do país num dos setores mais tranquilos de se investir.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.
Para mais de 150h de conteúdo de ensino sobre finanças e investimentos, assine a nossa plataforma: findocs.com.br
Enfim, a Engie está na vanguarda da geração de energia que ilustra o futuro – as fontes renováveis, e a companhia tem se inclinado cada vez mais na diversificação de sua receita se expandindo no mercado de transmissão. O principal ponto de atenção que o investidor deve se ater na análise da companhia é sobre seu endividamento, que até então, está distante de quaisquer problemas e segue saudável. Lembrando sempre que o endividamento tem que se analisado também sob a ótica dos futuros projetos com potencial de geração de resultado na companhia.
No mais, sem grandes surpresas tratando sobre a maior geradora de energia privada do país num dos setores mais tranquilos de se investir.
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Opinião e análise breve – WEG ($WEGE3, $WEGZY) – 2021
Como esperado, mais um ano se passou e a WEG teve um crescimento fortíssimo – em termos anualizados, a receita cresceu expressivamente, o lucro cresceu expressivamente, a expansão geográfica segue e o encanto que os investidores de longo prazo possuem pela companhia é explicado pela qualidade dos resultados, mas uma principal questão deve ser pontuada: os custos.
Começando pela receita: a companhia atingiu mais um recorde histórico, atingido os R$23.5 bilhões (+35% no ano) e crescendo consistentemente desde 2016. Essa receita no ano foi impulsionada tanto pelo mercado interno, que teve uma atividade industrial acima das expectativas das projeções econômicas, quanto pelo mercado externo, que também teve uma forte retomada ao passo que as econômicas retomam suas atividades de forma normalizada.
Houve forte aumento na venda de itens relacionados a geração de energia – principalmente solar – e aqui vale destacar um ponto que muitos não sabem: a WEG é um forte player nesse segmento, produzindo tanto aerogeradores para o segmento de energia eólica quanto centrais de distribuição de energia solar. Esse segmento representou 36,5% da receita da companhia em 2021 e tem sido uma linha importante em seu crescimento, dada a expansão da energia renovável.
Ademais, as quatro linhas de receitas da companhia cresceram bem, com um crescimento de 40% no mercado interno e 30% no mercado externo. Vale pontuar que esse crescimento de receita no mercado externo é resultado a expansão que a companhia tem realizado, investindo em novas fábricas na Europa, China, Índia e México, principalmente.
Apesar da alta relevante de resultados do mercado externo, apesar de volátil, o dólar em 2021 não teve grandes alterações, o que reforça ainda mais que o aumento de receita da companhia no mercado externo não é somente por conta de valorização cambial.
O principal ponto negativo e que merece maior atenção na análise é a linha de custos.
Apesar de já batido dizer isso, a inflação em 2021 foi altíssima e impactou todas as companhias. E quando dizemos que ela foi altíssima, não nos referimos somente ao Brasil, mas a economia global.
Os custos dos produtos vendidos no 4T21 subiu acima mais que a receita, ficando 7,7% maior que no 3T21. Isso tem ocorrido principalmente por conta da inflação do cobre e inflação do aço, que são dois insumos essenciais para a companhia. Para ter melhor ideia sobre o cenário: o preço da libra do cobre subiu 125% do início de 2020 até então e 35% do início de 2021 até então. São pressões de custos que passam despercebidos por estarem inseridos na base da cadeia produtiva da indústria e que existem.
Essa inflação e aumento de custos tem causado forte pressão na margem do operacional da companhia (-1,2pp em relação ao trimestre anterior), mas por conta da eficiência da gestão e um mix de produtos diferenciado (como citado, maior participação no setor de energia, também), no ano a margem operacional subiu 1.2pp, para 19%. A margem líquida também subiu forte no ano, de 13,4% para 15,2%.
O lucro líquido, por sua vez, também cresceu de forma expressiva (+53% no ano) e atingiu os R$3.6 bilhões.
Como mencionado, a WEG é uma empresa do setor industrial e os principais pontos de atenção nas análises é em relação aos seus custos, que tem sido um grande desafio para a companhia, embora ela tenha lidado muito bem graças a boa gestão, e ao câmbio, visto que praticamente metade da sua receita vem do mercado externo.
Seu resultado anual foi excelente, como já esperado, e o lado negativo fica em relação a pressão sobre as margens da companhia.
Para 2022, graças aos seus projetos de expansão no exterior com a criação de mais parques fabris ao redor do mundo conquistando mais mercado fora do Brasil, é quase certo que os resultados reportados sigam crescendo como um relógio, mas com a atual queda do dólar (-7,2% no ano) é esperado uma desaceleração da companhia já no primeiro trimestre de 2022, visto que isso reduz a receita vinda do mercado externo.
Como esperado, mais um ano se passou e a WEG teve um crescimento fortíssimo – em termos anualizados, a receita cresceu expressivamente, o lucro cresceu expressivamente, a expansão geográfica segue e o encanto que os investidores de longo prazo possuem pela companhia é explicado pela qualidade dos resultados, mas uma principal questão deve ser pontuada: os custos.
Começando pela receita: a companhia atingiu mais um recorde histórico, atingido os R$23.5 bilhões (+35% no ano) e crescendo consistentemente desde 2016. Essa receita no ano foi impulsionada tanto pelo mercado interno, que teve uma atividade industrial acima das expectativas das projeções econômicas, quanto pelo mercado externo, que também teve uma forte retomada ao passo que as econômicas retomam suas atividades de forma normalizada.
Houve forte aumento na venda de itens relacionados a geração de energia – principalmente solar – e aqui vale destacar um ponto que muitos não sabem: a WEG é um forte player nesse segmento, produzindo tanto aerogeradores para o segmento de energia eólica quanto centrais de distribuição de energia solar. Esse segmento representou 36,5% da receita da companhia em 2021 e tem sido uma linha importante em seu crescimento, dada a expansão da energia renovável.
Ademais, as quatro linhas de receitas da companhia cresceram bem, com um crescimento de 40% no mercado interno e 30% no mercado externo. Vale pontuar que esse crescimento de receita no mercado externo é resultado a expansão que a companhia tem realizado, investindo em novas fábricas na Europa, China, Índia e México, principalmente.
Apesar da alta relevante de resultados do mercado externo, apesar de volátil, o dólar em 2021 não teve grandes alterações, o que reforça ainda mais que o aumento de receita da companhia no mercado externo não é somente por conta de valorização cambial.
O principal ponto negativo e que merece maior atenção na análise é a linha de custos.
Apesar de já batido dizer isso, a inflação em 2021 foi altíssima e impactou todas as companhias. E quando dizemos que ela foi altíssima, não nos referimos somente ao Brasil, mas a economia global.
Os custos dos produtos vendidos no 4T21 subiu acima mais que a receita, ficando 7,7% maior que no 3T21. Isso tem ocorrido principalmente por conta da inflação do cobre e inflação do aço, que são dois insumos essenciais para a companhia. Para ter melhor ideia sobre o cenário: o preço da libra do cobre subiu 125% do início de 2020 até então e 35% do início de 2021 até então. São pressões de custos que passam despercebidos por estarem inseridos na base da cadeia produtiva da indústria e que existem.
Essa inflação e aumento de custos tem causado forte pressão na margem do operacional da companhia (-1,2pp em relação ao trimestre anterior), mas por conta da eficiência da gestão e um mix de produtos diferenciado (como citado, maior participação no setor de energia, também), no ano a margem operacional subiu 1.2pp, para 19%. A margem líquida também subiu forte no ano, de 13,4% para 15,2%.
O lucro líquido, por sua vez, também cresceu de forma expressiva (+53% no ano) e atingiu os R$3.6 bilhões.
Como mencionado, a WEG é uma empresa do setor industrial e os principais pontos de atenção nas análises é em relação aos seus custos, que tem sido um grande desafio para a companhia, embora ela tenha lidado muito bem graças a boa gestão, e ao câmbio, visto que praticamente metade da sua receita vem do mercado externo.
Seu resultado anual foi excelente, como já esperado, e o lado negativo fica em relação a pressão sobre as margens da companhia.
Para 2022, graças aos seus projetos de expansão no exterior com a criação de mais parques fabris ao redor do mundo conquistando mais mercado fora do Brasil, é quase certo que os resultados reportados sigam crescendo como um relógio, mas com a atual queda do dólar (-7,2% no ano) é esperado uma desaceleração da companhia já no primeiro trimestre de 2022, visto que isso reduz a receita vinda do mercado externo.
Em tempo: as linhas de receita e lucro importam, mas nunca se esqueça de analisar também as de custos e despesas. Num cenário de inflação, é normal que a receita cresça, e mais importante que isso, é as margens da companhia continuarem saudáveis. E a WEG tem realizado esse trabalho com excelência, entregando aumentos de margens mesmo em uma conjuntura adversa.
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Opinião e análise breve – Banco do Brasil ($BBAS3, $BDORY) – 2021
Com um resultado surpreendente que agradou em praticamente todas as linhas, o Banco do Brasil deu mostrou solidez ao decorrer de 2021.
A princípio, uma máxima sempre é repetida no mundo dos investimentos: se a empresa é estatal, evite de investir – e se o fizer, cobre um bom desconto para ter uma margem de segurança na operação. E isso explica o atual preço do Banco do Brasil em relação aos seus resultados.
O ano de 2021 foi excelente para o banco em praticamente todas as linhas, com uma solidez de gestão tão boa quanto a do Itaú.
Tratando sobre a receita do banco, um recorde histórico foi atingido mesmo com a pressão dos concorrentes digitais e demais fintechs. A instituição atingiu uma receita de intermediação financeira de R$130 bilhões em 2021, com uma alta de 5% de margem financeira, o que demonstra eficiência nos créditos concedidos. Entre os principais destaques da receita, a linha de serviços vale ser mencionada, com uma alta de 2,6% no ano (sempre citamos essa linha pois sua alteração pode evidenciar maior pressão das fintechs), com uma alta de 8,8% na receita de gestão de fundos de investimentos – o que é ótimo, visto que os fundos do banco são utilizados por diversas instituições públicas e representa a maior linha de receita da categoria de serviços – e o destaque negativo vai para a queda na receita de serviços de contas correntes, caindo 17,2% no ano – uma forte queda que deve ser explicada em parte por conta da maior disseminação do uso do Pix. De qualquer forma, no consolidado da linha de serviços, houve crescimento.
Falando sobre receita, é importante citar também as despesas: a gestão do banco tem sido muito eficiente em seu controle. Em 2021 houve tanto fechamento de agências quanto diminuição no quadro de funcionários, além da digitalização de vários serviços. No ano houve uma alta de apenas 1,4% na despesa, ou seja, um crescimento insignificante face ao crescimento da receita. Esse controle de despesas unido ao crescimento de receita do banco fez com que a instituição atingisse 35,6% de índice de eficiência no ano – o melhor índice entre os grandes bancos do país. Lembrando que o índice de eficiência indica o quanto o banco está gastando para gerar a sua receita. Quanto menor, melhor, e o Banco do Brasil tem diminuído consistentemente esse número nos últimos trimestres.
Falando sobre eficiência, é importante citar também a carteira de crédito, que é a cereja do bolo do Banco do Brasil.
A carteira de crédito da instituição cresceu 17,8% no ano, atingindo os R$875 bilhões. A maior vantagem do Banco do Brasil é que ele é o banco com maior concentração em crédito de agronegócio do país. 62% do agro brasileiro é financiado pela companhia, e o agronegócio possui uma altíssima qualidade de crédito. No ano, o maior crescimento foi na carteira do agronegócio, crescendo 34,3% e representando 32% da carteira.
A qualidade da carteira, por sua vez, é evidenciada quando olhamos para a inadimplência: em comparação a 2021 a inadimplência da carteira de crédito do Banco do Brasil foi de 1,75%, uma queda de 0,25pp em relação a 2020 e o registro de menor inadimplência entre os grandes bancos brasileiros.
Sobre alavancagem, o Índice de Basileia do banco caiu 2,1pp, de 17,2% para 15,1%. O índice de Basileia, em termos simples, significa o quanto o banco está alavancado e usando capital de terceiros para emprestar seu dinheiro. Quanto maior, melhor, e no caso do Banco do Brasil, esse número vem caindo consistentemente. É um ponto de atenção para o investidor, mas longe de grandes preocupações, visto que esse índice é monitorado pelo Banco Central do Brasil e 15% ainda é um número extremamente saudável. A preocupação começa a fazer sentido quando ele atravessa a linha dos 10% e segue caindo.
Com um resultado surpreendente que agradou em praticamente todas as linhas, o Banco do Brasil deu mostrou solidez ao decorrer de 2021.
A princípio, uma máxima sempre é repetida no mundo dos investimentos: se a empresa é estatal, evite de investir – e se o fizer, cobre um bom desconto para ter uma margem de segurança na operação. E isso explica o atual preço do Banco do Brasil em relação aos seus resultados.
O ano de 2021 foi excelente para o banco em praticamente todas as linhas, com uma solidez de gestão tão boa quanto a do Itaú.
Tratando sobre a receita do banco, um recorde histórico foi atingido mesmo com a pressão dos concorrentes digitais e demais fintechs. A instituição atingiu uma receita de intermediação financeira de R$130 bilhões em 2021, com uma alta de 5% de margem financeira, o que demonstra eficiência nos créditos concedidos. Entre os principais destaques da receita, a linha de serviços vale ser mencionada, com uma alta de 2,6% no ano (sempre citamos essa linha pois sua alteração pode evidenciar maior pressão das fintechs), com uma alta de 8,8% na receita de gestão de fundos de investimentos – o que é ótimo, visto que os fundos do banco são utilizados por diversas instituições públicas e representa a maior linha de receita da categoria de serviços – e o destaque negativo vai para a queda na receita de serviços de contas correntes, caindo 17,2% no ano – uma forte queda que deve ser explicada em parte por conta da maior disseminação do uso do Pix. De qualquer forma, no consolidado da linha de serviços, houve crescimento.
Falando sobre receita, é importante citar também as despesas: a gestão do banco tem sido muito eficiente em seu controle. Em 2021 houve tanto fechamento de agências quanto diminuição no quadro de funcionários, além da digitalização de vários serviços. No ano houve uma alta de apenas 1,4% na despesa, ou seja, um crescimento insignificante face ao crescimento da receita. Esse controle de despesas unido ao crescimento de receita do banco fez com que a instituição atingisse 35,6% de índice de eficiência no ano – o melhor índice entre os grandes bancos do país. Lembrando que o índice de eficiência indica o quanto o banco está gastando para gerar a sua receita. Quanto menor, melhor, e o Banco do Brasil tem diminuído consistentemente esse número nos últimos trimestres.
Falando sobre eficiência, é importante citar também a carteira de crédito, que é a cereja do bolo do Banco do Brasil.
A carteira de crédito da instituição cresceu 17,8% no ano, atingindo os R$875 bilhões. A maior vantagem do Banco do Brasil é que ele é o banco com maior concentração em crédito de agronegócio do país. 62% do agro brasileiro é financiado pela companhia, e o agronegócio possui uma altíssima qualidade de crédito. No ano, o maior crescimento foi na carteira do agronegócio, crescendo 34,3% e representando 32% da carteira.
A qualidade da carteira, por sua vez, é evidenciada quando olhamos para a inadimplência: em comparação a 2021 a inadimplência da carteira de crédito do Banco do Brasil foi de 1,75%, uma queda de 0,25pp em relação a 2020 e o registro de menor inadimplência entre os grandes bancos brasileiros.
Sobre alavancagem, o Índice de Basileia do banco caiu 2,1pp, de 17,2% para 15,1%. O índice de Basileia, em termos simples, significa o quanto o banco está alavancado e usando capital de terceiros para emprestar seu dinheiro. Quanto maior, melhor, e no caso do Banco do Brasil, esse número vem caindo consistentemente. É um ponto de atenção para o investidor, mas longe de grandes preocupações, visto que esse índice é monitorado pelo Banco Central do Brasil e 15% ainda é um número extremamente saudável. A preocupação começa a fazer sentido quando ele atravessa a linha dos 10% e segue caindo.
Entre outros pontos: o banco tem investido forte em tecnologia (média de R$4 bilhões investidos por ano desde 2013) e hoje 93% das transações realizadas são feitas digitalmente. Pro guidance de 2022, o banco segue projetando forte crescimento de todas as linhas.
Enfim, os resultados do Banco do Brasil foram excelentes. É, sem dúvidas, o patinho feito do mercado por conta do sócio (Estado), mas até então, a gestão tem tocado a companhia com maestria, e os resultados consolidados de 2021 mostram isso de forma inquestionável.
Como já mencionado: a principal razão do desconto do banco face aos pares é o seu sócio. O mercado hoje precifica um risco de intervenção na gestão do banco em uma possível guinada populista por parte de algum governo que tome posse futuramente. Esse risco é embutido no preço como consequência a companhia fica mais barata, porque é o desconto que os investidores cobram para investir.
Em nossa leitura, sinceramente, achamos pouco provável um ataque a gestão do banco a ponto de destruí-lo. O Banco do Brasil é um titã que já resistiu a dezenas de problemas e a importância de sua solidez é sabida por qualquer pessoa da alta hierarquia econômica do pais – a desestabilização não é algo que interessante sob nenhuma ótica.
Pra 2022, como o guidance aponta, é bem provável que o crescimento siga forte, ainda mais com a SELIC no atual patamar com uma carteira de crédito tão boa quanto a da instituição. No mais, se você deseja investir ou já investe no banco, não se esqueça: os resultados são ótimos, mas todo risco deve ser mensurado. Por mais que o risco de uma gestão populista não seja significativo hoje, o cenário muda diariamente, e o tamanho da sua posição no ativo é que irá mensurar esse risco.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve analise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento.
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Enfim, os resultados do Banco do Brasil foram excelentes. É, sem dúvidas, o patinho feito do mercado por conta do sócio (Estado), mas até então, a gestão tem tocado a companhia com maestria, e os resultados consolidados de 2021 mostram isso de forma inquestionável.
Como já mencionado: a principal razão do desconto do banco face aos pares é o seu sócio. O mercado hoje precifica um risco de intervenção na gestão do banco em uma possível guinada populista por parte de algum governo que tome posse futuramente. Esse risco é embutido no preço como consequência a companhia fica mais barata, porque é o desconto que os investidores cobram para investir.
Em nossa leitura, sinceramente, achamos pouco provável um ataque a gestão do banco a ponto de destruí-lo. O Banco do Brasil é um titã que já resistiu a dezenas de problemas e a importância de sua solidez é sabida por qualquer pessoa da alta hierarquia econômica do pais – a desestabilização não é algo que interessante sob nenhuma ótica.
Pra 2022, como o guidance aponta, é bem provável que o crescimento siga forte, ainda mais com a SELIC no atual patamar com uma carteira de crédito tão boa quanto a da instituição. No mais, se você deseja investir ou já investe no banco, não se esqueça: os resultados são ótimos, mas todo risco deve ser mensurado. Por mais que o risco de uma gestão populista não seja significativo hoje, o cenário muda diariamente, e o tamanho da sua posição no ativo é que irá mensurar esse risco.
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Opinião e análise breve – EDP Energias do Brasil ($ENBR3, $XENBR.A) – 2021
Sem grandes surpresas, mais um ano marcado por forte crescimento e linhas de resultado sólidos.
Como já sabido, o setor de energia elétrica passou por dois fortes transtornos em 2021: a crise hídrica, afetando seriamente a cadeia de produção de energia elétrica visto que 70% da energia gerada no Brasil é da matriz hidrelétrica, e a inflação, que fechou o ano pouco acima dos 10%, com alguns custos subindo mais de 50% no período. E nenhum dos dois obstáculos foi suficiente para brecar os resultados da EDP.
A começar pela receita: a companhia entregou um crescimento de 20,2% em sua receita de geração de energia hidrelétrica, 33,9% de aumento em geração térmica, 37,4% de aumento na receita de distribuição de energia e 65,6% de aumento na receita de geração de transmissão – como percebido, a EDP tem sua receita diversificada, trabalhando praticamente em todas as pontas do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição). No consolidado houve crescimento de 26,2% da receita.
Já na linha de lucro, por sua vez, houve uma queda de 5,5% no segmento de geração hidrelétrica e uma queda de 16,4% na geração térmica, explicados pelo forte período de estiagem que pressionou os custos entre outras linhas contábeis, mas em contrapartida, houve um aumento de lucro forte tanto na distribuição de energia (+37,4%) e na transmissão de energia (+65,6%). Sendo assim, no ano, a EDP fechou com um crescimento de lucro de 43,2%, mesmo com a pressão negativa sobre seu segmento de geração, demonstrando êxito no mix de receita da companhia.
As linhas de despesas também merecem ser pontuadas: as despesas gerenciáveis tiveram um leve aumento de 5,7% no ano, o que significa um valor baixo considerando o aumento de receita da companhia, e esse crescimento é explicado principalmente pela expansão que a companhia tem feito, aumentando a quantidade de funcionários e reajustando os salários com aumentos que acompanhem a inflação.
Nas despesas financeiras, vale sempre o alerta quando tratamos sobre elétricas, visto que elas são fortemente alavancadas e o custo da dívida deve ser sempre monitorado.
Em 2021 houve um aumento significativo de 30,7% das despesas financeiras da companhia, reflexo do aumento da inflação e da SELIC – hoje 32% da dívida está atrelada ao IPCA e 60% da dívida está atrelada ao CDI, ou seja, face ao crescimento da inflação e da SELIC, seu custo de dívida sobe.
Ainda que o endividamento tenho crescido 17,4% no ano, a dívida ainda é bem saudável e não é motivo de preocupação. O atual caixa que a companhia possui arca com as dívidas até 2024, sendo que seu grau de alavancagem está baixo (1,7x EBITDA) e caiu entre 2020 e 2021.
Em relação aos seus investimentos, a companhia investiu R$4 bilhões em 2021 (+28% em relação a 2020), aumentando os investimentos na área de geração de energia solar, principalmente.
No mais, sem grandes surpresas no resultado da empresa. A EDP tem uma excelente gestão e tem seguido seu guidance a linha. Para 2022, a companhia seguirá reciclando seu portfólio e vendendo suas hidrelétricas focando a mudança na matriz de geração de energia (o que é positivo) e reajustes tarifários previstos para esse ano também beneficiarão o resultado da empresa e aponta mais um ano de números fortes.
E uma informação bônus, que talvez alegre alguns investidores: a companhia acenou um possível dividendo de R$1,39 por ação para ser deliberado no dia 05/04/2022. Ou seja, a EDP caracteriza aquela empresa que cresce de forma sólida enquanto remunera bem o acionista.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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Sem grandes surpresas, mais um ano marcado por forte crescimento e linhas de resultado sólidos.
Como já sabido, o setor de energia elétrica passou por dois fortes transtornos em 2021: a crise hídrica, afetando seriamente a cadeia de produção de energia elétrica visto que 70% da energia gerada no Brasil é da matriz hidrelétrica, e a inflação, que fechou o ano pouco acima dos 10%, com alguns custos subindo mais de 50% no período. E nenhum dos dois obstáculos foi suficiente para brecar os resultados da EDP.
A começar pela receita: a companhia entregou um crescimento de 20,2% em sua receita de geração de energia hidrelétrica, 33,9% de aumento em geração térmica, 37,4% de aumento na receita de distribuição de energia e 65,6% de aumento na receita de geração de transmissão – como percebido, a EDP tem sua receita diversificada, trabalhando praticamente em todas as pontas do setor elétrico (geração, transmissão e distribuição). No consolidado houve crescimento de 26,2% da receita.
Já na linha de lucro, por sua vez, houve uma queda de 5,5% no segmento de geração hidrelétrica e uma queda de 16,4% na geração térmica, explicados pelo forte período de estiagem que pressionou os custos entre outras linhas contábeis, mas em contrapartida, houve um aumento de lucro forte tanto na distribuição de energia (+37,4%) e na transmissão de energia (+65,6%). Sendo assim, no ano, a EDP fechou com um crescimento de lucro de 43,2%, mesmo com a pressão negativa sobre seu segmento de geração, demonstrando êxito no mix de receita da companhia.
As linhas de despesas também merecem ser pontuadas: as despesas gerenciáveis tiveram um leve aumento de 5,7% no ano, o que significa um valor baixo considerando o aumento de receita da companhia, e esse crescimento é explicado principalmente pela expansão que a companhia tem feito, aumentando a quantidade de funcionários e reajustando os salários com aumentos que acompanhem a inflação.
Nas despesas financeiras, vale sempre o alerta quando tratamos sobre elétricas, visto que elas são fortemente alavancadas e o custo da dívida deve ser sempre monitorado.
Em 2021 houve um aumento significativo de 30,7% das despesas financeiras da companhia, reflexo do aumento da inflação e da SELIC – hoje 32% da dívida está atrelada ao IPCA e 60% da dívida está atrelada ao CDI, ou seja, face ao crescimento da inflação e da SELIC, seu custo de dívida sobe.
Ainda que o endividamento tenho crescido 17,4% no ano, a dívida ainda é bem saudável e não é motivo de preocupação. O atual caixa que a companhia possui arca com as dívidas até 2024, sendo que seu grau de alavancagem está baixo (1,7x EBITDA) e caiu entre 2020 e 2021.
Em relação aos seus investimentos, a companhia investiu R$4 bilhões em 2021 (+28% em relação a 2020), aumentando os investimentos na área de geração de energia solar, principalmente.
No mais, sem grandes surpresas no resultado da empresa. A EDP tem uma excelente gestão e tem seguido seu guidance a linha. Para 2022, a companhia seguirá reciclando seu portfólio e vendendo suas hidrelétricas focando a mudança na matriz de geração de energia (o que é positivo) e reajustes tarifários previstos para esse ano também beneficiarão o resultado da empresa e aponta mais um ano de números fortes.
E uma informação bônus, que talvez alegre alguns investidores: a companhia acenou um possível dividendo de R$1,39 por ação para ser deliberado no dia 05/04/2022. Ou seja, a EDP caracteriza aquela empresa que cresce de forma sólida enquanto remunera bem o acionista.
Lembrando: o conteúdo aqui postado é apenas uma breve análise e opinião sobre os principais pontos referentes ao resultado da companhia e os documentos contemplam mais pontos a serem analisados se a intenção for a tomada de decisão para realizar um investimento. Para realizar análises mais aprofundadas e aprender conosco, assista as aulas do INT.
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