𝐎 𝐇𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐝𝐨 𝐒𝐮𝐛𝐬𝐨𝐥𝐨
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Devaneios envoltos em arte, literatura, filosofia e metafísica.
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Depois de ter lutado loucamente para resolver todos os problemas, depois de ter sofrido nos cumes do desespero, na hora suprema da revelação, descobrirá que a única resposta, a única realidade, está no silêncio.


Emil Cioran, "On the Heights of Despair"


@Homemdosubsolo
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Forwarded from Orpheon
"Listening to the Birds", John E. Dumont (1856 - 1944), American
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Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.

A minh'alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul á busca da beleza.

É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.

Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...

Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra, vertigem, ascensão - Altura!

E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...

Miragem rôxa de nimbado encanto -
Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.

Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz;
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus!
A côr já não é côr - é som e aroma!
Vem-me saudades de ter sido Deus...

* * *

Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro:
A tristeza de nunca sermos dois...

Mário de Sá-Carneiro, "Partida"


@Homemdosubsolo
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'Não tem importância saber quem sou, posto que um dia não mais serei' — Isto é o que deveríamos responder àqueles que se preocupam com a nossa identidade e desejam nos encerrar, a todo custo, em uma categoria ou definição.


Emil Cioran, "Squartamento"


@Homemdosubsolo
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É sabido que comboios completos de pensamento atravessam instantaneamente as nossas cabeças, na forma de certos sentimentos, sem tradução para a linguagem humana, menos ainda para uma linguagem literária... porque muitos dos nossos sentimentos, quando traduzidos numa linguagem simples, parecem completamente sem sentido. Essa é a razão pela qual eles nunca chegam a entrar no mundo, no entanto toda a gente os tem.


Fiódor Dostoiévski, "Uma Anedota Infame"


@Homemdosubsolo
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Schopenhauer acompanhado de seu cachorro de estimação. Esboço feito por Wilhelm Busch.


@Homemdosubolo
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Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.


Franz Kafka, em Carta à Oskar Pollak


Pintura: "Lecture", Eugène Carrière.


@Homemdosubsolo
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"Gatos na escuridão", Oswaldo Goeldi.


@Homemdosubsolo
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Muito silenciosamente, o amanhecer
se aproxima
Pela estreita janela da minha cela,
Apenas hesitante, a escuridão cede
lugar
À luz do novo dia.

As sombras noturnas nas paredes
Começam lentamente a desvanecer.
Por mãos jovens, diligentes e
alegres,
O dia desperta nas ruas silenciosas.

Ao longe, o primeiro canto dos
pássaros
e depois um suave toque de sinos.
Ó tu, que criaste o meu desejo,
liberta os meus sentidos do
tormento.

Mostra-me que a realização é
suficiente
e deixa-me vislumbrá-la com saudade,
quando então a vida de mim se
afastar.
Quero procurá-la com alegria.

O sonho da vida logo se esvai.
Não quero mais resistir à morte,
quando o crepúsculo envolver a
floresta,
estarei contigo em esferas puras.
E a minha alma voará na luz,
longe do fardo da Terra e dos
pensamentos humanos,
e verá o teu rosto divino,
até que os véus voltem a se fechar
novamente.


Eugen Grosche (Gregor A. Gregorius), "An die Gottheit"
6
Os únicos instantes favoráveis são aqueles que nos lançam para fora do tempo.


Emil Cioran, "Janela para o Nada"


@Homemdosubsolo
3
Villiers acreditava que as verdades da vida estão em seus mistérios, e que os mistérios são absolutamente incontroláveis e, portanto, perfeitamente fascinantes. Um mistério explicado não é um mistério: sua realidade é que ele é ininteligível e deve, por definição, permanecer ininteligível.


Robert L. Delevoy, "Symbolists and Symbolism"


@Homemdosubsolo
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Ordem Bektashi: um Islã místico?

A ordem Bektashi é uma ordem sufi islâmica que surgiu em um período de grande efervescência de movimentos sufis no oriente médio, especialmente a partir do século XI. O nome da ordem deriva de Haji Bektashi Veli, um santo sufi de origem iraniana, considerado o patrono espiritual da ordem. O Bektashismo teria se iniciado durante os séculos XIII e XIV, como uma mistura de xamanismo herdado das tribos turcas de Khorassan e crenças populares, de modo a parecer familiar às camadas populares da Anatólia (Doja, 2006).
Ao longo do tempo, o Bektashismo absorveu diversos elementos de outras tradições não islâmicas, incluindo influências zoroastristas, budistas, maniqueístas e cristãs. Na Anatólia, e posteriormente, nos Bálcãs, o Bektashismo também incorporou aspectos neoplatônicos e cabalistas (Melikoff, 1992). Os Bektashis tendem a enfatizar a dimensão esotérica do Corão, sem dar muita ênfase nos aspectos exotéricos islâmicos.

[Continua]


@Homemdosubsolo
👍4❤‍🔥2
𝐎 𝐇𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐝𝐨 𝐒𝐮𝐛𝐬𝐨𝐥𝐨
Ordem Bektashi: um Islã místico? A ordem Bektashi é uma ordem sufi islâmica que surgiu em um período de grande efervescência de movimentos sufis no oriente médio, especialmente a partir do século XI. O nome da ordem deriva de Haji Bektashi Veli, um santo…
Do ponto de vista estrutural, a ordem possui um sistema hierárquico, no qual a prática do celibato é exigida dos membros das hierarquias mais elevadas, como os Baba e os Dedebaba. Outros curiosos aspectos da ordem são: a adoção do álcool em certos contextos ritualísticos chamados de cems, a crença em uma espécie de “trindade” composta por Allah, Muhammad e Ali, e a crença na metempsicose.
Durante a ditadura secularista de Atatürk, os Bektashis da Turquia foram severamente perseguidos, suas tekkes (santuários) fechadas e seus líderes proibidos de transmitir os ensinamentos da ordem. Atualmente, a ordem Bektashi se concentra principalmente na Albânia, e os seus ensinamentos profundamente místicos juntamente com a sua postura extremamente tolerante para com outras tradições fazem da ordem uma das expressões mais fascinantes da gnose islâmica.


@Homemdosubsolo
👍3
Forwarded from Orpheon
The wretched is the one who was wretched in his mother's womb, and the fortunate is the one who was fortunate in his mother's womb.
Porque profundamente glorifiquei e dei a minha confiança à terra,
E nunca abri as minhas asas secretas para fugir,
Mas enraizei profundamente no silêncio a minha alma implacavelmente,
Até que as águas frescas voltaram a jorrar para saciar a minha sede,
Uma fonte de vida, uma fonte dançante, a minha fonte de êxtase;

Porque nunca pensei em Quando e Como,
Mas mergulhei em cada instante a minha reflexão,
Como se ela contivesse dentro de si o objetivo imensurável –
Não importa, então, se o verão sorri ou se ao meu redor ruge a tempestade:
O momento sonha dentro de mim como uma maçã redonda e farta,
E as alturas do céu me regam com fertilidade.

Porque nunca disse: – Aqui a vida começa e aqui termina,
Mas: – Se vier um dia chuvoso, a luz será mais rica,
Mesmo o terramoto enraíza a casa mais firme e profunda do que nunca,

Pois escondido nas profundezas da terra impulsiona o tremor criador de vida, –
Contemplem! Como o efêmero se dissolve entre as brisas,
E a própria Morte, a poderosa, a Morte tornou-se minha irmã.


Ángelos Sikelianós, "Γιατί βαθιά μου δόξασα και πίστεψα τη γη"
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