Em ti, meu fiel vassalo,
posso depor minha confiança
e os segredos da minha alma
na arca do teu peito guardar.
És escudo para minhas palavras,
e teu conselho, sábio bálsamo
que sana as feridas do ânimo.
Auxilia-me no estudo das letras,
na labuta quotidiana,
como espada afiada na batalha.
Se porventura te perco,
desce sobre mim uma névoa de tristeza,
um frio sepulcral.
Mas se contigo permaneço,
a amizade revela-se
como um vitral na cripta escura
beleza colorida que atravessa
a pedra fria da existência.
E assim, nesta masmorra terrena,
tua lealdade é a tocha
que afasta as sombras do coração.
Vortex⚔️
posso depor minha confiança
e os segredos da minha alma
na arca do teu peito guardar.
És escudo para minhas palavras,
e teu conselho, sábio bálsamo
que sana as feridas do ânimo.
Auxilia-me no estudo das letras,
na labuta quotidiana,
como espada afiada na batalha.
Se porventura te perco,
desce sobre mim uma névoa de tristeza,
um frio sepulcral.
Mas se contigo permaneço,
a amizade revela-se
como um vitral na cripta escura
beleza colorida que atravessa
a pedra fria da existência.
E assim, nesta masmorra terrena,
tua lealdade é a tocha
que afasta as sombras do coração.
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❤2
"Lady Lilith", 1866-1868 , 1872-1873
Dante Gabriel Rossetti
Inicialmente pintada entre 1866 e 1878 com a modelo Fanny Cornforth, o artista refez a pintura entre 1872 e 1873, tendo como modelo Alexa Wilding .A pintura retrata Lilith.
Vortex💀
Dante Gabriel Rossetti
Inicialmente pintada entre 1866 e 1878 com a modelo Fanny Cornforth, o artista refez a pintura entre 1872 e 1873, tendo como modelo Alexa Wilding .A pintura retrata Lilith.
Vortex
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Forwarded from Cᴏʀᴛᴇs Fɪʟᴏsᴏ́ғɪᴄᴏs 🔱
A ordem invisível do ser
Para Tomás de Aquino, o universo não é um acidente que persiste, nem um ruído que se organiza por acaso. Ele é ordem, e toda ordem supõe inteligência. Nada existe sem razão, nada age sem fim, nada permanece fora de uma hierarquia que o orienta.
No coração dessa ordem está a proporção entre causas e fins. Nada age ao acaso: toda causa é inteligível porque tende a um fim. Mesmo aquilo que não conhece seu destino é conduzido por ele. A flecha não sabe o alvo, mas não erra por si mesma. Assim também a natureza inteira se move em direção ao Bem, não por escolha, mas por participação na Razão que a governa.
Essa ordem causal revela algo mais profundo: a consonância entre essência e existência. Nos entes criados, ser não é o mesmo que existir. A essência define o que algo é; a existência concede que isso seja de fato. Quando há desordem, essa tensão se manifesta como corrupção, limite, falha. Quando há harmonia, a criatura realiza plenamente aquilo para o qual foi pensada. Só em Deus essência e existência são uma única realidade simples. Todo o resto vive em dependência — sustentado, momento a momento, pelo Ato puro de ser.
É por isso que o universo se organiza como uma hierarquia dos seres orientados ao Bem. Não uma hierarquia de dominação, mas de participação. Os seres mais simples refletem a bondade divina de modo limitado; os mais elevados, de modo mais pleno. A pedra existe. A planta vive. O animal sente. O homem conhece e escolhe. Os anjos contemplam. Cada grau não anula o inferior: integra-o numa ordem mais ampla, onde a diversidade não é defeito, mas perfeição.
Para Tomás, o mal não é uma força rival, nem um princípio oculto. O mal é desafinação — privação de ordem, ruptura entre causa e fim, entre essência e ato. O pecado humano não é apenas moral: é ontológico. É a criatura racional recusando a orientação que a conduz ao seu termo último.
Assim, a criação inteira pode ser lida como uma harmonia silenciosa. Não porque produza sons, mas porque expressa proporções. Não porque seja perfeita em si, mas porque aponta para a perfeição de onde procede. E o homem, situado entre o tempo e o eterno, só encontra repouso quando sua vontade se ajusta à mesma ordem que governa as estrelas: a ordem do Bem que tudo move, tudo sustenta e tudo chama a retornar à sua fonte.
Para Tomás de Aquino, o universo não é um acidente que persiste, nem um ruído que se organiza por acaso. Ele é ordem, e toda ordem supõe inteligência. Nada existe sem razão, nada age sem fim, nada permanece fora de uma hierarquia que o orienta.
No coração dessa ordem está a proporção entre causas e fins. Nada age ao acaso: toda causa é inteligível porque tende a um fim. Mesmo aquilo que não conhece seu destino é conduzido por ele. A flecha não sabe o alvo, mas não erra por si mesma. Assim também a natureza inteira se move em direção ao Bem, não por escolha, mas por participação na Razão que a governa.
Essa ordem causal revela algo mais profundo: a consonância entre essência e existência. Nos entes criados, ser não é o mesmo que existir. A essência define o que algo é; a existência concede que isso seja de fato. Quando há desordem, essa tensão se manifesta como corrupção, limite, falha. Quando há harmonia, a criatura realiza plenamente aquilo para o qual foi pensada. Só em Deus essência e existência são uma única realidade simples. Todo o resto vive em dependência — sustentado, momento a momento, pelo Ato puro de ser.
É por isso que o universo se organiza como uma hierarquia dos seres orientados ao Bem. Não uma hierarquia de dominação, mas de participação. Os seres mais simples refletem a bondade divina de modo limitado; os mais elevados, de modo mais pleno. A pedra existe. A planta vive. O animal sente. O homem conhece e escolhe. Os anjos contemplam. Cada grau não anula o inferior: integra-o numa ordem mais ampla, onde a diversidade não é defeito, mas perfeição.
Para Tomás, o mal não é uma força rival, nem um princípio oculto. O mal é desafinação — privação de ordem, ruptura entre causa e fim, entre essência e ato. O pecado humano não é apenas moral: é ontológico. É a criatura racional recusando a orientação que a conduz ao seu termo último.
Assim, a criação inteira pode ser lida como uma harmonia silenciosa. Não porque produza sons, mas porque expressa proporções. Não porque seja perfeita em si, mas porque aponta para a perfeição de onde procede. E o homem, situado entre o tempo e o eterno, só encontra repouso quando sua vontade se ajusta à mesma ordem que governa as estrelas: a ordem do Bem que tudo move, tudo sustenta e tudo chama a retornar à sua fonte.
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Ferval (1898). Por Carlos Schwabe (Alemão, 1866 - 1927).
Último rei de um povo condenado,
Fervaal carregava um destino traçado nos carvalhos:
ser o escudo da terra, o preço: nunca amar.
Salvo nos braços da inimiga, a feiticeira Guilhen,
sua cura foi uma chama, seu toque, uma condenação.
Nasceu um amor que era em si um juramento quebrado.
Dilacerado entre o berro da guerra
e o silêncio ardente de seu peito,
ele partiu para a batalha, deixando seu coração para trás.
Mas a guerra já estava perdida no primeiro olhar.
Ao ceder ao amor, desfez o pacto divino.
Sua espada, inútil; seu povo, condenado.
O herói que deveria salvar um mundo,
perdeu tudo: amor, dever, reino.
Sua paixão não foi sua perdição, mas a de todos.
Assim, a lenda não canta a glória,
mas o conflito eterno entre o humano afeto
e o frio desígnio , onde o amor de uma alma
pode ser o crepúsculo de um mundo.
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Último rei de um povo condenado,
Fervaal carregava um destino traçado nos carvalhos:
ser o escudo da terra, o preço: nunca amar.
Salvo nos braços da inimiga, a feiticeira Guilhen,
sua cura foi uma chama, seu toque, uma condenação.
Nasceu um amor que era em si um juramento quebrado.
Dilacerado entre o berro da guerra
e o silêncio ardente de seu peito,
ele partiu para a batalha, deixando seu coração para trás.
Mas a guerra já estava perdida no primeiro olhar.
Ao ceder ao amor, desfez o pacto divino.
Sua espada, inútil; seu povo, condenado.
O herói que deveria salvar um mundo,
perdeu tudo: amor, dever, reino.
Sua paixão não foi sua perdição, mas a de todos.
Assim, a lenda não canta a glória,
mas o conflito eterno entre o humano afeto
e o frio desígnio , onde o amor de uma alma
pode ser o crepúsculo de um mundo.
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