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7/26) A OPEP+:

A OPEP+ foi criada em dezembro de 2016 por meio do acordo de cooperação nomeado como "Declaration of Cooperation", firmado entre a OPEP e produtores de petróleo não OPEP para que, em conjunto, pudessem influenciar o preço do barril no âmbito internacional.

Membros da OPEP: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Venezuela, Emirado Árabes Unidos(EAU), Qatar, Equador, Angola, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria.

Países não OPEP no acordo: Azerbaijão, Bahrein, Brunei, Cazaquistão, Malásia, México, Omã, Rússia, Sudão e Sudão do Sul.

Em resumo com o fracasso da OPEP e o crescimento na produção em países não OPEP surge um novo acordo visando incluir os não OPEP e novamente fortalecer a organização na sua missão de controlar os preços do petróleo no mundo.

Assim a nomenclatura OPEP+ passou a ser utilizada desde 2016.⤵️
8/26) Em setembro de 2018, os então 15 países membros representavam 44% da produção global de petróleo e 81,5% das reservas de petróleo "comprovadas" do mundo, dando à OPEP, novamente, uma grande influência nos preços globais de petróleo, previamente determinados pelos chamados agrupamento "Sete Irmãs" de empresas multinacionais de petróleo.

Em outubro de 2019, a Arábia Saudita convidou informalmente o Brasil para se juntar à OPEP.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em entrevista em Nova York, disse que ser membro ou não da OPEP não é uma opção atualmente considerada pelo governo brasileiro.

Observe que é o governo que não vê o convite como uma opção viável para o país.⤵️
9/26) O que este convite realmente representava para o Brasil ao ponto do governo não aceitá-lo?

Tornar-se membro do Cartel requer o pagamento de uma taxa anual.

Os membros devem obedecer ao limite de produção estabelecido em cota fixada pela OPEP aos seus integrantes (Não importa quanto o país tem capacidade para produzir, mas quanto pode produzir de acordo a permissão da OPEP).

Sujeitar-se ao poder que os países Árabes exercem sobre a OPEP.

Considerando que o avanço na produção brasileira está dificultando o esforço do cartel(OPEP+) em sustentar os preços do petróleo o convite seria uma forma de garantir poder de controle sobre a capacidade de produção do Brasil.⤵️
10/26) O exemplo do Equador mostram as implicações dos e pontos.

Em dezembro de 1992, o Equador retirou-se porque não estava disposto a pagar a taxa anual de associação de 2 milhões de dólares e achava que precisava produzir mais petróleo do que o permitido pela cota da OPEP, embora tenha voltado a entrar em outubro de 2007.

Quanto ao ponto(os países Árabes).

O autor John D. Morecroft, identificou dois modos de atuação da Arábia Saudita no papel de swing producer: estabilizador e coercitivo.

“Na maioria das vezes, a Arábia Saudita está no modo estabilizador, cumprindo e apoiando as cotas de produção estabelecidas pela OPEP.

Ocasionalmente, a Arábia Saudita muda para o modo punitivo, abandonando as cotas acordadas e aumentando rapidamente a produção para disciplinar os outros produtores”. (MORECROFT, 2015, p. 286. Tradução Livre).⤵️
11/26) Além dos modos estabilizador e punitivo, é possível ainda afirmar que os sauditas operam no modo repositor “preenchendo o vácuo de oferta de produtores incapacitados de suprir o mercado, especialmente quando estão envolvidos em conflitos armados” (NUNES, 2019).

Somado a isto, o país árabe ainda pode lançar mão de seu petróleo para promover embargos, negando o fornecimento a determinado Estado ou empresa, e benevolências, exportando sua produção para um consumidor a um preço abaixo do praticado no mercado internacional visando ganhos políticos no futuro.

É aqui que se estabelece onde está a volatilidade na cotação internacional para o preço do barril do petróleo - Oferta e Demanda.⤵️
12/26) Provavelmente você já ouviu que "quando há menor oferta de um produto, maior é o preço a ser pago por este no mercado".

Para as petrolíferas, quanto menor é a produção de petróleo no mundo, maior é o preço a ser pago pelo barril da commodity.

Por consequência, maior é o lucro para estas companhias.

O mesmo também ocorre se a demanda for elevada.

Analistas dizem que existem dois cenários possíveis relacionando as duas variáveis de oferta e demanda de petróleo.

O primeiro é de oferta alta, demanda baixa e preços caindo.⤵️
13/26) Durante a pandemia, muitas pessoas deixaram de sair de casa e de utilizar veículos e o consumo de combustíveis caiu drasticamente, reduzindo a demanda por petróleo.

Com os países ainda extraindo a commodity em patamares altos e sem ninguém para comprar, os preços do petróleo internacional foram para o abismo, chegando a ser negociados no patamar mínimo de US$ 20 para o barril Brent, entre os meses de março e abril(2020).

Foi um cenário em que oferta e demanda conflitaram, agravado pelo confronto nos níveis de produção entre a Rússia, Estados Unidos e Emirados Árabes.

Enquanto a Rússia queria produzir mais, os árabes queriam extrair menos para manter o controle nos preços.⤵️
14/26) Uma briga antiga.

Ainda na visão dos analistas deste setor, "países como a Rússia, com menor dependência do petróleo, sempre pressionam por um aumento da produção para equilibrar as margem de custos das petrolíferas – no caso da Rússia, a maior parte é de companhias estatais – desta forma o preço do petróleo não afeta outros setores da economia real".

“Na contramão, a Arábia Saudita, que é muito dependente do petróleo sempre quer ver o preço nas alturas e pressiona para que a produção seja baixa, porque quanto menor é a produção, maior é o preço pago pelo barril”.⤵️
15/26) Por que o petróleo disparou em 2021?

Lembra dos dois cenários possíveis(oferta e demanda)?

O segundo cenário é o que estamos vivendo atualmente: oferta baixa, demanda alta e preços elevados.

Com a retomada da economia, a demanda por combustível também voltou.

Uma espécie de reequilíbrio nos preços do petróleo que saíram de um fundo do poço de US$ 20 o barril para um patamar de US$ 50, beneficiando a commodity no curto prazo.

Atenta ao crescimento econômico, a Rússia sinalizou o desejo de aumentar a sua produção de petróleo.

O vice premiê russo, Alexandrer Novak, justificou que os programas de combate a pandemia estavam avançando, o que aceleraria a recuperação econômica e, em consequência, a demanda pela commodity.⤵️
16/26) Foi neste momento que a Arábia Saudita entrou em conflito com a Rússia ao alertar a OPEP+ contra a liberação de mais barris no mercado e propor um corte voluntário no país de 1 milhão de barris/dia em fevereiro e março.

“Segundo os sauditas, é necessário que a produção de petróleo continue restrita a fim de administrar o nível de demanda, afetada pela pandemia do coronavírus.

A postura dos sauditas foi de oposição à Rússia, que sinalizou desejo de aumento na produção”.

Como os sauditas exercem forte influência nas políticas da OPEP/OPEP+, passamos a ver oferta baixa e demanda alta.

Isto resultou em aumento no preço - Lembra, oferta baixa(pouco petróleo) + demanda alta(mais países aumentando o consumo de derivados como gasolina) = aumento no preço.

Foi este motivo que levou o Brent a ser negociado acima de US$ 54 o barril no começo de 2021.⤵️
17/26) No desfecho desta história, a OPEP+ aprovou um novo corte de produção, enquanto a Arábia Saudita reduziu de forma voluntária sua produção nacional em 1 milhão de barris por dia nos meses de fevereiro e março.

Tudo isso para compensar um aumento de produção em países como Rússia e o Cazaquistão e manter sob controle o nível de produção de petróleo no mundo.⤵️
18/26) Há um leque de possibilidades que nos ajudam a entender a atuação da OPEP+.

Se olharmos para seus integrantes(Membros da OPEP: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Venezuela, Emirado Árabes Unidos(EAU), Qatar, Equador, Angola, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria) e considerarmos a posição do Brasil em fazer negócios com qualquer país, desde que não seja pelo viés ideológico, perceberemos a importância que tem a atuação do presidente da Petrobras para minimizar os impactos oriundos das decisões da OPEP/OPEP+ que tenham potencial para prejudicar a economia do país.⤵️
19/26) Sem a atuação patriota do presidente da Petrobras, estaremos a mercê de qualquer um da oposição que tenha trânsito junto a OPEP+ onde suas ações podem dificultar, por N fatores, a retomada da nossa economia, ao mesmo tempo que tal articulação passa desapercebida, permanecendo oculta da sociedade os atores políticos internos que se beneficiarão por ocasião de eventual falha na retomada da economia.

Uma estratégia que pode, facilmente, convencer a sociedade que o vilão é o governo.

Mas como a sociedade pode culpar o governo diante destes fatos?⤵️
20/26) Quando o a cotação do barril sobe, os preços são reajustados, fazendo com que a Petrobras, que tem responsabilidades com seus acionistas, reajuste seus preços.

Com o reajuste os estados arrecadam mais sobre o ICMS lucrando com o aumento(Até aqui tudo "normal").

Como o Brasil e outros países produtores de petróleo não fazem parte da OPEP/OPEP+ não estão limitados a uma cota estabelecida, podendo produzir mais e forçar uma queda no preço internacional.⤵️
21/26) Neste ponto a atuação do presidente da Petrobras é fundamental, pois é dele a tarefa de equilibrar as ações da companhia dentro do binômio economia interna e lucro dos acionistas.

Assim, com o aumento da produção por parte dos não membros da OPEP/OPEP+ há uma queda do preço nas cotações internacionais, os preços são novamente reajustados e o governo federal espera que a redução chegue ao consumidor final - cidadão.

Afinal de contas este sentiu o peso no aumento.

Aliás aumento que puxa toda uma cadeia de reajustes fazendo a inflação disparar...

Resumindo: tudo aumenta junto com o reajuste dos combustíveis( perceberam a importância do presidente da Petrobras estar antenado com as políticas do governo?).⤵️
22/26) Quando tudo falhar, o que a oposição poderá fazer?

Foi exatamente neste ponto que a oposição encontrou um meio para impedir que um reajuste a menor(oferta e demanda, lembra?), seguindo a queda no preço do barril nos mercados internacionais chegasse ao consumidor final.⤵️
23/26) Como a oposição consegue neutralizar os efeitos na redução do valor do barril do petróleo?

Os estados articulam os reajustes por meio de um instrumento conhecido como "Pauta Fiscal".

Desta forma, ao perceber que o consumidor sentiria os efeitos positivos da politica de preços da Petrobras mediante esforços do governo, os estados reajustam o percentual referente ao ICMS que está sujeito a Pauta Fiscal, neutralizando qualquer sucesso nas politicas do governo federal para o setor.

Neste ponto não importa se o país está ou não membro da OPEP/OPEP+.⤵️
24/26) Todas as vezes que houver um reajuste para menos, basta que os entes(estados) aumentem o percentual aplicado pela Pauta Fiscal e o consumidor sempre estará pagando mais caro pelo combustível, mesmo que o governo federal tenha realizado um excelente trabalho em prol do setor.

Qual o efeito prático disto?

O cidadão que vai ao posto abastecer seu veículo passa a ter um sentimento de que o governo federal não possui uma política de preços que o favoreça.

Com isto a oposição tem muita munição para derrubar todas as ações do governo federal, principalmente às vésperas de uma eleição para presidente.⤵️
25/26) Resumindo:

Não adianta estar fora do controle imposto pela OPEP/OPEP+ e tornar-se refém da PAUTA FISCAL aplicada livremente pelos estados.

Ao dar destaque ao tema, o presidente permitiu que todos os brasileiros descobrissem que são os estados a última arma contra qualquer política de redução de preços nos combustíveis.

Com o STF impedindo que o governo federal intervenha nas medidas de enfrentamento da pandemia adotadas por estados e municípios, mas salientando que este deve garantir os recursos financeiros, quem mais ganha com uma crise econômica é a oposição, pois esta possui a garantia de que os recursos serão aportados, enquanto o governo federal incorre, cada vez mais, no risco de cometer uma pedalada fiscal enquanto assiste a oposição usar a PAUTA FISCAL como um agravante a mais.⤵️
26/26) A Petrobras é uma empresa de capital aberto e como tal possui um corpo de acionistas dentre os quais está o nosso governo.

Pedir que uma empresa brasileira que tem o governo como um dos seus acionistas não seja usada para desestabilizar a economia do país é o mínimo que se espera do chefe do executivo federal.

Sim esta é uma visão nacionalista como espera aqueles que o escolheram, democraticamente, como presidente.

Eis o que entendo como importante nas ações do presidente sobre o preço nos combustíveis.
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Bônus da thread acima.