𝐎 𝐇𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐝𝐨 𝐒𝐮𝐛𝐬𝐨𝐥𝐨
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Devaneios envoltos em arte, literatura, filosofia e metafísica.
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Final Results
15%
Arte
17%
Literatura
34%
Filosofia
34%
Religião, metafísica
4
O mar aos peixes nítidos é dado,
Aves ao ar, quadrúpedes à terra.
A estes animais faltava um ente
Dotado de mais alta inteligência,
Ente, que a todos legislar pudesse:
Eis o homem nasce, e – ou tu, suprema Origem
De melhor Natureza, e quanto há nela,
Ou tu, pasmoso artífice, o formaste
Pura extração de divinal semente,
Ou a terra ainda nova, inda de fresco Separada dos céus, lhe tinha o germe.



Ovídio, "Metamorfoses" (Livro I)


Pintura: "La Rentrée du troupeau le soir", Octave Denis Victor Guillonnet.


@Homemdosubsolo
❤‍🔥9
Certa vez, ao pôr do sol, Jesus e os seus discípulos
estavam a caminho, fora dos muros de Sião,
quando de repente chegaram ao local onde a cidade
há anos despejava o seu lixo: colchões queimados
de leitos de doentes, panelas partidas, trapos, imundície.

E ali, no topo da pilha mais alta, inchado,
com as patas apontando para o céu, jazia o cadáver de um cão;
e quando os corvos que o cobriam voaram
ao ouvirem os passos que se aproximavam, um fedor tão forte
subiu dele que todos os discípulos, com as mãos
sobre o nariz, recuaram como um só homem.

Mas Jesus calmamente caminhou sozinho
em direção à pilha, ficou ali parado e então olhou
tão de perto para a carcaça que um discípulo,
incapaz de se conter, gritou à distância:
“Rabi, não sente esse cheiro terrível?
Como pode ficar aí parado?”

Jesus, com os olhos fixos na carcaça,
respondeu: “Se a sua respiração for pura, sentirá
o mesmo cheiro dentro da cidade atrás de nós.
Mas agora a minha alma se maravilha com outra coisa,
se maravilha com o que sai dessa corrupção.
Olha como os dentes daquele cão brilham ao sol:
como granizo, como um lírio, além da decadência,
uma grande promessa, espelho do Eterno, mas também
o relâmpago severo, a esperança da Justiça!”

Assim falou Ele; e quer os discípulos
tivessem compreendido ou não as Suas palavras, seguiram-no
enquanto Ele seguia em frente, em silêncio.

E agora, Senhor, eu,
o menor dos homens, reflito sobre as Tuas palavras
e, cheio de um único pensamento, estou diante de Ti:
concede-me, agora que caminho fora da minha Sião,
e o mundo de ponta a ponta está todo em ruínas, lixo,
todos os cadáveres não enterrados sufocando as sagradas
fontes de respiração, dentro e fora da cidade:
conceda-me, Senhor, enquanto caminho por este fedor terrível,
um único momento da Tua santa calma,
para que eu, desapaixonado, também possa fazer uma pausa
entre esta carniça e com os meus próprios olhos
em algum lugar ver um símbolo, branco como granizo,
como o lírio — algo brilhando repentinamente
no fundo de mim, acima da putrefação,
além da decadência do mundo, como os dentes do cão
que Tu contemplaste com admiração, Senhor, naquele pôr do sol:
uma grande promessa, espelho do Eterno, mas também
o relâmpago severo, a esperança da Justiça!


Ángelos Sikelianós, Ἄγραφον


@Homemdosubsolo
22
"A primeira razão para a escravidão interior do homem é sua ignorância, e acima de tudo, sua ignorância de si mesmo. Sem autoconhecimento, sem entender o funcionamento e as funções de sua máquina, o homem não pode ser livre, não pode governar a si mesmo e sempre permanecerá um escravo, e o brinquedo das forças que atuam sobre ele.
É por isso que em todos os ensinamentos antigos a primeira exigência no início do caminho para a libertação era: ‘Conhece-te a ti mesmo’."

— Gurdjieff


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14👍3
Na rósea e bem-aventurada luz do alvorecer, aqui estou eu;
eu subo com as mãos estendidas.
A serenidade divina do mar convida-me a lançar-me nos éteres azuis...
Mas ah! Os sopros repentinos da terra, que afluem ao meu seio
e sacodem-me inteira.
Ó Zeus, o mar está pesado, e os meus cabelos soltos pesam como rochas!
Brisas, venham, Ó Cymothoe, Ó Glaukê; venham,
Sustentem o meu torso!
Jamais esperava encontrar-me assim,
subitamente subjugada aos braços do sol.


Ángelos Sikelianós, Ἀναδυομένη


Pintura: "The Birth of Venus",
Adolf Hiremy Hirschl.


@Homemdosubsolo
🔥32
Quando falamos sobre a ideia de transmitir uma tradição, imediatamente associamos tal ideia a uma relação pessoal, a encontros ou à convivência estreita e, de fato, essa é a forma mais comum, mais natural e mais desejável. No entanto, no mundo da Tradição, não é a única maneira. Não devemos nos esquecer que a fonte da Tradição é perene e, portanto, pode manifestar-se onde e como quiser. A questão “tempo-espaço” é importante para nós, no mundo condicionado. No entanto, a “Tradição”, a “Sabedoria Perene”, está além dessas limitações. Nas diversas tradições não são raros os exemplos de cadeias de transmissão onde há lapsos enormes de tempo e de espaço. Mestres e discípulos que nunca se encontraram pessoalmente e que nasceram e morreram com séculos de distância e em países longínquos.


André Otávio Assis Muniz


Pintura: "Pythagoreans celebrate sunrise", Fyodor Bronnikov.


@Homemdosubsolo
🔥61
No início, o poeta e o sacerdote eram um só, e só posteriormente as eras os separaram. O poeta mais elevado é sempre um sacerdote, assim como o sacerdote mais elevado é sempre apenas um poeta da fé.


Novalis, "Pollen"


@Homemdosubsolo
13👍2
Dali parte o caminho que leva às ondas do infernal Aqueronte, agitado sorvedouro, com um abismo de lama que vomita todo seu limo no Cócito. Um barqueiro horrendo guarda aquelas águas e o rio, Caronte, de horripilantes imundice, de cujo queixo cai comprida barba branca descuidada; seus olhos lançam chispas, em seus ombros está amarrado um manto sórdido. Ele mesmo empurra com a vara o barco, dirige as velas e transporta os corpos em uma barca cor de ferro. É velho, mas sua velhice é viva e bem disposta como a de um deus. Ali, uma multidão inteira precipitava-se apressada para a margem do rio, matronas e varões, corpos sem vida de heróis mangnânimos, meninos e donzelas impúberes, jovens que foram levados à pira funerária diante dos olhos dos pais...


Virgílio, "Eneida" (Livro VI)


Pintura: "La barca de Caront", José Benlliure y Gil.


@Homemdosubsolo
321👍1
Além da poesia, da metafísica e do misticismo, nada tem valor. Qualquer participação em agitações temporais é perda de tempo e desperdício inútil.


— Emil Cioran, Carta à Aurel


@Homemdosubsolo
🔥115
[Eles] chegam aos lugares aprazíveis e às risonhas veredas dos bosques afortunados, morada dos bem-aventurados [Elísio]. Um éter mais amplo veste esses campos de uma luz purpúrea; os moradores têm um sol e astros que lhe são próprios. Alguns, na relva, exercitam os membros em jogos de destreza, medem suas forças e lutam sobre a fulva areia; outros batem os pés cadenciadamente e cantam versos. O vate da Trácia, com sua túnica comprida, acompanha os cantos e danças com os acordes da lira, que faz vibrar ora com os dedos, ora com o plectro de marfim. Lá se encontra a velha progênie de Teucro, formosa posteridade, heróis magnânimos, nascidos em melhores tempos, ílus e Assaraco e Dardano, fundador de Tróia.


Virgílio, "Eneida" (Livro VI)


Pintura: "Aeneas Meeting with His Father in the Elysium", Sebastian Vrancx.


@Homemdosubsolo
🔥2
(…) Eis que Enéias avista outros, à direita e à esquerda, banqueteando-se na relva e entoando, jubilosos, em coro, um peã, no meio de um oloroso bosque de loureiros, de onde o grande Eridano, entre a floresta, sai para a superfície da terra. Aqui está uma coorte de guerreiros que se cobriram de feridas combatendo pela pátria; ali, sacerdotes que foram exemplares em vida; lá, poetas piedosos cujos versos foram dignos de Febo; e os que cultivaram as artes para embelezar a vida e os que, pelo que fizeram, merecem viver na memória dos outros: todos têm a fronte cingida por uma ínfula cor de neve.


Virgílio, "Eneida" (Livro VI)


Pintura: "Sérénité", Henri Martin.


@Homemdosubsolo
🔥42
Fotografias de Eva Palmer, primeira esposa do poeta grego Ángelos Sikelianós.

Notável pela sua apreciação da cultura grega clássica, Eva e seu marido organizaram em 1927 o Festival de Delfos, que buscava trazer de volta a glória de Delfos, a transformando em um espaço cultural vivo, orientado pelos ideais de harmonia e paz universal. A programação do festival contava com a encenação de tragédias clássicas, provas de atletismo, recitação de poemas e performance de música sacra bizantina. O festival contou com uma subsequente e última versão, que ocorreu em 1930.


@Homemdosubsolo
6🔥3
Media is too big
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Essa deve ser, de fato, uma vida grandiosa, na qual as coisas mortas revivem, na qual até mesmo a morte é transformada em vida. Para Deus, nada morre: Todas as coisas estão vivas Nele.

Meister Eckhart


Vídeo: cenas do documentário "Voyage of Time", por Terrence Malick.


@Homemdosubsolo
6👏2❤‍🔥1
A montanha, cujo cume parece estar no fundo do lago que a reflete, é um protótipo natural do Selo de Salomão, o símbolo mundial da União das Perfeições Ativas e Passivas e, por extensão, o símbolo de todos os pares que são as imagens desta União ao longo de todos os mundos do universo.


Martin Lings, "What is Sufism?"


@Homemdosubsolo
🔥31
Para Hildegarda, a alma humana é "sinfônica"; a música faz parte da natureza profunda do espírito, através da qual o ser humano pode recordar a harmonia celestial e "a doçura e os louvores divinos pelos quais, com os anjos, Adão se regozijara em Deus antes da queda".


Mark Atherton


@Homemdosubsolo
❤‍🔥44💯3
NON EST MORTALE QVOD OPTO — “O que desejo não é mortal”

“Reinos, beleza, tesouros, força, honras—
tudo o que é valorizado neste vasto mundo - que outros os desejem. O que desejo não é mortal.
Essas coisas perecem rapidamente; esta que desejo, permanece sem fim.”

Emblemata moralia & bellica, c. 1615 por Bruck, Jacobus


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11
(...) Porque nós, homens, temos um livro em comum que aponta para Deus. Cada um tem dentro de si o sagrado Nome de Deus. As suas letras são as chamas do Seu amor, que Ele, do Seu coração, no sagrado Nome de Jesus, revelou em nós. Lede estas letras nos vossos corações e espíritos e tereis livros suficientes. Todos os escritos dos filhos de Deus os direcionam para esse único livro, pois nele residem todos os tesouros da sabedoria... Este livro é Cristo em vós.


Jakob Böhme, "Libri Apologetici"


Gravura: Símbolo de um coração invertido dentro de um círculo (provável variação do Selo de Lutero), presente na obra de Böhme. No símbolo, lê-se os nomes de Jesus em Latim e em hebraico, e o Tetragrammaton.


@Homemdosubsolo
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