Naquela altura, só pensava em caminhar, em adentrar as entranhas daquilo que seria o fim.
A floresta cerrava em torno, uma catedral de troncos retorcidos e folhagem negra, onde a luz do dia definhava em tons de sépia e melancolia.
Encontrei-a num claro onde os cogumelos pálidos brotavam em círculos impuros: uma velha bruxa, mais pensativa que uma lápide. Seus dedos, nodosos como raízes de salgueiro, tamborilavam sobre um joelho esquelético. O ar cheirava a terra molhada e ervas amargas.
Aproximei-me, e a pergunta rasgou-se dos meus lábios como uma confissão sufocada:
Sabes qual é o meu pecado?
A velha bruxa ergueu a face, e seus olhos, fundos como alçapões para abismos antigos, fitaram-me. Então, gargalhou. Um som seco, de cascas quebradas, que ecoou entre os arbustos como o grasnar de corvos.
Como não te conhecer?
sibilou, a voz um arrasto de folhas mortas. Não foste o primeiro a assassinar a própria juventude, a cravar-lhe o punhal da seriedade e a drenar-lhe o sangue límpido. Rejeitaste as alegrias efêmeras, os prazeres terrenos, e em seu lugar alimentaste o verme da culpa. Tornaste-te teu próprio carrasco, teu inimigo íntimo. E agora, eis aqui, arrastando os pés que pesam como lápides nesta floresta densa, não como um homem, mas como um espectro de si mesmo. Um pobre velho antes mesmo de a idade te cobrir com seu mofo.
Ela cuspiu as palavras finais como um veneno, e o silêncio que se seguiu pareceu engrossar a escuridão ao meu redor, tornando-a palpável, viva. O fim, compreendi então, não era um lugar, mas esta condenação: seguir andando, eternamente, com o peso do que eu mesmo havia estrangulado.
Anotações noturnas ...
Vortex💀
A floresta cerrava em torno, uma catedral de troncos retorcidos e folhagem negra, onde a luz do dia definhava em tons de sépia e melancolia.
Encontrei-a num claro onde os cogumelos pálidos brotavam em círculos impuros: uma velha bruxa, mais pensativa que uma lápide. Seus dedos, nodosos como raízes de salgueiro, tamborilavam sobre um joelho esquelético. O ar cheirava a terra molhada e ervas amargas.
Aproximei-me, e a pergunta rasgou-se dos meus lábios como uma confissão sufocada:
Sabes qual é o meu pecado?
A velha bruxa ergueu a face, e seus olhos, fundos como alçapões para abismos antigos, fitaram-me. Então, gargalhou. Um som seco, de cascas quebradas, que ecoou entre os arbustos como o grasnar de corvos.
Como não te conhecer?
sibilou, a voz um arrasto de folhas mortas. Não foste o primeiro a assassinar a própria juventude, a cravar-lhe o punhal da seriedade e a drenar-lhe o sangue límpido. Rejeitaste as alegrias efêmeras, os prazeres terrenos, e em seu lugar alimentaste o verme da culpa. Tornaste-te teu próprio carrasco, teu inimigo íntimo. E agora, eis aqui, arrastando os pés que pesam como lápides nesta floresta densa, não como um homem, mas como um espectro de si mesmo. Um pobre velho antes mesmo de a idade te cobrir com seu mofo.
Ela cuspiu as palavras finais como um veneno, e o silêncio que se seguiu pareceu engrossar a escuridão ao meu redor, tornando-a palpável, viva. O fim, compreendi então, não era um lugar, mas esta condenação: seguir andando, eternamente, com o peso do que eu mesmo havia estrangulado.
Anotações noturnas ...
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❤5👏3
"...e se quiseres amar,
ama como a lua ama,
não roubando a noite,
mas apenas revelando os mistérios
e a beleza da escuridão."
Vortex🌙
ama como a lua ama,
não roubando a noite,
mas apenas revelando os mistérios
e a beleza da escuridão."
Vortex
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A bela filha de Zeus, Diana (Selene), que personificava a luz da lua, apaixonou-se por um jovem humano chamado Endimion. Encantada pela sua beleza, ela pediu ao pai que concedesse a seu amado a eterna juventude, para poder unir o seu destino a ele para sempre. Como é típico dos deuses olímpicos, Zeus respondeu ao pedido de Diana com uma crueldade perversa, mergulhando Endimion num sono eterno. Desde então, todos os meses, a triste Diana desce até ao seu amado na sua carruagem, deixando o céu na escuridão...
Diz-se que a luz da lua é triste porque a deusa da Lua ainda chora pelo seu amado...
Arte:
1. «Selene e Endimion», por volta de 1770 Ubaldo Gandolfi (1728–1781);
2. «Diana e Endimion», 1705–1710 Francesco Solimena (1657–1747);
3. «Diana e Endimion», 1785–1790 Gaetano Gandolfi (1734–1802);
4. «Diana e Endimion», 1762 Giovanni Battista Innocenzo Colombo (1717–1793);
5. «Selene und Endymion»
Parmigianino (1503–1540);
6. «Endymion», 1872 George Frederic Watts (1817–1904);
7. «Selene e Endimion», 1660–1680 Johann Carl Loth (1632–1698);
8. «Luna und Endymion», 1770–1780 Januarius Zick (1730–1797);
9. «Diana e Endimion» Michele Rocca (1666–1751).
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