LΓ‘ fora, o dia era todo ouro. As cortinas estavam fechadas, mas a luz filtrava-se pelas fendas. Ela jazia numa sonolΓͺncia induzida, suspensa entre o ser e o nada. Como se lobos a tivessem despedaΓ§ado, nada restava senΓ£o o invΓ³lucro. O corpo, exausto, desistira de resistir. Ela afundava-se em esquecimento e emergia em ilhas de lucidez onde a dor frutificava. As dores intensificaram-se. Ele inclinou-se e a beijou..
β Mais dois ou trΓͺs minutos e estava melhor.
Ela ficou em paz. As mΓ£os, pΓ‘lidas, repousavam no cobertor como aves imΓ³veis. De ordinΓ‘rio, comunicavam em lΓngua emprestada. Agora, cada um falava a sua lΓngua primΓ‘ria, a linguagem da alma, feita de silΓͺncios. Como se um muro tivesse ruΓdo e, na clareira aberta, se compreendessem melhor do que nunca.
Buscando a cura ...
Vortexπ
β Mais dois ou trΓͺs minutos e estava melhor.
Ela ficou em paz. As mΓ£os, pΓ‘lidas, repousavam no cobertor como aves imΓ³veis. De ordinΓ‘rio, comunicavam em lΓngua emprestada. Agora, cada um falava a sua lΓngua primΓ‘ria, a linguagem da alma, feita de silΓͺncios. Como se um muro tivesse ruΓdo e, na clareira aberta, se compreendessem melhor do que nunca.
Buscando a cura ...
Vortex
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Do silΓͺncio e da sombra, uma figura alada emerge. NΓ£o como anjo, mas como memΓ³ria encarnada. Sentada na pedra eterna, as mΓ£os pousadas no colo como flores adormecidas, ela contempla o infinito com olhos que jΓ‘ nΓ£o procuram. O vestido branco, de pregas suaves como ondas imΓ³veis, envolve a sua fragilidade num vΓ©u de eternidade.
Suas asas, pesadas como o tempo, nΓ£o prometem voo, guardam segredos que o vento nΓ£o pode levar. A luz, que a arranca da escuridΓ£o como um suspiro, desenha no mΓ‘rmore a presenΓ§a da ausΓͺncia.
Este nΓ£o Γ© um grito de dor, mas a poesia do que permanece quando tudo parte. Um monumento erguido nΓ£o com pedras, mas com o peso subtil da saudade onde o luto se fez silΓͺncio, e o silΓͺncio, eternidade.
Vortexπ
Suas asas, pesadas como o tempo, nΓ£o prometem voo, guardam segredos que o vento nΓ£o pode levar. A luz, que a arranca da escuridΓ£o como um suspiro, desenha no mΓ‘rmore a presenΓ§a da ausΓͺncia.
Este nΓ£o Γ© um grito de dor, mas a poesia do que permanece quando tudo parte. Um monumento erguido nΓ£o com pedras, mas com o peso subtil da saudade onde o luto se fez silΓͺncio, e o silΓͺncio, eternidade.
Vortex
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"A sua memΓ³ria era tΓ£o obscura como o cΓ©u, completamente encoberto por nuvens, atravΓ©s das quais nenhum raio de luz conseguia penetrar. "
Archie Bald Cronin, "O Castelo de Brodie"
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