Contrapoder
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Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá...

Charge de Daniel Moreira
80 anos do assassinato de Trotsky

No dia 21 de agosto de 1940, faleceu no México Leon Trotsky, um dos principais dirigentes da Revolução Russa de 1917. Trotsky foi atacado com um golpe mortal na cabeça, no dia anterior, por Ramón Mercader, agente do serviço secreto soviético infiltrado no círculo próximo do comunista russo. Com a iminência da eclosão da Segunda Guerra Mundial, Stálin finalmente havia decidido executar Trotsky de qualquer maneira.
Ao combater a degeneração da Revolução Russa e do Movimento Comunista Internacional, simbolizada pela ascensão de Stálin ao poder, Trotsky tornou-se o inimigo número um do regime burocrático. Expulso da URSS em 1929, estava exilado no México desde janeiro de 1937. Seus partidários e familiares viviam em todo o mundo sob constantes ameaças. Muitos foram perseguidos, confinados em campos de concentração e assassinados. Foi o caso do seu filho mais velho e colaborador, Leon Sedov.
O seu assassinato foi um duro golpe para a IV Internacional, fundada em setembro de 1938. Trotsky era o principal dirigente da organização. Apesar das inúmeras dificuldades, seus partidários conseguiram manter viva a sua memória e seu legado. Ainda hoje, ele inspira milhares de comunistas ao redor do globo. Trotsky, presente!

“Amar a vida com o afeto superficial do diletante não é um grande mérito. Amar a vida com os olhos abertos, com um senso crítico cabal, sem ilusões, tal como ela se apresenta, com o que nos oferece, esta é a proeza. Nossa proeza é realizar um esforço apaixonado para sacudir aqueles que estão entorpecidos pela rotina; fazer com que abram os olhos e vejam aquilo que se aproxima”
Hoje, 24/08, há 66 anos, suicidava-se o Presidente Getúlio Vargas. Representou as ambiguidades da burguesia brasileira no momento crucial de seu revolução burguesa. Seu governo equilibrava-se entre a direita e a esquerda da ordem. As parcas conquistas civilizatórias conquistadas pelo povo brasileiro com muito sacrifício foram institucionalizadas em seu governo. Não a toa que Fernando Henrique, quando começa seu governo radicalmente liberal, afirma que seu objetivo é enterrar tudo que Getúlio construiu. Na pobreza da política nacional, destaca-se como um homem de visão mais ampla sobre a importância da construção do Estado brasileiro. Seu suicídio, junto com sua carta testamento, adiaram o golpe por dez anos.
Hoje se recorda os 91 anos do nascimento de Yasser Arafat, dirigente político de expressão da luta do povo palestino pelo direito a viver em uma nação independente, livre da segregação sionista imposta após a fundação de Israel.

Nascido no Egito, formado engenheiro civil pela Universidade do Cairo, a entrada de Arafat na luta palestina ainda nos primórdios do Estado de Israel se deu no momento em que uma nova conformação do nacionalismo árabe – do qual o próprio Arafat se tornaria símbolo, uma vez que a questão palestina, com a derrota das forças militares árabes em 1948 e a expulsão de palestinos para países vizinhos, se gestava com a emergência de um novo quadro político no mundo árabe. Sua passagem pelo exército egípcio durante a crise do Canal de Suez, quando o Egito nasserista enfrentou o imperialismo anglo-americano-israelense e consolidou o nacionalismo árabe como ator relevante nas lutas de libertação nacional que aconteciam em diversas partes do mundo, foi determinante em sua caminhada política e na liderança que exerceria anos depois frente ao Fatah, fundado em 1959, e a Organização pela Libertação da Palestina – OLP.

Tanto o Fatah como a OLP podem ser vistos como desdobramentos da emergência do nacionalismo árabe sob influência nasserista, que transformou o Cairo no epicentro da luta anti-imperialista no mundo árabe, a exemplo dos revolucionários argelinos que derrotaram o colonialismo francês no norte africano. A OLP, em seus documentos fundacionais, defendia a libertação da palestina através da luta armada e compreendia a Palestina nas fronteiras integrais dos tempos do mandato britânico na região.

Em 1974, Arafat discursa armado no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Liga Árabe reconhece a OLP como única representante legítima do povo palestino. Também foi importante o envolvimento na guerra civil, uma vez que o sul do Líbano foi uma das regiões para as quais a questão palestina transbordou.

Mas Arafat, assim como o Fatah e a própria OLP, não passou incólume diante das mudanças no mundo árabe a partir da década de 1980. O nacionalismo secular nasserista começa a perder fôlego, em especial após a revolução islâmica no Irã em 1979, país de maioria persa e xiita, mas cuja vitória incendiou massas de muçulmanos xiitas em países como Iraque, Bahrein e Líbano. Também são importantes nesse processo as movimentações da monarquia Saudita patrocinando grupos armados que pregavam regimes políticos fundados em uma interpretação integrista do Islã. Não menos importantes são as contradições do próprio nacionalismo árabe ao recuar do combate sem tréguas à invasão sionista da Palestina e aceitar a coexistência de sionistas e palestinos sob dois estados distintos. Em tempo, o Egito nasserista se curvava ao imperialismo e ao sionismo sob a liderança de Sadat.

Os acordos de Oslo que selaram o reconhecimento de Israel pela maior organização política palestina, absolutamente institucionalizada, corrompida e transformada em interlocutora confiável de estadunidenses e sionistas, marcam o declínio da liderança da OLP e de Arafat em setores cada vez maiores da população palestina. Um dos desdobramentos desse declínio foi o crescimento do HAMAS, braço palestino da irmandade Muçulmana que rechaçou os acordos da OLP e capitalizou, após a segunda intifada, o desgaste das lideranças acomodadas da Autoridade Nacional Palestina.

Em que pesem os muitos erros políticos dos últimos anos de vida de Arafat, que desarmaram o povo palestino diante de seus inimigos declarados, há de se reconhecer o legado da sua liderança a frente do Fatah e da OLP enquanto esteve do lado certo da história pela autodeterminação do povo palestino e no combate sem tréguas ao massacre desse povo pelo imperialismo e seu preposto sionista.
Isso não é um levante, é uma revolução

Mais uma onda de protestos contra o racismo e contra a violência policial acontece nos Estados Unidos. Desta vez por conta dos sete tiros disparados a queima roupa contra Jacob Blake. Ele estava apartando uma briga e a polícia ao chegar pediu para ele pegar os documentos, que estavam no carro.

Agachado e de costas, como mostra o vídeo, na frente de seus 3 filhos que estavam dentro do carro e com o policial a menos de 1 metro acontecem sete disparos contra Jacob.

"This is not a riot, this is a revolution" é a nova palavra de ordem dos negros americanos.
109 anos do Napoleão Vermelho

Há 109 anos, em uma manhã úmida numa fazendo na província de Quang Binh, nascia Võ Nguyên Giáp. O contexto geográfico em que nasceu o general Giáp era muito diferente do de hoje. O Vietnã ainda era a Indochina, uma colônia francesa.

Giáp e Ho Chi Minh foram os lideres da revolução vietnamita. Giáp foi o estrategista e gênio militar e Ho Chi Minh o teórico e articulador político, mas ambos com uma enorme capacidade de liderança das massas oprimidas.

Filho de fazendeiros humildes, foi um dos maiores lideres militares da história da humanidade. Lutou sempre em condições desfavoráveis e ganhou todas as guerras. Sua juventude foi marcada pela guerra, mas antes de entrar no combate, mais propriamente dito, se casou com Dang Thi Quang em 1938. Em 1939, fugiu para a China por conta da ilegalidade do Partido Comunista. Neste mesmo ano, sua família foi presa e assassinada. Até seu filho de menos de um ano não foi poupado pelo franceses. Mataram também seu pai e 3 de seus 7 irmãos.

Não teve formação militar. Estudou direito até ser expulso da universidade. Depois, foi dar aulas de história. Giáp foi, até onde se sabe, o único general da história a vencer as 4 guerras que lutou.

Organizou a resistência e derrotou os japoneses na segunda guerra. Derrotou os franceses, se consagrando como líder militar na batalha de Dien Bien Phu. Quando começou a guerra do Vietnã, o Partido Comunista se aproximou muito da URSS. Tanto Giáp quanto Ho Chi Minh se opuseram a essa política, defendendo maior independência. Foram derrotados e viraram minoria. Mas a guerra necessitava do general. Ele voltou à cena e foi a principal peça na vitória sobre os EUA. Posteriormente, foi o grande líder militar na guerra sino-vietnamita.

Morreu em 2013, com 102 anos.

"Tentando salvar-se do perigo de sua aniquilação, o Imperialismo realiza, com todos os seus esforços, a propaganda da onipotência das armas. Na guerra, o fator decisivo é e será o homem, as massas populares são e continuarão a ser as forjadoras da História "