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Evolução do custo adicional da energia elétrica mensal em 2021 e o peso no índice de inflação, respectivamente.

Como já dissemos: a energia elétrica e os combustíveis são os principais determinantes da inflação, visto que suas variações de preço impactam toda a cadeia produtiva.

Desde setembro o país está com a bandeira preta (escassez hídrica) em vigor. Com essas chuvas atuais que ninguém esperava que ocorreriam, os reservatórios estão atingindo níveis agradáveis, num cenário que não existe mais chance de racionamento de energia para 2022 e se torna cada vez mais provável a volta da bandeira amarela ou verde.

Infelizmente a redução da bandeira não ocorrerá antes de abril, como já divulgado pelo governo, tendo em vista a necessidade da manutenção da bandeira preta para arcar com os custos das termelétricas que funcionaram até então para contornar a estiagem que parou boa parte das hidrelétricas. No auge da crise todas as termoelétricas estavam funcionando, sendo que hoje, aproximadamente metade – e temos quase 140 usinas desse segmento em nosso país, sendo seus custos operacionais bem mais elevados do que os que comumente usamos em nossa matriz.

Uma mudança da bandeira tarifária na energia aliviaria bem o cenário inflacionário exercendo uma forte pressão desinflacionaria no índice, e provavelmente é o que ocorrerá nos próximos meses caso essas chuvas continuem.

No mais, a concretização desse cenário daria boa folga nos juros futuros causando revisões para baixo, sendo que hoje o mercado precifica a casa dos 12% para os anos seguintes.
O corte de liquidez global e o risco para o mercado de criptomoedas

Muito tem se falado sobre o mercado de criptomoedas e suas oportunidades disruptivas nos últimos meses, mas pouco sobre o seu funcionamento, histórico e riscos. Para esclarecer um pouco mais sobre as coisas, vamos recapitular os acontecimentos dos últimos dois anos.

Foi no início de 2020 que o pânico tomou conta do mercado, com lockdowns sendo decretados ao redor do planeta a fim de controlar a disseminação do coronavírus, algo que pouco conhecíamos sobre. No cenário econômico, esses movimentos fizeram com que os governos de todo o planeta abrissem suas torneiras, jorrando trilhões de dólares em suas economias, seja por meio de auxílios diretos, compra de títulos financeiros ou adiantamento de benefícios que as pessoas já possuíam – afinal, com as pessoas proibidas de trabalhar e o forte receio de uma crise vindo, esperava-se que um cenário de forte deflação viesse, e essa quantidade cavalar de dinheiro foi uma ferramenta para evitar o cenário deflacionário além das pessoas que ficaram sem renda no período.

No gráfico, a linha azul representa o preço do Bitcoin em dólares e a linha vermelha representa o aumento do balanço dos quatro maiores bancos centrais do planeta (EUA com o Federal Reserve, Europa com o European Central Bank, Japão com o Bank of Japan e a China com o People's Bank of China).

É perceptível que no começo da crise, os quatro bancos centrais realizaram um movimento explosivo de aumento de liquidez em suas economias – ou seja, mais dinheiro na mão das pessoas – e com esse movimento, o preço do Bitcoin seguiu logo depois, atingindo máximas históricas.

Chegou 2021. Com uma conjuntura global um pouco mais clara em relação ao futuro, a inflação começou a desandar. Não só a inflação de um país ou outro, mas de todo o planeta. Como referência, os EUA fecharam 2021 com uma inflação de 7,2% - a maior inflação já registrada dos últimos 40 anos, resultado das medidas de isolamento que causaram forte quebra da cadeia de oferta global ao mesmo tempo que dinheiro foi colocado na mão das pessoas aumentando a demanda por todo tipo de bem.

Pulando para 2022, a tentativa do Banco Central americano de controlar a inflação que saiu de controle. Foi divulgada na semana passada uma ata de tom extremamente duro pelo FED dizendo que se nas próximas semanas a inflação não der sinal de melhora, os juros serão elevados em maior nível, os estímulos financeiros terminarão e o balanço de ativos do órgão começará a ser enxugado. Em resumo: se a inflação não ceder, o FED utilizará todas as suas armas para tirar dinheiro da economia.

Desde o meio do ano passado os bancos centrais tem diminuído o ritmo de estímulos, mas um movimento do tipo vindo do banco central americano é ainda mais duro, tendo em vista seu domínio sobre a moeda que é usada em todo planeta.

Ou seja, em um cenário onde a torneira de liquidez é fechada, o apetite a risco é diminuído, e com menor apetite a risco, um dos principais mercados a sofrer é o de criptomoedas.

Muito do movimento de alta do bitcoin e das demais criptomoedas ocorreu por excesso de dinheiro na economia, e uma vez que esse dinheiro começa a secar e os títulos conservadores passam a remunerar melhor, o investidor começa a realocar seu capital de acordo com seu custo de oportunidade. O mesmo racional serve para ativos de risco na bolsa de valores.

Não se prendendo a ideologias ou filosofias, lembre-se sempre que mercados são cíclicos. No final do dia o investidor está preocupado apenas em ganhar dinheiro. Apesar de toda euforia com o bitcoin e suas propriedades de proteção contra a inflação, a inflação sempre existiu, e os investidores sempre possuíram meio de se defender dela bem antes do Satoshi Nakamoto sequer cogitar a criação de uma moeda descentralizada.
No mais, se você é adepto desse mercado, encare os pontos baixos do ciclo como oportunidade e nunca os pontos altos do ciclo com euforia ou endosso de narrativas apaixonadas com viés político. Se em algum momento houver uma forte correção do mercado assim como houve em 2014 e 2018 com quedas que chegaram a 90%, é bem provável que em algum momento o governo cometerá outro deslize e os ventos soprarão para o lado contrário.
Ontem dei uma aula no INT com o intuito de prepará-los para o mercado em 2022. Um ano que tem tudo para ser ainda mais difícil que os anteriores.

Para complementar as estratégias que passei lá, vale a leitura desse trecho do livro do Morgan Housel - A Psicologia Financeira. Aos que ainda não conhecem: é um livro breve, leve e com reflexões poderosas para o investidor.

Além d
e tudo que discutimos em aula, pense um pouco sobre o texto que segue:
“A ilusão do controle é mais convincente do que a realidade da incerteza. Portanto, nos apegamos a histórias que dizem que os resultados estão sob nosso controle.

Parte disso depende de misturar campos de precisão com campos de incerteza.

A sonda da missão New Horizons da NASA passou por Plutão há dois anos. Foi uma viagem de quase 5 bilhões de quilômetros, que durou nove anos e meio. De acordo com a agência espacial, a viagem “levou cerca de um minuto a menos do que o previsto quando a nave foi lançada em janeiro de 2006”.

Pense nisso. Em uma jornada inédita de uma década de duração, a previsão da NASA foi 99,99998% precisa. Isso é como prever uma viagem de Nova York para Boston e ter uma precisão de quatro milionésimos de segundo.

Mas a astrofísica é um campo de antecipações. Ele não é afetado pelos caprichos do comportamento e das emoções humanas, como as finanças. Negócios, economia e investimentos são campos de incerteza, esmagadoramente impulsionados por decisões que não podem ser facilmente explicadas com fórmulas precisas, como acontece com uma viagem a Plutão. Mas queremos desesperadamente que seja como uma viagem a Plutão, porque a ideia de um engenheiro da NASA estar 99,99998% no controle de um resultado é bela e reconfortante. É tão reconfortante que nos sentimos tentados a contar histórias sobre quanto controle temos em outras partes da nossa vida, como o dinheiro.

Kahneman certa vez traçou o caminho que essas histórias tomam:

• Ao planejar, nos concentramos no que queremos e que podemos fazer, negligenciando os planos e as habilidades de outras pessoas cujas decisões podem afetar nossos resultados.

• Tanto para explicar o passado quanto para prever o futuro, nos concentramos no papel causal da habilidade e negligenciamos o papel da sorte.

• Nós nos concentramos no que sabemos e negligenciamos o que não sabemos, o que nos torna excessivamente confiantes em nossas crenças.”
Magazine Luiza: risco ou oportunidade?

No debate dessa semana no INT, teremos Magazine Luiza como tema principal. Compartilharemos a nossa visão sobre a empresa e daremos insights importantes para aqueles que amargaram perdas violentas e para aqueles que se questionam se o preço retornou para o patamar justo.

Conteúdo exclusivo para assinantes. Participem ao vivo. Debates não ficam gravados.

Hoje às 19h00. Link disponível no INT.

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Dois gráficos: um relacionado a inflação americana e outro a inflação brasileira.

Sobre a inflação americana, serve de complemento aos demais textos que enviamos aqui na semana passada em relação ao movimento do banco central americano com pretensão de apertar a política monetária e reduzir a liquidez no mercado.

Alguns itens tiveram altas históricas que as atuais gerações de americano sequer imaginariam que pudessem acontecer, visto que o atual patamar inflacionário foi registrado pela última vez em 1982 – destaque ao combustível, sofrendo uma alta bem semelhante ao que tivemos em nosso país.

Sobre a inflação brasileira, a decomposição do índice mostrando os itens que mais tiveram peso no acumulado de 2021.

Sozinha a gasolina representou 3,17% do índice, que fechou em 10,06% no acumulado de 2021. Seguindo, a energia elétrica representou 1,08% do índice, puxada principalmente pela escassez hídrica e a prática da bandeira preta, que elevou as tarifas a níveis recordes. Em questão, o aumento médio de preço da gasolina foi de 46% em 2021 (lembrando que a diferença por Estado pode ser significativa de acordo com os impostos cobrados), enquanto da energia elétrica foi de aproximadamente 25%.

A título de curiosidade, somente o aumento da gasolina e da energia elétrica já fariam com que o IPCA ultrapassasse o centro da meta de inflação, atualmente de 3,75%.

Ademais, para 2021 a questão do custo da energia elétrica tem um cenário positivo por conta das chuvas que tem ocorrido nas regiões sul e sudeste do país, locais com os reservatórios mais penalizados, e espera-se uma redução de bandeira tarifária já em abril. Já em relação ao preço da gasolina, o barril segue com o preço pressionado em tendência de alta mesmo com breve alívio que ocorreu no final do ano passado. A inflação dificilmente será tão intensa quanto foi ano passado, mas o preço dos combustíveis ainda pode incomodar.

O barril Brent – utilizado para precificação do combustível da Petrobras – está bem próximo da máxima e o preço do combustível com alguns centavos defasados, então não se surpreenda caso uma nova elevação de preço seja anunciada pela companhia.
Fluxo estrangeiro em 2022 já soma R$17 bilhões com apenas 11 dias de pregão, enquanto os investidores locais continuam vendendo, com um forte movimento de resgate dos fundos multimercado e de ações para alocação nos fundos de renda fixa, apesar da desaceleração.

Até então, desde o primeiro pregão do ano, não houve registro de fluxo negativo por parte do estrangeiro – apenas compras e acúmulo.

Vale lembrar que em 2021 o fluxo foi positivo em R$103 bilhões e dado o momento do ciclo e atuais cenários tanto na Rússia quanto na China, é possível que esse cenário de dinheiro investido por parte do estrangeiro na bolsa do nosso país cresça ainda mais.

Lembre-se dos ciclos: nos piores momentos que os melhores aportes são feitos, por mais difícil que seja lidar com o emocional. Mantenha a estratégia.
Gráfico de correlação entre o crescimento de M2 da economia global (linha azul, esquerda) e o crescimento de valor mercado percentual do bitcoin (linha amarela, direita).

A base monetária é categorizada do M1 ao M4 por devida ordem de liquidez.

O M2, por sua vez, representa o dinheiro de fácil acesso na economia, contemplando o papel moeda em circulação (cédulas, moedas e caixas dos bancos), cadernetas de poupança, aplicações de curto prazo, títulos públicos, fundos de investimento em renda fixa e afins que possuam alta liquidez – de até 360 dias.

Um gráfico complementar em relação ao assunto que tratamos sobre a alta disponibilidade de dinheiro que a pandemia causou com seus trilhões de estímulos ao redor do globo e como os mercados reagem quando o dinheiro fica mais barato e mais acessível. Diminuição de liquidez sempre representa menor apetite a risco e a forma com que os agentes econômicos pensam sobre tomada de risco (e isso inclui principalmente ativos do mercado acionário que dependem de maior taxa de crescimento, como as techs disruptivas que não geram lucro e só queimam caixa).

Os picos de crescimento do valor de mercado ano a ano do bitcoin tem se encontrado com os momentos de explosão de liquidez da economia global, como mostra a imagem. Vale lembrar que os dados do mercado de criptomoeda ainda são recentes e gráficos do tipo levantam apenas algumas evidências – trata-se de um mercado extremamente novo, ainda mais em termos de registro de dados.
Histórico de valor de mercado em relação ao valor patrimonial do mercado de fundos imobiliários.

Mesmo com o “mini rally” de dezembro que fez com que o mercado subisse aproximadamente 8%, os descontos face ao patrimônio ainda são grandes e foram identificados pela última vez no auge da crise de 2015, um dos períodos econômicos mais turbulentos do país onde as taxas de juros longas atingiram níveis recordes, fazendo a desvalorização do mercado seguir.

Vale lembrar que hoje o mercado tem bem mais fundos de recebíveis do que antigamente, o que faz com que esse desconto seja artificialmente puxado para cima, e desconsiderando eles, os descontos seriam bem maiores.

Outro ponto é que o valor patrimonial de diversos fundos ainda aponta para números de 2020, ou seja, face as novas avaliações patrimoniais, alguns fundos desvalorizarão (puxados pela vacância e alta de juros, mesmo que temporariamente, o que não é motivo para preocupação se for um fundo bem gerido) e outros puxarão para cima. Ou seja, o desconto sobre o patrimônio é um indicador, mas deve ser usado com cautela, dado sua análise de característica passada.

Enfim, as oportunidades no mercado são inegáveis independente do ponto de análise.
Hoje temos debate no INT.

Como sempre, trataremos assuntos estratégicos que contribuirão para o aprimoramento dos resultados de vocês.

Os debates são uma ótima oportunidade para você trazer as suas dúvidas para a nossa equipe.

Participe ao vivo. Debates não ficam gravados.

No INT, às 19h00. Link já disponível.

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Queda de algumas ações do mercado americano e algumas criptomoedas desde a máxima histórica registrada.

Apesar do índice americano (S&P500) estar com apenas 8,2% de queda desde sua máxima, diversas ações estão passando por correções violentas assim como tem ocorrido em nosso mercado.

A concentração das big techs no índice mascaram um pouco a correção geral do mercado, visto que elas tem segurado bem as pontas e concentram um alto percentual da composição – cenário semelhante ao que ocorre no Brasil com a Vale e a Petrobras no IBOV.