《Sense Atividade》
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Espiritualidade, atendimentos em cartomancia, esoterismo, astrologia, mediunidade, quântica, filosofia de vida e etc.

Nascido em 27 de janeiro de 2017.

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Vanessa
Maria T
Filipe Albani

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Alguns aspectos sociais da religião

Os ritos são manifestações da religiosidade e informam sobre a mesma. Historiadores da religião e antropólogos, como de Mircea Eliade e Claude Lévi-Strauss, apontam que para compreender o funcionamento das crenças e religião para as sociedades é preciso entender o caráter de sacralidade que as estórias possuem bem como de historicidade, já que para tais culturas, conforme Eliade, esses mitos contam o que de fato aconteceu in illo tempore (no tempo primordial), sendo essas narrativas a própria história daquelas pessoas. Neste sentido, apresentam-se agora três exemplos dos aspectos sociais que a religiosidade iorubá possui.

Sango ou Xangô: Segunda as lendas, Xangô foi o quarto rei dos iorubás, deificado após sua morte. Governou toda a nação ioruba, incluindo ainda Benin, Popos e Dahomey, sendo que sua adoração continuou nesses lugares. É relacionada a ele a imagem de um governante tirano, destronado por seu povo e expulso do país. Seus amigos e esposa, Oya, o renegaram. Assim, Xangô cometeu suicídio. Sua história se tornou muito conhecida e seus amigos, envergonhados e para expiar suas ações, decidiram estudar encantamentos. No retorno, decidiram colocar em prática o que haviam aprendido como forma vingança, atraindo trovões e raios. Interrogados sobre as mortes que ocorreram no processo, os amigos atribuíram a catástrofe ao falecido rei. Para apartar a vingança do rei, seus amigos ofereceram sacrifícios a ele como um deus, e assim esses mediadores se tornaram “Mogba” (defensores) e sacerdotes de Xangô. O emblema relacionado a Xangô é uma pedra lapidada em forma de machado. O ritual de iniciação nos mistérios de Xangô compreende uma série de processos até que o iniciado é considerado renascido como devoto de Xangô. Os torvões e relâmpagos, portanto, são consagrados a eles. Conforme as tradições, quando uma casa é atingida por um raio, rituais são performados. Não é permitido aos habitantes permanecerem na casa, até que o local seja purificado. Um vigilante é mantido na entrada para alertar a quem passar que aquele local é sagrado, até que se performem todos os rituais e o deus seja apaziguado. Todas as autoridades locais devem ir até o lugar do incidente e prestar homenagem a Xangô. Durante essas ocasiões, um grupo de adoradores de Xangô ia até o lugar servir de entretenimento para a família atingida e os vizinhos. O rei (Alâfin de Oyó) também comparecia e era recebido com oferendas. Os sacerdotes entram na casa, após terem sido purificados, e procuram o lugar que o raio atingiu a casa e no qual “entrou no chão”. Depois de encontrar o local, o chão é cavado e o raio retirado com solenidade. A cerimônia de conclusão inclui a família dar um filho para ser iniciado nos mistérios do culto e futuramente são ressarcidos para reconstruir a casa. Oya, esposa de Xangô, foi a única que o acompanhou até a Nupe, entretanto decidiu permanecer em Ira, sua cidade nativa. E depois de ouvir sobre o suicídio de seu marido, fez o mesmo, sendo ainda deificada depois da morte. Os tornados e tempestades violentas são atribuídas a ela. O rio Níger é consagrado a Oya;

Orúnmílà e Íwà: Íwà era uma Orixá de grande beleza que se casou com Orúnmílà, depois de ter se casado e separado de diversos outros Orixás. Depois de um tempo Orúnmílà decidiu manda Íwà embora, pois ela não tinha bons modos, sendo preguiçosa e irresponsável. Mas Orúnmílà ele percebeu que não podia viver sem ela, afinal sua vida ruiu. Vestiu-se Egúngún e foi procurá-la e a encontrou casada com Olójo, que recusou devolve-la. Orúnmílà derrotou Olójo e Íwà foi levada de volta. Esta história mostra a importância do bom caráter, simbolizado pela mulher, já que ela representa dois extremos: amor, cuidado, devoção e beleza, por outro lado fraqueza, deslealdade e falsidade. Percebe-se também que o homem deve cuidar do caráter, assim como da esposa;

A morte: Os iorubás creem que em vida após a morte e principalmente na reencarnação, e assim os mortos recebiam cuidados funerários para uma boa pós-vida. Com relação à vida após a morte, não há consenso sob
re a localização do outro mundo, se embaixo da terra ou em um mundo invisível separado dos vivos. Outros achavam que os mortos iriam viver em tribos antigas. Quando morto, o indivíduo passava uma longa jornada, um rio com um barqueiro que precisa ser remunerado. Havia montanhas, portões. Assim, as cerimônias eram realizadas com comidas e bebidas para que o morto acumulasse energia para transcender ao outro mundo. Segundo a tradição, a forma humana (ara) é moldada em barro por Orisanlá e em seguida Oloddumare infla seu hálito, chamado emi (espírito). Além destes, o ser humano recebe a “alma”. Muitos tradutores antigos traduzem “alma” como okan(coração) ou emi. O coração é um órgão tangível, mas a “alma” é intangível. Assim, quando o corpo morre, o espírito e a essência aqui chamada de “alma” não acabam, mas voltam para Oloddumare, a fonte das almas. Portanto, a morte não é vista como extinção, mas como prolongamento da vida. Para se tornar um ancestral conceituado, o homem tem que viver bem, morrer bem e deixar bons filhos. Se morresse um jovem ou ocorresse uma morte inesperado, isto era encarado com tristeza. Caso fosse um idoso que teve uma vida próspera, ocorria uma celebração, haja visto a relação com os ancestrais. Com relação à chegada ao outro mundo, Maria Inez Couto de Almeida diz: “A mulher era enterrada com os objetos de que necessitaria de imediato: colares, brincos, roupas, comidas e utensílios; um caçador era enterrado com suas armas; uma pessoa da família real era acompanhado por um séquito de empregados e escravos, que eram executados na ocasião do enterro. Podemos deduzir desta prática que era esperado que os mortos tivessem no outro mundo as mesmas vantagens sociais e econômicas que tinham na terra. Isto sugere também que a vida lá continuava de forma muito semelhante à vida neste mundo.” Os iorubás também tinham o conceito do julgamento após a morte. As ações em vida também são julgadas. As divindades que combatem o mal que punem as pessoas ruins, e assim terão uma morte ruim também. Entretanto o julgamento final pertence a Oloddumare, que decide quem irá para o “outro mundo bom” e quem irá para o “outro mundo mal”.  O mundo bom corresponde a diversos países, cidades, vilas, onde grupos de diferentes grupos de pessoas vivem juntas, com seus ancestrais e em uma vida boa. No mundo mal, a alma não é permitida se reunir com os ancestrais, condenada a vagar por locais desertos e comer restos de comidas e vermes. Com relação à reencarnação, os iorubás acreditam que seus ancestrais podem voltar ao mundo dos vivos, sendo uma das formas mais comuns a reencarnação na própria família, renascendo como filho ou neto do morto. As famílias não desejam que um ancestral que morreu de forma uma ruim reencarne. Assim, os maus ancestrais reencarnam em animais e vagam por locais abandonados.
Egungun

Egungun é o nome dado ao festival de veneração de familiares falecidos, mas pode também referir-se aos próprios mortos, assim como a personificação deles por meio de máscaras e vestimentas, haja vista a relação dos iorubás com a morte.
O festival (Odu-Egungun) se tornou uma instituição religiosa nacional e seus mistérios são considerados sagrados e invioláveis. As vestimentas dos Egungun consistem em roupas de várias cores, ou de penas de diferentes pássaros ou couro de diferentes animais sendo todo o corpo é oculto.
O mais alto sacerdote do culto Egungun é chamado de Alagbâ, depois Esorun e então Akere, que estão nas posições mais altas. É considerado crime tocar a roupa de um Egungun em público e desrespeitoso passar por um com a cabeça descoberta. Em cada cidade há vários Alagbâs ou sumo-sacerdotes de Egungun, sendo que um governante é eleito para cada localidade. O indivíduo que alcança o mais alto nível do culto de Egungun é o Alapini, um dos sete grandes e nobres homens de Oyó. Ele reside na cidade real de Oyó, sendo que só pode haver apenas um Alapini por vez. Em grandes cidades, cada “distrito” tem seu próprio Alagbâ em que uma casa é separada para o culto e as festividades são realizadas.
Os Egunguns são cultuados geralmente com um tipo de bolo de feijões e óleo de palmeira no mês de fevereiro, depois da colheita de feijão, sendo seu “aniversário” celebrado em maio ou junho. Nestas celebrações, o momento é de reunião com os parentes e os amigos distantes. A cidade é arrumada para que o festival aconteça. A celebração acontece geralmente na véspera do festival, sendo realizada uma vigília (Ikunle) durante a noite para rezas no túmulo do Egungun, invocando benção e proteção. Sangue de animais sacrificiais é aspergido sobre os túmulos. Na manhã do festival, os Egunguns e os Alagbâs e os sacerdotes realizam uma procissão até a casa do chefe da cidade, onde praticam danças, bênçãos, homenagens... e então se dispersam para continuar celebrações pela cidade. O festival dura sete dias e no oitavo dia há um novo encontro na casa do chefe Alagbâ e então a festa é encerrada com jogos, músicas, esportes etc.
Sistema de Ifá

Os sinais geomanticos utilizados no sistema de Ifá tem origem na geomancia árabe que, ao ser introduzida na Yorubalandia, absorveu a mitologia dos Orixás, formando o Ifa que conhecemos hoje. Ifa corresponde a uma linguagem própria com função de estabelecer uma conexão entre as duas realidades que compõem o mundo ioruba: Òrun, a realidade invisível, e Ayé, a realidade visível. Assim, ele seria o oráculo dos iorubás, que se desenvolveu gradativamente desde tempos remotos entre os contextos culturais iorubás, nupe, edo e ibariba. Contudo, os iorubás foram os responsáveis por elevar o sistema, enriquecê-lo e complexificá-lo com tradições orais, tornando-o um sistema sofisticado que engloba a espiritualidade, sociedade e cultura.
Para os seguidores de Orunmila, tudo é determinado por Ifá. Não se faz absolutamente nada de importante sem consultar Ifá. A não observância das orientações pode acarretar graves consequências. Ifá aprova noivados, datas de casamentos, decide sobre a sociedade, aconselha sobre filhos, negócios. Oluwo consulta Ifá por meio de ikin, ou búzios.
Segundo a tradição, Selitu teria sido o instituidor do sistema de Ifá. Conta-se que nasceu cego e seus pais deviam decidir o que fazer com a criança. Levados por sentimentos, decidiram criar Selitu. Ele cresceu de uma forma peculiar, já que possuía habilidades extraordinárias de adivinhação. Aos 5 anos, Selitu começou a praticar adivinhação em troca de pagamentos e, mais tarde, magia e medicina. Assim, juntou grande fortuna que lhe garantiu uma boa vida. Selitu também reuniu muitos seguidores, porém os muçulmanos decidiram o expulsar do país. Selitu, então, migrou até Ile Ife, onde encontrou um local para praticar sua arte e fez dali sua residência. Logo, tronou-se famoso, impressionando os moradores, mudando até mesmo os costumes tribais locais. Selitu iniciou muitos de seus seguidores nos mistérios da adoração de Ifa, e logo isso se tornou o oráculo de todos os iorubás.
Para consultar Ifa, 16 castanhas são chacoalhadas juntas nas mãos, enquanto marcas são desenhadas em uma bandeja enfarinhada. Cada marca representa ao adivinho os feitos das divindades e dos heróis, que ele reconta e repete juntamente com as marcas até chegar à resposta desejada.
No Brasil

Os iorubás deixaram uma presença importante no Brasil, e particularmente muito significativa no estado brasileiro da Bahia:

“Os nagôs (iorubás) são, ainda hoje, os africanos mais numerosos e influentes nesse estado (Bahia). Existiam aqui quase todas as pequenas nações iorubanas. Os mais numerosos são os de Oyó, capital do reino de Iorubá, que, naturalmente, foram exportados ao tempo em que os hauçás invadiram o reino, destruíram sua capital e tomaram Ilorin. Depois, em ordem decrescente de número, vêm os de Ijêsá, de que sobretudo há muitas mulheres. Depois os de Egbá, principalmente da sua capital Abeokutá. Em menor número, são os de Lagos, Ketú, Ibadan. Apenas conheci um negro de Ifé. Conheço três de Iebú, dos quais o que estacionava todos os dias na porta do conhecido Bazar 65, de cujos proprietários foi escravo, acaba de falecer. Em geral, os nagôs do centro da Costa dos Escravos, os de Oyó, Ilorin, Ijêsá etc., são quase todos, na Bahia, muçulmis, malês ou muçulmanos, e a seus compatriotas se deve atribuir a grande revolta de 1835. Durante o último período da escravatura, os iorubás foram concentrados nas zonas urbanas, então em pleno apogeu; nas regiões suburbanas ricas e desenvolvidas do Norte e Nordeste, particularmente em Salvador e no Recife. Ligados pela origem mítica comum, pela prática religiosa e semelhança dos costumes, rapidamente os diversos grupos nagôs passaram a inter-relacionar-se. Não perderam contato com a África, dada a intensa atividade comercial entre a Bahia e a Costa Africana.”

No Brasil, já foi elaborado um organogramacontemplando os principais orixás conhecidos no Brasil, e mostrando algumas de suas principais características, em "Mitologia dos Orixás" (PRANDI, 2007), "Contos e Lendas Afro-brasileiros", "A Criação do Mundo" (PRANDI, 2007) e "Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros" (CACCIATORE, 1988).
Fonte: http://bit.ly/2ULe1Cy
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 51
Assunto: Mitologia Zulu
A mitologia Zulu contém inúmeras divindades, comumente associadas com animais ou classes gerais de fenômenos naturais. 

Unkulunkulu é o mais alto Deus e é o criador da humanidade. Unkulunkulu ("o maior one") foi criado em Uhlanga, um enorme pântano de juncos, antes de vir à Terra. Unkulunkulu é por vezes confundido com o pai do céu Umvelinqangi (que significa "Aquele que estava no início"), deus do trovão e terremotos.

Outro nome dado para o ser supremo é uThixo.
Outras divindades incluem Mamlambo, a deusa dos rios, e Nokhubulwane, às vezes chamado de Zulu Deméter, que é uma deusa do arco-íris, agricultura, chuva e cerveja (que ela inventou).

Fonte: http://bit.ly/2SWDU52
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 52
Assunto: Candomblé
Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Avievodun ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.
De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE. Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália e Alemanha, Portugal e Espanha.
Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estadoe rejeitado pela sociedade; o candomblé (como outros cultos de matriz africana), "formavam, até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes [...] muita coisa mudou, fazendo dessas religiões organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais". Dessa forma, os elementos culturais que compõem o candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.
O candomblé não deve ser confundido com a umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros; vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outros), os quais foram desenvolvidas independentemente do candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.
Etimologia

O termo "candomblé" é uma junção do termo quimbundo “candombe” (dança com atabaques) com o termo iorubá “ilé” ou “ilê”(casa): significa, portanto, "casa da dança com atabaques".
História

Dentre as nações africanas praticantes do animismo, cada uma tinha, como base, o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas, nomeavam um zelador de santo, também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.
Diz Clarival do Prado Valladares em seu artigo "A Iconologia Africana no Brasil", na Revista Brasileira de Cultura (MEC e Conselho Federal de Cultura), ano I, Julho-Setembro 1999, p. 37, que o "surgimento dos candomblés com posse de terra na periferia das cidades e com agremiação de crentes e prática de calendário verifica-se incidentalmente em documentos e crônicas a partir do século XVIII". O autor considera difícil para "qualquer historiador descobrir documentos do período anterior diretamente relacionados à prática permitida, ou sub-reptícia, de rituais africanos". O documento mais remoto, segundo ele, seria de autoria de dom Frei Antônio de Guadalupe, bispo visitador de Minas Gerais em 1726, divulgado nos "Mandamentos ou Capítulos da visita"
Surgido na Bahia em meados do século XIX, é religião de matriz africana das mais difundidas no Brasil. O termo é uma junção do termo quimbundo candombe (dança com atabaques) com o termo iorubá ilê (casa): "casa da dança com atabaques". A religião tem por base o culto às forças da natureza, sendo chamada de animista.
Como os africanos escravizados eram provenientes de diversas povos e regiões, suas as religiosidades evoluíram na forma de diversas tradições: são as chamadas de "nações do candomblé", que se distinguem entre si principalmente pelas divindades veneradas, os atabaques, os cânticos e a língua litúrgica usada nos rituais.
Nações

Os africanos trazidos como escravos para o Brasil pertenciam a povos diferentes que habitavam diferentes regiões da costa atlântica da África, desde o Senegal até Angola, Moçambique e Madagascar. Como resultado, havia uma multidão de cativos com línguas, hábitos e crenças distintas. Em comum, não tinham senão a infelicidade de estar, todos eles, reduzidos à escravidão, longe das suas terras de origem.
Desse modo, os cativos eram agrupados pelos senhores em delimitações mais ou menos arbitrárias, tendo como base o povo a qual pertenciam, a região de origem ou mesmo o porto onde eram embarcados. Eram as chamadas “nações africanas”, como “mina”, “angola”, “jeje” e “nagô”. Com o tempo, essas categorias criadas pelos traficantes de escravos foram assumidas pelos próprios africanos e por seus descendentes como símbolo de origem e pertença étnica. É este recorte, baseado na procedência étnica dos fundadores dos primeiros candomblés (e, portanto, na origem étnico cultural de suas cosmologias e crenças religiosas), que dará origem às “nações do candomblé”.
De Angola, Congo e do Golfo de Biafra vieram 39% dos africanos destinados a Bahia: eram os negros das nações “congo”, “angola, “macua”, “benguela”, dentre outros; que compunham o grupo linguístico bantu.
Porém, 53% dos escravos desembarcados no litoral baiano eram provenientes do Golfo do Benin (igualmente chamado Costa da Minaou Costa dos Escravos), razão pela qual eram chamados genericamente de “negros minas", divididos em nagôs (termo que designava todos os iorubás da Costa dos Escravos) e jejes (que incluem povos como os ewe, fanti-ashanti, grunsi e, principalmente, o povo fon do antigo Reino do Daomé).
A predominância de escravos de origem jeje-nagô e bantu na Bahia revela a configuração das principais nações do candomblé, quais sejam:

De origem nagô (povo iorubá da Nigéria, Benin e Togo), cujo idioma é o iorubá:

Nação ketu;

Nação ijexá;

Nação efon.

De origem jeje (povos ewe-fon do Benin e Togo), cujo idioma é o fongbe:

Nação jeje-mahi;

Nação jeje-savalu;

Nação jeje-nagô ou nagô-vodum (culto aos orixás nagôs em rito jeje);

De origem bantu (povos bakongo e umbundo de Angola, República do Congo e República Democrática do Congo), cujos idiomas são o quicongo e o quimbundo(por vezes, o português):

Nação congo-angola ou, simplesmente, nação angola;

Candomblé de caboclo (sincretismo de elementos bantu e ameríndios).

É possível distinguir estas nações umas das outras pela maneira de tocar os atabaques, pela música, pelo idioma dos cânticos, pelas vestes litúrgicas, algumas vezes pelos nomes das divindades, e enfim por certos traços do ritual. Todavia, os candomblés de origem iorubá são os mais influentes.
Desde o início do século XX, pesquisadores brasileiros e estrangeiros (como Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Édison Carneiro, Melville Herkovits, Ruth Landes, Roger Bastide e Pierre Verger) deram ênfase à pesquisa científica sobre os terreiros que afirmavam ser de nação ketu, especialmente os três terreiros mais antigos e prestigiosos (Ilê Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca do Engenho Velho, Ilê Omin Axé Iyamassê - Terreiro do Gantois; e Ilê Axé Opô Afonjá). Cada um destacou a sua maneira a suposta "superioridade" ou "autenticidade" dos cultos de origem iorubá, detentores de uma tradição africana venerável. Os candomblés de angolaou de caboclo, no entanto, foram largamente ignorados pela pesquisa acadêmica e até mesmo considerados "deformados" ou "corrompidos" em alguns momentos.
Crenças

O candomblé é uma religião monoteísta, embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.
A religião tem, por base, a anima (alma) da Natureza, sendo, portanto, chamada de anímica. Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos, juntamente com seus orixás/nkisis/voduns, sua cultura, e seus idiomas, entre 1549 e 1888, é que tentaram de uma forma ou de outra continuar praticando suas religiões em terras brasileiras. Foram os africanos que implantaram suas religiões no Brasil, juntando várias em uma casa só para a sobrevivência das mesmas. Portanto, não é invenção de brasileiros.
Os orixás/inquices/voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia a dia dos membros do terreiro, mas não são cultuados em templo exclusivo, é louvado em todos os preceitos e muitas vezes é confundido com o Deus cristão.

os orixás da mitologia ioruba foram criados por um deus supremo, Olorun(Olorum) dos Yoruba;

os Voduns da Mitologia Fon foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon;

os Nkisis da mitologia banta, foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e criador.

os orixás são: Exú, Ogum, Odé (Oxóssi), Ossain, Oxumaré, Omolu (ou obaluaê), Nanã, Iemanjá, Oxum, Xangô, Oyá (Iansã), Obá , Ewá, Oxalá, Logun'edé e outros.

O candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades" que podem ser cultuadas como um diferente orixá/inquice/vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos orixás do queto podem ser "identificados" com os voduns do jeje e inquices dos bantos em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também são incorporados.
Acreditam na vida após a morte, e que os espíritos dos babalorixás falecidos possam materializar-se em roupas específicas, são chamados de babá Egum ou Egungun e são cultuados em roças dirigidas só por homens no Culto aos Egungun, os espíritos das iyalorixás falecidas são cultuados coletivamente Iyami-Ajé nas sociedades secretas Gelede, ambos cultos são feitos em casas independentes das de candomblé que também se cultuam os eguns em casas separadas dos Orixás.
Acreditam que algumas crianças nascem com a predestinação de morrer cedo são os chamados abikus (nascidos para morrer) que podem ser de dois tipos, os que morrem logo ao nascer ou ainda criança e os que morrem antes dos pais em datas comemorativas, como aniversário, casamento, e outras.
No candomblé, como nas religiões tradicionais africanas, acredita-se em um Deus Supremo que criou o mundo, chamado Olorum (tradição nagô), Mawu (tradição jeje) ou Nzambi (tradição angola). Em seguida, essa divindade suprema se afastou, deixando sua criação funcionando por meio das forças da natureza por Ele criadas, as quais são chamadas orixás na tradição nagô, voduns na tradição jeje e minkisi na tradição angola. O que se busca é a interferência concreta de Deus
"neste mundo" mediante a invocação das forças sagradas da natureza.
A cada orixá, vodun ou nkisi cabe reger e controlar as forças da natureza assim como certos aspectos da vida humana e social. Cada um, além de ter funções distintas e poderes específicos condizentes com seus traços de personalidade, conta também com símbolos particulares, como as roupas, as cores das roupas e das contas, determinados objetos, adereços, batidas de atabaque e canções características, bebidas e alimentos, sem falar dos animais sacrificiais próprios de cada divindade. E cada orixá, vodun ou nkisi tem ainda uma saudação dirigido somente a ele.
A relação entre cada indivíduo e seu "santo" particular que se estabelece o que é certo ou errado. Para um adepto do candomblé, a definição do que é bom e do que é mau nunca é abstrata, mas sempre relativa a uma pessoa concreta com seu orixá (igualmente voduns e minkisi), pois cada um está relacionado a uma série de tabus específicos, os chamados ewó ou quizila. O que o devoto não pode fazer é quebrar os tabus de seu orixá, mas aquilo que é proibido para um orixá não é necessariamente proibido para outro.
Sincretismo

No tempo das senzalas, os negros, para poderem cultuar seus orixás, nkisis e voduns, usaram, como camuflagem, um altar com imagens de santos católicos e, por baixo, os assentamentos escondidos. Segundo alguns pesquisadores, esse sincretismo já havia começado na África, induzido pelos próprios missionários cristãos para facilitar a conversão.
Depois da libertação dos escravos, começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do cristianismo. Imagens e crucifixos eram exibidos nos templos, orixás eram frequentemente identificados com santoscatólicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades de caboclos, que eram consideradas pagãs como os orixás.
Mesmo usando imagens e crucifixos, inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja Católica, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria.
Nos últimos anos, tem aumentado um movimento em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos africanos.
Templos

Denominação

Em língua portuguesa, os templos de candomblé são normalmente chamados de casas, roças, terreiros, barracão ou axé. Adotam ainda denominações oriundas de línguas africanas, de acordo com a nação ao qual pertencem: ilê axé (nações ketu, efon e ijexá), kwe, abaçá ou humpame (nações jeje), nzo, mbazi, canzuá (nações bantu). Por exemplo, o Zoogodô Bogun Malê Sejahundê(nação jeje mahi), é mais conhecido como Kwe Sejahundê ou simplesmente Roça do Ventura.
Templos

Arquitetura

Geralmente, os terreiros ficam localizados em lugares distantes, como sítios; alguns em locais mais centrais. Podem ser grandes ou pequenos, porém precisam ser bem planejados para comportar todos os segmentos necessários para o bom andamento das liturgias.
Templos

Tombamento

Há mais de 30 anos, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional) reconhece os espaços sagrados dos terreiros como patrimônio cultural brasileiro . Assim, o órgão do Governo Federal tombou os seguintes terreiros em Salvador, Itaparica e Cachoeira, todos no estado da Bahia:

Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca do Engenho Velho, Salvador/BA);

Ilê Axé Opô Afonjá (Salvador/BA)

Ilê Iyá Omin Axé Iyamassé (Terreiro do Gantois, Salvador/BA)

Ilê Mariô Láji (Terreiro do Alaketu, Salvador/BA);

Mansu Bandukenké (Terreiro do Bate-Folha, Salvador/BA);

Ilê Oxumarê Axé Ogodô (Casa de Oxumarê, Salvador/BA);

Ilê Agboulá  (Itaparica/BA)

Zoogodô Bogun Malê Sejahundê (Roça do Ventura, Cachoeira/BA)
Hierarquia

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi são separados por tipo de iniciação ao sacerdócio.

No culto de ifá, participam tanto homens quanto mulheres, sendo um culto patriarcal conduzido pelos babalaôs.

No culto aos egunguns, participam tanto homens quanto mulheres, sendo um culto patriarcal que lida diretamente com a ancestralidade, conduzidos pelos Ojé.

No candomblé queto, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens (babalorixás) quanto por mulheres (ialorixás), entram em transe com orixá.

No candomblé jeje, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres Vodunsis, entram em transe com vodun.

No candomblé banto, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres iniciadas muzenzas: entram em transe com nkisi.
Temas polêmicos
Preconceito

Manuel Raimundo Querino foi um abolicionista ferrenho, lutou contra as perseguições existentes aos praticantes das religiões afro-brasileiras que eram rotuladas de religiões bárbaras e pagãs.
Procópio de Ogum teve o seu reconhecimento por ter participado da legitimação da religião do candomblé, durante a perseguição às religiões afro-brasileiras promovida pelas autoridades do Estado Novo. Nesse período, o Ilê Ogunjá foi invadido pela polícia baiana, sob a supervisão do famoso delegado Pedrito Gordo. Procópio foi preso e espancado. O jornalista Antônio Monteiro foi uma das pessoas que ajudou na libertação de Procópio. Tal acontecimento - caso Pedrito - registrou o nome de Procópio na história popular baiana, chegando mesmo a fazer parte de uma letra de samba-de-roda:

“Não gosto de candomblé que é festa de feiticeiro quando a cabeça me dói serei um dos primeiros Procópio tava na sala esperando santo chegá quando chegou seu Pedrito Procópio passa pra cá Galinha tem força n’aza o galo no esporão Procópio no candomblé Pedrito é no facão." "Acabe com este santo Pedrito vem aí lá vem cantando ca ô cabieci"

“O Jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyá nassô: "Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristóvão Francisco Tavares, africano emancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres; os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio, crioulo, e as africanas Maria Tereza, Benedita, Silvana... que estavam no local chamado Engenho Velho, numa reunião que chamavam de "candomblé"".Abdias do Nascimento conta, em uma entrevista concedida ao Portal Afro:
“Os cultos afro-brasileiros eram uma questão de polícia. Dava cadeia. Até hoje, nos museus da polícia do Rio de Janeiro ou da Bahia, podemos encontrar artefatos cultuais retidos. São peças que provavam a suposta delinquência ou anormalidade mental da comunidade negra. Na Bahia, o Instituto Nina Rodrigues mostra exatamente isso: que o negro era um camarada doente da cabeça por ter sua própria crença, seus próprios valores, sua liturgia e seu culto. Eles não podiam aceitar isso.”
Temas polêmicos

Homossexualidade

A homossexualidade está presente na maioria das religiões, porém oculta, indiscutivelmente abafada por princípios e muitas vezes negada pelos ex-homossexuais.
No candomblé, a homossexualidade é amplamente aceita e discutida nos dias atuais, mas já teve um período que homens heterossexuais e homossexuais não podiam ser iniciados como rodantes (termo usado para pessoas que entram em transe), não era permitido em festas que um homem dançasse na roda de candomblé mesmo que estivesse em transe.
O mais famoso e revolucionário homossexual do candomblé foi sem dúvida Joãozinho da Goméia, que afrontou as matriarcas e ocupou seu espaço tornando-se conhecido internacionalmente. Tiveram muitos outros, mas nenhum conseguiu suplantá-lo em ousadia e popularidade.