Forwarded from The Exaltation of Beauty
Hermann David Solomon Corrodi (1844-1905), Fishing boats on a Venetian lagoon
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Forwarded from The Exaltation of Beauty
Ivan Aivazovsky, The Black Sea at Night, 1879
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Forwarded from The Exaltation of Beauty
Christ Walking on Water, c. 1880, by Julius Sergius von Klever
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Forwarded from chiaroscuro
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Forwarded from Cabo Das Tormentas (AR)
A VISITA AO REI DO MUNDO

"Da sela do branco corcel
Desc’ia El Rei desejado
Aquele que era revel
A clamar seu trono vago
Por mui’ havia navegado
Desde’ em sua nau embarcar
Em caminho mui tácito
Sob égide de’ Hélio solar
O Caminhante deiforme
Cuja sab’d’ria exemplar
Providenciou’ o liame
Para à El Rei se ligar
O Rei mui quisto dizia
Ó sutil herói gracioso
Que mais cedo’ eu bendizia
Pois nunca foste oci’oso
Diga o que o traz cá
Em mi’nha terra bem ditosa”
“Que’ igual direi, oxalá
Pois na pátria só resta discórdia
Venho a ti implorar
Para que em nosso trono
Tu, El Rei, volte a reinar
Pois já se foi o bel crono
Em que’ a paz reinara lá
Tu que és rei da justiça
Aquele que’ a paz nos dá
Volte, grandioso, faça esperança
Àqueles que te esperam
Finalmente retornar
São Sebastião, todos clamam
Volte’ à Terra Lusa reinar”

-Meister Vard

Em comemoração ao Aniversário D'El Rey Dom Sebastião, o Encoberto (20/01/1554)
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Forwarded from chiaroscuro
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Depois do ‘igualitarismo’ da nossa época, haverá novamente uma hierarquia afirmada no exterior, mas será uma hierarquia invertida, ou seja, uma ‘contra-hierarquia’ propriamente dita, cujo topo será ocupado pelo ser que na realidade toca mais perto de qualquer outro o próprio fundo dos ‘abismos infernais’ [...] [esse ser], o Anticristo, poderá assumir os próprios símbolos do Messias, tomando-os, porém, num sentido igualmente oposto; e a predominância atribuída ao aspecto ‘maléfico’, ou a rigor a substituição do aspecto ‘benéfico’ pelo maléfico mediante a subversão do duplo sentido dos símbolos, é o que constituirá a sua marca caraterística. (O Reino da Quantidade, 39)

Imagem: A Torre de Babel - Peter Bruegel, o Velho
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"Se fosse verdade que o mundo conhecido, desde o surgimento da escrita, passou por quatro éons, que são os grandes períodos de tempo em que podemos dividir as principais linhas da história, podemos dizer que o homem americano do norte encarna o éon prometeico e o ibero-americano o éon gótico-barroco. O primeiro dirige o seu olhar para a dominação da terra e o segundo o seu olhar para as alturas, que tampouco possuem limites. O homem prometeico é o arrogante titã que se rebelou contra os deuses, o astuto usufrutuário da natureza, por meio do uso do fogo. O homem gótico-barroco nas vastas planícies, sem obstáculos, percebe sua pequenez e impotência. Olha o sublime em silêncio e o atrai. Não vai contra o divino, mas se coloca a seu serviço."

- Alberto Buela.
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Forwarded from The Exaltation of Beauty
The Vesuvius Erupting, the Artist and His Father, Carle Vernet, in the Foreground (1822), by Horace Vernet 
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Forwarded from The Exaltation of Beauty
Eduard Büchler "Klippen am
Meer mit Monopteros", 1915
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O imenso, o ilimitado, aquilo que o filósofo pré-socrático Anaximandro denominou “to ápeiron”, marcou para sempre o caráter do homem sul- americano, sobretudo no Brasil e na Argentina. “O pampa, disse Drieu la Rochelle viajando com Jorge Luís Borges, é uma vertigem horizontal” e o sertão “sempre uma impressionante lonjura”.

O fato de não ver os limites fez dele um homem naturaliter livre. A solidão da imensidão fez dele um individualista, não da maneira liberal, mas um individualista fraternal, que sempre se conduziu no trato com o outro tendo como referência a ideia de hospitalidade.

- Alberto Buela
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Moonlit Shipwreck at Sea, by Thomas Moran, 1901
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Forwarded from Cabo Das Tormentas (AR)
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse, "Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?"
E o homem do leme disse, tremendo,
"El-Rei Dom João Segundo!"

"De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?"
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
"Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?"
E o homem do leme tremeu, e disse,
"El-Rei Dom João Segundo!"

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes,
"Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!"


-Fernando Pessoa, em 'Mensagem', Segunda Parte , Canto Sexto, IV, O Monstrengo.
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