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Debate no INT: FED e Juros Americanos

Como interpretar o cenário e como se proteger da avalanche que será criada pelo FED no ano que vem.

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Sobre o “home bias”, o viés de investir somente no país em que você reside.

A princípio, quando começamos a investir, nos vislumbramos com a quantidade de empresas excelentes que encontramos em nosso país – gigantes como a Ambev, que domina o setor de bebidas do país, como a WEG, que domina o setor industrial ou como o Itaú e o Bradesco, que dominam o setor bancário e atingem lucros estupidamente altos próximos aos R$30 bilhões no ano, e acabamos esquecendo que no cenário global, o Brasil é minúsculo.

Entre os mercados de capitais ao redor do planeta, o Brasil representa apenas 0,65% do valor total – sim, menos de 1% - enquanto os EUA, o extremo oposto representa quase metade do valor total, na casa dos 44%.

Ou seja, fora de nosso país existe um universo de companhias excelentes para o investidor diversificar o seu capital com a vantagem de estar investindo em moeda realmente forte, como é o caso de investir em dólares, euros e afins.

Hoje não leva mais do que 15 minutos para a criação de uma conta em alguma corretora que te possibilite isso – vide a Avenue, TD Ameritrade ou Passfolio, por exemplo – e não há mais desculpas para não diversificar o seu patrimônio nesse sentido.

Apesar disso, lembre-se: o Brasil ser um país pequeno também gera algumas vantagens, sendo seu potencial de crescimento uma delas. Apesar de muita gente demonizar os investimentos em ativos brasileiros pela falta de costume com a turbulência política que vivemos (o que é normal, característica de país emergente e algo recorrente), há em nosso país dezenas de boas empresas para alocar o capital – empresas extremamente bem geridas e que sem dúvidas gerarão bons retornos ao passar do tempo.

Na imagem: a primeira coluna é quanto cada país representa do % total do mercado de capitais global., a segunda quanto representava em 2020 e a terceira quanto representava no dia 23/03/2020, no fundo do crash da pandemia.
Fundos imobiliários e o custo de reposição

Ao investir em fundos imobiliários, algo que costuma ser esquecido - ou que talvez muita gente sequer conheça - é o custo de reposição.

Em termos mais simples, o custo de reposição é a soma de todos os custos envolvidos na criação de um novo imóvel: terreno, materiais de construção, licenças, mão de obra e afins. Com o aumento da inflação nos últimos meses, não é preciso dizer que esse custo de reposição subiu violentamente – está expressivamente mais caro construir um imóvel hoje do que estava há um ano.

Como o gráfico mostra, desde janeiro de 2020 o crescimento de custo das principais variáveis da construção de um imóvel decolou: materiais e serviços subiram em média 35%, o índice INCC (que mede a variação do custo dos insumos utilizados em construções habitacionais) subiu 21% e a mão de obra subiu 9%.

O que isso tem a ver com os fundos imobiliários? É simples.

Face a esse aumento violento de custo de reposição, o demandante de um imóvel tem duas opções: ou ele aluga determinado espaço a determinado preço e aceita o aumento de preço do aluguel oferecido pelo detentor do imóvel (o que depende muito da oferta e da demanda e do momento do ciclo imobiliário), ou ele constrói um novo imóvel, tomando os novos preços de mercados relacionado a esse custo de reposição, que agora está bem mais alto do que estava antes.

É exatamente por isso que imóveis tendem fortemente a corrigir pela inflação com o passar do tempo: o custo para construir um novo imóvel sobe. Terrenos em determinadas áreas não estão sempre disponíveis – algumas áreas de altíssimo valor de São Paulo, por exemplo, não tem mais espaço. Não há escolha ao locatário se não abraçar o preço ofertado ou optar pela construção e arcar com os custos altos e inflacionados. A correção ocorre naturalmente no mercado.

Como já dissemos: esse tipo de correção não ocorre de um dia pro outro. Correção de inflação em ativos reais levam tempo para acontecer, afinal, só contratos corrigem de forma automática. Fora esse tempo de correção, existe o fator qualidade do imóvel, sendo que imóveis de altíssima qualidade e bem localizados corrigem com maior facilidade do que imóveis piores e em localizações duvidosas.

Ciclos imobiliários são longos, aos que são novos no mercado, a percepção é de que a correção da inflação nunca vai ocorrer – mas fique tranquilo. Ela ocorre. Se você fez a lição de casa, investiu em fundos imobiliários de bons imóveis e a gestão segue saudável, não há razão para se preocupar. É só questão de tempo até que a correção ocorra.
Tabela mostrando o aumento de dinheiro circulante na economia desde o começo do plano real.

Esse volume monetário contempla somente o dinheiro físico – ou seja, cédulas e moedas. Dois pontos são interessantes de notar: o salto violento em 2020 – boa parte resultante de impressão, pagamento de auxílio e benefícios, e agora em 2020 a queda de 8%, pela primeira vez na história um número negativo, mostrando o quão bem sucedido tem sido o Pix e sua adoção de forma popular.

O Pix adotado em larga escala traz consigo vantagens e desvantagens: de forma geral, a parte boa é o aumento de produtividade que isso causa na economia, visto que um meio de pagamento instantâneo sem taxas eleva a velocidade do dinheiro e facilita muito a logística na cadeia de pagamento.

O lado negativo, considerando estarmos no Brasil, é o espaço de maior controle que isso gera do Estado sobre transações – seja na possibilidade de tributação ou algo do tipo.
Distribuição de rentabilidade da bolsa americana nos últimos 196 anos.

140 anos no positivo, 56 anos no negativo.
Vinte pontos descritos por Howard Marks que sinalizam um mercado de baixa – e fortes evidências de que é um bom momento para investir.

Howard Marks é uma figura célebre no mercado financeiro, e não em vão: com mais de 50 anos de experiência, o investidor foi fundador de uma das maiores assets dos EUA, a Oaktree Capital, hoje com US$153 bilhões sob gestão, e acumula um patrimônio pessoal de quase US$3 bilhões.

Além de seu histórico com gestão de recursos, o investidor escreveu dois livros recentemente (“O Mais Importante Para o Investidor” e o “Dominando o Ciclo de Mercado”, ambos lançados em 2020 no Brasil) que marcaram o mercado financeiro com recomendações de investidores lendários – como o próprio Buffett recomendando o autor e suas obras como leituras obrigatórias, afinal, estamos falando de um gestor de 75 anos de idade com mais de 50 anos de história e uma bagagem de dezenas de crises vivenciadas.

No livro “Dominando o Ciclo de Mercado”, o Howard Marks tenta expor ao investidor como ele pode identificar a que momento do ciclo o mercado está passando – sem futurologia, sem bola de cristal, mas sim pontos que podem apontar os melhores momentos para investir e lembrando sempre que o mercado é como um pêndulo, indo do extremo da euforia ao excesso de medo, sendo que é justamente no extremo do excesso do medo que oportunidades incríveis podem aparecer.

No sétimo capítulo do livro, a ideia passada é a de que em ambos os extremos existem padrões facilmente identificáveis – e esses padrões são detalhados pelo autor. Abaixo, você verá 20 pontos que Marks tende a apontar como oportunidade e momento de pechinchas no mercado.

1. A economia está retraindo-se, os relatórios tem forte viés negativo.
2. Os lucros corporativos são estáveis ou diminuem e ficam abaixo das projeções.
3. Na mídia, as más notícias predominam.
4. Os mercados de valores mobiliários perdem cada vez mais a atratividade.
5. Os investidores ficam cada vez mais preocupados e desanimados.
6. Risco é visto em toda parte.
7. A ótica dos investidores é somente ao risco de perder dinheiro.
8. O medo é o sentimento dominante.
9. A inadimplência de títulos aumenta.
10. Cresce o ceticismo, diminui a fé e apenas negócios seguros atraem.
11. Ninguém considera a melhora algo possível – descrença.
12. Toda projeção, por mais negativa e remota que seja, é considerada.
13. Todos acham que as coisas sempre piorarão.
14. Apenas a possibilidade de perda é considerada, ignorando as oportunidades que aparecem.
15. O viés negativo é tamanho que ninguém consegue ver motivos para comprar.
16. Os preços atingem novos níveis mínimos.
17. A mídia fixa-se na tendência de queda, reportando cada vez mais com viés negativo.
18. Investidores ficam cada vez mais deprimidos e passam a panicar, alimentando as quedas – muitas vezes estimulados pela mídia.
19. Investidores passam a se sentir tolos e desiludidos, questionando os próprios investimentos e suas respectivas teses, por mais que nada de fato tenha mudado e a percepção seja unicamente por conta da queda do preço dos ativos.
20. Os que se abstiveram de comprar sentem-se vitoriosos e celebram seu brilhantismo.


Lembrando mais uma vez: Howard Marks ressalta a todo momento em sua obra que não trabalha com futurologia nem se apoia em projeções macroeconômicas fidedignamente buscando acertar o desconhecido, mas sabe que o elemento “psicológico” do mercado – isso é, o fato de que investidores tomam medidas determinadas pelo comportamental e esse quase sempre enviesado em emoções – e é com base nesse psicológico que o investidor bem preparado deve ser apático e avaliar o cenário em busca de oportunidades.

Como reflexão, considere esses pontos e tente assimilar ao atual momento do mercado – sabendo sempre que nem toda queda reflete oportunidade.

Sobre o livro: excelente leitura para quem já tem uma base um pouco mais sólida sobre investimentos, digna da leitura e releitura periódica.

Para mais recomendações de leitura, acesse a nossa biblioteca!

https://findocs.com.br/biblioteca/
Projeções e Boletim Focus: o perigo de seguir cegamente

O Boletim Focus é um relatório compilado do Banco Central que divulga as projeções econômicas de diversos participantes do mercado, sendo eles bancos, corretoras, instituições financeiras e afins.

Nesse relatório há a projeção de dados elementares para a economia: SELIC, IPCA, IGP-M, câmbio, balança comercial entre outros. Ou seja – com a projeção de mais de 100 instituições, sua intenção é expressar a expectativa do mercado em relação a todos esses números.

Semanalmente esse relatório é divulgado com os números revisados, e na imagem acima, é possível ver a discrepância entre a expectativa que o mercado tinha sobre o final de 2021 lá no começo de janeiro e a expectativa que tem agora, faltando 2 dias para acabar o ano.

A lição a ser tirada com o Focus é: tome muito cuidado com projeções que você vê por aí. Toda instituição financeira atende aos próprios interesses, por mais transparente que seja, e cenários econômicos mudam violentamente em janelas de tempo curtíssimas.

Basta um único anúncio do presidente dos EUA ou alguma canetada legislativa para virar o cenário de cabeça para baixo e colocar em xeque todas as projeções antes feitas, demandando nova revisão e alterando completamente o resultado final.

Em janeiro, esperavam uma SELIC de 3,25% para o final desse ano – estamos nos 9,25%.
Em janeiro, esperavam um IPCA de 3,34% para o final desse ano – estamos nos 10%.

Projeções sempre são bem-vindas para dar o mínimo de clareza ao futuro não tão distante, mas não se apegue nos números como se eles fossem imutáveis.
O cenário fiscal brasileiro e seu pessimismo talvez excessivo

No cenário econômico brasileiro, 2021 foi um ano marcado por dezenas de incertezas: com expectativas de que a nossa dívida atingisse níveis inimagináveis e quase impagáveis, e déficits constantes nas contas públicas, até mesmo os juros longos estressaram e chegaram na casa dos 12,8% em sua máxima dos últimos meses, refletindo um cenário deteriorado e pessimista. E nada disso aconteceu.

Após um pico de uma dívida bruta sobre PIB de 90% em fevereiro desse ano, os últimos meses marcaram quedas constantes no indicador, atualmente nos 82%, refletindo um cenário oposto do esperado.

Hoje outro dado contrariando as expectativas extremamente pessimistas foi divulgado: com um superávit primário de R$15 bilhões em novembro registrando o melhor número desde 2013, no ano o país já soma um superávit de R$64.6 bilhões.

É importante dizer que esse resultado ocorreu principalmente por conta dos Estados e municípios, que registraram um superávit de R$110.5 bilhões, enquanto o governo federal registrou um déficit de R$49.8 bilhões.

Fatores como a inflação (que aumenta a quantidade de impostos pagos) e o boom do preço das commodities (em especial a gasolina e o minério de ferro, com a Petrobras e a Vale) tiveram forte papel nesse cenário, mas independente disso, em termos práticos o impacto é o mesmo – queda nos indicadores e melhora do cenário fiscal.

Longe de dizer que o país está um mar de rosas – como visto, commodities com preços nas alturas e um cenário inflacionário corroboraram com esses resultados, mas a expectativa pessimista do mercado talvez não reflita a realidade, não em vão as taxas de juros longas seguem em queda há algumas semanas.

Como Howard Marks diz: o ceticismo de um bom investidor é ser pessimista quando todos estão otimistas e otimista quando todos estão pessimistas – por mais difícil que seja ser do contra, nunca esquecendo da diversificação.
Energia – o cenário de 2021 e possíveis impactos inflacionários em 2022

Com o fechamento anual dos volumes dos reservatórios em 31/12/2021, segundo dados coletados no site da ONS, apesar do cenário conturbado de estiagem que passamos durante o ano, uma boa notícia: os reservatórios fecharão acima dos volumes identificados há um ano, em 31/12/2020.

Avaliando de acordo com cada subsistema, os reservatórios do norte e do sul foram os mais agraciados com o período de chuva até então, demonstrando um aumento de 106% e 55% no volume de cada um, respectivamente, surpreendendo até mesmo as projeções mais otimistas dos especialistas, que até meados de setembro trabalhavam com a possibilidade de um racionamento de energia – ou seja, ninguém esperava esse nível de chuvas que estamos passando agora.

Caso o cenário siga, segundo estimativas da própria NOS é provável que até o final de janeiro os reservatórios do sudeste e centro-oeste fechem na faixa dos 37% de volume, os do sul na faixa dos 34%, os do nordeste na faixa dos 72% e os do norte na faixa dos 86%.

Para a inflação, esse cenário denota um evento positivo – face a uma mudança de bandeira tarifária para baixo, haverá um carrego deflacionário no período e um grande carrego estatístico para começar o ano já com um fator pesando contra a balança dos demais aumentos de preço – e talvez seja essa uma das razões da bandeira de escassez hídrica ter sido mantida até então, visto que o carrego estatístico será positivo caso façam a mudança agora em 2022 no começo da apuração dos dados do ano.

Ainda sobre a bandeira tarifária, já foi anunciado pelo governo que não há intenção da redução antes de abril, justificando a manutenção da bandeira para arcar com os custos das termelétricas que tiveram que ficar ligadas durante esse período. No total, o país tem 122 usinas térmicas. No pico da crise todas estavam em completo funcionamento, sendo que atualmente, 76 ainda estão.

Enfim, esse problema de estiagem já é recorrente no país – desde a virada do milênio passamos pelo mesmo problema, com o crescimento econômico sendo fortemente brecado não só, mas também por isso. A energia é aquele 3% do PIB responsável pelos outros 97%, e talvez seja tempo – ainda que tardio – de repensarmos a nossa.

Em resumo: mais uma vez, projeções superadas.
Máximas históricas na bolsa americana, inflação e ciclos.

Para quem investe ne bolsa americana, 2021 foi um ano espetacular: o fechamento de rentabilidade do período foi de 29,1% no índice da S&P500, se caracterizando como um dos melhores anos já registrado para o mercado. E os números que impressionam não param por aí.

Em 2021 o índice S&P500 atingiu a máxima histórica (ou ATH, all time high) 70 vezes. Ou seja, em 70 pregões o índice fechou no maior valor já registrado. Foi o segundo ano com o maior número de máximas históricas já registrado, atrás somente de 1995, quando o índice fechou atingiu a máxima histórica 77 vezes.

Apesar desses números a princípio assustarem em um sentido de euforia desmedida do mercado, dois pontos têm de ser lembrados: o primeiro é que os indicadores não denotam um mercado inflacionado e caro como estivera nas últimas bolhas. Com exceção de poucas empresas isoladas, as expectativas de crescimento futuro não estão precificando um céu de brigadeiro e um fator inatingível como foi em 2000, no auge da bolha das techs, com empresas negociando a 1000 vezes o lucro.

O segundo ponto é a inflação. A perversa inflação que sempre é abarcada em assuntos financeiros. Assim como no Brasil, os EUA estão passando por um momento de extrema turbulência, com os indicadores inflacionários apontando para níveis vistos pela última vez somente na década de 80.

Para se ter ideia, hoje o país está com uma inflação de 6,8% - sendo a maior taxa de inflação desde 1982. Essa inflação tem impulsionado o preço dos ativos tanto pelo aumento da receita das companhias quanto pelo uso do mercado em si como forma de se proteger desse cenário de deterioração monetária. Ou seja, face a um ajuste de preço dos ativos, máximas são atingidas e o cenário que vimos em 2021 se forma.

De qualquer forma, ontem foi o primeiro pregão de 2022 e o índice fechou em terreno positivo, mais uma vez, começando o ano atingindo mais uma máxima histórica, e tudo indica que 2022 será um ano tão bom quanto 2021, com grandes chances de parte considerável da cadeia de oferta de suprimentos normalizar e alguns segmentos do mercado se dar bem.

Lembrando que a diversificação é sempre importante. A bolsa americana hoje está com rendimentos espetaculares, mas os ciclos econômicos existem. Entre 2000 e 2012 o índice S&P500 lateralizou completamente – ou seja, foram 12 anos de 0% de ganho, enquanto a bolsa brasileira deu mais de 400% de retorno no mesmo período.

A existência do imprevisível deve ser lembrada.
Quantitative Easing, o balanço multitrilionário do FED e sua ata de ontem

Utilizado pela primeira vez pelo Japão no início da virada do milênio, o quantitative easing – ou comumente conhecido como flexibilização quantitativa no Brasil – se tornou uma poderosa ferramenta de estímulo econômico utilizada pelos Banco Centrais.

Sua mecânica é simples: o Banco Central compra títulos de crédito privados e públicos das instituições financeiras e esse dinheiro jorra na economia em forma de cascata, passando das instituições para os demais agentes econômicos por meio de empréstimos e afins.

Como dito, essa mecânica é utilizada para estimular a economia em um cenário onde sequer as taxas de juros zeradas dão mais contas de fazer. Foi isso que levou o Banco Central Japonês a utilizar pela primeira vez há pouco mais de 20 anos: mesmo com sua taxa de juros zerada, o país não demonstrava uma guinada no crescimento econômico, e a deflação do cenário passou a se tornar uma preocupação, problema persistente que existe até hoje.

Pela tabela é perceptível como o Banco Central Americano também passou a utilizar essa ferramenta com maior ativismo a partir da Crise do Subprime, em 2008: seu balanço de ativos cresceu 151% ano a ano, de US$891 bilhões para US$2.2 trilhões.

Desde então o FED pisou no acelerador, dobrando seu balanço entre 2008 e 2014 de US$2.2 trilhões para US$4.4 trilhões e, após alguns anos sossegado, voltando a estimular fortemente a economia atingindo cavalares US$8.75 trilhões hoje, sendo que do começo da pandemia até então, seu balanço praticamente dobrou.

Muitos devem ter percebido o recente stress do mercado, com queda generalizada não só na bolsa brasileira, mas em todos os mercados – até mesmo o de criptomoedas – e isso está relacionado justamente a esse balanço.

Ontem o FED divulgou a sua ata, deixando claro que por conta do aumento da inflação acima das expectativas (o cenário inflacionário nos EUA está tão caótico quanto o brasileiro, saindo de uma inflação de 1,2% em janeiro para 6,8% hoje), um aumento de taxa de juros acima do que haviam divulgado pode ocorrer, indo um pouco além, anunciando aumento de ritmo do tapering* e até mesmo um início de venda dos ativos de seu balanço.

Ou seja, em resumo, na ata de ontem o Federal Reserve anunciou que fechará a torneira de liquidez que tem alimentado os mercados do planeta porque a inflação está acima do que esperavam. Num corte de liquidez, a tendência é que o mercado se torne mais cauteloso e repense seu apetite de risco, que faz com que ativos de mais natureza especulativa sofram.
*O tapering é a redução de estímulos. Ou seja, a redução do quantitative easing, menos compra de ativos pelo FED. No ápice do uso dessa ferramenta eles estavam comprando US$120 bilhões (sim, bilhões, você não leu errado) de ativos por mês, e desde então tem realizado uma redução, buscando zerar completamente as comprar em março desse ano.